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Correio da Tarde - 27/10/07 :: SAÚDE DO MORRO DO CARECA PERMANECE ESTÁVEL

Morro do careca permanece "adormecido"

Repórter: Mariele Araújo
Foto: Alberto Leandro

Cerca proíbe subida, o que tem ajudado a preservar

O cartão postal de Natal está adormecido. O morro do Careca apesar de não possuir a mesma vitalidade de 20 anos atrás, possui hoje uma situação considerada estável, após as agressões sofridas na época de livre acesso ao local. Mas os ambientalistas explicam que as características iniciais do morro não podem ser retomadas, mesmo após a restrição da subida da duna. Tentativa de escaladas no Careca ainda acontecem.

O acesso ao Morro do Careca foi interrompido há 13 anos, quando turistas e natalenes, devido ao fluxo elevado na duna, deram início ao processo de degradação. A vendedora de coco Ana Maria Melo contou que alguns visitantes, além de carregar um pouco da areia do morro, chegavam a arrancar a vegetação do local. "O pessoal se pendurava nos galhos para ajudar a subir. Outros até iam empurrando a areia para baixo, jogavam lixo. Ninguém respeitava", relatou.

O resultado das constantes escaladas ao morro foi a diminuição da altura da duna, aliada à perda de vegetação. O Morro do Careca consiste em uma área de dunas mista formada pela restinga e pelo tabuleiro.

De acordo com o ambientalista Eugênio Medeiros, não é possível recuperar as mesmas características do morro, mesmo com a proteção da interdição. "Plantar vegetação ali é difícil, por ser duna e portanto móvel. Além disso, a parte traseira do morro é composta por areias mais fixas, devido à vegetação mais abundante ali. Não temos como repor o que o tempo e o homem fez, mas permanecendo proibido o acesso é possível, pelo menos, mantê-lo lá".

O ambientalista explicou que o Morro do Careca é um local morfologicamente frágil. "O mar que bate no pé do morro por si só já ajuda a diminuir a altura do morro, porque leva parte da areia. Outro fator que degrada a duna é a ação urbanística em Ponta Negra, que modifica o regime dos ventos", criticou Eugênio Medeiros.

A vendedora Ana Melo, que trabalha há anos em frente ao morro denunciou quem eram os turistas mais desrespeitosos. "Os pernambucanos faziam miséria aí em cima. E mesmo com a proibição, até hoje eles são os que mais reclamam de não poder subir. Quando alguém tenta desobedecer, a polícia vem e tira do local", relatou. Segundo a vendedora, esporadicamente as equipes do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema) vão ao local verificar a situação do morro. Placas de proibição e aviso de cuidado com o patrimônio ambiental estão espalhadas pelos principais pontos do morro, mas a cerca arriada denuncia que alguém tentou desobedecer às ordens de restrição de acesso. "Isso acontece raramente, mas acontece", disse Ana Melo.

Localizado no extremo sul da Praia de Ponta Negra, o Morro do Careca possui cerca de 80 metros, mas já foi bem mais alto. No passado, o morro era uma fonte de diversão como os banhistas que o escalavam e desciam com a ajuda de um "brinquedo" chamado esquibunda além dos passeios de buggy. A intervenção de Organizações Não Governamentais, da população e da imprensa, acabou por "obrigar" os gestores municipais e estaduais a cuidaram do morro, através da proibição.

"O morro encanta o turista. Eles já ficam maravilhados só de tirarem foto no pé do Morro do Careca. Isso aqui é nosso orgulho, é nossa marca", disse o ambulante Raimundo Neves. De acordo com ele, somente há cinco anos a proibição e conservação do morro foi realmente entendida e respeitada pela população.

1 comentários:

Anônimo disse...

O acelerado processo de degradação que vinha sendo imposto aquela área sofreu uma interrupção graças as denuncias de ambientalistas, a ação da JUSTIÇA FEDERAL através de decisão de interdito probitório, que dentre outras medidas determinou que o Estado mantivesse policiamento constante no Morro do Careca. E é o que se ver. Chova, faça sol, dois policiais militares ambientais arriscam diariamente suas vidas para: orientar pessoas a não subir na duna, retirar pessoas "folgadas" da mesma, coibir tráfico, consumo de drogas, furtos e assaltos a mão armada. Para tudo isso, a esses verdadeiros defensores da natureza a sociedade dar as costas, desconhece, pois, não aparece um para sequer fazer uma citação, artigo em jornal, blog, televisão. É isso mesmo, é a nossa obrigação dar sem ver a quem.

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