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[Mobilidade] Estamos nos aproximando do caos!

"Estamos nos aproximando do caos", Demétrio Torres

Tribun do Norte - 19 de Agosto de 2012


O secretário da Secopa, Demétrio Torres, na semana em que o projeto da Arena das Dunas completou um ano de construção, aproveitou para falar também sobre a questão dos projetos de mobilidade urbana previstos para Copa de 2014. Se apresenta muito otimismo em relação ao estádio, o mesmo não se pode dizer da opinião emitida pelo secretário em relação a esse outro ponto do pacote de legados que a vinda do mundial trará para a capital potiguar. Demétrio Torres admite que alguns projetos não devem ficar prontos, coloca a remodelação da estrada de Ponta Negra como passível de não ficar pronta e afirma que o governo não terá alternativa, a não ser decretar feriado no dia dos jogos válidos pela Copa do Mundo na tentativa de prevenir um caos no trânsito natalense. Todos os pontos abordados são tratados com transparência nessa entrevista à TRIBUNA DO NORTE.

Alex RégisEntrevista Demétrio Torres/ Secretário da SecopaEntrevista Demétrio Torres/ Secretário da Secopa

Com as obras da Arena vai tudo bem, mas e as de mobilidade um ano depois, como vão?

Esse é nosso ponto fraco, mas também é necessário dizer que isso ocorre em todo o Brasil. A média nacional nos projetos de mobilidade urbana está na casa dos 5%. Eu tenho dito que Natal tem um diferencial das demais cidades-sede que é a localização privilegiada da nossa arena. Ela se encontra entre os dois principais corredores de transportes urbanos.  Mas não podemos negar que as obras de mobilidades são muito importantes, que serão realizadas com recursos de empréstimo concedido pelo governo federal e o município de Natal não perderá mais essas verbas. Apesar disso existem algumas obras que não devem ficar prontas até o início da Copa do Mundo de 2014.

Mas isso deve ocorrer apenas em Natal?

Não, em todo país isso deve ocorrer, pois infelizmente quando foi iniciado esse processo de investimento em mobilidade urbana, as cidades-sede não possuíam projetos prontos. O governo federal também não tinha definido a linha de crédito para atender essa demanda, tanto que só agora Natal está para assinar o convênio para receber os recursos para suas obras. Não é uma preocupação básica, mas será importante que se consiga realizar o máximo possível até 2014.

Desses projetos considerados em risco, quais especificamente causam maior preocupação ao governo do Estado?

As obras urbanas que necessitam de desocupação de imóveis, sempre geram maior preocupação. Os exemplos que temos não são bons e isso ocorre em todo país. Começa pela própria legislação que não é tão forte, bem como não é tão atualizada. As condições para realizar as avaliações não são seguras, tenho dito que a gente fala de mobilidade para a Copa, porque ela está batendo a nossa porta, mas não podemos esquecer dos problemas das cidades médias. Talvez ai esteja o maior entrave do país, atualmente não é simples resolver o problema de trânsito nesse tipo de cidade. Optando pelo modelo convencional, nós iremos precisar de espaço e eles estão cada vez mais raros nos municípios médios.  As outras soluções não convencionais também são lentas, então vamos carecer de uma legislação mais apropriada para o transporte público, temos de possuir condições atualizadas pelo fato de a nossa legislação ser antiga, caduca, já foi remendada e precisar mudar. Essa questão de mobilidade não é fácil.

As nossas políticas públicas para essa área estão corretas?

As políticas adotadas no Brasil, de certa forma quando tentamos resolver apenas as questões de forma pontual, acabamos provocando outro problema. Para exemplificar posso usar o caso da redução do IPI para os automóveis novos. O que aconteceu depois disso? A população foi as compras e temos hoje muito mais carros nas ruas e menos recursos nos cofres dos estados e dos municípios. Se possui efeito positivo na economia, a medida também gera um efeito nefasto bastante significativo na questão da mobilidade.

Temos mais algum exemplo do tipo?

Outra medida boa em termos econômicos, mas que veio agregada com alguns  malefícios  foi a decisão de zerar a CID, uma contribuição que incide nos combustíveis para manutenção das rodovias. Se formos olhar a questão da mobilidade veremos também que o problema específico não está restrito apenas as cidades e que alguns trechos rodoviários já estão apresentado as mesmas dificuldades. Na Grande Natal possuímos vários trechos que já nos dão problemas, e sérios! Se não tivermos recursos para mexer e modificar essas rodovias a tendência é que ele vá aumentando mesmo. Essa é uma discussão que seria bem mais produtiva se fosse realizada isolada dos projetos para Copa. Em minha opinião seria bem mais produtivo. A mobilidade é uma coisa muito séria e merece uma discussão séria também.

Mas por que esse tema tem de ser isolado?

Você não imagina como é difícil convencer um cidadão a não comprar um carro. Se o poder de compra dele melhorou, as condições de financiamento idem. O carro é o sonho de consumo de quase todo mundo por quê?Porquê ele lhe dá liberdade de sair de casa a hora que bem entender, ir para aonde quiser, com quem quiser, chegar a hora que quiser. Então como convencer esse cidadão? Não é fácil arranjar uma solução para um problema desses, tem de ser realizada uma discussão muito séria mesmo.
Do jeito que está, a malha viária de Natal comporta um acréscimo tão grande de pessoas como é esperado para Copa?
Me preocupa muito. Se você pudesse isolar veria que Natal é uma cidade de 17 mil hectares.  Se retirarmos as partes protegidas e que não se pode construir como os rios, mangues e Dunas, irá nos restar apenas 10 mil hectares. Por aqui circulam por dia uma ordem de 400 mil veículos e se tivéssemos  de construir estacionamentos para comportar todo esse fluxo, iríamos necessitar de mil hectares. Ou seja, ocuparíamos 10% da cidade apenas para construir estacionamentos. Esses números indicam que estamos por sofrer um verdadeiro imobilismo da cidade. Já temos isso nos horários de pico em várias vias transversais e estamos nos aproximando do caos. Por isso digo que nós não podemos de deixar de discutir a mobilidade urbana como uma coisa muito séria e de forma ampla.

As obras que estão planejadas para 2014, serão suficientes para evitar o caos?

Elas são importantes, mas não vamos resolver os problemas de Natal apenas com esses projetos. Nossas questões são bem mais amplas, necessitamos de um planejamento completo não só da mobilidade como do transporte público, que é um item importante nessa questão. Com o VLT, que lutamos tanto por ele, por exemplo, nós iremos deixar de transportar 4 mil usuários da rede ferroviária por dia, para transportar 50 mil. Isso significa que nós iremos tirar daquele fluxo na ponte de Igapó, mil ônibus por dia. Essa é uma solução de transporte público e também acaba sendo uma solução de mobilidade, pois no momento que esses ônibus deixam de passar por lá, nós estaremos melhorando o trânsito local.
Alex RégisEntrevista Demétrio Torres/ Secretário da SecopaEntrevista Demétrio Torres/ Secretário da Secopa


Mas já está sendo realizado algo neste sentido?

Nós estamos realizando agora um levantamento e estou lançando licitação para gente desenvolver dados reais e sair também do "achismo". Uma coisa já se concluiu, não podemos buscar a solução da mobilidade  em Natal sem pensar na região metropolitana. Nessas obras da Copa nós já começamos a pensar justamente dentro desse conjunto.

Esse prazo de dois anos são suficientes para reformular a malha viária natalense?

Não, o tempo é muito curto. Se formos analisar, todos os projetos neste sentido desenvolvidos em Natal foram pontuais. O viaduto de Ponta Negra é importante? É, mas não deixa de ser um projeto pontual. Tiramos um problema daqui e passamos só para um pouco mais adiante. Se formos ver aquele construído na zona norte, tiramos o problema daquele cruzamento da João Medeiros e jogamos  na Ponte de Igapó, no bairro Nordeste. Valor esses projetos têm, mas hoje precisamos ter estudos completos antes de realizarmos novas intervenções. Natal não suporta mais obras pontuais.

Dos projetos em andamento, quais são os estritamente necessários para minimizar os transtornos aos nossos visitantes, no período do Mundial?

 No caso de Natal uma das obras mais importantes é a conclusão do prolongamentos da Prudente de Morais, por que você vai conseguir reduzir os carros que passam pela BR-101 e a Salgado Filho, ou seja teremos a oportunidade de dividir esse fluxo de trânsito para saída e entrada da nossa cidade. Na minha avaliação é a obra mais importante. A outra será o acesso ao aeroporto de São Gonçalo, mas esse projeto está atrelado de forma direita ao cronograma do novo aeroporto: uma não sai sem a outra. Uma obra que será não apenas importante para a Copa como para toda cidade é a questão da Urbana. É você tirar as travas que existe naquele complexo viário que marca o encontro de duas cidades. Mas fazer isso e logo adiante não resolver o problema do trânsito em São Gonçalo do Amarante, também não adianta tanto, a não ser para quem vai para Redinha.

Então além de complicado o sistema é complexo?

O que ocorre hoje com Natal, ocorre também com o restante das cidades de grande e médio porte. De repente nossas cidades ficaram com as condições de mobilidade muito difícil. Isso não foi estudado, mas agora tem de ter um começo e estamos tentando fazer exatamente isso para deixarmos de fazer obras apenas pontuais.

Os projetos que o governo não tem segurança de acabar até a Copa, vai valer a pena investir neles?

É claro que sim, porque eles estão previsto na mobilidade. Tudo que pudéssemos antecipar dessa obras seria muito bom para cidade. Tenho dito o seguinte, se hoje a mobilidade está ruim, amanhã estará muito pior sem alguma intervenção. Na Copa, mesmo com todos os projetos ficando prontos, eles já não seriam suficientes para resolver nossos problemas. E se não for realizado o estudo com essa visão macro da cidade para resolver a situação, não vai demorar muito para chegarmos ao caos.

O projeto da Engenheiro Roberto Freire vai sair do papel?

Existe a possibilidade técnica de ficar pronto, mas é um projeto que ainda irá depender de uma audiência pública e um licitação. Isso foge ao controle do estado, de repente uma empresa entra com ação e atrasa tudo. Hoje admito a possibilidade de a obra não ficar pronta. Agora, uma coisa é certa e é importante frisar: os recursos estão assegurados e garantidos e por ser uma obra importante para cidade, uma vez que temos de dar uma solução para aquele problema, eu acho que isso não deixa de ter sido um legado pelo fato de Natal ter ganhado a condição de cidade-sede da Copa.

Pelo o que o senhor vem expondo, posso entender então que o governo não terá como fugir de decretar feriado nos dias dos jogos do Mundial. É verdade?

Do jeito que nós estamos, com o crescimento percentual da nossa frota exagerado, o governo forçosamente será obrigado a decretar feriado para realização de qualquer evento de grande porte que venha ser realizado fora de um sábado ou domingo em Natal. No Carnatal já quase ocorrendo isso, as repartições públicas decretam ponto facultativo e diminui o movimento na cidade. Qualquer evento que venha ocorrer nós estaremos passíveis de ter de parar algum setor, por isso, não tem como. É uma questão de espaço. Conversei com um especialistas em trânsito que me passou alguns dados assombrosos. Teve período em que nossa população cresceu 10% e que a frota de veículos, no mesmo espaço, em Natal, cresceu na ordem de 60%. É para se assombrar ou não!

O problema com a malha viária trava o desenvolvimento de Natal?

  Trava em todo os aspectos. As pessoas se estressam, adoecem, qualquer coisa que você possa imaginar reflete na mobilidade. Imagine você numa ambulância para entrar em Natal após sofrer um acidente no interior. Nada está fora dessa questão, sem se mover as coisas não acontecem.

Entrevista concedida em 2007 para o blog thyagomacedo.zip.net

  
Entrevista.Com Yuno Silva

- Sobre o Plano Diretor de Natal
Yuno Silva é jornalista e representante do Conselho Comunitário de Ponta Negra e da Associação de Moradores dos Conjuntos Ponta Negra e Alagamar. Além de encabeçar o Movimento SOS Ponta Negra, que, no final do ano passado, lutou contra a construção de espigões próximo ao Morro do Careca.
"Não tenho nenhuma dúvida quanto ao poder de fogo dos construtores dentro da Câmara dos Vereadores"
(Yuno Silva, sobre a votação do Plano Diretor de Natal).
Foto: www.sospontanegra.blogspot.com 

Ano passado você foi pivô do movimento SOS Ponta Negra. Este novo Plano Diretor vai impedir que construções como as dos espigões de Ponta Negra sejam permitidas novamente?
Não, o novo Plano Diretor não impede novas licenças para construção de espigões - pelo contrário: o entorno do Parque das Dunas (Morro Branco, Nova Descoberta e Potilândia) tornou-se área adensável (áreas onde pode-se construir prédios). A Zona Norte, mesmo sem saneamento básico, também será alvo da especulação imobiliária com a aprovação do coeficiente de aproveitamento de 2,5. Ou seja, em um terreno de 1 mil m² pode-se levantar até 2,5 mil m² de área construída (equivalente a um prédio de grande porte).Em Ponta Negra as coisas também não estão tranqüilas como muitos devem estar pensando. Nos próximos 12 meses, o poder público e a sociedade estarão planejando a implantação de um Plano Setorial no bairro, espécie de Plano Diretor mais específico. Ou seja, daqui a um ano veremos o que pode e o que não pode ser feito nos Conjuntos Ponta Negra e Alagamar e Vila de Ponta Negra. Até lá o bairro-praia terá um refresco, mas os moradores terão que continuar atentos e mobilizados pro quadro não se reverter.

Uma das emendas apresentadas por vocês moradores, prevê tornar a Vila de Ponta Negra em uma Área Especial de Interesse Social. Como funcionará essa Área?
Na verdade, boa parte das diretrizes que regem uma Área Especial de Interesse Social ainda são verdadeira incógnita para boa parte da comunidade - há várias regras a seguir, deveres e direitos, entre eles: o empresário não poderá comprar vários lotes pequenos, juntar tudo e incorporar uma grande obra - o morador pode ficar tranqüilo: ele vai poder continuar ampliando sua casa e seu terreno.
Sem dúvida os terrenos na Vila de Ponta Negra irão recuar a um patamar normal de valorização, o que vemos hoje é uma supervalorização fictícia, porque é temporária, que oprime o morador local. Aí é que entram alguns direitos como desconto no IPTU e maior atenção em questões de saneamento. Mãe Luíza precisa atentar pra esses detalhes e utilizar melhor a vantagem de ser uma AEIS. A AEIS da Vila de Ponta Negra será implantada em seis meses após aprovação do Plano Diretor.

E o Plano Setorial (ou Plano de Bairro)...
Pois é, temos um ano de trabalho pela frente para discutir, estudar e planejar um Plano Setorial para o bairro de Ponta Negra. A meta é considerar todas as especificidades, as características e o potencial da área para implantarmos um PS o mais justo, humano e mais próximo possível da  realidade. Claro, sempre com a visão de proteger o que resta de magia natural, sem deixar que as coisas continuem se desenvolvendo. O lema não é Progresso a todo custo e sim Progresso Responsável, mais conhecido como Desenvolvimento Sustentável.

Continua...


 Escrito por Thyago Macedo às 12h59
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A revisão do PDN estende a Zona Especial de Interesse Turístico, da Avenida Engenheiro Roberto Freire até parte da Vila de Ponta Negra. Essa também foi solicitação de vocês moradores?
Essa Zona Especial de Interesse Turístico já existia, apenas alguns limites foram revistos e as propostas foram da própria Prefeitura/Semurb. Não posso deixar de comentar que o Prefeito Carlos Eduardo e a promotora do Meio Ambiente Gilka da Mata foram peças fundamentais para boa parte do sucesso dessa NOSSA luta. Uma luta que chega a ser ingrata diante de interesses financeiros individualistas. A sociedade agradece o compromisso e a seriedade com que eles conduziram o processo, nem sempre ganhando, nem sempre perdendo, mas aprendendo a jogar.

Uma emenda apresentada pela prefeitura limitou as construções na Via Costeira de Natal. Durante a votação, o vereador Emilson Medeiros chegou a propor que fosse suprimido do PDN todo assunto relacionado à Via Costeira. Qual sua opinião sobre essa questão?
Acho a discussão engraçada pelos seguintes motivos: 1. só restam seis lotes para construção na Via Costeira; 2. os donos desses mesmos lotes estão autorizados a construir há mais de 20 anos e não fizeram esperando a valorização da área, ou seja, especulação pura; e 3. no menor desnível dos seis terrenos dá para se construir um hotel com até 200 apartamentos de luxo. Poucos sabem disso... Sou totalmente a favor da emenda e fico imaginando se todos tivessem obedecido as regras desde o princípio, vide hotel Imirá Plaza e Vila do Mar.

Enquanto a Zona Sul sofreu restrições na altura de novas construções, a Zona Norte e o entorno do Parque das Dunas foram liberados para crescer mais.Você é contra esse crescimento?
Sou veementemente contra a construção de prédios em áreas sem infra-estrutura urbana e a Zona Norte não está preparada para receber tais empreendimentos. Esse papo de tratamento privado de esgoto abre muitas brechas e a situação da vizinhança pode piorar: o lençol freático já está poluído - e pode ser aniquilado se não houver cuidado - é um ótimo motivo pra termos receio do que pode acontecer. Sou a favor de antes das coisas serem liberadas, que haja um planejamento sério e comprometido com o futuro do bairro, da cidade e com o bem estar da comunidade local, principalmente.
Antes de autorizar prédios temos que refletir nas seguintes questões: esses investimentos do exterior são realmente legais, ou é mais um grupo querendo lavar dinheiro em solo potiguar? Os prédios são apartamentos residenciais ou flats? Que podem detonar com a atividade hoteleira e 'moteleira'! Quem são esses compradores? O natalense terá algum tratamento diferenciado ou será refém de Euros que inflacionam o mercado? Então as coisas são bem mais profundas do que o simples "é mais progresso pra Zona Norte". Que progresso é esse que não respeita a paisagem, os vizinhos e a cidade?

Você acha que o poder do setor imobiliário influenciou nas escolhas dos vereadores?
Não tenho nenhuma dúvida quanto ao poder de fogo dos construtores dentro da Câmara dos Vereadores: sim, o poder do setor imobiliário influenciou, influencia e influenciará. Deve haver todo um jogo de interesses por trás que só imaginamos, mas temos certeza dessas possibilidades.

O texto final, votado pelos vereadores, agora será enviado à Prefeitura. Se você tivesse com a "caneta" do prefeito Carlos Eduardo, vetaria alguma parte do PDN?
A 'canetada' iria seguir por trilhas ecológicas, então iria vetar três emendas: 1. o adensamento criminoso da Zona Norte; 2. o adensamento absurdo do entorno ao Parque das Dunas; e 3. os 90 dias de prazo de transição para o novo Plano Diretor com entrada de processos via STTU, outro absurdo! Como sei que há uma série de interesses por trás das decisões, iria bater o pé para, pelo menos, aprovar o veto da terceira questão, que abre brechas – absurdas - aos construtores, que ganham tempo no encaminhamento de novos empreendimentos. Os outros dois pontos dependem da mobilização localizada da comunidade diretamente atingida pelo impacto que tais obras irão causar.

COMENTÁRIOS:

[PAULA] [BRASÍLIA] 
EXCELENTE a reportagem, Natal passa por uma especulação imobiliária muito gde que observava quando ainda morava aí, e essa luta por impedir essa especulação é mto importante e cuidar dessa fase de transição para a Zona Norte é urgente porque o local não tem estrutura para gdes empreendimentos e a proximidade como o rio e o lençol freático é o cerne para se discutir antes de tudo um desenvolvimento sustentável.

25/05/2007 13:12

[Pedro Kakaröto Hoogband] [Natal, RN, Brasil] 
Meu bom amigo Thyago, Muito importante a divulgação de informações como as veículadas em seu blog! Entrevistas abordando diversos personagens e diversos temas que por vezes são abordados superficialmente em outros meios de comunicação! Sou morador do conjunto Ponta Negra há 22 anos e testemunho, com certa tristesa, a busca da pseudo-evolução presente no cerne de nossos lideres políticos, que insistem em priorizar melhores "condições de vida" aos muitos prédios e poucos empresários, aos invés dos cidadãos. 

25/05/2007 10:16

[manuel] [Natal RN Brasil] 
o debate sobre as áreas de ocupação de interrese social só exixtiu olhos para Mãe Luiza, esqueceram que com construção da ponte Santos Reis/Redinha, ponte Newton Navarro não vai colar.Brasília Teimosa e Santos Reis está aberta para a ocupação e expeculação imobiliária. Qual o vereador que vai votar contra os interrese dos grandes grupos empresariais da cidade. 

24/05/2007 16:20

AFROREGGAE: Um catalisador cultural contra a violência

Tribuna do Norte - 5 de Maio de 2011
Yuno Silva - repórter
 A simbólica flor de lótus, que contraria previsões pessimistas e brota em meio ao lodo, é a prova mais cabal da possibilidade de transformar fel em mel. Planta sagrada em países da Ásia, o lótus sintetiza perfeitamente o poder de transformação social proporcionado pelo Grupo Cultural AfroReggae em comunidades do Rio de Janeiro – um exemplo já exportado para países como Holanda, Inglaterra, China e Índia. Prestes a completar 18 anos de atividades em agosto próximo, o AfroReggae aposta na bem sucedida fórmula de combater (e vencer) violência com arte e Cultura, e um de seus pupilos, Vitor Onofre, desembarca em Natal nesta quinta-feira para falar sobre o êxito do projeto durante a 10ª Semana de Antropologia da UFRN.

Integrante do Projeto AfroReggae, entidade bem-sucedida de combate à exclusão, Vítor Onofre conta sua experiência na Semana de Antropologia da UFRN

Integrante do Projeto AfroReggae, entidade bem-sucedida de combate à exclusão, Vítor Onofre conta sua experiência na Semana de Antropologia da UFRN




Em cartaz até amanhã (sexta, dia 6) no Auditório B do Centro de Ciências humanas, Letras e Artes da Universidade Federal (CCHLA/UFRN), a programação do evento é aberta ao público e inclui mostra de vídeos, palestras, debates, apresentação de pesquisas sobre Antropologia visual, exposição fotográfica e performances artísticas. O tema desta Semana de Antropologia gira em torno de reflexões sobre as "Imagens da Cidade", e Onofre participa hoje, logo mais às 19h, da mesa redonda "Movimentos Sociais e Comunidade", ao lado da arte educadora Vera Santana, coordenadora do projeto Conexão Felipe Camarão. O acesso é gratuito.

Um dos coordenadores do Núcleo Vigário Geral e assessor de projetos, Vitor Luiz Onofre Alves tem 31 anos e está no AfroReggae desde os 13. Sonhador convicto, afirma que se "não estivesse no AfroReggae talvez teria seguido o caminho de muitos amigos meus: que se envolveram com o tráfico e todos morreram." Além de Vigário Geral, onde tudo começou, o AfroReggae também mantém Núcleos em Parada de Lucas, Morro do Cantagalo, Complexo do Alemão e Jardim Nova Era (Nova Iguaçu). A próxima comunidade a ser 'ocupada' pelo projeto será a Vila Cruzeiro, Penha – um dos cenários do recente conflito que mobilizou, em novembro do ano passado, as Forças Armadas e a Polícia Militar carioca. Confira entrevista concedida com exclusividade à TRIBUNA DO NORTE:

O AfroReggae tem várias frentes de atuação. Como é seu trabalho dentro do projeto?

Comecei fazendo oficina de percussão, capoeira e teatro (Trupe da Saúde). Com o tempo, me tornei agente de projetos (auxiliar do coordenador de Núcleo) e em seguida me tornei coordenador do Núcleo de Vigário Geral, onde fiquei por seis anos. Em dezembro de 2010, fui convocado para uma nova missão: assumir a função de assessor de projetos no escritório do Afroreggae. Hoje faço palestras sobre o projeto e ajudo no andamento de atividades para que os trabalhos não parem.

Qual a principal motivação para você participar do AfroReggae?

Sou nascido e criado em Vigário Geral, onde histórico sempre foi de violência e na época não acreditava que algo pudesse ser diferente. Mas aí conheci o grupo de percussão e pela primeira vez ouvi algo que não era o som dos tiros. Quando você mora em uma favela, gueto, morro, comunidade, não importa muito se é negro ou nordestino, você acaba sofrendo muito com a violência policial. Sem aguá, luz, sem direito a alimentação a educação e vivendo o tempo todo ao lado de traficantes armados e drogas rolando o tempo todo, é muito difícil ter uma perspectiva de vida. Quando vi o AfroReggae pela primeira vez, senti que era caminho, que iria mudar minha vida.

Quais as áreas culturais e artísticas desenvolvidas pelo projeto?

No AfroReggae temos oficinas de percussão, música, dança (afro, balé, de salão), capoeira, história em quadrinhos, basquete de rua, tai chi chuan, circo, teatro, violino, informática.

Houve algum tipo de resistência ou boicote nas comunidades? Qual a relação dos Núcleos com traficantes?

Nunca houve um resistência por parte do trafico por vários motivos: primeiro por que que o AfroReggae nunca aceitou nada vindo dele. Tudo o que fazemos é para a comunidade. Outro ponto é que os próprios traficantes não querem ver seus filhos e familiares envolvido com o tráfico – eles sabem que a vida que levam só tem dois caminhos: a cadeia ou a morte.

Como foi o processo para se conquistar patrocinadores e apoio público?

Trabalhamos durante anos sem ter um patrocinador, o que tínhamos eram pequenas contribuições. Começamos nosso trabalho em uma época que nem os empresários nem governantes olhavam para esse tipo de lugar. Hoje o AfroReggae tem muitos parceiros e patrocinadores, inclusive com o Governo do Estado do RJ.

Hoje o AfroReggae é sinônimo de projeto social vencedor. A partir de que momento vocês perceberam que a iniciativa tinha deslanchado?

Acreditávamos desde o início que fosse dar certo, só não imaginamos que cresceria tanto em tão pouco tempo. Hoje o AfroReggae mantém 74 projetos.

Você pode enumerar alguns benefícios sociais conquistados? Efeitos práticos?

Temos jovens que passaram pelo AfroReggae e foram tocar na banda O Rappa. Outros que foram para grandes circos como Cirque du Soleil (Canadá) e Ringling Brothers (EUA). A maioria dos professores de percussão e monitores foram formados pelo próprio AfroReggae. Porém, o que fazemos é formar o cidadão para que esteja preparado para a vida. Não faixa etária específica para participar do projeto.

[HÁ CONTROVÉRSIAS] A ecologia é o ópio do povo - Entrevista com Slavoj Žižek

19/12/2009
''A ecologia é o ópio do povo''. Entrevista com Slavoj Zizek
Transgressor e politicamente incorreto – assim é o filósofo  esloveno Slavoj Žižek, uma das vozes mais vivas e controvertidas do pensamento atual.

Slavoj Žižek nasceu em Lubliana, na antiga Iugoslávia (hoje capital da Eslovênia), em 1949. Em 1990, candidatou-se à presidência da República de seu país. Esta entrevista foi realizada pelo professor Ricardo Sanín, do Departamento de Filosofia e História do Direito da Universidade Javeriana, da Colômbia, sendo cedida a MAGIS por intermédio do professor dos PPGs em Filosofia e Direito da Unisinos, Alfredo Culleton. Sanin e Culleton (também responsável pela tradução e introdução da entrevista) trabalham em cooperação em projeto de desenvolvimento de uma Teoria Crítica dos Direitos Humanos, junto com o professor Costas Douzinas, da Universidade de Londres.
A entrevista foi publicada por Magis, Revista da Unisinos, no. 05, dez 2009-jan 2010.
Eis a entrevista.

O senhor tem insistido que tanto o multiculturalismo quanto os movimentos ecológicos não abordam os problemas políticos verdadeiramente agudos e relevantes para o mundo. Por quê?  
O multiculturalismo passa por cima dos problemas políticos verdadeiramente relevantes e agudos quando os reduz a meros problemas culturais. Quando lidamos com um problema real, tanto sua designação ideológica como sua percepção como tal introduz uma mistificação invisível. Digamos que a tolerância designa um problema real. É claro, sempre me perguntam: "Como você pode concordar com a intolerância com os estrangeiros, estar de acordo com o antifeminismo ou ao lado da homofobia?". Aí reside a armadilha. Evidentemente, não estou de acordo. Ao que me oponho é à nossa percepção automática do racismo como mero problema de tolerância. Por que tantos problemas atualmente são percebidos como problemas de intolerância, em vez de serem entendidos como problemas de iniquidade, exploração e injustiça? Por que o remédio tem de ser a tolerância em vez de a emancipação, a luta política, ou ainda a luta política armada? A resposta imediata está na operação básica do multiculturalismo liberal: "a culturização da política". As diferenças políticas, diferenças condicionadas pela iniquidade política ou a exploração econômica, se naturalizam como simples diferenças "culturais". A causa desta culturização é o retrocesso, o fracasso das soluções políticas diretas, tais como o estado social. A tolerância é seu ersatz ou sucedâneo pós-político. A ideologia é, neste preciso sentido, uma noção que, enquanto designa um problema real, dilui uma fronteira de separação crucial.

E quanto à ecologia?
É precisamente no terreno da ecologia que podemos delinear a demarcação entre a política da emancipação e a política do medo na sua forma mais pura. De longe, a versão predominante da ecologia é a da ecologia do medo – medo da catástrofe, humana ou natural, que pode perturbar profundamente ou mesmo destruir a civilização humana. Essa ecologia do medo tem todas as oportunidades de se converter na forma ideológica predominante do capitalismo global, um novo ópio das massas que sucede o da religião. Assume a função fundamental da religião, aquela de impor uma autoridade inquestionável que estabelece todo limite. Apesar de os ecologistas exigirem permanentemente que mudemos radicalmente nossa forma de vida, é precisamente isso que subjaz a essa exigência no seu oposto, isto é, uma profunda desconfiança em relação à mudança, em relação ao desenvolvimento, em relação ao progresso: cada transformação radical pode conter a consequência inestimada de detonar uma catástrofe. É exatamente essa desconfiança que converte a ecologia em um candidato ideal para tomar o lugar de uma ideologia hegemônica, pois faz eco da desconfiança em relação aos grandes atos coletivos.

Afinal, de qual natureza estamos falando?
A "natureza" como condição de domínio, de reprodução balanceada, de implantação orgânica dentro da qual intervém a humanidade com a sua desmedida, destruindo brutalmente sua moção circular, não é outra coisa que a fantasia do ser humano; a natureza já é de fato uma "segunda natureza", seu equilíbrio é sempre secundário, trata-se de uma tentativa de negociar um "hábito" que restauraria alguma ordem depois das intervenções catastróficas. A lição que devemos colher é a de que, se não podemos estar seguros de qual será o resultado final das intervenções humanas na biosfera, uma coisa é certa: se a humanidade detivesse abruptamente sua imensa atividade industrial e deixasse que a natureza tomasse seu curso equilibrado, o resultado seria uma ruptura total, uma catástrofe inimaginável.  A "natureza" na Terra está tão adaptada às intervenções humanas, a "contaminação" humana está a tal ponto incluída no frágil e instável equilíbrio da reprodução "natural", que a interrupção intempestiva da ação humana causaria um desequilíbrio catastrófico. É isso precisamente que demonstra que a humanidade não tem como retroceder: não só não há um "grande Outro" (uma ordem simbólica autocontida que seja a última garantia do significado), assim como também não existe uma natureza que contenha uma ordem equilibrada ou de autoprodução e cujo equilíbrio tenha sido perturbado e descarrilado pela intervenção humana desbalanceada. Não só o grande Outro tem sido "gradeado", a natureza também.

Existe o mito fundamental segundo o qual o liberalismo é o lar da democracia. É a democracia uma produção do liberalismo?
Não, todas as características que hoje identificamos com a democracia liberal e com a liberdade (sindicatos, sufrágio universal, educação universal e gratuita, liberdade de imprensa etc.) foram obtidas pelas classes mais baixas em uma longa e difícil luta no transcurso do século XIX. Tais lutas estavam longe de ser uma consequencia "natural" das relações capitalistas. Lembra a lista de demandas que conclui o Manifesto Comunista: a maioria delas – à exceção da abolição da propriedade privada dos meios de produção, precisamente como resultado das lutas populares – hoje é amplamente aceita nas democracias "burguesas". Outro aspecto que se ignora constantemente: hoje, a igualdade entre brancos e negros se celebra como parte do "sonho americano", se percebe como um axioma ético-político. Sem dúvida, nos anos 1920 e 1930 do século passado, os comunistas dos Estados Unidos foram a única força política que argumentou a favor da igualdade absoluta entre as etnias. Aqueles que defendem a existência de um vínculo natural entre o liberalismo e a democracia estão equivocados.

Pode a política ser sublime em uma era pós-ideológica?
A tendência geral é para o ridículo. A figura do primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, é aqui fundamental, visto que hoje a Itália é efetivamente um tipo de laboratório experimental do nosso futuro. Se o cenário político é dividido entre um tecnocratismo permissivo-liberal e um fundamentalismo populista, Berlusconi tem o grande mérito de ser ambos ao mesmo tempo. É sem dúvida esta combinação que faz dele imbatível, pelo menos em um futuro próximo: a histórica "esquerda" italiana agora resignadamente o aceita como destino. Essa aceitação silenciosa de Berlusconi como destino é talvez o aspecto mais triste de seu reinado. Seus atos são cada vez mais inescrupulosos: ele não só ignora ou politicamente neutraliza juridicamente as investigações sobre suas atividades criminosas para impulsionar seus interesses comerciais privados, como também busca minar sistematicamente a base da dignidade do chefe de Estado. A dignidade clássica da política é baseada na sua elevação acima do jogo de interesses específicos na sociedade civil: a política é "alienada" da sociedade civil, apresenta-se como a esfera ideal do cidadão, em contraste com o conflito de interesses que caracteriza a burguesia como egotista. Berlusconi efetivamente acaba com essa alienação: hoje na Itália, a base burguesa impiedosa e abertamente explora o poder estatal como um meio para a defesa dos seus interesses econômicos. E lava a roupa suja de seus conflitos maritais privados à maneira de um reality show vulgar, diante de milhões de espectadores sentados nos seus sofás. A aposta de Berlusconi nas suas indecentes vulgaridades está, naturalmente, em que as pessoas vão se identificar com ele, na medida em que ele aprova a mítica imagem ampliada da mídia italiana: "Eu sou um de vocês, um pouco corrupto, com problemas com a lei, tenho problemas com a minha mulher, porque outras mulheres me atraem..." Mesmo sua grandiosa promulgação como um grande e nobre político, il cavalliere, é mais como uma ópera ridícula do pobre homem com sonho de grandeza. E, no entanto, essa aparência de "um homem normal como todos nós" não deve nos iludir: por baixo da máscara desajeitada há um poder estatal que funciona com eficiência impiedosa.

Combate ao crack ganha força com programação na Vila de Ponta Negra

Repórter: Marília Rocha
Foto: Fábio Bezerra


Através de caminhadas silenciosas e reuniões com os moradores, pais de crianças viciadas procuram ajuda das autoridades.

Graça Leal

A falta de políticas públicas e atenção nos serviços de saúde voltadas para o combate ao crack foi tema da entrevista do Jornal 96, da 96 FM na manhã desta terça-feira (25) com a coordenadora do Centro de Cultura e Conselho da Vila de Ponta Negra, Graça Leal. Ela conta que o problema das drogas vem piorando e influenciando jovens com menor idade cada dia mais.

“Estamos reunidos para combater o problema das drogas, juntamente com os SOS Ponta Negra, Filhos de Ponta Negra e associações de combate ao trafico na cidade. A realidade de hoje são centenas de crianças fora de creches, dezenas de jovens viciados em crack e quando não tem escolas, nem empregos, precisamos lutar por uma política de saúde publica. Hoje, uma minoria está lutando para impedir, mas mesmo assim não há um hospital público para tratar das crianças viciadas”, explica Graça.

Para ela, a discussão tem que ser maior, com ações concretas, fazendo um trabalho em parcerias com outros órgãos, com a Secretaria de Saúde e associações.

O combate ao trafico, segundo Graça Leal, já sofreu dificuldades em vários setores, inclusive pressões do trafico que domina o bairro, mas mesmo assim, a comunidade está tentando fazer um trabalho de prevenção, juntamente com a 15ª Delegacia e apoio do delegado.

Graça Leal lembrou que atualmente a internação de um paciente custa em média R$ 300, valor alto para a comunidade carente, que representa o maior numero de pessoas viciadas. “Estamos vivendo hoje - a nível nacional - com um sistema de saúde que não é feito para pobres. Hoje, as crianças com oito anos já estão viciadas e por isso temos que discutir essa questão”, afirma.

As reivindicações do centro de cultura são em torno da prevenção ao uso de drogas, incluindo educação de qualidade, direito de ter direito e projetos que incluem o Gabinete de Gestão Integrada e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Estamos lutando para que mais crianças sejam beneficiadas. Hoje trabalhamos com 4 escolas e 35 crianças que aprendem a arte dos pescadores, a cultura e o esporte, mas o número ainda é pequeno já que temos na Vila mais de mil crianças”, argumenta.

Durante a entrevista, a coordenadora do projeto alerta aos pais sobre o perigo das drogas. “As pessoas precisam ficar espertas. O crack é como um tsunami, quando chega devasta tudo e é igual para todos. Temos que discutir a questão da internação: o jovem não precisa pedir para ser internado, ele tem que ser internado e pronto porque cada dia é importante para salvar uma vida. Se você não olha no momento exato, não tem retorno”, afirma Graça Leal.

O projeto de combate ao consumo do crack irá ter uma programação cultura no mês de junho, com apresentação do coco de roda no dia 5 de junho e de Cristal e o mestre Pedrinho no dia 06 de junho. “Essa é uma forma de resgatar os nosso jovens”, diz.

A intenção da programação cultural e das caminhadas é que cada bairro se mobilize para que ocorra caminhadas em cada bairro da zona norte, leste, oeste, sul. “Que eles venham para ver a nossa programação e possam ter suas próprias caminhadas silenciosas. O crack é uma luta que podemos vencer”, acredita Graça.

.: Ponta Negra: Crescimento vertical e conseqüências - vídeo


Documentário feito pelos alunos da 2ª série do Contemporâneo sobre o crescimento vertical e suas conseqüências.

ROTEIRO
Arthur Lucena / Heloísa Carvalho / Juliana Alves / Lorena Azevedo / Lucas Xavier / Pedro Amorim / Rodolpho Erick / Talles Lucena

PRODUÇÃO
Arthur Lucena / Juliana Alves / Letícia Menezes / Lorena Azevedo / Lucas Xavier / Pedro Amorim / Rodolpho Erick / Talles Lucena

CÂMERA
Rodolpho Erick / Lucas Xavier / Pedro Amorim

NARRAÇÃO
Pedro Amorim / Talles Lucena

DIREÇÃO
Lucas Xavier

EDIÇÃO
Lucas Xavier / Pedro Amorim

Diário de Natal - 23/03/08 :: ENTREVISTA URBANO MEDEIROS || PRESIDENTE DA ARSBAN

‘‘A Caern deixou o planejamento em 2º plano’’

Repórter: Gabriela Freire
Foto: DLuca/DN

Em meio a comemoração pelo Dia Internacional da Água - comemorado ontem (22/3) - diretor presidente da Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município de Natal (Arsban), Urbano Medeiros, chama a atenção da população potiguar para questão simples e eficazes, como a economia da água enquanto se toma banho e sugere uma reflexão sobre a instalação do emissário submarino como solução para o esgoto da cidade.

A Arsban é uma agência reguladora e portanto, fiscaliza, normatiza e controla os serviços de saneamento básico no âmbito do município de Natal - concedidos à Caern. Urbano Medeiros está a frente da Arsban pelo segundo mandato consecutivo.

Entre os principais programas desenvolvidos pela agência, destaca o ProGesa (Programa de Educação Sanitária e Ambientação), que trabalha diretamente com a população no sentido de buscar a sensibilização em relação ao saneamento básico; o ProAssussa (Associações de Usuários do Saneamento Ambiental), que incentiva a comunidade a se apropriar do saber sanitário e ambiental e das informações pertinentes à regulação dos serviços; o monitoramento da qualidade da água; e a contabilidade regulatória, que desenvolve um trabalho permanente junto a Caern, no sentido de aferir o equilíbrio econômico da empresa e avaliar anualmente o pleito da concessionária em relação a tarifa.

Diário de Natal: Como trabalhar em uma cidade que tem praticamente 70% de seu território que não é saneado? Como regular esse território?

Urbano Medeiros: É um grande desafio. Mas não sabemos precisamente qual é esse percentual. A cidade cresceu bastante, a demanda aumentou e a Caern não acompanhou o crescimento da cidade. Por isso não temos como precisar esse número. Mas eu acho que a população está muito preocupada com o saneamento. Em pesquisas nacionais, aparece como a terceira preocupação. E com essa preocupação da população, os políticos vão atentar para esse problema.

Na próxima campanha eleitoral esse será um foco de discussão importantíssimo e a população precisa se envolver para saber quais as propostas de saneamento para a capital. Quanto a preocupação sobre os 70%, é muito grande. Tanto com o avanço do nitrato mas também em relação a quantidade de água. Pois a escassez passa a imperar. E a Caern fala em remanejamento e não em racionamento.

Como o senhor avalia a situação noticiada no Diário de Natal, que anuncia uma possível falta de água na cidade?

UM: Eu atribuo à precariedade dos investimentos nessa área ao longo do tempo e também ao descuido em relação ao planejamento. Então, com a palavra, a Caern, que detém a concessão exclusiva. Que tem por obrigação planejar, mesmo que em determinados anos, ainda não havia uma política nacional de saneamento, os investimentos ficaram muito aquém para o volume de recursos necessários, mas mesmo assim, quais os projetos que a Caern elaborou ao longo dos anos?

A partir do momento que assinou o contrato com o município de Natal, assumiu esse compromisso. Porque com o PAC (Plano de Aceleração do Cresccimento), os estados, municípios e intituições que tinham projetos e os encaminharam para o governo, estão vendo eles serem executados. Mas as intituições que não dispunham de projetos, ficararm para trás. Portanto, me arrisco a emitir juízo de valor e dizer que o planejamento ficou em segundo plano, diante da situação que estamos vivendo hoje.

Qual o nível de necessidade para acelerar o processo de saneamento sa cidade? Tendo em vista o problema do excesso de nitrato em alguns poços de abastecimento da cidade e uma possível falta de água em um futuro próximo?

UM: Acho que a mobilização da sociedade é prepoderante, assim como a vontade política dos governantes. Quanto a vontade política, tem havido gestos e também decisões de governo nesse sentido. Por exemplo, o Governo Federal assinou em julho do ano passado, vários convênios e contratos via Caixa Econômica para municípios como Parnamirim, com a própria Caern e com o Governo do Estado. Mas é necessário que haja uma certa agilidade por parte do estado, dos respectivos municípios e dos órgãos que operam o sistema.

Temos a estação Central de Tratamento de Esgotos (no Baldo), que há pelo menos dois anos recebeu alternativa de tratamento sugerida pelo Conselho Municipal e a obra está extremanente atrasada.

Qual a sua opinião sobre a instalação do emissário submarino?

UM: Recebemos o projeto há aproximadamente 10 dias e ainda estamos avaliando. Não tenho elementos para avaliar precisamente mas tenho uma grande preocupação. É fato que o nosso lençol freático está contaminado. Mas ele precisa continuar sendo alimentado. A questão da escassez de água, a Caern tem tido, que é justamente pelo fato de 26 postos terem sido fechados e por estarmos em uma época do ano que as pessoas usam mais água. Daí o emissário é para realizar um pré-tratamento dos esgotos e em seguida jogar no mar. Água no mar. É um efluente claro, mas ali tem água.

Fazendo um paralelo com o problema da contaminação por nitrato, até quem não é técnico no assunto, pode imaginar o que pode acontecer. Estamos descartando o que poderíamos infiltrar no lençol freático de forma tratada ou fazer o reuso de água, que me parece uma alternativa a ser analisada. Nesse ponto de vista, é preciso uma reflexão.

É imperativo que a população passe a utilizar melhor a água que tem hoje?

UM: Sim.

De que forma?

UM: Pequenos atos, como evitar banhos longos, fechar a torneira quando se está escovando os dentes, é escutar os conselhos dos mais antigos. Essa educação precisa ser trabalhada na escola. A água é imprescindível e precisamos economizá-la independente se há água suficiente ou não. Em grandes países do mundo, já está faltando. Cabe a cada um de nós economizar e adotar medidas educativas e não só esperar pelo poder público.

O natalense gasta muita água?

UM: Ainda há muito desperdício por parte da população. Mas tem um detalhe: o sistema da Caern desperdiça em torno de 45% de água tratada. É um dado em nível nacional que se reflete aqui. Em função do sistema deficiente, vazamentos, tubulações antigas, estrapolamento de adutoras. Praticamente a metade da água tratada é desperdiçada. E isso tem um impacto muito grande. É preciso que o sistema, muito antigo, seja substituído. Há um desperdiço porque a nossa cultura não nos permite estar 100% sintonizado.

Como o senhor avalia o desempenho da Caern ao longo desses cinco anos após a assinatura do contrato de concessão com o município?

UM: Estamos reavaliando pois é papel da Agência. A concessão é válida por 25 anos mas, analisando os primeiros cinco anos, vemos que eles não cumpriram a meta de 60% da cobertura de esgoto, coleta e tratamento. Os cinco anos expiraram em abril do ano passado. Por isso, desde dezembro, estamos analisando todos os dados, reavaliando e vamos repactuar ou revisar o contrato de concessão.

Se a Caern perder essa concessão, quem vai fazer esse serviço? A solução seria a privatização?

UM: É uma boa pergunta. Nós estamos fazendo o papel de agência reguladora no sentido de analisar. É preciso mostrar que não há o cumprimento do contrato por uma das partes que assinou o contrato. Mas não estou defendendo a privatização do sistema. Devemos ter um sistema público e eficiente operado pela Caern. Para isso ela precisa ser moderna, planejar de forma consistente, de recursos e investir em Natal. Atender a população com o saneamento público. Essa é a nossa defesa. Mas se a Caern continuar com a morosidade que existe hoje, eu não sei qual seria a solução.

Qual a solução para resolver o problema da água e do saneamento em Natal?

UM: O problema da água se resolve com tratamento. Com coleta e tratamento adequado de esgotos para não contaminar os lençóis freáticos. Temos um lençol abundante mas que precisa ser recuperado e isso demanda muito tempo. Alguns estudiosos falam em até 50 anos para reverter a atual situação, isso se tivéssemos a cidade 100% saneada hoje. É apenas uma tese, mas é muito mais grave do que imaginamos.

Correio da Tarde - 22/03/08 :: ENTREVISTA SÍLVIO BEZERRA || "EXPANDIR OS NEGÓCIOS PARA A EUROPA VAI FICAR MAIS FÁCIL"

Repórter: Louise Aguiar

Os investimentos estrangeiros têm chegado aos montes no Rio Grande do Norte, em especial os europeus. Os portugueses são os estrangeiros que mais fazem investimentos como pessoa física no Estado. Para lidar com a situação da demanda cada vez maior, o Rio Grande do Norte passou a contar este ano com a Câmara Brasil Portugal do RN - Comércio, Indústria e Turismo.

Comandada pelo presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do RN (Sinduscon/RN) e diretor da construtora Ecocil, Sílvio Bezerra, a Câmara de Comércio potiguar já iniciou as atividades: está encaminhando às autoridades um grupo de portugueses interessados em montar um parque eólico no Estado.

>>> Lucro fácil e rápido, investimentos estrangeiros, compra-compra .. vende-vende .. constrói-constrói. A liberdade da livre iniciativa do mercado privado termina quando passa a ferir direitos básicos da coletividade [incluindo os próprios compradores desses imóveis e grande parcela da população que não faz parte do hall de clientes em potencial]. Claro que SOMOS a favor de investimentos, mas antes garantir o respeito e a dignidade para vislumbrar um futuro melhor para TODOS - e não apenas para uns poucos detentores do capital.

Sílvio Bezerra conversou com o CORREIO DA TARDE e falou sobre os objetivos da nova entidade e de como essa iniciativa pode gerar uma cadeia de outras Câmaras de Comércio. "Se os outros consulados estimularem e conseguirem reunir um grupo de empresários locais, a gente pode iniciar um ciclo de criação de Câmaras de Comércio e as federações abrigarem o que a gente chama de Centro Internacional de Negócios", afirmou.

Correio da Tarde: Em primeiro lugar, o que é uma Câmara de Comércio?

Sílvio Bezerra: É um espaço apropriado para que os empresários locais e os de fora, quando chegam a um determinado local, busquem informação para fazer parcerias e negócios. A idéia surgiu de uma demanda por informação por parte dos portugueses que aqui chegam através do consulado, que não tem estrutura para esse tipo de coisa. É importante salientar que uma entidade como a Câmara só funciona com o aval do consulado e foi assim que a gente fez a nossa.

Qual a importância de o Rio Grande do Norte estar entre os 11 estados do País que possuem uma Câmara de Comércio?

Significa dizer que uma Câmara só existe quando há demanda e ela vai dar oportunidade de chegarmos a Portugal como empresários respaldados pela marca da Câmara, que é reconhecida pela Embaixada e pelo Consulado e de muita credibilidade. Você passa a ter a responsabilidade de representar o que há de melhor no Estado, receber as pessoas e fazer disso uma ponte para exportação.

Como é hoje nossa relação econômica com Portugal?

Só para se ter idéia, essas informações que existem no consulado se traduzem em o RN ser o Estado que mais recebe investimentos portugueses pessoa física do Brasil.

E com a Europa?

A Câmara de Comércio é uma oportunidade de entrar na Europa pela facilidade e identidade que a gente tem com a língua. Todo mundo sabe que nossos laços com Portugal são maiores em conseqüência da colonização. Se há uma dificuldade por parte do empresário de acessar outra parte da Europa, chegando por Portugal, isso pode mudar e tornar o caminho mais fácil. Além disso, eu acho que o Brasil tem uma relação muito mais estreita com a Europa do que com os EUA, por exemplo. Porque ao longo da história do Brasil, nossa identidade é muito mais européia do que americana. Temos a maior colônia italiana fora da Itália, teve a colonização alemã no sul do País e tem os portugueses. É toda uma história voltada para a cultura européia.

Quais os negócios em potencial que podemos fechar com Portugal?

Na área de turismo imobiliário que é a área que tenho mais conhecimento, não tenho dúvida que acontecerá de maneira mais forte. Mas não vejo como o RN, sendo um grande exportador de camarão, sal, frutas, doces e balas, não ter oportunidade de viabilizar mais negócios. Tudo o que o RN produzir, poderá ser objeto não só de incremento como de iniciação. Ao mesmo tempo acontece o contrário, a demanda que vier de lá para cá será sempre bem vinda.

Então vamos realmente estreitar as relações com o velho mundo?

Eu acredito que os investidores europeus poderiam suprir nossas necessidades na área de infra-estrutura. Isso aconteceu no sul do País com as privatizações das rodovias. Aqui a gente tem grandes investidores procurando investir na área de geração de energia, querendo montar um parque eólico. O próprio aeroporto de São Gonçalo do Amarante será feito de uma Parceria Público-Privada. Então por que não os portugueses se interessarem em explorar nosso aeroporto? O governo e a iniciativa privada têm que decidir o que a gente precisa para poder crescer, mas também não é ficar só nesses grandes investimentos, mas também no que for interessante para o pequeno empresário.

Qual a composição da Câmara de Comércio do RN?

São 11 vice-presidentes setoriais e como membros honorários temos os principais agentes econômicos - o presidente da Fiern, Flávio Azevedo, o do sistema Fecomércio/RN, Marcelo Queiroz, da Federação da Agricultura e o próprio Sebrae também tem representatividade lá.

A entidade irá ajudar no crescimento econômico do Estado?

Qualquer investimento que chegar aqui, vai ajudar no seu crescimento. Agora mesmo tem um grupo português interessado em instalar um parque eólico aqui. Se a gente não tivesse a Câmara, poderíamos correr o risco de perder para a Câmara de Pernambuco ou Ceará. Até esse trânsito entre iniciativa privada e governo é importante.

Há possibilidade de câmaras de comércio de outros países serem abertas no RN?

A de Portugal foi aberta em primeiro lugar porque houve a demanda e segundo pelo Consulado Português, que estimulou muito a criação da câmara. Se os consulados tiverem iniciativa de estimular e formar grupos de empresários locais, a gente pode estar iniciando a um ciclo de criação de câmaras de comércio e as federações abrigarem o que a gente chama de Centro Internacional de Negócios.

Diário de Natal :: ENTREVISTA FERNANDO BEZERRIL - SECRETÁRIO MUNICIPAL DE TURISMO

Entrevista: Fernando Bezerril

A Secretaria de Turismo de Natal (Sectur) começou 2008 com o desafio de divulgar o destino, atuar na captação de eventos e investir em projetos de infra-estrutura e capacitação, mesmo sem contar com um orçamento correspondente às suas necessidades. Nesta entrevista, o titular da pasta, Fernando Bezerril, explica como o órgão faz para driblar a falta de recursos. Ele também anuncia os principais planos para o ano e se manifesta sobre a atual crise da segurança pública e as possíveis conseqüências para a atividade turística.

- Diário de Natal: Quais serão as principais ações da Prefeitura de Natal no segmento de turismo em 2008?

- Fernando Bezerril: Nossas prioridades serão fortalecer o turismo de negócios, que é o segmento dos congressos e feiras, e o turismo de incentivo, que são aquelas viagens de prêmio dadas por grande empresas a funcionários, clientes e parceiros de destaque.

No segundo semestre, receberemos o congresso nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), um evento que deve trazer mais de seis mil advogados a Natal e injetar cerca de R$ 5 milhões na economia da cidade, durante apenas quatro dias. Com relação ao turismo de incentivo, já conseguimos captar uma viagem patrocinada pela Goodyear (multinacional fabricante de pneus).

Esses segmentos são muito lucrativos para qualquer destino, mas ainda engatinham no Brasil, por falta de direcionamento nesse sentido. São eventos que às vezes trazem mil e quinhentas ou duas mil pessoas, mas proporcionam grande retorno financeiro para a cidade.

Para colocar Natal neste circuito estamos divulgando o destino em eventos nacionais e internacionais, inclusive através da entrega de kits à imprensa de fora de Natal.

DN - O orçamento da Sectur é suficiente para os projetos do órgão?

- Não. Hoje temos um orçamento de cerca de R$ 3 milhões, quando precisaríamos de pelo menos R$ 12 milhões. Os convênios com outros órgãos e instituições é que viabilizam nossos projetos. Não temos dinheiro, mas sabemos quem tem e sabemos correr atrás. Recentemente, firmamos um convênio com a Fundação Banco do Brasil, no valor de R$ 250 mil, para realizar cursos de capacitação em conscientização turística, espanhol e inglês, voltados para bugueiros, taxistas, funcionários de hotel e outras funções relacionadas ao turismo. São cursos de alto custo individual, cerca de R$ 3 mil cada, que serão gratuitos para os alunos.

Através de um convênio com o Ministério do Turismo, no valor de R$ 500 mil, vamos implantar quiosques de informações turísticas em pontos como a praia da Redinha, a Pedra do Rosário, a entrada da cidade e a praia de Ponta Negra. Esse projeto inclui a instalação de postos policiais também.

As emendas parlamentares também são muito importantes para nosso trabalho. Uma emenda de R$ 500 mil da senadora Rosalba Ciarlini (DEM/RN) vai garantir a construção de um pequeno terminal náutico também na região da Pedra do Rosário, que servirá de porto para embarcações particulares e para passeios turísticos no Rio Potengi.

Também estamos firmando uma parceria com o Hotel Escola Barreira Roxa e com a ABIH-RN (Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Rio Grande do Norte) para transformar o prédio do antigo Grande Hotel, da Ribeira, num albergue da juventude.

Outro projeto nosso, que poderá se concretizar em parceria com empresas privadas e o poder público, é a transformação da Rampa em um museu sobre a 2º Guerra Mundial.

Esse problema da limitação orçamentária atinge todos os níveis do governo. A falta de recursos do próprio Ministério do Turismo é proporcionalmente equivalente à nossa, pode ter certeza.

DN - Em que passo está o projeto da Marina Natal?

- A Marina será construída. O projeto já obteve licenças de vários órgãos, como o Iphan (Instituto Nacional do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), o Complan (Conselho de Planejamento Urbano de Natal), além da Aeronáutica, do Exército e da Marinha. O Ministério público, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e Idema-RN (Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte) e o Ministério Público aguardam a regulamentação do projeto para também dar aval ao projeto.

O processo é demorado porque o turismo náutico é uma novidade no Brasil e até pouco tempo atrás não havia legislação relativa. Mas a marina é um projeto de grande importância, porque será o maior e melhor centro do tipo no Nordeste, com capacidade para 450 barcos. Serão R$ 100 milhões em investimentos privados. Acredito que a marina fique pronta dentro de dois anos.

DN - Como o senhor analisa o mau momento da segurança pública?

- Natal ainda é uma cidade segura, mas está se aproximando da marca de um milhão de habitantes e fica cada vez mais concorrida turisticamente e economicamente. O aumento da violência é um efeito colateral disso tudo. Uma cidade "em alta" não atrai só gente boa. Atrai também muito bandido e isso é normal. Mas devemos fazer de tudo para coibir a criminalidade, para que a cidade não perca a imagem de segura, algo que lhe é muito valioso inclusive no que diz respeito ao turismo. Casos como o recente assalto ao restaurante Tábua de Carne, em Ponta Negra, são muito graves e não podem se repetir.

DN - O prefeito Carlos Eduardo Alves tem sido sensível aos pleitos de sua secretaria?

- A todos os pleitos. Não tenho outra palavra que não de agradecimento a esse cara, que tem grande visão e sabe da importância do turismo para a cidade.

DN - Na sua opinião, o setor está mesmo em crise?

-Segundo alguns, está, mas eu discordo. Nossa alta-estação deste ano, que tinha recebido previsões sombrias por parte de alguns hoteleiros, registrou ocupações médias de 80% nos hotéis e de quase 100% nas pousadas. Os operadores de vôos charter, que vez por outra ameaçam abandonar o destino por discordar das políticas públicas relativas ao turismo, quase sempre continuam em Natal porque sabem que o destino é quente, tão quente que nunca é incluído entre as ofertas das companhias aéreas naquelas promoções de fim de semana que vendem passagens com 90% de desconto. Nossa hotelaria tem mais de 40 mil leitos, contra 12 mil de Maceió. Para onde o natalense viaja, só ouve elogios à sua cidade.

Matéria DN 22/3 :: Muita gente em Natal consome água imprópria

‘‘Muita gente em Natal consome água imprópria’’

Repórter: Bruno Vasconcelos
Foto: Ana Amaral/DN

Conhecida e reconhecida por ter o ar mais puro das Américas, Natal também se orgulhou por muitos anos da qualidade de sua água, potencialmente potável. Mas na última década, o crescimento imobiliário desordenado, somado à falta de esgotamento sanitário, causaram a contaminação do aquífero - principal fonte de abastecimento da cidade - por nitrato, o que está fazendo com que muitos natalenses tenham que beber água imprópria para o consumo humano.

A promotora Gilka da Mata (foto) classifica a contaminação da água de Natal como sendo o maior desafio para a sociedade e para o Ministério Público, que já enfrentou várias lutas para defender uma água de qualidade para a ‘Cidade do Sol’.

Uma das novidades sobre o assunto, segundo a promotora, é a denuncia de que o Hospital Giselda Trigueiro, que é administrado pelo estado, estaria jogando resíduos hospitalares em uma fossa, o que é proibido e pode contaminar o lençol freático. ‘‘Existe uma regulamentação própria para o destino de resíduos hospitalares’’, ressalta Gilka da Mata, que já pediu uma vistoria no hospital para constatar possíveis irregularidades.

Diário de Natal: Qual o principal problema hoje relacionado a água de Natal?

Gilka da Mata: Hoje temos um fator que influencia diretamente a população, que é a questão da contaminação da água. Em razão disso, a água que é distribuída para a população deixa de ser potável, o que afeta diretamente a saúde da população. A causa da contaminação é basicamente a falta de infra-estrutura de saneamento na cidade. Esse é o nosso maior problema.

Esse seria também o maior desafio?

O grande desafio é saber de onde a gente vai tirar a água para abastecer a população da cidade. Hoje, o abastecimento é predominantemente realizado através de aquíferos (lençóis freáticos). A solução encontrada pela Caern foi fazer a diluição da água contaminada do aquífero com água de manancial superficial. Na Zona Sul, da Lagoa do Jiqui e na Zona Norte, da Lagoa de Extremoz. Mas temos um grave problema porque a cada dia, com o crescimento da cidade, a demanda aumenta e as duas lagoas já estão no máximo de suas capacidades. Com isso, a água das lagoas não está chegando mais em quantidade suficiente para garantir a diluição. Então essa água está chegando em vários pontos da cidade, contaminada, imprópria para o consumo humano.

A situação é ruim em toda a cidade?

Dos oito reservatórios de abastecimento de água da Caern, três estão contaminados e os outros estão próximos ao nível de contaminação. O que é muito grave. E estes reservatórios abastecem os bairros mais populosos de Natal, como Lagoa Nova, Quintas e Felipe Camarão. Além disso temos problemas sérios de contaminação nos poços nos bairros de Pirangí, Gramoré e Pajuçara, onde a água vai para os reservatórios e não é diluída. Com isso, a contaminação chega à níveis altíssimos e a água deixa de ser potável, imprópria para o consumo humano. E muita gente em Natal consome água imprópria.

O que o Ministério Público está fazendo em relação a esse problema da contaminação?

As soluções a longo prazo e médio prazo envolvem necessariamente um sistema de esgotamento sanitário. Mas enquanto esse sistema não vem, nós não podemos deixar que a população continue tomando água imprópria para consumo. Aí vem aquele questão: ‘De onde vamos captar água?’. Tem que ser de mananciais que tenham qualidade e quantidade. Para Zona Norte, a Caern pensa na região do Rio Doce, onde já foram perfurados alguns poços e foi constatado que tem condições para abastecer a região. Na Zona Sul, a região da Lagoa do Jique também tem potencial de abastecimento por poços. Só que nestes casos é preciso construir adutoras. O que o Ministério Público fez foi entrar no ano passado com uma ação judicial contra a Caern exigindo essas medidas emergenciais, mas que ainda não foi apreciado pelo juizo.

O Poder Judiciário tem dado a mesma importância ao assunto ‘‘água’’, como é dado pelo Ministério Público?

Nós enfrentamos um problema com o Poder Judiciário, principalmente nas demandas que envolvem estado e municípios, porque entram na mesma vala comum da Vara da Fazenda Pública. E os juizes não são especializados na matéria. Hoje em dia, a questão ambiental tem que ser priorizada em todas as esferas: Nos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. Hoje, o Ministério Público em Natal tem uma promotoria específica do Meio Ambiente, com quatro promotores. Já o judiciário tem uma vara que não é totalmente especializada, que é a 18ªVara Cível, mas que envolve falências e meio ambiente, duas coisas que não têm nenhuma relação. A gente precisaria ter uma vara especializada na questão ambiental.

E como a população pode contribuir para garantir uma água de qualidade em Natal?

A sociedade precisa se conscientizar que também pode e deve ajudar. Coisas simples, como o racionamento de água e cuidados com a limpeza da fossa de casa são fundamentais para garantir que Natal possa ter sempre uma água potável de qualidade. O Ministério Público lança amanhã (hoje) uma cartilha (encartada hoje no Diário de Natal) que traz dicas de como proceder em relação ao esgoto de casa e a importância desses cuidados para a saúde da família.

Entrevistas no DN 22/12 :: Yuno Silva + Sílvio Bezerra

Entrevista - Yuno Silva

foto: Divulgação

“Eles são bem-vindos”

Diário de Natal - O que o senhor acha da ida dos empresários da construção civil para o abraço ao Morro do Careca no sábado?

Yuno Silva - Eles são bem-vindos, desde que o abraço seja sincero. Mas para mim é uma contradição. É uma incoerência completa os empresários quererem construir cinco prédios ao lado do morro e depois aparecem com essa notícia de que vão participar do abraço. É uma tentativa de confundir a opinião pública.

Existe um ceticismo por parte do movimento SOS Ponta Negra?

O movimento SOS Ponta Negra está entrando numa fase de São Tomé. Chega de ouvir estórias. Queremos ver para crer. Se eles realmente protegem o meio ambiente, incluam no projeto prédios mais baixos, mais integrados à natureza.

O ato não pode representar o início de um acordo?

Não estamos falando a mesma língua. A população de Natal quer preservar sem demagogia. A Vila não precisa dos prédios para crescer.

Não há um oportunismo em usar o nome do movimento em produções culturais?

Estamos devolvendo o caos da terça-feira (o protesto das construtoras) com música na sexta e no sábado. Não é oportunismo porque parte da renda será revertida para o SOS Ponta Negra, para o teatro da vila e para os grupos folclóricos.

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Entrevista - Silvio Bezerra

foto: Carlos Santos/DN

“Sou a favor da preservação”

Diário de Natal - Yuno Silva acredita que não há sinceridade no abraço proposto por parte dos empresários da construção civil. Como o senhor reage à idéia dele?

Silvio Bezerra - É um preconceito da parte de Yuno. Ele não tem a exclusividade da admiração ao Morro do Careca. Mas também não estou interessado em convencê-lo. Simplesmente quero compartilhar essa vontade de preservação. E mais, sou a favor da preservação não só desse cartão postal, mas de qualquer outro. Como o Rio Potengi, por exemplo, que está muito poluído.

Não há uma incoerência na participação dos empresários?

Não vejo incompatibilidade nenhuma entre a construção das obras e a preservação do morro. Yuno deve saber que existe o conceito de desenvolvimento sustentável.

O senhor não tem receio de existir uma reação negativa quando chegar lá?

Espero não ser agredido. Aí, tenha paciência. Estou indo com fins pacíficos. Só brigam dois quando os dois querem.

O que acha da declaração da secretária Ana Míriam de que a Semurb não tem estrutura para a demanda de pedidos de licenças ambientais?

Há dois anos dou sugestões que pudessem fazer com que a Semurb atenda a demanda existente. Eu já sabia dessa falha. Inclusive relatei em audiência com a promotora Gilka da Mata. Que dobrem o expediente ou terceirizassem o setor de licenças. Sugestão é o que não falta.