Matéria TN 26/4 :: Via Costeira gera novas polêmicas

Via Costeira gera novas polêmicas

Repórter: Wagner Lopes
Foto: Emanuel Amaral

PDN - Altura de novos prédios na Via Costeira volta a ser debatida na CMN

Uma estreita faixa de areia com 9 quilômetros de comprimento deve causar uma das maiores polêmicas na audiência pública de hoje na Câmara Municipal de Natal, a respeito do novo Plano Diretor. Trata-se da Via Costeira. Para a Prefeitura, impedir que os novos empreendimentos ultrapassem a altura da pista da avenida Dinarte Mariz é fundamental no sentido de preservar as “últimas janelas” com vista para o oceano Atlântico, Ponta Negra e o morro do Careca. Os empresários de turismo, contudo, garantem que essa limitação vai inviabilizar os investimentos.

“Tudo na vida tem de ter bom senso. Restam apenas seis lotes. Por que não manter o gabarito atual (15 m de altura) e se preocupar com coisas mais importantes. Ribeira, saneamento, entre outras?” questiona o empresário Sami Elali. Sua empresa, a G5, possui terrenos na área e, assim como nos demais espaços, os projetos já vinham sendo elaborados, porém terão de ser mudados se a emenda proposta pelo Executivo for aprovada. “Caso o limite valesse desde o início, tudo bem, mas muito já se construiu e não pode se mudar a regra no meio do jogo”, critica Elali.

A opinião é semelhante à do presidente estadual da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH), Enrico Fermi. Segundo ele, os proprietários dos seis lotes restantes, todos investidores nacionais, vinham buscando parceiros para construir em seus espaços. “Acho essa proposta um retrocesso, pois vai inviabilizar totalmente os empreendimentos novos da Via Costeira”, analisa. O principal argumento é que, para respeitar a altura da pista, só poderão ser construídos hotéis de até 200 apartamentos. “Vai ser difícil competir com os atuais, de 300 e 400 apartamentos, até porque o custo fixo de um hotel é basicamente o mesmo, independente do tamanho”, explica.

A Semurb, porém, faz previsões bem diferentes. “Mesmo com essas limitações, será possível erguer hotéis de 400 a 1 mil apartamentos, com o mesmo padrão dos que já funcionam. Não haverá prejuízos”, defende o chefe do setor de Planejamento Urbanístico, Márcio Henrique Yacyszyn. Segundo ele, alguns empreendimentos poderão ter até seis pavimentos.

Bate Papo

Florésia Pessoa - chefe de departamento

Por que impedir as construções acima do nível da pista?

Logo quando surgiu aquela polêmica dos espigões em Ponta Negra, observamos que o problema quanto à vista da paisagem também se repetia na Via Costeira. Daí a necessidade de definirmos uma regra para preservar as últimas janelas que tínhamos com relação a essa vista.

Os críticos da idéia chegam a dizer que isso criaria uma espécie de reserva de mercado para quem já construiu, impedindo novos empreendimentos. Como a senhora vê isso?

Ninguém ali saiu perdendo. Todos já se beneficiaram desde a construção da Via Costeira. Está na hora da cidade, Natal, também ter sua parcela. E é possível, sim, construir com o novo gabarito.

E por que não promover a mudança quando houver a revisão da lei específica que trata da (Área de Especial Interesse Turístico) Via Costeira?

Estamos trabalhando na revisão dessas áreas, mas é muita coisa ainda a ser feita e a equipe que temos não permite uma agilidade maior. No mínimo, no mínimo, vamos levar uns seis meses para isso. Até lá pode não haver mais o que preservar.

Matéria TN 20/4 :: Moradores não temem ação do MP

Moradores não temem ação do MP

Foto: Aléx Régis

LADEIRA DO SOL - Moradora não acredita na remoção das famílias do local

A Ação do Ministério Público pedindo a remoção das casas localizadas em uma área de risco entre a Ladeira do Sol e a escadaria do Hospital Onofre Lopes, na praia dos Artistas, não trouxe preocupação para os moradores que podem ser afetados pela medida. O motivo é simples: eles não acreditam que a desocupação venha a ser executada.
O descrédito entre a população local se deve ao mesmo fato que chamou a atenção da promotora de Defesa do Meio Ambiente, Rossana Sudário, ao elaborar a Ação Civil Pública: embora a Prefeitura tenha conhecimento das invasões na área já há 17 anos, até hoje não se mobilizou para impedir as construções no local. “Aqui em Natal, as pessoas invadem à vontade, porque ninguém coíbe, ou retira os que já invadiram”, reclama a promotora.

Além de retirar as casas, o Ministério Público pede que a Justiça obrigue a Prefeitura a reflorestar a área, evitando riscos às demais residências e à vida das pessoas. “Ali é uma encosta e pode desabar”, ressaltou Rossana Sudário. Embora a ação inclua um pedido de liminar, a decisão do juiz da 3ª Vara da Fazenda Pública, Geraldo Antônio da Mota, não deve sair esta semana. “Ele deve notificar a Prefeitura que terá 72 horas para se pronunciar”, explicou a promotora.

Para a dona-de-casa Luci Alves de Lima, moradora do local, a encosta próxima à Ladeira do Sol representa mesmo um risco. “Aqui as pessoas vão cavando para construir e piora a situação. Quando vim para cá, cinco anos atrás, me disseram na Caern que não era para meu filho ter comprado o terreno, pois era área de risco”, lembrou. Apesar de não acreditar que a retirada seja efetivada, ela afirma que vai querer indenização se isso ocorrer.

A dona-de-casa Lúcia Diniz de Morais, que vive em uma casa na escadaria do Onofre Lopes, não crê que os “vizinhos” tenham de procurar outro canto para morar. “Moro aqui há 15 anos e desde que vim começaram a querer tirar o pessoal dessa área, mas acho que não tiram. Onde vão colocar esse povo todo?” questionou.

O procurador-geral do Município, Waldenir Xavier, afirmou na manhã de ontem que ainda não tinha conhecimento da ação. Já a Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Ana Míriam Machado, declarou que ainda não foi sequer notificada pela Justiça, ou pelo Ministério Público, e só deve se pronunciar após isso ocorrer.
Intimação foi feita em 1989
De acordo com o Ministério Público, as informações são de que os moradores da área ocupada foram intimados pela Prefeitura em 1989, quando se abriram os processos administrativos tratando da retirada. Nove anos depois, foi realizado um levantamento e encaminhado para a Gerência de Fiscalização da Semurb “tomar providências”. No entanto, nada foi feito. Em 2005, o MP recebeu novas denúncias da ampliação do loteamento na encosta da Ladeira do Sol e buscou explicações da prefeitura. A resposta foi que a demora na desocupação se devia à lentidão nos trâmites jurídicos. “Dezessete anos. Ô tramitação lenta!” ressaltou a promotora Rossana Sudário.

Bate-papo: Cícero Ribeiro - pintor de automóveis
Há quanto tempo o senhor vive nessa área?
Há uns dez anos. Paguei R$ 2 mil pelo terreno.
O senhor teme que haja desabamento?
Rapaz, você vê uma chuvinha dessa que caiu (quarta-feira), é o povo rico de Lagoa Nova, Capim Macio, tudo alagado e só tem mansão. E a gente aqui não tem esse problema. Não desce terra, não.

Já faz tempo que o senhor ouve falar em tirar vocês daqui?

É muito antiga essa história.

E o senhor acredita?
Acredito não. Agora, tava querendo fazer uma cozinha no quintal (ao pé da encosta), mas com esse negócio aí (a possibilidade da retirada) fica complicado.
E se vierem derrubar as casas?
Queria que me indenizassem.

Matéria TN 19/4 :: Prefeito não abre mão de pontos essenciais do PDN

Prefeito não abre mão de pontos essenciais do PDN

Divulgação

EXECUTIVO - Prefeito vai insistir com as principais propostas do Plano Diretor

O prefeito Carlos Eduardo vai conversar novamente com os vereadores que compõem sua bancada de apoio na Câmara Municipal. A motivação para isso surgiu ontem, quando após ler os jornais, Carlos Eduardo ficou sabendo que aspectos fundamentais da proposta da Prefeitura — preservação da Via Costeira, Outorga Onerosa e ocupação da Zona Norte — poderão ser alterados. Dos três aspectos, o prefeito só aceita conversar sobre um deles: o que envolve a Zona Norte.

Com relação aos demais, ele foi taxativo e não abre mão de que os vereadores mantenham a integralidade da proposta que foi enviada à Câmara. “Eu vou insistir com essas propostas”, avisou. A votação do novo Plano Diretor vai ocorrer terça-feira próxima. O prefeito informou que até segunda-feira deve conversar com os vereadores que lhe apóiam. Não está descartado a possibilidade de conversas individuais com os vereadores que integram a base governista no parlamento municipal.

A outorga onerosa é uma taxa que os construtores pagam para construir um pouco mais do que o planejado inicialmente, em determinado empreendimento. Isso só pode ser feito com autorização da Prefeitura e em áreas que permitem maior adensamento. A Prefeitura propõe que os percentuais de cobrança para essa taxa sejam de 3, 4 e 6% para o primeiro o segundo e o terceiro ano após a aprovação da lei do novo Plano Diretor.

Há uma emenda modificativa, proposta pelo vereador Geraldo Neto, que propõe alteração nesses percentuais: 2, 3 e 4%. E essa emenda — de acordo com o que se comenta no parlamento — “deve passar”. O prefeito argumentou ontem que só aceita alteração na sua proposta caso os vereadores mostrem que há outra capital do País onde a outorga é mais barata que em Natal. Carlos Eduardo argumentou ainda que o dinheiro é usado para constituir investimentos em infra-estrutura. “Estamos pedindo o mínimo. Não acreditamos que os vereadores, que conhecem a realidade, votem contra esse projeto”.

Com relação à Via Costeira, onde hoje é permitido construir até 15 metros acima do nível da avenida; a proposta da prefeitura é que a partir da aprovação todos os empreendimentos fiquem abaixo do nível da avenida. Os vereadores querem suprimir essa proposta da Prefeitura. A emenda deve ser apresentada pelo próprio relator do novo plano, vereador Emilson Medeiros (PPS), para quem é injusto ter empreendimentos que já passam o nível da avenida e outros que não poderão passar. O prefeito também não abre mão da proposta enviada pela Prefeitura com relação à Via. Após consultar a secretária de Meio Ambiente e Urbanismo, Ana Mirim machado, ele explicou que a intenção da Prefeitura com a proposta é realmente preservar a vista nos seis terrenos que ainda podem ser ocupados.

Prefeitura aceita discutir proposta para a Z. Norte

Das três emendas que propõem mudanças no que a prefeitura enviou à Câmara Municipal, o prefeito só aceita negociar a que se refere à Zona Norte, que determina a mudança de classificação quanto à ocupação da área. Pela Prefeitura, a Zona Norte fica sendo zona de adensamento básico, com índice de aproveitamento 1,2. Pela emenda proposta pelo vereador Dickson Nasser, presidente da Câmara Municipal, a Zona Norte passa a ser zona adensável com coeficiente de aproveitamento 2,5.

A mudança permite maior aproveitamento imobiliário da região. A emenda de Dickson Nasser tem um condicionante: todo empreendimento erguido na Zona Norte tem de possuir estação de tratamento de esgoto. A medida surge como forma de amenizar o fator limitador que existe na região, a falta de saneamento (que implica em contaminação dos efluentes). O prefeito disse que essa questão pode ser examinada.

Se ficar comprovado que a estação resolve o problema, ele não pretende manter a oposição. “Esse plano não é do prefeito. São de técnicos que sabem o que estão propondo e ouviram a população”, disse Carlos Eduardo. E acrescentou: “Prefiro acreditar que a Câmara vai manter a essência do Plano Diretor”.

Propostas de alterações provocam polêmicas

Antes mesmo de entrarem em votação, as emendas dos vereadores ao projeto do Plano Diretor enviado pelo Executivo Municipal provocam polêmica. No total foram apresentadas 18 emendas, mas a expectativa é que esse número chegue a 22, porque o vereador Hermano Morais confirmou que apresentará quatro emendas ao plano.

Os pontos mais polêmicos estão centrados no novo valor da outorga onerosa, restrição das construções na Vila de Ponta Negra e as limitações para os empreendimentos na zona Norte. “A impressão que eu tenho é que estou falando, falando e ninguém escuta. Sabemos do problema e estamos apresentando a solução, mas ninguém faz nada”, disse o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil, Sílvio Bezerra.

Ele afirmou que caso o aumento da outorga onerosa seja aprovado pelo Legislativo isso representará um custo a mais na construção civil. “Se querem aumentar a arrecadação de impostos então deixe a gente construir e aumentará a arrecadação do IPTU. Se fizerem o que estão dizendo quem vai pagar a conta é a classe média porque os preços dos imóveis aumentarão”, comentou o engenheiro.

O presidente do Sinduscon reagiu em tom de indignação à restrição de construção na Zona Norte. Pela proposta do prefeito Carlos Eduardo a região ficaria apenas com o adensamento básico, ou seja, constrói apenas uma vez e meia o tamanho do terreno. A emenda que tramita na Câmara propõe que a construção seja de duas vezes e meia o tamanho do terreno em áreas de saneamento.

“Será que a Zona Norte nesses últimos dez anos não ganhou nenhuma obra de infra-estrutura que permita as construções?”, questionou. Sílvio Bezerra acredita que o mais sensato seria permitir a construção com a condição de ser realizada apenas nas áreas com saneamento. “Nossa idéia é que as construções sejam condicionadas à execução do tratamento de esgoto privado”, comentou.

A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Rossana Sudário dos Santos, analisou com reservas a emenda dos vereadores de permitir construção na área da Zona Norte que possui saneamento. “É perigoso isso porque depois as pessoas tentarão construir argumentando a mesma legislação que fez restrições as obras. O melhor seria vetar (a construção) agora e depois quando a região tivesse saneada fazer uma revisão do Plano Diretor”, comentou.

Sobre a tornar a área da Vila de Ponta Negra de interesse social, a promotora elogia a decisão. “Isso é muito importante para preservar a paisagem”, completou.

Mundanças em debate do novo plano diretor

Emendas devem ser votadas na Câmara Municipal na sessão da próxima terça-feira. Veja os pontos mais polêmicos do projeto que será votado.

# Outorga onerosa

O que é:Uma taxa cobrada para a construção acima da quantidade de andares permitida inicialmente no Plano Diretor. Isso só é possível nas áreas da cidade que comportam tal acréscimo e com a permissão da Prefeitura.

O projeto do novo Plano Diretor fixa 3% do valor da obra no primeiro ano de vigência, 4% no segundo ano e 6% a partir do terceiro.

Uma emenda propõe fixar o valorem 3%;

Outra emenda define o valor de 3% no primeiro ano, 4% no segundo ano e 5% no terceiro ano;

O atual plano define a outorgaem 1%.

# Zona Norte

O projeto da Prefeitura determina área de adensamento básico (construção de apenas um e meio o tamanho da área).

A emenda da Câmara Muncipal propõe adensamento com construção de dois e meio o tamanho do terreno.

O atual Plano Diretor permite a construção sem restrição na região.

Vila de Ponta Negra

A Prefeitura defende a criação da “área de interesse social”, onde seria proibida a construção de edifícios.

Pelo atual plano, a área daquela região é não adensável (permitida a construção acima do plano básico de um e meio o tamanho do terreno).

O trâmite da emendas

Para serem aprovadas, as emendas precisam ter votação em maioria absoluta.

Depois de aprovada, segue para a análise do prefeito Carlos Eduardo.

O chefe do Executivo tem 15 dias para sancionar ou para vetar.

Em caso de veto, o projeto retorna à Câmara para apreciação.

Os vereadores podem derrubar o veto do prefeito com votação de superior a dois terços do número de legisladores.

Votação do Plano Diretor é adiada para análise de novas emendas

* e-mail enviado/recebido dia 17 de abril de 2007, às 14h10 .. ou seja, após a hora marcada para o início da plenária na Câmara dos Vereadores

Prezados(as) Senhores(as)

Informamos a Vossa Senhoria que ainda não temos a data exata da votação do Plano Diretor de Natal. Os Vereadores encontram-se em reuniões para analisarem todas as emendas. A data poderá ser quinta (19/04) ou terça(24/04). Assim que tivermos a confirmação, estarei enviando para todos.

Atenciosamente,

Kalina Veloso
Assessoria Legislativa do Vereador Júlio Protásio

* comentário pertinente: sabemos que essas constantes mudanças são justificadas pela importância do assunto, temos que ter calma e paciência. Porém aguardamos ardentemente que futuras alterações sejam informadas com certa antecedência.

# veja aqui as Emendas propostas pela comunidade de Ponta Negra ao Plano Diretor.

Matéria TN 18/4 :: Emendas abrem concessões no Plano Diretor

Emendas abrem concessões no Plano Diretor

Foto: Aléx Régis

CÂMARA MUNICIPAL - Emilson Medeiros leu as dezesseis emendas que foram apresentadas até ontem à tarde

A votação definitiva do Plano Diretor será terça-feira da semana que vem. Ontem, o relator da proposta do novo Plano Diretor, vereador Emilson Medeiros (PPS), apresentou todas as emendas que já lhe foram entregues. Dezesseis delas já foram avaliadas. Outras seis foram entregues mas ainda não foram avaliadas. Mais quatros serão entregues por Hermano Morais hoje. Na sexta-feira, às 9h, o relator e os demais membros das comissões que avaliam as emendas terão completado o trabalho.
Na apresentação de ontem ficou claro que nem tudo sairá como o previsto na reunião do prefeito com vereadores da base aliada. Uma das principais alterações com relação projeto original diz respeito à outorga onerosa. Há uma emenda que propõe a redução nos percentuais de cobrança sugeridos para esse novo pano Diretor. Outras emendas também alteram o que está previsto para Zona Norte e para a Via Costeira.

A outorga, em suma, consiste numa taxa que os construtores pagam à Prefeitura, para poder construir um pouco mais do que o permitido inicialmente. Essa manobra só é permitida em locais que comportam tal acréscimo e com a permissão da Prefeitura. Conforme explicou Emilson Medeiros, o projeto do novo plano enviado à Câmara pelo prefeito estipulou os percentuais dessa cobrança em 3%, 4% e 6% para, respectivamente, o primeiro ano (a partir da vigência da lei), o segundo e o terceiro.

O vereador Geraldo Neto (PMDB), que não pertence à bancada do prefeito, propôs que esses percentuais sejam reduzidos para 2%, 3% e 4%. Apesar de contrariar o que quer a Prefeitura, que tem maioria na casa, os comentários ontem eram de que essa emenda seria aprovada. Se for, o prefeito deve vetar. Há outra emenda referente à outorga do vereador Luís Carlos, para quem a taxa deve ser fixa em 3%.

O vereador Hermano Morais, que deve apresentar suas emendas hoje, vai propor numa delas que todos os recursos apurados com a cobrança da outorga onerosa sejam usados em obras de saneamento. “Os recursos tem de ser investidos no que é mais necessário para Natal, permitindo o desenvolvimento sustentável da cidade”. Os outros dois pontos polêmicos que alteram os planos da prefeitura dizem respeito à Zona Norte e à Via Costeira. Inicialmente, a Prefeitura queria manter a Zona Norte como Zona de Adensamento básico, o que restringe as possibilidades de construção na área. Pela emenda apresentada pelo vereador Dickson Nasser (PSB), presidente da Câmara Municipal, a Zona Norte será Zona Adensável, com coeficiente de aproveitamento 2,5; o que possibilita explorar melhor a área.

A única ressalva é que todos os empreendimentos construídos na Zona norte caso a emenda seja aprovada - terão de contar com estação de tratamento de esgoto no próprio lote. Essa emenda é subscrita pelos vereadores Emilson Medeiros e Geraldo Neto. O relator do novo Plano Diretor disse ainda que vai apresentar uma emenda suprimindo parte do texto da proposta que delimita as construções na Via Costeira ao nível da avenida Dinarte Mariz. Com a emenda, as possíveis novas construções continuarão podendo construir até 15 metros acima do nível da via.
‘Há pontos que merecem mais discussão’

O relator do projeto do novo Plano Diretor, Emilson Medeiros (PPS), avalia que apesar de algumas emendas não terem sido aceitas, o processo de definição dessas propostas está sendo positivo. “Eu entendo que é um momento rico de discussão mesmo a gente sendo contra algumas propostas, é uma concepção”. Aproveitando a apresentação das emendas ele comentou alguns aspectos do Plano que considera merecer mais atenção.
O primeiro é com relação à criação de uma Área Especial de Interesse Social na Vila de Ponta Negra, proposta que consta no novo plano. Ele não é contra mas observa que poderia ser mais interessante estudar melhor a questão porque a vila possui a contradição de ter precisar ser preservada e ao mesmo tempo ter o metro quadrado mais caro do Estado.

“A Prefeitura encontrou um caminho. Encontrou o caminho mais fácil, que é fazer uma AEIS. Fazendo assim não pode construir”, avaliou. O vereador — que já foi secretário de Meio Ambiente do Município — avaliou que o estudo deveria frutificar num plano que contemplasse o uso imobiliário e assegurasse a preservação. Emilson Medeiros observou que outro ponto que deveria ter sido melhor avaliado é a invasão da comunidade de Mãe Luíza sobre o parque das Dunas. A revisão do Plano Diretor de Natal começou a ser feita em 2005 e já passou por todas as etapas de discussão com as comunidades.
Emendas

Aluísio Machado (PSB)

Como líder de bancada, trouxe 10 emendas da prefeitura. Três foram rejeitadas pelas comissões da Câmara por conterem erros formais. Uma delas, a 3ª, é fala sobre os limites de construções na Via Costeira.

Geraldo Neto (PMDB)

Apresenta emenda subscrita pelo vereador Adenúbio Melo (PSB) na qual propõe que a Outorga Onerosa tenha os percentuais de 2%, 3% e 4%. A Prefeitura propõe 3%, 4% e 6%.

Júlio Protásio (PV)

Apresentou quatro emendas propondo a criação de um Plano setorial específico para Ponta negra. O vereador propõe alterações que possibilitem essa criação. Hoje, o Plano Diretor só permite a criação de planos setoriais para dois duas ou mais unidades de base.

Dickson Nasser (PSB)

Apresentou duas emendas, uma delas é apenas referente a prazos e opção de usar a nova legislação. A segunda, subscrita por Geraldo Neto e Emilson Medeiros, propõe que a Zona Norte seja considerada zona adensável com coeficiente de aproveitamento 2,5, desde que os empreendimentos tenham estação de tratamento de esgoto dentro do próprio lote. Pelo Plano Diretor, proposta que vai ser votada, a Zona Norte se tornaria Zona de Adensamento Básico, o que restringe mais as construções na área, com índice de aproveitamento em 1.2.

Luis Carlos (sem partido)

Apresentou cinco emendas. Quatro delas são polêmicas. Uma propõe que a outorga onerosa seja fixa: 3%. Outra emenda propõe que seja suprimido do Plano Diretor o parágrafo que dá ao Poder Executivo o poder de criar áreas onde construções são proibidas (non aedificandi).

Hermano Morais (PMDB)

Vai apresentar quatro emendas, uma delas sugerindo que os recursos obtidos com a outorga onerosa seja todo usado para obras de saneamento.

Emilson Medeiros (PPS)

Vai apresentar emenda suprimindo o texto que especifica que todos os empreendimentos da Via Costeira tem que ser construídos abaixo do nível da avenida - 15 metros.

Matéria TN 17/4 :: Votação das emendas pode ficar para a próxima semana

Votação das emendas pode ficar para a próxima semana

Foto: Rodrigo Sena

CÂMARA - Carlos Eduardo reafirma que não vai transigir nas medidas que asseguram a preservação de Mãe Luíza

Ainda não há data definida para a votação da revisão do Plano Diretor de Natal (PDN) na Câmara Municipal. A vontade inicial dos vereadores é votar as emendas e o plano na próxima quinta-feira, mas isso pode acontecer somente um dia depois ou ainda na terça-feira da próxima semana. A indefinição se deve à incerteza de quando vai durar as discussões das emendas apresentadas. Na tarde de ontem, os vereadores que integram a bancada governista na Câmara se reuniram com o prefeito Carlos Eduardo para a apreciação das doze emendas até então apresentadas - oito do líder da bancada, Aluízio Machado (PSB) e quatro de Júlio Protásio (PV).

Ao final da reunião, ficou previamente marcada a data da votação. “Amanhã (hoje) começaremos a discutir todas as emendas e há o interesse de já votá-las na quinta-feira. Mas acho improvável que isso seja possível. Creio que na terça-feira da semana que vem seja uma previsão mais certa”, disse Emilson Medeiros (PPS), relator da proposta do novo Plano Diretor de Natal na Câmara.

O vereador Aluízio Machado disse que há ainda a possibilidade de os vereadores se reunirem extraordinariamente na sexta-feira - já que não é dia de sessão -, somente para votar o novo plano. Fato é que, a votação só deve ocorrer quando as discussões permitirem que todas as emendas sejam apresentadas de forma consensual ao plenário, o que evitaria mais embates na sessão de votação. “Estamos tentando encontrar o consenso para que se aprove um plano da melhor forma possível”.

Proposta

O prefeito Carlos Eduardo também avaliou a reunião como positiva e deu um recado aos que apóiam a administração dele na Câmara dos Vereadores. “Só não aceito que mexam na questão da outorga onerosa e na proteção de Mãe Luíza”. Segundo o chefe do executivo municipal, os dois pontos foram frutos de polêmica durante a reunião, além da questão de construções na Zona Norte.

Uma das emendas apresentadas, que o prefeito aceita discutir, trata da permissão de construções na zona norte de Natal, desde que o poder público ou o próprio empreendedor apresente um projeto de infra-estrutura para a área.

Outra emenda é do vereador Júlio Protásio, que proíbe construções com mais de quatro pavimentos nos conjuntos Ponta Negra e Alagamar. A revisão original permite que construções sejam feitas com até 22 pavimentos.

Líder governista está otimista com definições da bancada

O líder da bancada governista na Câmara, vereador Aluísio Machado (PSB), acredita que o prefeito não terá dificuldades para aprovar o Plano Diretor como deseja. Ele avaliou que na discussão de uma matéria tão importante quanto esta, não há muito a questão oposição versus governo; e que mesmo assim, dos quatro que se mantém como contrários ao prefeito (Renato Dantas, Sargento Siqueira, Geraldo Neto e Hermano Moraes), alguns devem mesmo votar semelhante aos vereadores da bancada.

Aluízio Machado disse que a questão da outorga onerosa, da qual o prefeito Carlos Eduardo não abre mão, deveria ser aprovada como a Prefeitura espera. A ourtoga consiste numa taxa que os construtores pagam à Prefeitura, para poder construir um pouco mais do que o permitido inicialmente. Essa manobra só é permitida em locais que comportam tal acréscimo e com a permissão da Prefeitura. Segundo o prefeito, a outorga de Natal é a mais barata do Brasil. Ela equivale a 1% do empreendimento.

O vereador Edivan Martins (PV) sugeriu a criação de uma comissão específica para debater entre vereadores e técnicos da Prefeitura a questão do adensamento na Zona Norte. Há quem defenda que a região deveria ser liberada para a construção desde que a lei estabelecesse a obrigatoriedade da implantação de saneamento e da drenagem na área do empreendimento. A preocupação com a Zona Norte se deve ao fato de que a infra-estrutura da área já não comporta mais ocupação que a existente.

Após a reunião, os comentários sobre o que estará sendo votado é que a emenda referente á liberação para as construções na Zona Norte, desde que dotadas de saneamento e drenagem, será aprovada. Também deverá ser aprovada sem dificuldades ou alterações a questão da outorga.

Bate-papo: Carlos Eduardo - Prefeito de Natal

Qual o objetivo desta reunião com a bancada?

Reforçar a opinião da Prefeitura com relação ao Plano Diretor, que tramita na Câmara. A Prefeitura tem a consciência de que cumpriu com seu dever ao ter discutido esse plano com toda a comunidade. Esse é um plano elaborado pelos técnicos da Prefeitura e discutido com os membros da comunidade. Então esse é um plano que reflete o que a cidade deseja para o seu presente e para o seu futuro.

Há alguma discordância entre a bancada e o prefeito?

Não. Há apenas três pontos polêmicos. Que são a outorga onerosa, sobre o qual a Prefeitura não abre mão; a Zona de Proteção Social de Mãe Luíza; e o terceiro ponto, que é a discussão sobre as edificações na Zona Norte, que será mais aprofundada.

A votação será nesta semana?

Os vereadores querem que seja quinta-feira. Eu acho bom.

Foi proposta a criação de uma comissão por Edivan Martins?

Essa comissão será exatamente para discutir a questão do adensamento da Zona Norte.

Qual o problema específico com relação à Zona Norte?

Porque lá, hoje, os níveis de nitrato e coliformes fecais são impróprios à saude das pessoas. A Saúde Pública já bate em cima. Então, estamos propondo uma forma de que só será permitida a construção se simultaneamente for feito o saneamento básico. O Plano Diretor amarra toda e qualquer construção ao saneamento básico.

URGENTE!! CHEGOU A HORA DA DECISÃO :: qual será o perfil do PLANO DIRETOR que será aprovado?

Nesta TERÇA-FEIRA, DIA 17 DE ABRIL, ÀS 14H, NA CÂMARA MUNICIPAL, o Plano Diretor de Natal passará pela última e decisiva votação: chegou a hora dos Vereadores aprovarem a LEI que irá organizar o crescimento da cidade pelos próximos anos.

COM OU SEM EMENDAS BENÉFICAS?

A FAVOR OU CONTRA A PAISAGEM?

COMUNIDADE OU CONSTRUTORES?

INTERESSES COLETIVOS OU INTERESSES INDIVIDUAIS?

CIDADE PARA MUITOS OU PARA POUCOS?

O PODER DO DINHEIRO OU A MOBILIZAÇÃO SOCIAL?

Essas são as perguntas que não querem calar e as respostas vão determinar a qualidade de vida do natalense. TENHAM CERTEZA QUE A LUTA NÃO CONTINUA, ELA É PERMANENTE!

QUE FIQUE BEM CLARO: Não somos contra o progresso, somos a favor do desenvolvimento sustentável, do crescimento equilibrado, do progresso responsável e principalmente do diálogo.

Fique atento, participe, conclame e cobre uma posição ética e coerente de seu Vereador. Veja de que lado ele vai ficar. Será que eles irão defender a vontade da maioria ou vão sucumbir ao poder econômico de alguns poucos?

O plenário será pequeno para todos. Se você não quiser ficar no aperto lá na Câmara dos Vereadores, acompanhe tudo ao vivo pela TV Câmara (canal 37 da TV à Cabo).

Agora é a hora chegarmos na praia sãos e salvos após meses nadando nessa correnteza de concreto que insiste em sujar nossa paisagem: boa sorte pra todos NÓS que amamos essa cidade maravilhosa!!

Espalhe a notícia, avise seus vizinhos e amigos, multiplique essa força e mande energias positivas. Vamos juntos garantir NOSSO futuro, de NOSSOS filhos e de NOSSOS netos.

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NÓS do Movimento SOS Ponta Negra, do Conselho Comunitário de Ponta Negra e da Associação de Moradores dos Conjuntos Ponta Negra e Alagamar, queremos agradecer o empenho, a coragem e a sensibilidade de pessoas essenciais ao processo como a promotora do Meio Ambiente Gilka da Mata e o Prefeito Carlos Eduardo. Através deles saudamos toda a equipe do Ministério Público e da Prefeitura Municipal.

Sem falar na importante atuação de toda a imprensa potiguar: TVs e jornais impressos, principalmente a seriedade e atenção do Diário de Natal e da TV Tropical.

Também agradecemos profundamente o empenho, o apoio e a força de todas as ONGs, de todos os Grupos Culturais (Pau e Lata / Capoeira Arte-Vida / SPVA-RN) e de todas as pessoas que estiveram ao NOSSO lado durante esses sete meses desde o primeiro Abraço ao Morro do Careca — vocês são muito especiais!!

Aos vereadores que participaram dos debates e estão comprometidos com as necessidades e anseios da população sintam-se cumprimentados. Elogios rasgados e públicos só depois da votação do Plano Diretor.

NÓS ACREDITAMOS EM UM FUTURO MELHOR!!

Obras em prédio na Vila de Ponta Negra são definitivamente paralizadas

Dados do Processo nº. 2007.001667-1
Agravo de Instrumento com Suspensividade

Distribuição: Desembargador Manoel dos Santos, por Prevenção de Órgão Julgador em 02/04/2007 às 11:10

Órgão Julgador: 1ª Câmara Cível
Origem: Natal / 3ª Vara da Fazenda Pública 001.06.027976-2

Objeto da Ação: Agravo de instrumento de decisão a quo que deferiu a antecipação da tutela requerida para suspender, até ulterior deliberação, os efeitos da notificação nº 003/2006- SEMURB, endereçada à empresa autora.

Número de folhas: 0
Última Movimentação: 13/04/2007 às 13:01 - Expedido ofício eletrônico - "Hermes"
Ofício nº 939 - SJ/TJRN

Última Carga
Origem: Des. Manoel dos Santos / Remessa: 12/04/2007
Destino: Secretaria / Recebimento: 12/04/2007

Partes do Processo

Participação - Partes ou Representantes
Agravante: Município de Natal
Procuradora: Cássia Bulhões de Souza
Agravado: Natal Real State Empreendimentos Imobiliários
Advogado: Airton Romero de Mesquita Ferraz

Movimentações

. 13/04/2007 às 13:01 - Expedido ofício eletrônico - "Hermes" || Ofício nº 939 - SJ/TJRN
. 13/04/2007 às 10:09 - Publicada Decisão do Relator

. 12/04/2007 às 11:41 - Despacho do Relator || Deferindo o Pedido
À vista do exposto, defiro o pedido de suspensividade formulado no presente agravo.
25. Solicitem-se informações ao MM. Juízo a quo, o qual deverá prestá-las no prazo legal.
26. Intime-se a agravada para, querendo, no prazo legal, apresentar resposta ao presente recurso, facultando-lhe juntar cópias das peças que entender convenientes.
27. Após, encaminhem-se os autos à Procuradoria de Justiça para os devidos fins.

Cumpridas as diligências, retornem-me conclusos.
Publique-se. Intime-se.

. 12/04/2007 às 10:57 - Volta do Relator
. 02/04/2007 às 14:25 - Concluso ao Relator

. 02/04/2007 às 11:10 - Processo Redistribuído por Prevenção de Órgão Julgador
A Des. Célia Smith afirmou suspeição por motivo de foro íntimo (Despacho fls. 258)

. 02/04/2007 às 09:14 - Remessa ao Setor de Distribuição
. 02/04/2007 às 09:13 - Despacho do Relator - Afirmando Suspeição
. 02/04/2007 às 09:12 - Volta do Relator
. 28/03/2007 às 09:43 - Concluso ao Relator
. 27/03/2007 às 17:34 - Processo Distribuído por Sorteio

Incidentes e Recursos
. Não há Incidentes e Recursos vinculados a este processo.

Documentos Publicados
. Não há Documentos Publicados

* Fonte: www.tjrn.gov.br
.

Atualizações dias 15 e 16 de abril

Aos gritos ela canta seus cantos :: poesia por Flávio Ferreira

A A Aos gritos ela canta seus cantos

P P Partilhando sonhos e sentimentos
o o onde brotam mil pesamentos
e e e viajam em imagens de luz...
t t teria ela ouvido canções ?
i i imaginado tantos céus azuis?
s s senão se permitisse sentir emoções... e
a a amar e viver todos seus momentos?

d d de onde vem tanta energia?!
o o o que gera tanta força e presença?!
s s será a força dos ventos?

V V Ventania vem e passa...
e e e ela se eterniza
n n navegando em papeis e tintas
t t tudo lhe é uma nova premisa
o o onde mostra sua graça
s s seduzindo leitures esta poetiza

D D Deth, sempre dos ventos...
e e embreaga nossos olhos famintos
t t tranzendo poemas infintos
h h hamornizando nossos sofrimentos

H H Haverá uma benção maior?
a a amar o que se faz, e a tanta gente!
a a assim ela canta seus versos, e eu
k k Ká te oferto este presente!

Obrigado Deth!
Por existir e ser autentica como tu és!
Natal, 31 de março de 2007
Flávio Ferreira

Só mais um grito :: poesia por Deth Haak

Só mais um Grito

Bradam as entranhas ao vento que ora uivante
soa da verve poética plasma de meu sentimento
Refega que diz Nãoooooo, ecoando no horizonte...
Aos que a natureza trouxerem dor e lamento...

Ponho em meu peito a armadura do levante
E nos lábios um sorriso lançado ao vento
Empunho a lança da poesia que doravante
Vai pelos campos dissipando o sofrimento...

Da natureza, pelos humanos peçonhentos,
Vai meu verso aos corações dos petulantes
Que matam rios as Dunas, oh! Seres cruentos...

que aloure em tempo o que grito aos mutantes
Que aqui chegam mascarando seus intentos
Que ateie pra bem longe, essas almas errantes...

Deth Haak
"A Poetisa dos Ventos”
05/12/2006

Cônsul Poeta Del Mundo - RN
SPVA/RN - Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN

* Ao Morro do Careca a maior Duna do Nordeste, ameaçada por espigões!

Por amor a Ponta Negra :: poesia Deth Haak

Por Amor a Ponta Negra...

Ensaiei-te a poesia para representar na história!
Com acendimento da vista nas emendas do plano
Verso-te para que um dia os meus tenham memória
De tudo que fiz e farei para preservar-te o encanto.

Morro do Careca amam-te hígidos como a um consorte
Para que os advindo de nós possam contemplar-te
Oh!Imponente cartão postal detentor da boa sorte
Por mais insano e impávido risco que isso importe.

Queremos-te tanto, tanto que de maneira alguma,
Permitiremos que lhes viole o solo os desumanos
Já não existe força humana predadora que assuma
E nomearemos os abutres nos panos dos reclamos
Já não sois quem me abraçou quando cheguei à suma
Alheia à própria sorte, Ponta Negra já se vão tantos anos...

E se eu por ti apontada for, dir-te-ei o nome sem que sinta dor,
Pois também eu, que poesia dome a consciência do vereador,
Preservando a Natureza, compromissado com o querer do eleitor!
E se finar-se eu hoje, morreria feliz com o emendado plano diretor.

Deth Haak
“A Poetisa dos Ventos”
Consulesa do Poeta Del Mundo - RN
SPVA/RN - Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do RN

Prédios podem ser peça chave no combate às mudanças climáticas

Prédios podem ser peça chave no combate às mudanças climáticas

Nações Unidas -
30/03/2007

Relatório mostra como medidas simples e de baixo custo de energia podem ajudar no alcanço das metas de Kyoto e excedentes.

Oslo/Nairóbi - Benefícios significativos podem ser alcançados com esforços para combater o aquecimento global, com a redução do uso de energia e o melhoramento da eficiência o do seu uso em prédios.

A mistura correta entre uma apropriada regulamentação governamental, um aprimoramento do uso de tecnologias para economia energética e uma mudança comportamental, pode reduzir substancialmente as emissões de dióxido de carbono (CO2) do setor de construção civil, que acumula cerca de 30% a 40% do uso global de energia, diz o novo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP) Construções Sustentáveis e Iniciativa Imobiliária (SBCI).

O novo relatório, Cosntruções e Mudanças Climáticas: Status, Desafios e Oportunidades, diz que existem muitas oportunidades para governos, indústrias e consumidores realizarem ações apropriadas durante o tempo de vida dos prédios, o que pode minimizar os impactos do aquecimento global.

Citando o exemplo da Europa, o relatório diz que mais de um quinto do consumo de energia e mais de 45 milhões tonelada de CO2 poderiam ser economizados por ano até 2010 com a aplicação de medidas mais ambiciosas para prédios novos e já existentes.

Achim Steiner, Vice Secretário Geral da ONU e Diretor Executivo do UNEP, disse “Eficiência energética, junto com formas limpas e renováveis de gerar energia, é um dos pilares perante os quais um mundo sem carbono irá resitir ou desabar. As economias que já podem ser feitas são potencialmente grandes e o custo para implementá-las é relativamente barato, se um número suficiente de governos, indústrias, empresários e consumidores agirem”.

“Esse relatório foca o setor de construção civil. Por algumas estimativas conservadoras, o setor de construção civil mundial poderia liberar emissões reduzidas em 1.8 bilhões de toneladas de CO2. Uma polícia mais agressiva de eficiência de energia pode liberar mais de dois blihões de toneladas ou perto de três vezes a quantidade programada para ser reduzida pelo Protocolo de Kyoto” ele adicionou.

“Existem mais frutas baixas para serem colhidas. Vários países, incluindo Austrália, Cuba e a União Européia estão cuidando para gradualmente ou totalmente banir o uso de lâmpadas incandescentes que estão no mercado por mais de um século em vários modelos. A agência Internacional de Energia estima que uma total mudança global para lâmpadas compactas fluorescentes pouparia, em 2010, 470 milhões de toneladas de CO2 ou um pouco mais do que a metade das reduções de Kyoto. Nós temos que perguntar quais são os obstáculos – se tiver algum – para alcançar uma mudança tão positiva de redução de custos e tomar previdências decisiva e rapidamente para superá-los, se, eles existirem” disse Sr Steiner.

Pontos chave para os relatórios de contruções e mudanças climáticas

No tempo de vida de um prédio comum, a maior parte da energia é consumida, não para a contrução, mas durante o período que o prédio está sendo usado. Isto é, quando a energia está sendo usada para aquecimento, refrigeramento, ilumação, cozimento, ventilação e outros.

Reconhecendo isso, o relatório apressa um o uso melhorado de tecnologias como isolamento térmico, sombra solar e, iluminação e utensílios eletrônicos mais eficientes, assim como a importância de campanhas de educação e advestências.

"Para alcançar maior efciência energética em prédios, você geralmente não precisa usar soluções tecnológicas avançadas e caras, mas soluções simples, como projetos inteligentes, soluções flexíveis de energia e fornecimento de informação apropriada aos usuários do prédio” diz Oliver Luneau, SBCI Presidente e Diretor de sustentabilidade da Lafarge.

“Soluções simples podem incluir sombras e ventilação natural, uso de materiais reciclados de prédios, adequação do tamanho e da forma do prédio para seu propósito de uso etc” disse ele. “É claro que você pode alcançar resultados até melhores, se soluções mais avançadas forem usadas, como iluminação inteligente e sistema de ventilação, baixa temperatura de aquecimento e refrigeração e economia de energia de uso domético”.

Em acréscimo ao melhoramento do uso de tecnologias para economia de energia, o relatório ressalta a importância de políticas governamentais apropriadas no código do prédio, preço de energia e incentivos financeiros que encoragem a redução do consumo de energia.

Também é enfatizado que o o setor imobiliário aposta nele mesmo, incluindo investidores, arquitetos, donos de propriedades, companhias de construção, inquilinos, etc. precisam entender e apoiar essas políticas para que elas funcionem com eficiência.

O relatório também aponta que tentativas para encontrar soluções para os prédios irão variar. Em países desenvolvidos o principal desafio é alcançar uma redução de emissões entre os muitos prédios existentes, e isso pode ser feito basicamente com a redução do uso de energia.

Em outras partes do mundo, especialmente lugares como a China, onde quase 2 bilhões de metros quadrados são ocupados anualmente com novas construções, o desafio é passar direto para soluções energéticas mais eficientes, diz o relatório.

O relatório de Construções e Mudanças Climáticas será apresentado no encontro anual da SBCI, que acontecerá em Rabat, Marrocos, de 2 a 4 de Abril de 2007. A SBCI é uma parceria internacional para “deixar verde” o multi-bilionário setor de prédios e construções. Inaugurado há um ano atrás junto com o UNEP, hoje tem cerca de trinta membros incluindo alguns dos maiores nomes da área como Lafarge, Skanska e Arcelor. A secretaria da SBCI está alojada junto a Divisão de Tecnologia, Indústria e Economia do UNEP em Paris.

* Fonte: Relatório sobre Construções e Mudanças Climáticas UNEP SBCI // www.unep.fr ou www.unep.org

** colaboração: Xico Iglesias - Associação Potiguar dos Amigos da Natureza (ASPOAN)

Crônica de Aderbal de França escrita em 1936 sobre ocupações em Ponta Negra

Crônica de Aderbal de França, também conhecido por Danilo, sobre as primeiras ocupações do bairro de Ponta Negra:

"(...) Eu saio mesmo pensando que Ponta Negra vai se transformar dentro de pouco tempo em algum trecho do Leme ou mesmo Boa Viagem, ou ainda Tambiá.

"(...) Está nos primeiros momentos de civilização. De hoje a poucos meses as primeiras construções vão surgindo do seu solo. Será o início do seu desenvolvimento, do seu progresso. Para perder alguma coisa de sua quietude maravilhosa. Para ganhar os elogios de uma praia que se civiliza.

"É necessário, porém, um plano para essa transformação. Para que Ponta Negra se torne um dos pontos de turismo, um centro de diversões, um recanto digno de ser mostrado aos nossos visitantes e hóspedes. É preciso evitar, enquanto é tempo, as construções ruins, sem nenhuma estética, sem planta e sem feitio, que pretende levantar.

"Se não for tomada, uma medida nesse sentido, pobre Ponta Negra!

Danilo
A República
01/08/1936


* colaboração: Heitor Andrade

** comentário pertinente: a pedra foi cantada há 70 anos e ninguém ouviu. Felizmente NÓS temos a chance de reverter esse quadro com mobilização e união. Tenham certeza que a luta não continua, ela é PERMANENTE!

Tai Chi Chuan para iniciantes, natação e Mahatma Gandhi

Todos os domingos, às 18h, próximo ao quiosque 1 (início do calçadão de Ponta Negra), durante o projeto "A VILA TEM ARTE", o professor Flávio Ferreira ministra aula de tai Chi Chuan para INICIANTES.

Cada aula custa o tanto que o aluno puder contribuir: R$ 5, R$10 ou mais ...

Toda a renda arrecadada servirá para viabilizar ações do Movimento SOS Ponta Negra.

"Eu sou professor de tai-chi e estou doando meu trabalho! Você pinta quadros? Faz poesia? Canta? Sabe faz uma comida gostosa? O que vc faz com prazer? Doe isto!", desafia o professor

"Doe o sempre o MELHOR de voce: E o mundo será melhor!"

MAHATMA GANDHI já dizia: seja a mudança que você quer no mundo!

. Quer um mundo sem violência?
Perdoe e reconstrua uma relação melhor!

. Quer um mundo sem desamor?
Ame!

. Quer um mundo sem descuido, descaso e omissão?
Faça a sua parte com carinho!

. Quer um mundo melhor?
Seja VOCÊ melhor para este mundo!

# Quem sabe nadar: braçadas ecológicas saindo do Morro do Careca às 16h30

Com amor e gratidão à Mãe TERRA por tudo de bom que ela sempre me deu:
AR, AMIGOS, ALIMENTO, aprendizados, oportunidades de crescimento e evolução.

* colaboração: Flávio Ferreira
Informações pelo telefone (84) 9916-8834 ou flaviozen@hotmail.com

CARTA DA TERRA

No dia 14 de março de 2000, na Unesco em Paris, foi aprovada a Carta da Terra. Depois de 8 anos de discussões em todos os continentes, envolvendo 46 países e mais de cem mil pessoas, desde escolas primárias, esquimós, indígenas da Austrália, do Canadá e do Brasil, entidades da sociedade civil, até grandes centros de pesquisa, universidades e empresas e religiões.

* Fonte: www.earthcharter.org

A CARTA DA TERRA

PREÂMBULO

Estamos diante de um momento crítico na história da Terra, numa época em que a humanidade deve escolher o seu futuro. À medida que o mundo torna-se cada vez mais interdependente e frágil, o futuro enfrenta, ao mesmo tempo, grandes perigos e grandes promessas. Para seguir adiante, devemos reconhecer que, no meio da uma magnífica diversidade de culturas e formas de vida, somos uma família humana e uma comunidade terrestre com um destino comum.

Devemos somar forças para gerar uma sociedade sustentável global baseada no respeito pela natureza, nos direitos humanos universais, na justiça econômica e numa cultura da paz. Para chegar a este propósito, é imperativo que nós, os povos da Terra, declaremos nossa responsabilidade uns para com os outros, com a grande comunidade da vida, e com as futuras gerações.

Terra, Nosso Lar

A humanidade é parte de um vasto universo em evolução. A Terra, nosso lar, está viva com uma comunidade de vida única. As forças da natureza fazem da existência uma aventura exigente e incerta, mas a Terra providenciou as condições essenciais para a evolução da vida. A capacidade de recuperação da comunidade da vida e o bem-estar da humanidade dependem da preservação de uma biosfera saudável com todos seus sistemas ecológicos, uma rica variedade de plantas e animais, solos férteis, águas puras e ar limpo. O meio ambiente global com seus recursos finitos é uma preocupação comum de todas as pessoas. A proteção da vitalidade, diversidade e beleza da Terra é um dever sagrado.

A Situação Global

Os padrões dominantes de produção e consumo estão causando devastação ambiental, redução dos recursos e uma massiva extinção de espécie. Comunidades estão sendo arruinadas. Os benefícios do desenvolvimento pobres está aumentando. A injustiça, a pobreza, a ignorância e os conflitos violentos têm aumentado e são causa de grande sofrimento. O crescimento sem precedentes da população humana tem sobrecarregado os sistemas ecológico e social. As bases da segurança global estão ameaçadas. Essas tendências são perigosas, mas não inevitáveis.

Desafios Para o Futuro

A escolha é nossa: formar uma aliança global para cuidar da Terra e uns dos outros, ou arriscar a nossa destruição e a da diversidade da instituições e modos de vida. Devemos entender que, quando as necessidades básicas forem atingidas, o desenvolvimento humano será primariamente voltado a ser mais, não a ter mais. Temos o conhecimento e a tecnologia necessários para abastecer a todos e reduzir nossos impactos ao meio ambiente. O surgimento de uma sociedade civil global está criando novas oportunidades para construir um mundo democrático e humano. Nossos desafios ambientais, econômicos, políticos, sociais e espirituais estão interligados, e juntos podemos forjar soluções includentes.

Responsabilidade Universal

Para realizar estas aspirações, devemos decidir viver com um sentidonos com toda a comunidade terrestre bem como com nossa comunidade local. Somos, ao mesmo tempo, cidadãos de nações diferentes e de um mundo no qual a responsabilidade pelo presente e pelo futuro, pelo bem-estar da família humana e de todo o mundo dos seres vivos. O espírito de solidariedade humana e de parentesco com toda a vida é fortalecido quando vivemos com reverência o mistério da existência, com gratidão pelo dom da vida, e com humildade considerando em relação ao lugar que ocupa o ser humano na natureza.

Necessitamos com urgência de uma visão compartilhada de valores básicos para proporcionar um fundamento ético à comunidade mundial princípios, todos interdependentes, visando um modo de vida sustentável como critério comum, através dos quais a conduta de todos os indivíduos, organizações, empresas, governos, e instituições transnacionais será guiada e avaliada.

PRINCÍPIOS

I. RESPEITAR E CUIDAR DA COMUNIDADE DA VIDA

1. Respeitar a Terra e a vida em toda sua diversidade.

a. Reconhecer que todos os seres são interligados e cada forma de vida b. Afirmar a fé na dignidade inerente de todos os seres humanos e no potencial intelectual, artístico, ético e espiritual da humanidade.

2. Cuidar da comunidade da vida com compreensão, compaixão e amor.

a. Aceitar que, com o direito de possuir, administrar e usar os recursos naturais vem o dever de impedir o dano causado ao meio ambiente e de proteger os direitos das pessoas.

b. Assumir que o aumento da liberdade, dos conhecimentos e do poder implica responsabilidade na promoção do bem comum.

3. Construir sociedades democráticas que sejam justas, participativas.

a. Assegurar que as comunidades em todos níveis garantam os direitos humanos e as liberdades fundamentais e proporcionem a cada um a oportunidade de realizar seu pleno potencial.

b. Promover a justiça econômica e social, propiciando a todos a consecução de uma subsistência significativa e segura, que seja ecologicamente responsável.

4. Garantir as dádivas e a beleza da Terra para as atuais e as futuras

a. Reconhecer que a liberdade de ação de cada geração é condicionada pelas necessidades das gerações futuras.

b. Transmitir às futuras gerações valores, tradições e instituições que apóiem, em longo prazo, a prosperidade das comunidades humanas e ecológicas da Terra.

Para poder cumprir estes quatro amplos compromissos, é necessário:

II. INTEGRIDADE ECOLÓGICA

5. Proteger e restaurar a integridade dos sistemas ecológicos da Terra, com especial preocupação pela diversidade biológica

a. Adotar planos e regulamentações de desenvolvimento sustentável em todos os níveis que façam com que a conservação ambiental e a reabilitação sejam parte integral de todas as iniciativas de desenvolvimento.

b. Estabelecer e proteger as reservas com uma natureza viável e da biosfera, incluindo terras selvagens e áreas marinhas, para proteger os sistemas de sustento à vida da Terra, manter a biodiversidade e preservar nossa herança natural.

c. Promover a recuperação de espécies e ecossistemas ameaçadas.

d. Controlar e erradicar organismos não-nativos ou modificados geneticamente que causem dano às espécies nativas, ao meio ambiente,

e. Manejar o uso de recursos renováveis como água, solo, produtos florestais e vida marinha de forma que não excedam as taxas de regeneração e que protejam a sanidade dos ecossistemas.

f. Manejar a extração e o uso de recursos não-renováveis, como minerais e combustíveis fósseis de forma que diminuam a exaustão

6. Prevenir o dano ao ambiente como o melhor método de proteção ambiental e, quando o conhecimento for limitado, assumir uma postura de precaução.

a. Orientar ações para evitar a possibilidade de sérios ou irreversíveis danos ambientais mesmo quando a informação científica for incompleta ou não conclusiva.

b. Impor o ônus da prova àqueles que afirmarem que a atividade proposta não causará dano significativo e fazer com que os grupos sejam responsabilizados pelo dano ambiental.

c. Garantir que a decisão a ser tomada se oriente pelas conseqüências humanas globais, cumulativas, de longo prazo, indiretas e de longo alcance.

d. Impedir a poluição de qualquer parte do meio ambiente e não permitir o aumento de substâncias radioativas, tóxicas ou outras substâncias perigosas.

e. Evitar que atividades militares causem dano ao meio ambiente.

7. Adotar padrões de produção, consumo e reprodução que protejam capacidades regenerativas da Terra, os direitos humanos e o bem-estar comunitário.

a. Reduzir, reutilizar e reciclar materiais usados nos sistemas de produção e consumo e garantir que os resíduos possam ser assimilados pelos sistemas ecológicos.

b. Atuar com restrição e eficiência no uso de energia e recorrer cada vez mais aos recursos energéticos renováveis, como a energia solar e

c. Promover o desenvolvimento, a adoção e a transferência eqüitativa de tecnologias ambientais saudáveis.

d. Incluir totalmente os custos ambientais e sociais de bens e serviços no preço de venda e habilitar os consumidores a identificar e. Garantir acesso universal à assistência de saúde que fomente a saúde reprodutiva e a reprodução responsável.

f. Adotar estilos de vida que acentuem a qualidade de vida e subsistência material num mundo finito.

8. Avançar o estudo da sustentabilidade ecológica e promover a troca

a. Apoiar a cooperação científica e técnica internacional relacionada a sustentabilidade, com especial atenção às necessidades das nações em desenvolvimento.

b. Reconhecer e preservar os conhecimentos tradicionais e a sabedoria espiritual em todas as culturas que contribuam para a proteção ambiental e o bem-estar humano.

c. Garantir que informações de vital importância para a saúde humana e para a proteção ambiental, incluindo informação genética, estejam=br> disponíveis ao domínio público.

III. JUSTIÇA SOCIAL E ECONÔMICA

9. Erradicar a pobreza como um imperativo ético, social e ambiental.

a. Garantir o direito à água potável, ao ar puro, à segurança alimentar, aos solos não-contaminados, ao abrigo e saneamento seguro, distribuindo os recursos nacionais e internacionais requeridos.

b. Prover cada ser humano de educação e recursos para assegurar uma subsistência sustentável, e proporcionar seguro social e segurança própria.

c. Reconhecer os ignorados, proteger os vulneráveis, servir àqueles que sofrem, e permitir-lhes desenvolver suas capacidades e alcançar suas aspirações.

10. Garantir que as atividades e instituições econômicas em todos os níveis promovam o desenvolvimento humano de forma eqüitativa e sustentável.

a. Promover a distribuição eqüitativa da riqueza dentro das e entre as nações.

b. Incrementar os recursos intelectuais, financeiros, técnicos e sociais das nações em desenvolvimento e isentá-las de dívidas internacionais onerosas.

c. Garantir que todas as transações comerciais apóiem o uso de recursos sustentáveis, a proteção ambiental e normas trabalhistas progressistas.

d. Exigir que corporações multinacionais e organizações financeiras internacionais atuem com transparência em benefício do bem comum e responsabilizá-las pelas conseqüências de suas
atividades.

11. Afirmar a igualdade e a eqüidade de gênero como pré-requisitos educação, assistência de saúde e às oportunidades econômicas.

a. Assegurar os direitos humanos das mulheres e das meninas e acabar com toda violência contra elas.

b. Promover a participação ativa das mulheres em todos os aspectos da vida econômica, política, civil, social e cultural como parceiras plenas e paritárias, tomadoras de decisão, líderes e beneficiárias.

c. Fortalecer as famílias e garantir a segurança e a educação amorosa de todos os membros da família.

12. Defender, sem discriminação, os direitos de todas as pessoas a um ambiente natural e social, capaz de assegurar a dignidade humana, a saúde corporal e o bem-estar espiritual, concedendo especial atenção aos direitos dos povos indígenas e minorias.

a. Eliminar a discriminação em todas suas formas, como as baseadas em raça, cor, gênero, orientação sexual, religião, idioma e origem nacional, étnica ou social.

b. Afirmar o direito dos povos indígenas à sua espiritualidade, conhecimentos, terras e recursos, assim como às suas práticas relacionadas a formas sustentáveis de vida.

c. Honrar e apoiar os jovens das nossas comunidades, habilitando-os a cumprir seu papel essencial na criação de sociedades sustentáveis. espiritual.

IV.DEMOCRACIA, NÃO VIOLÊNCIA E PAZ

13. Fortalecer as instituições democráticas em todos os níveis com transparência e prestação de contas no exercício do governo, participação inclusiva na tomada de decisões, e acesso à justiça.

a. Defender o direito de todas as pessoas no sentido de receber informação clara e oportuna sobre assuntos ambientais e todos os planos de desenvolvimento e atividades que poderiam afetá-las ou nos quais tenham interesse.

b. Apoiar sociedades civis locais, regionais e globais e promover a participação significativa de todos os indivíduos e organizações tomada de decisões.

c. Proteger os direitos à liberdade de opinião, de expressão, de assembléia pacífica, de associação e de oposição.

d. Instituir o acesso efetivo e eficiente a procedimentos administrativos e judiciais independentes, incluindo retificação e compensação por danos ambientais e pela ameaça de tais danos.

e. Eliminar a corrupção em todas as instituições públicas e privadas.

f. Fortalecer as comunidades locais, habilitando-as a cuidar dos seus próprios ambientes, e atribuir responsabilidades ambientais aos níveis governamentais onde possam ser cumpridas mais efetivamente.

14. Integrar, na educação formal e na aprendizagem ao longo da vida, vida sustentável.

a. Oferecer a todos, especialmente a crianças e jovens, oportunidades educativas que lhes permitam contribuir ativamente para o desenvolvimento sustentável.

b. Promover a contribuição das artes e humanidades, assim como das ciências, na educação para sustentabilidade.

c. Intensificar o papel dos meios de comunicação de massa no sentido d. Reconhecer a importância da educação moral e espiritual para uma subsistência sustentável.

15. Tratar todos os seres vivos com respeito e consideração.

a. Impedir crueldades aos animais mantidos em sociedades humanas e protegê-los de sofrimentos.

b. Proteger animais selvagens de métodos de caça, armadilhas e pesca c. Evitar ou eliminar ao máximo possível a captura ou destruição de espécies não visadas.

16. Promover uma cultura de tolerância, não violência e paz.

a. Estimular e apoiar o entendimento mútuo, a solidariedade e a cooperação entre todas as pessoas, dentro das e entre as nações.

b. Usar a colaboração na resolução de problemas para manejar e resolver conflitos ambientais e outras disputas.

c. Desmilitarizar os sistemas de segurança nacional até chegar ao nível de uma postura não-provocativa da defesa e converter os recursos militares em propósitos pacíficos, incluindo restauração ecológica.

d. Eliminar armas nucleares, biológicas e tóxicas e outras armas de destruição em massa.

e. Assegurar que o uso do espaço orbital e cósmico mantenha a proteção ambiental e a paz.

f. Reconhecer que a paz é a plenitude criada por relações corretas a Terra e com a totalidade maior da qual somos parte.

O CAMINHO ADIANTE

Como nunca antes na história, o destino comum nos conclama a buscar um Terra. Para cumprir esta promessa, temos que nos comprometer a adotar e promover os valores e objetivos da Carta.

Isto requer uma mudança na mente e no coração. Requer um novo sentido de interdependência global e de responsabilidade universal. Devemos desenvolver e aplicar com imaginação a visão de um modo de vida sustentável aos níveis local, nacional, regional e global. Nossa diversidade cultural é uma herança preciosa, e diferentes culturas encontrarão suas próprias e distintas formas de realizar esta visão.

Devemos aprofundar expandir o diálogo global gerado pela Carta da Terra, porque temos muito que aprender a partir da busca iminente e conjunta por verdade e sabedoria.

A vida muitas vezes envolve tensões entre valores importantes. Isto pode significar escolhas difíceis. Porém, necessitamos encontrar caminhos para harmonizar a diversidade com a unidade, o exercício da liberdade com o bem comum, objetivos de curto prazo com metas de longo prazo.

Todo indivíduo, família, organização e comunidade têm um papel vital a desempenhar. As artes, as ciências, as religiões, as instituições educativas, os meios de comunicação, as empresas, as organizações não-governamentais e os governos são todos chamados a oferecer uma liderança criativa.

A parceria entre governo, sociedade civil e empresas é essencial para uma governabilidade efetiva.

Para construir uma comunidade global sustentável, as nações do mundo devem renovar seu compromisso com as Nações Unidas, cumprir com suas internacional legalmente unificador quanto ao ambiente e ao desenvolvimento.

Que o nosso tempo seja lembrado pelo despertar de uma nova reverência face à vida, pelo compromisso firme de alcançar a sustentabilidade, a intensificação da luta pela justiça e pela paz, e a alegre celebração da vida.

* colaboração Flávio Ferreira

Matéria TN 3/4 - Novo Plano Diretor faz de Ponta Negra área de proteção

Novo Plano Diretor faz de Ponta Negra área de proteção

Repórter: Jacson Damasceno
Foto: Divulgação

VILA DE PONTA NEGRA - Deverá passar pelo mesmo processo que passou Mãe Luíza, tudo para preservar a área e evitar a expulsão dos moradores

Ponta Negra, no planejamento urbano da capital, é quase toda considerada como Zona de Adensamento Básico. Essa classificação significa que a área possui critérios para os tipos de construções que serão erguidas. Um deles é o coeficiente de aproveitamento de 1,8 (número pelo qual se multiplica a área do terreno), definindo a área do que se pode construir em cada espaço.

Em uma Zona Adensável, os critérios são bem mais abertos. O coeficiente de aproveitamento, por exemplo, é de 3,0. É exatamente a característica do polígono criado em 2000, entre o conjunto Ponta Negra e parte de Alagamar. Com isso, grandes prédios puderam ser erguidos na região. Mas os moradores da área não gostaram nada da situação e uma mudança está sendo planejada com o novo Plano Diretor.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, o novo PDN deseja corrigir o que ela classifica de falhas. Pela nova proposta, toda a área de Ponta Negra se tornará de Adensamento Básico. Com exceção da Zona Especial de Interesse Turístico (ZET), que vai da avenida Engenheiro Roberto Freire até a beira-mar (e onde se encontra a área non aedificandi), das Zonas de Proteção Ambiental (ZPA-5 e ZPA-6) e da Vila de Ponta Negra, que deverá ser transformada em Área Especial de Interesse Social (AEIS).

“O plano diretor deseja rever algumas questões, no intuito de melhorar a urbanização de todo o bairro”, disse Florésia. Segundo ela, a ZET deverá ser ampliada até a Vila de Ponta Negra, corrigindo uma falha de planos anteriores que deixaram a área desprotegida. A ZET tem critérios rigorosos para edificações. A Vila de Ponta Negra deverá passar pelo mesmo processo por que passou Mãe Luíza e, com isso, espera-se conter a especulação imobiliária, mantendo os moradores originais na área. “É preciso se preservar as mesmas características. Queremos evitar que os moradores da Vila sejam expulsos”.

De acordo com a chefe de planejamento, é preciso rever também a situação de Lagoinha, cujos padrões foram alterados recentemente. “Temos seis meses para refazer tudo aquilo”.

Morador relata que o sossego na Vila já não existe mais


Dimirson Holanda, 65, militar reformado, mora no conjunto Ponta Negra desde 1978, quando chegaram os primeiros moradores. Na época, ele fez um esforço, juntou um dinheirinho e comprou uma casa na área que na época prometia ser um paraíso dentro da capital. E de fato, por muito tempo foi. Mas Dimirson conta que de uns anos para cá, o sossego foi embora. Pois o que era um conjunto habitacional está se tornando um centro empresarial.

“Antigamente nossos filhos iam à praia à vontade. Hoje nós não temos mais isso”, conta o militar reformado. Segundo ele, a construção de grandes prédios está tirando do conjunto suas características originais. Ele cita ainda os estudos que apontam que, os espigões que ainda podem ser construídos, servirão como um paredão, na região que funciona como um corredor de vento para toda a cidade. “Se isso acontecer, vai prejudicar não só o conjunto”.

Dimirson hoje é secretário da Associação dos Moradores de Ponta Negra e Alagamar (Ampa) e hoje está unido ao professor de capoeira Caio dos Anjos, 39, secretário do Conselho Comunitário do bairro. Caio mora na Vila de Ponta Negra há 16 anos e faz um trabalho social com os jovens carentes da comunidade. Hoje, o mestre também é contra a especulação imobiliária.

“São vários problemas que temos aqui. Já acontece, por exemplo, de moradores venderem suas casas por altos preços e saírem da vila. Só que, sem saber administrar o dinheiro, muitos voltam para cá e vão morar nas favelas”, explicou. Segundo Caio, a comunidade perde também porque nem mesmo a Prefeitura pode comprar um terreno na Vila para aumentar uma escola pública, por exemplo. “Tem um terreno aqui, que já aprovamos para a compra, para a ampliação de uma escola. Mas o lote vale no máximo, R$ 15 mil, e o dono está pedindo R$ 180 mil”, conta.

Construtores criticam a falta de infra estrutura

Para o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinducon-RN), Sílvio Bezerra, um ponto deveria ser visto antes de toda e qualquer discussão sobre construções em Ponta Negra: a falta de um adeqüado saneamento da área. Para os empresários, é um absurdo que uma região valorizada e viável como aquela ainda padeça com os problemas vistos com a incapacidade da rede de esgotos.

“O que limita o crescimento de Ponta Negra é a falta de saneamento básico. Isso limita a entrada de novos empreendimentos. Silvio se refere à capacidade da rede de esgotos, que seguiu as projeções da Companhia de Abastecimento de Água e Esgoto (Caern), mas que não previu o crescimento acelerado do bairro. “Essa é uma responsabilidade do poder público. Mas se o governo não tiver recurso, a iniciativa topa fazer uma Parceria Público-Privada para resolver o problema”.

Além da discussão sobre a adeqüação do saneamento da área, os construtores estão cobrando uma regulamentação clara e definitiva sobre as construções no bairro. Ele cita como exemplo a legislação na área da Ladeira do Sol, no Centro, onde deve-se respeitar a visualização de um observador, levando-se em conta a Fortaleza dos Reis Magos ao lado esquerdo, e o início da Via Costeira ao lado direito.

Claro que, em se tratando da criação de uma regulamentação, os construtores preferem que isso se dê no sentido das permissões. Para Silvio Bezerra, não há sentido em se proibir construções à esquerda da avenida Engenheiro Roberto Freire. “É importante se preservar a visão do Morro do Careca. Ele é um patrimônio nosso e importante até mesmo para o turismo. Mas não há sentido em se proibir que se construa ao lado direito e ali por trás (na região do conjunto)”, argumenta o empresário.

Bezerra criticou ainda a proposta existente para o novo Plano Diretor, que diz que, para que se construa na área, seja necessário obter autorizações do Idema e da Caern, além de se promover uma audiência pública com os moradores do bairro. “São três coisas descabidas. Quem tem que dar a licença é a Semurb e não o Idema. E quanto à Caern, ela tem que fazer o saneamento e pronto. Já sobre as audiências, é pior. Você compra um terreno, aí pra construir um prédio, tem que comunicar a todo mundo”.

Silvio Bezerra diz que as construções que poderiam ser instaladas ali, trariam um desenvolvimento da região, o que melhoraria a qualidade de vida dos moradores. Tudo isso com a vinda de grande empresas e mais empregos. Além disso, ele condena o que chama de retirada dos direitos do cidadão, em relação aos critérios para a venda de lotes. “A pessoa deve ter o direito de decidir sobre sua vida, se quer vender seu terreno ou não”.

Silvio Bezerra informou que pretende presenciar as discussões na Câmara Municipal, a fim de expor suas idéias. “Queremos encontrar um meio termo. Eu vou lá para argumentar. Não adianta discutir com a emoção”.

Entrevista: Maria Helena Correia, moradora

Dona Maria Helena Correia está na Vila de Ponta Negra desde que nasceu. Se criou entre os pescadores e agricultores daquela que era uma região praieira distante de tudo. Quando era menina, cansou de ir à pé para o Centro, nos tempos em que a condução era algo inimaginável. Hoje, aos 64 anos, está no mesmo lugar, na rua Manoel Coringa de Lemos, a principal da Vila.

Dona Helena atualmente é referência cultural da localidade. Faz renda de bilro, dança no pastoril, canta, representa e é admirada na comunidade. Para ela, não há dinheiro no mundo que valha à pena sair da Vila. E ela resiste, na mesma casa, apesar de já ter perdido a vista para o Morro do Careca. Hoje, restou-lhe alguns metros da vista do mar, que já é ameaçada pelo anúncio da construção de mais um prédio. Mas ainda assim, ela não sai.

Quando a senhora começou a perceber que a Vila já não seria a mesma?

Maria Helena: Ah, isso já faz é muito tempo. Já faz mais de quarenta anos. Na verdade, desde que chegou o conjunto, já começou mudar. Já foi chegando mais gente. Porque a gente nunca imaginou que a Vila fosse ficar desse jeito. É tanto que as casas eram tudo na beira da pista. As pessoas daquele tempo eram muito inocentes. Era um pouco quieto. Tendo o dinheiro pro pão de cada dia, tudo tava bom...

E qual o temor do pessoal, sobre o que pode acontecer daqui pra frente?

MH: Eu acho assim, que o maior temor da gente é eles tirarem mesmo. É eles tomarem conta de tudo. A “gringaiada” tá tomando conta de tudo. Aqui na rua a gente conta os nativos que tem. Muitos deles foram lá pro final das ruas ou pra outros bairros. O desenvolvimento até tem sido bom, mas aquela tranqüilidade acabou. Mas nem por isso eu deixo de gostar do meu ninho, não.

E desses nativos que vão embora, a senhora será mais uma?

MH: Não, senhor. Pelos meus planos eu vou ficar aqui. Meu esposo às vezes diz: “se eu arranjar um bom dinheiro, eu vou embora”, Eu digo, vou nada. Deixa fazer os prédios. Dinheiro pra mim é apenas um complemento da minha vida.

O Conjunto de Ponta Negra foi regulamentado pela lei 4.328/93

. 707, 16ha é a área do bairro de Ponta Negra
. 6.227 é o total de domicílios particulares
. 23.600 era o total da população, no ano de 2000
. 30.212 era a estimativa da população para 2005
. 42,72 hab/ha era a estimativa da densidade demográfica (2005).
. 3,76 é a média de moradores por domicílio
. 123 casas têm rede de esgoto
. 5.527 casas tem fossas séptica
. 794 residências tem fossas rudimentares
. 5.440 ligações de esgotos registradas
. 37.770 ligações de água pela Caern
. 9.574 são consumidores de energia elétrica (dados da Cosern)

Matéria TN 4/4 - Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Plano Diretor: Emendas serão votadas em 10 dias

Repórteres: Anna Ruth Dantas e Jacson Damasceno
Foto: Divulgação


PLANO DIRETOR - Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça destaca que integrantes do Complan serão convidados para o debate

Antes da segunda e decisiva votação do Plano Diretor de Natal a Câmara Municipal ainda promoverá três audiências públicas. Na próxima semana, o legislativo da capital potiguar promoverá discussões sobre o projeto com o Conselho Municipal de Saneamento Básico. O debate está marcado para quarta-feira.

Depois, outra audiência contará com a representantes do Conselho Municipal de Planejamento (Complan) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo. “Como disseram que não houve uma discussão de Semurb e Complan juntos e, inclusive, o projeto que chegou não foi o aprovado pelo Complan, nós vamos fazer essa audiência com os dois órgãos”, explicou o vereador Emilson Medeiros, presidente da Comissão de Justiça da Câmara.

A terceira audiência pública acontecerá com todos os órgãos e entidades envolvidas com o Plano Diretor. Esse debate ainda não tem data marcada. “Nós entendemos que o projeto do Plano Diretor é sério e muito importante para a cidade. Não temos pressa. Sabemos que o projeto será bom para Natal”, comentou o presidente da Câmara, vereador Dickson Nasser.

Ele destacou ainda que, embora as emendas ainda não tenham sido apresentadas, há alguns pontos pacíficos entre os vereadores: os bairros de Ponta Negra e Mãe Luíza terão atenção especial dos legisladores. “Esses nós não vamos permitir mexer”, destacou Dickson Nasser.

Com as três audiências públicas que serão promovidas pela Câmara, a segunda e decisiva votação do Plano Diretor deverá acontecer no início da segunda quinzena do mês de abril. Os trabalhos do Plano Diretor estão sendo organizados pelo presidente da Comissão de Justiça, vereador Emilson Medeiros. É ele que está fazendo as vezes de “relator”, embora pelo regimento não seja necessário relator nessa fase da votação.

Emilson Medeiros explicou que as emendas dos vereadores deverão ser entregues até a próxima quarta-feira. A partir daí elas farão a tramitação nas comissões de Justiça, Planejamento Urbano e Finanças. As emendas ao projeto original do Plano Diretor poderão ser apresentadas pelos vereadores ou por uma iniciativa popular. Nesse último caso é necessário um projeto com assinatura de 3% do eleitorado, o que indica um abaixo assinado com 12 mil pessoas.

Alguns vereadores já fecharam com o projeto original enviado pela Prefeitura de Natal. “Vamos votar favorável ao projeto enviado pela prefeitura. Esse foi um projeto muito discutido com a sociedade, na Conferência das Cidades”, comentou o vereador Fernando Lucena. Hoje pela manhã, o presidente da Câmara, Dickson Nasser, fará uma reunião com todos os vereadores. “Em se tratando do Plano Diretor há um consenso entre todos os vereadores. O que vamos conversar hoje é informar sobre essas audiências e as novas deliberações”, destacou Dickson Nasser.

Construções limitadas a 30 andares

O novo Plano Diretor de Natal deve reparar equívocos do passado. A revisão de 1994 foi um divisor de águas, à medida em que foi marcada por importantes restrições nas áreas de características especiais, como as Zonas de Proteção Ambiental, mas que por outro lado, foi permissiva no que diz respeito ao resto da cidade. Um dos principais critérios a serem corrigidos, trata do estabelecimento de um gabarito para toda a extensão de terra considerada “adensável”. Em 1984, foi estabelecido que um prédio na capital não poderia ultrapassar o gabarito de 65m, o equivalente a 22 andares. Mas dez anos depois, o PDN passou por uma modificação, acabando com essa restrição. Portanto, com exceção de “áreas de controle de gabarito”, não há limites para altura de construções na capital.

Segundo a chefe do Departamento Urbanístico e Ambiental da Secretaria de Meio-Ambiente e Urbanismo (Semurb), Florésia Pessoa, na época da última revisão, os prédios de Natal tinham um gabarito médio de vinte pavimentos. “Os estudos e estimativas foram feitos, mas ninguém imaginava que a cidade fosse crescer numa velocidade tão espantosa”, explicou.

Já na revisão iniciada em 2005, e que deve finalmente se desfechar ainda este mês, um dos pontos observados em primeiro lugar foi o estabelecimento de um gabarito de 90m - aproximadamente trinta pavimentos - para as áreas que não tinham regulamentação. “Agora vemos que está na hora de recuar. Apesar de ainda achar que é uma regra branda”, informou Florésia Pessoa.

Outra modificação é a anulação da área adensável em Ponta Negra, que também não tinha limites. A regra se refere à margem da avenida Eng. Roberto Freire, oposta à área non aedificandi. Pelo que propõe o novo PDN, os espigões ali erguidos à margem da pista e que têm mais de 90m de gabarito, deverão ser os últimos. Em contrapartida, prédios com até 65m - 22 pavimentos - serão permitidos. Segundo Florésia, não houve proibição para isso também porque a comunidade não se manifestou. “Na época das discussões só houve uma proposta, que foi derrubada, por ter sido considerada muito radical”.

Outras medidas tomadas acabarão alterando os gabaritos de áreas específicas. A criação da Área Especial de Interesse Social na Vila de Ponta Negra é um exemplo, onde regras duras deverão ser criadas. A Zona de Interesse Turístico da praia, onde também há limitações, vai aumentar, chegando até a Vila. Será criada ainda outra área especial, na avenida João Medeiros Filho, em frente ao Carrefour.

“População demonstra que está preocupada”

Muita gente está incomodada. Boa parte da população não está nada, nada satisfeita com os gigantes de concreto que estão sendo erguidos na capital. Segundo o professor de Arquitetura da UFRN, Paulo Nóbrega, - que participou de toda a discussão como delegado da universidade - o que há de modificação no PDN sobre os gabaritos, é por causa da população.

“A população começou a se assustar com os prédios que estão aparecendo com 30, 40 andares”, disse o professor. Segundo Paulo, em uma das discussões entre os delegados, chegou a haver um comunicado informal de que os grandes prédios estavam atrapalhando a cobertura do tráfico aéreo na região. A informação teria sido dada por um técnico da Aeronáutica.

“É muito sintomático essa questão da população se manifestar. Realmente assusta a magnitude desses edifícios, muitas vezes em ruas estreitas. A gente não entende a necessidade desses edifícios numa cidade como Natal”, argumentou o professor. Para o professor, a cidade cresceu uma forma muito rápida, o que fez com que a população reclamasse nas reuinões do Plano Diretor de Natal.

Algumas propostas surgidas da população foram consideradas radicais e não foram parovadas na Conferência da Cidade. Um mililtar reformado pleiteou, por exemplo, que toda a área de Ponta Negra e Capim Macio fosse controlada e o gabarito não passasse de dois pavimentos. O objetivo do cidadão era proteger o corredor de ventilação. Porém, o militar foi voto vencido nas reuniões.

Corretor questiona critérios para definição dos limites

O corretor de imóveis Ricardo Abreu não vê a mudança nos padrões de gabaritos para Natal com grandes preocupações. Segundo ele, o que for decidido é lei e, portanto, deve ser cumprido. O que ele questiona são os meios pelos quais os novos parâmetros foram definidos: “Gostaria muito de saber como chegaram àqueles denominadores. Só isso. Não sei de onde saíram tais critérios”.

Ricardo se refere principalmente ao índice de aproveitamento dos terrenos na capital - em áreas tidas como comuns -, que deve mudar de 1,8% para 1,2%. O índice é o número que se multiplica pela área do terreno, chegando ao total do que se pode construir ali. O corretor não entende como se pode limitar a fração a 1,2%, objetivando fatores de infra-estrutura, em uma cidade que, em tese, estaria em franco desenvolvimento.

“A governadora acaba de anunciar o maior investimento na área de saneamento, no Estado e na capital, vemos o prefeito mostrar tantas obras nas propagandas - e acompanhamos a gestão dele, e exatamente por isso não entendemos porque esses limites para as construções”, explicou Ricardo Abreu.

Para ele, o estabelecimento do gabarito em 90m para quase toda a cidade, com exceção das zonas especiais não é problema. Ricardo explica que outros instrumentos acabam sendo mais importantes para uma rigorosidade, ficando o gabarito em função deles.

Bate-papo

Fernando José de Medeiros Costa - Chefe do Departamento de Arquitetura da UFRN

Fernando José de Medeiros Costa, chefe do departamento de Arquitetura da UFRN, é autor de uma tese de mestrado sobre a relação do recuo das construções e a ventilação do meio urbano. Neste entrevista, ele explica a importância do controle do gabarito.

Quais os critérios seguidos para se definir o gabarito?

Na verdade, cada área de um município vai ter um gabarito de acordo com suas necessidades. Os principais aspectos observados são o valor cênico paisagístico, como no caso de Ponta Negra, alguma fragilidade do subsolo ou do meio ambiente da região, além de fatores relativos a questões de infra-estrutura, como o sistema viário e saneamento. Nesse último caso, o gabarito é definido em função de outros parâmetros como a densidade demográfica da área.

Alguns profissionais falam da importância de restrições em Ponta Negra, por ali ser um corredor de vento para a cidade. Isso procede?

De fato, o vento, a grosso modo vem naquela direção, que é a direção sudeste. Realmente na hora que você constrói uma parede de edifícios, você vai ter um rebatimento para o conjunto, com influência muito grande. Por isso, a importância de se ter recuos grandes e alturas variantes nos edifícios.

Qual a importância de se ter alturas variantes?

Mesma altura é ruim para prédios altos ou baixos, porque o piso da ventilação passa a ser o teto dos edifícios e não teremos vento no nível da rua.

E qual é a situação de Ponta Negra hoje em dia?

Se você olhar agora, nesse momento, com aqueles grandes edifícios que tem lá, a coisa ainda não é tão drástica. Por que uma edificação ou outra, aumento a velocidade do ar no nível do solo. Mas se você tiver um número excessivo de prédios, isso pára de existir.

Saiba mais

1) Gabarito é o termo técnico utilizado para definir a altura de qualquer edificação. A medida é dada em metros ou em pavimentos.

2) Em 1984, o Plano Diretor de Natal definiu que o gabarito máximo para o município em geral seria de 65 metros, o equivalente a um edifício de 22 andares.

3) O principal ponto levado em conta para o limite estabelecido em 1984 foi a segurança das construções na cidade, no que diz respeito a aspectos como prevenção de incêndios, por exemplo.

4) Na revisão de 1994, foi extinto o gabarito máximo para toda a cidade. A exceção ficou para zonas especiais, como de interesse turístico, histórico, social ou ambiental.

5) Nesta revisão que está em debate na Câmara Municipal, o novo Plano Diretor volta atrás e passa a prever um gabarito máximo de 90 metros, o equivalente a um prédio de 30 andares, para as áreas que não tinham limites.

6) As medidas de recuo - espaço entre a edificação e os limites do terreno - também deverão ficar mais rigorosas. Com isso, a distância entre os prédios de Natal deve aumentar.