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[Em junho] Caminhada Pé na Praia resgata orla para atividades físicas

Tribuna do Norte - 19 de Junho de 2012


O sol brindou os participantes da Expedição Pé na Praia. A primeira edição da caminhada esportiva e ecológica reuniu centenas de pessoas na praia de Ponta Negra, em Natal, no sábado. Famílias, praticantes de corrida de rua, idosos, jovens e crianças prestigiaram o evento que deverá ficar marcado no calendário de eventos da cidade.
DivulgaçãoParticipantes recolheram restos deixados por outras pessoasParticipantes recolheram restos deixados por outras pessoas

Antes da largada, que teve como plano de fundo o Morro do Careca, instrutores da academia Nova Stylo comandaram o aulão de aquecimento. Dada a largada, os participantes seguiram pela beira-mar por aproximadamente 3,5 Km, com destino ao hotel Ocean Palace. Durante o percurso, os próprios participantes recolheram em suas sacolas ecológicas o lixo gerado. Na chegada, todos receberam medalhas feitas por um artesão potiguar, em formato de barco de madeira; frutas oferecidas pelo Favorito Supermercados; água mineral SterBom; sucos naturais da MilFruits; e sanduíches naturais da Natural Way.

A banda MobyDick recepcionou os participantes com show acústico, na areia da praia. Na oportunidade, a TAM Viagens realizou o sorteio de uma passagem ida e volta para Salvador (BA), enquanto a Nova Stylo premiou com pacotes de mensalidades para uso na academia.

O ProJovem Adolescente, núcleo da comunidade da África, desenvolvido pela Secretaria Municipal de Trabalho e Assistência Social (Semtas), realizou apresentação de capoeira antes da largada e no encerramento do evento. O diretor-geral do Idema Gustavo Szilagyi, que marcou presença no evento, ressalta a importância do Pé na Praia. "Eventos como esse fazem crescer na população o interesse na preservação do meio ambiente. Também aproxima o órgão ambiental das pessoas e podemos debater sobre as questões específicas de cada local", conta.

"Natal precisa de eventos como o Pé na Praia, que promovem esporte, saúde e estimulam a convivência entre comunidades", declarou Jean Valério, secretário municipal de Juventude, Esporte, Lazer e Copa do Mundo 2014, que também esteve na caminhada. A Expedição Pé na Praia, realização da 10 Sports e Win Fábrica de Esportes, com coordenação técnica da Hora de Correr, teve o patrocínio de Prefeitura do Natal, IDEMA, Drogaria Santa Fé, CABO Telecom, ESPN, Ocean Palace, Jovem Pan Natal, Nova Stylo, TAM Viagens e Unigráfica, com apoio de SterBom, Unimed Natal, Natural Way, ERK Sport, Federação Norte-rio-grandense de Futebol e Supermercado Favorito.

Rio adota programa de combate ao Crack

Tribuna do Norte - 14 de Abril de 2012
Rio (AE) - A Prefeitura do Rio de Janeiro e o governo do Estado assinaram ontem o convênio de adesão ao programa 'Crack, é possível vencer', do governo federal. Com objetivo de ampliar atividades de prevenção, aumentar a oferta de tratamento aos usuários de drogas e enfrentar o tráfico e as organizações criminosas, o acordo prevê a destinação de R$ 240 milhões da União para investimentos em todo o Estado até 2014.

Para auxiliar no tratamento a usuários de crack, serão inaugurados seis novos Centros de Atenção Psicossocial e haverá ampliação da capacidade de atendimento das oito unidades já existentes. Também serão criados 27 novos Consultórios na Rua, modelo baseado na experiência iniciada em Salvador para atender à população em situação de risco: equipes formadas por profissionais de saúde prestarão atendimento aos dependentes químicos diretamente na rua, com o suporte de um ambulatório móvel.

O trabalho terá apoio de profissionais dos 14 Centros de Referência Especializados em Assistência Social (Creas) existentes na capital fluminense, além de outros três a serem inaugurados ainda neste ano. "Hoje o crack é uma epidemia no País, e não podemos esperar as pessoas baterem na porta das unidades de saúde e assistência social, mas sim fazer a busca ativa onde elas estão", disse o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O acordo prevê ainda a instalação de 57 unidades de acolhimento adulto e 20 de acolhimento infanto-juvenil em todo o Estado, além da ampliação do número de leitos oferecidos para dependentes de crack, visando atender à polêmica medida de internação involuntária. "Precisamos tirar o debate ideológico dessa discussão, e eu defendo a internação compulsória dos menores e também dos adultos", reiterou o prefeito Eduardo Paes durante a solenidade. A opinião é compartilhada pelo Procurador Geral de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, Cláudio Soares Lopes. "O enfrentamento ao crack é uma questão de saúde pública, e criança viciada não pode estar na rua", afirmou Lopes.

Do total investido pelo governo federal, R$ 4,5 milhões serão ainda destinados à prefeitura para atuação exclusivamente nas comunidades de Bangu, Santo Amaro, Manguinhos e Jacarezinho - favela da zona norte considerada a versão carioca da cracolândia paulistana.

Serão direcionados R$ 15 milhões para capacitação de 35 mil pessoas em todo o Estado, incluindo líderes comunitários, conselheiros municipais e profissionais, para atuarem na área de prevenção, com ações em escolas e nos bairros. Com investimento de R$ 9 milhões, a repressão ao tráfico contará com cinco bases móveis, instalação de câmeras de videomonitoramento e intensificação das ações de inteligência da polícia. "Vamos combater o tráfico de drogas do modo como ele deve ser combatido, com rigor e ataque frontal às organizações criminosas", enfatizou o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Anunciado pela presidenta Dilma Rousseff em dezembro do ano passado, o projeto destinará R$ 4 bilhões em recursos até 2014 para ações de combate ao crack em todo o País. Até o momento, somente os Estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas formalizaram a adesão.

Crack é uma questão de saúde pública || Só os governos ainda não perceberam!!


Tribuna do Norte - 29 de Janeiro de 2012
Os investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes, iniciaram nos anos 2000, e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicos. "O preconceito em relação ao tratamento", segundo Marcelo Ribeiro de Araújo, também contribui para a desarticulação, "porque ainda existem pessoas que acham que 'passar a borracha' nos usuários é a melhor solução" para acabar com as drogas.

emanuel amaralOs investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicosOs investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicos
Para ele, o desafio em relação ao tratamento dos usuários de crack é tratar o caso como um problema de saúde pública. Nesse sentido, avalia, os Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD) representam um avanço, "mas os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido". E dispara: "O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam com o Caps e outros não. Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil".

Em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone, Araújo diz que o consumo do crack está associado a situações de violência e abuso. Nesse sentido, argumenta, "retirar os viciados da cracolândia não vai resolver" o problema da dependência. É preciso oferecer serviços para esses indivíduos, associados a outras medidas, como a de saneamento, por exemplo. Ao encarar a cracolândia como uma área de traficantes e apenas querer limpar o espaço, se corre o risco de piorar a situação daqueles que estão seriamente dependentes do crack".

Hoje as campanhas de combate as drogas focam muito no consumo de crack. Por quê? Essa é a droga mais utilizada e a que causa maior dependência?

Sim. O crack é uma droga que de fato desorganiza os usuários, porque eles ficam muito dependentes e desestruturados. Os usuários de crack também são os que mais buscam tratamento, ou são levados a buscar pela família ou por outras pessoas. O crack é uma droga que impacta, e é usada em grupos, em locais abandonados, e tudo isso atrai a atenção dos usuários.

Quais são os principais efeitos do crack sobre o psiquismo do sujeito?

O crack é a cocaína na sua apresentação para ser fumada. Então, nesse sentido, farmacologicamente, ele é a cocaína. A cocaína é um estimulante do sistema nervoso que, quando utilizada, provoca um quadro de euforia e de bem estar, que é o que as pessoas buscam inicialmente, juntamente com um quadro de aumento da alerta, inquietação, aceleração psicomotora, aumento dos batimentos cardíacos. Isso tudo acompanha a intoxicação por essa substância. A diferença entre ela e a cocaína cheirada é que a cocaína fumada (crack) atinge os pulmões, e uma grande quantidade de cocaína entra de uma vez só no corpo, atingindo rapidamente o cérebro. De cinco a oito segundos, a cocaína entra pelos pulmões, passa pelo coração e chega no cérebro. Então, o crack produz um efeito intenso e rápido, causando maior dependência.

Desde quando o Brasil investe em políticas públicas de enfrentamento ao crack e quais são as políticas existentes para tratar os dependentes?

As políticas públicas são muito recentes e realizadas pelo governo federal, governos estaduais e municipais, de uma maneira que poderia ser melhor integrada. Para você ter uma ideia, até 2003 não havia serviços para tratamentos específicos ambulatoriais para dependência química. Havia apenas seis serviços: três em São Paulo, um na Bahia, um no Rio e um em Porto Alegre. A partir dos anos 2000, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, foi introduzida a primeira política de drogas, entretanto, as políticas públicas passaram a se estruturar em 2003 e, desde então, estão aumentando, a partir da criação dos Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD).

Como é realizado o tratamento de dependentes químicos no Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD)?

Quando um tratamento começa, avaliamos qual é a estrutura química, física e social do paciente. A partir daí, escolhemos as opções que melhor atenderão as necessidades dele. Esse é o conceito atual. Então, é feita uma avaliação das necessidades e a partir disso, tentamos começar o tratamento com uma proposta terapêutica, onde são considerados os ambientes que temos à disposição (podem ser os ambulatórios, podem ser as clínicas, as comunidades terapêuticas, os hospitais). É escolhido o melhor ambiente, pensado na equipe de profissionais disponível para ajudar esse paciente e nas estruturas de apoio sociais - se o dependente químico tem filhos, procuramos uma creche para a criança, por exemplo. Portanto, algumas decisões são clínicas e outras, sociais. Os profissionais que atuam com os dependentes são o que chamamos de gerentes de caso, porque ficam junto com o paciente, próximo do dia a dia dele, e além do tratamento psicológico, ajudam e monitoram outras questões da vida social.

E como acontece isso na prática? O Brasil está preparado para esse modelo de tratamento?

A partir dos anos 1980 e 1990, foram fechadas todas as clínicas de internação. Havia vários manicômios velhos, cheios de ratos, onde as pessoas ficavam completamente abandonadas. O problema é que após fecharmos os manicômios, não colocamos nenhum modelo de internação no lugar, e algumas pessoas precisam ser internadas. Algumas vezes, não sempre, é bom começar o tratamento por uma desintoxicação de um mês. Tem pessoas que ficam muito comprometidas socialmente porque desistem de uma internação em comunidade terapêutica.

Têm pacientes que se beneficiam do Caps, mas este é um tratamento que requer uma estrutura do dependente, pois ele precisa marcar a consulta, e ir às reconsultas. Esse é um tratamento para alguém que já está conseguindo se estruturar melhor. Atualmente, existem Caps nas capitais e nas cidades médias ou naquelas que possuem Universidades Federais, Estaduais. Ainda falta integrar melhor o Caps com o tratamento informal.

Como o senhor avalia o desempenho dos Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD)?

A adaptação, às vezes, fica prejudicada porque como poucas pessoas trabalham com o tema no Brasil e não há muitos locais para se capacitar. Os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido. O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade toda no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam com o Caps e outros não. Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil.

Antes dos anos 1990, não tinha política nenhuma, o que surgiu no governo Fernando Henrique Cardoso foi uma grande carta de intenções, que se preocupava mais com a repressão do que em estruturar uma rede de tratamento para os dependentes químicos. Mas esse era o momento histórico. Foi desenvolvido um trabalho de colocar no papel tudo o que entendíamos por dependência, doença, mas a política de enfrentamento para o crack veio aparecer agora. Depois que a Dilma assumiu, ela fez o plano de enfrentamento e as propostas são válidas. Ela está pensando em diversificar a rede, e capacitar os profissionais. A ideia que está no papel é boa.

Alguns especialistas alegam que a desarticulação entre as políticas de segurança, saúde e assistência social tem prejudicado o tratamento de dependentes em crack. O senhor concorda? Quais são as razões desta desarticulação entre as políticas públicas?

O motivo desta desarticulação é porque o país investe em política pública nessa área há pouquíssimo tempo. Então, as pessoas ainda estão "batendo a cabeça". A falta de articulação também esbarra no preconceito em relação ao tratamento, porque ainda existem pessoas que acham que "passar a borracha" nos usuários de droga é a melhor solução. Essa é uma mentalidade da cultura dos indivíduos. Está no imaginário das pessoas essa concepção de que o dependente químico é um drogado e que não há problema em tratá-lo com violência. As pessoas, às vezes, acabam agindo de uma maneira equivocada.

Quais os desafios de tratar a dependência química como um problema de saúde pública e não como uma questão de segurança?

 O grande desafio é possuirmos ambientes e capacitação, além de ter a oportunidade de influir nos momentos em que se definem as políticas públicas. É uma questão de encarar o crack como uma questão de saúde pública. Retirar os viciados da cracolândia não vai resolver o problema da dependência. É preciso oferecer serviços para esses indivíduos, associados a outras medidas, como a de saneamento, por exemplo. Ao encarar a cracolândia como uma área de traficantes e apenas querer limpar o espaço, se corre o risco de piorar a situação daqueles que estão seriamente dependentes do crack.

Considerando as pesquisas que o senhor realiza na universidade e o contato que tem com dependentes, diria que houve uma evolução no tratamento com dependentes químicos nos últimos anos?

Com certeza. Evoluímos bastante. Fiz um mapa sob como o crac foi evoluindo no Brasil nesses 23 anos e percebi que quando o tema entrou em pauta, nós, pesquisadores, se quer publicávamos sobre o tema - ficávamos fazendo revisão de artigos. Hoje, pelo contrário, temos muitos profissionais pesquisando sobre o assunto, vários serviços de assistência aos dependentes químicos. Nós avançamos muito em pesquisa e nos tratamentos, só que infelizmente ainda estamos no começo. Essa é a principal questão.

Como o uso de crack evoluiu nesses 23 anos? O perfil dos consumidores também mudou?

 O crack ainda continua sendo uma droga de pessoas de classe baixa e que têm baixa escolaridade. A classe média também consome, mas está longe de ser o grande consumidor. Os usuários são pobres, com histórico de violência e abuso. Nesse período, houve de fato uma disseminação do crack pelas grandes cidades: São Paulo, Porto Alegre, o restante do Sul, Belo Horizonte e depois a droga foi sendo espalhada para o Rio de Janeiro e Nordeste. O crack já se interiorizou. Hoje, 98% das cidades convivem com esse problema. Em municípios de 10 mil habitantes, até os bóias-frias fumam a droga.

RN não tem mapeamento do crack || Novidade seria se tivessem!!

Tribuna do Norte - 18 de Janeiro de 2012
Marco Carvalho Sara Vasconcelos - Repórteres

O Governo do Estado não possui um mapeamento do consumo de crack na capital do Rio Grande do Norte. Droga que vem se alastrando pelo país e causando efeitos devastadores na população que a consome, o crack não tem seus compradores identificados pelos bairros de Natal. Para a Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesed), o levantamento de tais informações não é o principal fator que influenciará no combate ao consumo do entorpecente. Segundo o secretário adjunto de segurança, Clidenor Cosme da Silva Júnior, não existe local em Natal que se configure como "cracolândia", espaços de consumo livre, a céu aberto, com grande número de usuários.

adriano abreuSem ação pública que combata o uso ou a venda, crack se espalha pelo RNSem ação pública que combata o uso ou a venda, crack se espalha pelo RN
A Sesed não reconhece o estudo conduzido pelo Instituto FioCruz e pela Secretaria Nacional Antidrogas, divulgado esta semana pelo jornal O Estado de São Paulo. De acordo com o levantamento, Natal possui três zonas com alta densidade de usuários da droga, localizadas nos bairros de Potengi, Quintas e Praia do Meio. De acordo com o estudo, a capital potiguar também apresenta concentração de usuários, mas em menor quantidade, nos bairros de Capim Macio e Ponta Negra. "Não sei qual foi a metodologia utilizada. Não sei se foi medido através das apreensões registradas. O local de consumo não representa o local da negociação da droga, do tráfico", declarou Silva Júnior. O mapeamento pesquisou 16 das 26 capitais do país, além do Distrito Federal. Além de Natal também foram analisadas a densidade de usuários de crack nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, João Pessoa, Porto Alegre, Florianópolis, Salvador, Distrito Federal, Cuiabá, Vitória, Rio Branco, Manaus, Boa Vista, Macapá, Belém, São Luís e Teresina. A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou o Ministério da Justiça para ter acesso a detalhes do estudo. No entanto, a demanda realizada não foi atendida até o horário de fechamento desta edição.

Para o secretário adjunto de segurança, não há no Brasil formas de medir o consumo do crack. "Em alguns países existe uso de tecnologia que analisa a água e o esgoto para medir a incidência de drogas. Aqui em Natal, poderia medir por meio da quantidade de apreensões de drogas, entretanto, não há um zoneamento", informou.

Mesmo ficando distante da realidade de consumo de drogas a céu aberto vista em São Paulo, Natal registra as suas "cracolândias" em menores proporções. Em pelo menos um ponto apontado pelo Instituto FioCruz, a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve presente e pôde constatar o comércio e o consumo do entorpecente a céu aberto. Flagrar atitudes como essa não é difícil até mesmo para quem passa pela primeira vez pelo local. Os traficantes e consumidores não fazem questão de se esconderem para usar o crack.

Na manhã de ontem, um grupo se reunia no bairro Dix-Sept Rosado, zona Oeste de Natal, para fazer uso da droga. Na rua Professor Josino Macedo, homens e mulheres, alguns jovens, compartilhavam cachimbos, isqueiros e pedras do crack. A fumaça branca era percebida, assim como o seu efeito. Uma jovem dançava ao som de uma música imaginária e discutia com o próprio reflexo no vidro de um carro estacionado. Não demorou muito para o "barato" passar e o grupo se reunir novamente para fumar outra pedra.

Plano Estadual de Combate à Droga não sai do papel

O Plano Estadual de Enfrentamento ao Crack e outras drogas nunca chegou a se materializar e ter efeitos práticos para a população potiguar. O Comitê Gestor, designado para ser responsável pela elaboração e implantação do plano, sequer chegou a se reunir para traçar as diretrizes do tema no Estado. Depois de mais de um ano de tal designação, foi anunciado que o planejamento estadual será deixado de lado com a implantação do Plano Nacional de Combate ao Crack.

As informações foram repassadas pelo presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen), Magnus Barreto. O presidente do Conen esclarece que o conselho não possui atribuição executiva, tendo a responsabilidade de deliberar políticas sobre o enfrentamento a drogas e intermediar contato com outras entidades não-governamentais.

Durante o mês de dezembro passado, o Governo Federal anunciou um conjunto de ações do governo federal para enfrentar o crack e as outras drogas. Com investimento de R$ 4 bilhões da União e articulação com estados, Distrito Federal e municípios, além da participação da sociedade civil, a iniciativa tem o objetivo de aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários drogas, enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e ampliar atividades de prevenção.

As ações estão estruturadas em três eixos: cuidado, autoridade e prevenção. Na área da saúde, o plano prevê a estruturação da rede de cuidados Conte Com a Gente, que auxiliará os dependentes químicos e seus familiares na superação do vício e na reinserção social. A rede é composta de equipamentos de saúde distintos, para atender os pacientes em situações diferentes. As ações policiais irão se concentrar em duas frentes: nas fronteiras e nas áreas de uso de drogas, nos centros consumidores.

Uma das novidades do plano é a criação de enfermarias especializadas nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). Até 2014, o Ministério da Saúde repassará recursos para que estados e municípios criem 2.462 leitos, que serão usados para atendimentos e internações de curta duração durante crises de abstinência e em casos de intoxicações graves. Para estimular a criação destes espaços, o valor da diária de internação crescerá 250% - de R$ 57 para R$ 200. Ao todo, serão investidos R$ 670,6 milhões. As informações foram obtidas através da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, Senad, do Ministério da Justiça.

Crack está em quase 90% das cidades

Levantamento realizado no ano passado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) em 4430 das 5565 cidades brasileiras mostrou que o crack é consumido em 91% delas. No Rio Grande do Norte, dos 121 municípios pesquisados, foi constatado a incidência do crack em 108. A plataforma de informações lançada pela CNM traz a geografia do consumo de crack no Brasil.

A CNM montou mapas onde é possível observar o nível de uso da droga e defini-lo como alto, médio ou baixo. Cidades da Região Metropolitana, como São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim e Macaíba, destacaram-se negativamente ao aparecer com elevado nível de consumo do entorpecente. Outros municípios do interior do Estado, como Parelhas, Caraúbas, São Tomé e Baía Formosa, também registraram o nível mais alto de incidência da droga.

O estudo também analisa as estrutura relativas ao atendimento e tratamento de pessoas dependentes químicas, como a presença de centros de atenção psicossocial (Caps). Serviços de assistência social, através dos centros de referências (CRAS e CREAS), também são contabilizados.

Lixo na rua provoca alagamentos || Vamos combinar: além da ineficiência da Urbana, a população também não colabora!

Tribuna do Norte - 15 de Março de 2012
Margareth Grillo - repórter

As chuvas de março registradas em Natal, desde o início do mês, revelaram, mais uma vez, uma velha  problemática: o entupimento das galerias, calhas, bocas de lobo e canais de águas pluviais, resultado do mau hábito de jogar lixo nas ruas. Em vários pontos da cidade, o lixo se acumula na entrada dos bueiros e impede a passagem de água, como nas avenidas Norton Chaves e Alexandrino de Alencar, entre tantos outros,  causando alagamentos.
Júnior SantosPlástico, papelão e detritos se acumulam na grades de proteção do sistema de drenagem  prejudicando o escoamento das águasPlástico, papelão e detritos se acumulam na grades de proteção do sistema de drenagem prejudicando o escoamento das águas

Na avenida Norton Chaves, as duas galerias de entrada para a Lagoa do Preá, no bairro de Nova Descoberta, estavam completamente entupidas na tarde da segunda-feira, 12. Na entrada do canal, se via muito plástico, coco, restos de galhos da poda de árvores e lixo. Na rua Leonardo Drumond, lateral à Lagoa do Preá quem passa não acredita que a limpeza tinha menos de 24 horas. Muito entulho, resíduos orgânicos, plástico, papel, restos de poda e metralha se acumulava ao longo da rua.

Quando chove, o lixo é carreado para uma das galerias de entrada para a lagoa. A cena não difere muito, de um ponto a outro. Na avenida Alexandrino de Alencar, já próximo da avenida Prudente de Morais, mais uma galeria entupida. Na entrada da caixa, estavam acomodados vários sacos de lixo e no interior, se via plástico, papel e areia. Parte do lixo termina escoando junto com a água até canais importantes como o do Barro Vermelho, na  Alameda Marilene Dantas, e o canal do Baldo que atravessa a comunidade do Passo da Pátria.

Os dois canais são interligados e desaguam no rio Potengi, para onde todo o lixo é carreado.  Na Alameda Marilene Dantas, havia até uma tampa de vaso sanitário no interior de um dos bueiros, na segunda-feira, 12. Para se ter ideia da gravidade do problema, por mês, a Companhia de Serviços Urbanos [Urbana] retira de galerias, bocas de lobo, canais e lagoas de drenagem perto de 72 toneladas de lixo. Os materiais recolhidos vão desde areia, metralha, plásticos, papel a resíduos orgânicos. O custo mensal da limpeza de todo o sistema de drenagem da cidade é de R$ 195,4 mil, com pessoal e equipamentos.

No caso do canal do Barro Vermelho, a Urbana fez limpeza da área na primeira semana de fevereiro (de 01 a 09). Mas, em dia de chuva, o que mais se vê é o transporte de lixo pelas águas. "Se o lixo está na rua", frisou o gerente de Operações da Urbana, Márcio Ataliba, "é natural que a força da água vá empurrá-lo para as galerias e para as lagoas".

Ataliba lembrou que "se cada cidadão colocar seu lixo no lugar devido, diminui em muito  os problemas da rede de drenagem, que já é saturada".  Segundo Ataliba, o trabalho da Urbana é contínuo, com 45 homens empenhados na limpeza de lagoas, galerias, calhas e canais. "Hoje, fazemos um trabalho preventivo grande, mas se as pessoas não ajudam, continuam jogando lixo na rua, fica difícil", arrematou.

A impermeabilização do solo e o fato de a rede de drenagem ser muito antiga agravam o problema. "Temos poucas áreas de infiltração e mais águas escoando pelas ruas e galerias, e o sistema não dá conta da vazão", frisou Ataliba. Ele citou como exemplo dessa saturação o cruzamento das avenidas Afonso Pena e rua Mossoró, em Petrópolis.

O secretário adjunto de Conservação da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura (Semopi), Francisco Pereira Júnior, disse que "a participação da população é essencial para evitar os transtornos típicos do período chuvoso". Júnior explicou que cabe à Semopi a recuperação física das caixas e tubos das galerias. Ao ser identificada a presença de lixo, a Semopi aciona a Urbana.

Segundo Júnior, nos últimos dias, o sistema de drenagem respondeu bem. Nenhuma lagoa transbordou entre a sexta-feira e o sábado passado, quando caiu o maior volume de chuva. No período de inverno, as ruas próximas à Lagoa do Preá, principalmente as ruas Nelson Mattos e Raimundo Brasil, chegam a alagar. Em alguns trechos, para ter acesso às casas, é necessário atravessar uma verdadeira lagoa. Para evitar que a água invada as casas, ao primeiro sinal de chuva, os moradores já se mobilizam para colocar barreiras na porta das casas.

Caern tem gasto mensal de R$ 200 mil 

O lixo não desliza apenas em galerias de águas pluviais. Semanalmente, a Caern recolhe sacos plásticos, garrafas pet e latas, entre outros materiais que são lançados pela população na rede coletora de esgotos. Até retalhos de tecidos são encontrados nos dutos coletores da Caern. De julho a dezembro do ano passado, pelo menos, 60 caçambas de lixo, o equivalente a 360 metros cúbicos, foram retiradas da rede coletora.

Somente na Estação de São Conrado são retiradas duas caçambas de lixo, a cada mês. Em janeiro deste ano, a Caern concluiu a retirada de 137 metros cúbicos de areia de 2,6 quilômetros de tubulação de esgotos da rede em Igapó. A limpeza das estações elevatórias de esgotos chega a ser feita duas vezes por semana, sendo que a areia é coletada com o uso de caminhões combinados (hidrojato e a vácuo), devido à grande quantidade de resíduo.

Por ano, o gasto somente nas regiões Oeste, Leste e Sul, segundo a estatal potiguar de saneamento, é de  R$ 2,4 milhões em serviços de manutenção do sistema coletor. É um gasto mensal de R$ 200 mil. Os principais serviços, segundo o gerente da Regional Natal Sul da Caern, Lamarcos Teixeira, são a troca de tubulação, substituição de tampas, conserto de ramais, desobstrução e de pavimentação.

Lamarcos disse que o problema passa por uma questão de educação. Estudos da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte, realizado nos últimos anos, apontou que 70% das ocorrências no sistema coletor de esgoto poderiam ser evitadas, porque são causados por mau uso da rede. "Não chega a ser problema generalizado", disse ele,   "mas como o sistema é coletivo, por ações de algumas pessoas, todos ficam prejudicados".

Há pessoas, segundo ele, que chegam a quebrar a tampa das caixas e jogar em seu interior garrafas pet, sacolas plásticas e outros tipos de resíduos. Mas também há o mau uso. Nem todos tem o cuidado de fazer manutenção das caixas de gordura. Outros chegam a jogar cotonetes, absorventes e papel higiênico no sanitário.

Nos períodos chuvosos, em ponto de alagamentos, é comum ver pessoas abrirem os poços de visita da rede de esgotos para tentar drenar a água de chuva que não consegue escoar pelas galerias de drenagem. Isto aumenta a vazão dentro da rede de esgotos e a quantidade de resíduos sólidos, que entra no sistema. O lixo também entra nos dutos de esgoto por meio de ligações clandestinas oriundas da rede de drenagem.

Segundo Lamarcos, a Caern vem trabalhando em manutenções preventivas, com a  retirada de areia e gordura dos dutos,  para evitar extravasamento da rede. Ele disse que a Companhia tem técnicos ambientais aptos a fazer palestras gratuitas em comunidades. Quem tiver interesse pode ligar no telefone: 3232-4321.

Obras no calçadão: empresa deve destinar R$ 5 mil para educação ambiental em Ponta Negra

Tribuna do Norte - 10 de Maio de 2012
Rafael Barbosa - repórter

A empresa Vecom, responsável pela obra no calçadão de Ponta Negra, deve destinar R$ 5 mil a uma campanha de educação ambiental sobre a correta destinação do lixo no bairro, sem que haja divulgação de partidos políticos, gestores e órgãos públicos na ação. O acordo foi acertado entre Ministério Público e as secretarias Municipais de Obras e Serviços Urbanos como compensação ambiental para os detritos gerados  nas obras realizadas no calçadão da praia.

O MP firmou um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) com as pastas, que dispõe deste pagamento compensatório e também de providências a serem tomadas no canteiro de obras. A  manutenção da segurança no local para evitar  que  seja despejado ou espalhado indevidamente qualquer rejeito  como entulho e outros tipos de materiais, mantendo a limpeza do lugar, também é uma das ações acordadas.

Como medida preventiva, ficam obrigados os comproissários a murar o terreno com sacos de areia, caso haja comprometimento da integridade da obra por algum evento natural, como o aumento da maré, para impedir que entulho seja espalhado pela praia. Caso descumpram as medidas do Termo, as pastas serão multadas em R$ 10mil, com juros de 1% ao mês e 10% sobre o montante devido, em caso de atraso.

Investigação

O Ministério Público recebeu denúncia a respeito das obras no calçadão e instaurou um inquérito civil para investigar o caso. A empresa Vecom, responsável pelo serviço, teria deixado irregularmente uma grande quantidade de entulho no local, e esses resíduos foram espalhados por uma grande área pelo movimento das marés, causando dano ambiental.

Para mudar esse caos, é preciso compromisso social

“Os recursos destinados a educação não são suficientes, mas poderiam resultar num ensino de melhor qualidade. Isso não acontece por pura incompetência”. A opinião é da educadora Claudia Santa Rosa, diretora do Instituto de Desenvolvimento da Educação – IDE, organização não-governamental comprometida com iniciativas que promovem o fortalecimento da escola pública, de modo a torná-la capaz de oferecer uma educação básica de qualidade social para todas as crianças e adolescentes. “Para mudar o caos que foi transformada a educação, é preciso ter um compromisso social e político muito grande”, enfatizou.

DivulgaçãoInstituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) desenvolve projeto de leitura com secretarias municipal e estadual de Educação
Instituto de Desenvolvimento da Educação (IDE) desenvolve projeto de leitura com secretarias municipal e estadual de Educação


Para a educadora, a crise na educação potiguar decorre de fatores como: ausência de uma política de educação, ineficácia da gestão e baixo orçamento. “Não conseguimos ter um país com uma orientação educacional. Nosso modelo é esquizofrênico, toda hora a política muda”, relata, lembrando que no quesito quantidade, os indicadores apontam para a conquista da universalidade do acesso ao ensino, “mas não nos preparamos para esta demanda. A qualidade da educação exige escolas equipadas, mais professores e remuneração digna”, enfatiza.

Orçamento

Um primeiro passo para mudar o quadro negro do ensino, opina, passa pela realização de um estudo sério no orçamento do Estado, com a definição de prioridades . “Se isso não for feito, vamos continuar nos lamentando. É preciso profissionalizar a gestão  da educação, iniciando com a definição de uma política de pessoal – há servidores a disposição em gabinetes, nas prefeituras, espalhados pelos mais diversos órgãos. Se existe uma caixa preta na educação é na parte de pessoal”, relatou, associando-se aos defensores do aumento no investimento equivalente a 7% do PIB (10% para os sonhadores) na educação, percentual usado nos países desenvolvidos. Hoje, o valor máximo chegou a 4.5% do PIB.

O País apresenta indicadores baixíssimos no item educação,e o Rio Grande do Norte encontra-se na rasteira,ao lado de estados como Piauí e Alagoas. Só para dar um exemplo das contradições regionais existentes, lembra que o analfabetismo no RN atinge 20% da população, enquanto no Sul chega a 5%. O Nordeste contabiliza mais de 50% dos analfabetos do Brasil. “E aí perguntamos: quais os investimentos que foram efetuados, as condições de desenvolvimento que uma região tem e outra não para possibilitar o acesso e permanência  na escola”. O salário do professor apresenta outra variação absurda: enquanto no Sul a média é de R$ 3 mil, no RN fica em torno de R$ 940,00, com a grande maioria recebendo menos que este valor.

Para piorar o cenário, o Estado não sabe quantos professores existem, onde estão e quanto isso implica de recursos. “Como a gente pode reestruturar a educação, sem estas informações básicas?”. A divisão de responsabilidades, prevista em lei, ainda é confusa. Na opinião da educadora, a Educação infantil, de responsabilidade do município, está mais organizada. O Estado ainda trabalha com muitas escolas do ensino fundamental, mas o Ensino Médio é precário. “O Estado assume o Ensino Superior, quando sua  responsabilidade é o Ensino Médio”, criticou, defendendo que o valor investido no ensino superior não deveria contabilizar os 25% de recursos que devem ser alocados para a educação, como prevê a Constituição.

São muitas questões que envolvem e terminam por repercutir na qualidade do ensino. Claudia lembra que num dos eventos que participou, em São Paulo, ouviu uma coordenadora da Secretaria de Educação do RN informar que o Estado deixou de receber R$ 70 milhões em decorrência da incapacidade dos técnicos em enquadrar projetos. Os estados e territórios da região Norte vem apresentando resultados surpreendentes. “Aqui, há muito discursos, mas não chega na prática”, disse.

Os baixos salários e a baixa expectativa de sucesso acadêmico vem provocando uma evasão, sobretudo dos professores mais talentosos. Tudo isso reflete num resultado de 5ª categoria. “Nos discursos da presidente Dilma Roussef observamos a preocupação,o compromisso com a educação. Somos frágeis nas políticas públicas eficazes e eficientes,mas temos esperanças de melhorias”, disse.

A leitura deve ser vista como um ato político

A experiência e os resultados apresentados pelo Projeto Escola de Leitores, executado pelo IDEcom apoio do Instituto C&A e parceria com a Secretaria Estadual de Educação e secretarias municipais de educação de Natal e Parnamirim será apresentada no 13º Salão da Feira Nacional do Livro Infanto-Juvenil, que acontecerá  entre os dias  6 e 17 de junho no centro de Convenções Sul América, no Rio de Janeiro. “Trata-se de um evento que já é tradicional no País”, destaca Cláudia Santa Rosa, lembrando que além dela, vão participar treze educadores que participam do projeto em Natal e a secretaria adjunta de educação do Estado, Tânia Leiros.

O projeto utiliza a leitura literária como ferramenta de cidadania, buscando o fortalecimento do projeto político-pedagógico da escola. Através da leitura  busca contribuir para o fortalecimento das pessoas, o
empoderamento inclusive das crianças. A escola estadual Hegesippo Reis foi definida como o espaço de execução da experiência, como exemplo  a ser disseminado para outras escolas. A ação abrange 145 escolas 
organizadas em 15 polos, 12 em Natal e 3 em Parnamirim, atendendo em torno de 60 mil alunos.

Entre os resultados alcançados, destaca-se a organização de bibliotecas e salas de leitura em 70 escolas, a formação de educadores e a promulgação da Lei 9.169, no início de 2009, instrumento para que se tenha uma política pública de incentivo a leitura. Um dos desafios que permanece é a  rotatividade do professor que atua neste espaço. “O Estado diz pra gente que biblioteca é lugar onde não se trabalha muito – mas muitos trabalham mais que os professores que estão em sala de aula”, disse.

Para o futuro, o IDE pretende  fazer um estudo sobre o comportamento de leitores  professores e crianças – mudanças de comportamento a partir da leitura. Antes disso, no próximo dia 20 realizam um Fórum de Leitura, na Assembléia Legislativa, discutindo o futuro do projeto. “Não consigo enxergar que a Secretaria tenha a coragem de não dar continuidade e não consolidar uma política de leitura no RN..O Manifesto por uma Escola de 
Leitores está aí, ainda que feche o ciclo do projeto, não vamos deixar de exercer o controle social. No Fórum de Leitura vamos realizar uma mesa redonda com os secretários de educação do RN e de Natal, além de 
representantes da Fundação José Augusto e Undime. Tdos serão convocados a se posicionarem sobre esta tecnologia social”, disse Cláudia.

Prefeitura recebe demandas de comissão de moradores da Vila de Ponta Negra



Data de publicação: 20/05/2011 14:31


A prefeita do Natal, Micarla de Sousa, recebeu na manhã desta sexta-feira (20), durante uma audiência com uma comissão de moradores da Vila de Ponta Negra, várias demandas de mobilidade urbana, tapa-buraco, assistência social e educação da população com a coleta e acondicionamento do lixo. Ainda participaram do encontro representantes do Gabinete Civil, das Secretarias de Mobilidade Urbana, Obras Públicas e Infraestrutura, da Mulher e Serviços Urbanos. Durante a audiência, a Prefeitura e os moradores discutiram medidas de curto, médio e longo prazo para implantar melhorias na comunidade.

"Essa é uma reunião que estou fazendo com todas as comunidades, para juntos discutirmos as soluções que precisam ser empregadas. Ontem estivemos com moradores do Jiqui, Pirangi e Neópolis; hoje com Ponta Negra e assim faremos com outros bairros", declarou a prefeita.

Além de receber as demandas, a prefeita também expôs aos moradores as dificuldades financeiras da Prefeitura frente à crescente responsabilidade do município. Da parte da Prefeitura, ficou o comprometimento dos representantes do Executivo Municipal de avaliar as questões trazidas pela comissão de moradores e encaminhar as providências Necessárias.

O encontro, que durou mais de duas horas, foi considerado bastante produtivo pela presidente do Conselho Comunitário de Ponta Negra, Cíntia Fernanda de Lima e pelos outros seis representantes de Conselho Comunitário e Associação de Quiosques do bairro. 

"Esse encontro está sendo muito importante para todos nós, pois aqui estamos sendo ouvidos e discutindo com a prefeitura as necessidades da Vila de Ponta Negra", declarou a presidente do Conselho, Cíntia Fernanda de Lima.


Pauta da audiência

Urbana: Recolhimento de entulho e poda, criação de um Ecoponto na Vila de Ponta Negra, além de um trabalho de educação ambiental preventiva com a comunidade.

Semurb: Fazer a adequação dos acessos à praia, fiscalizar as invasões no terreno da Barreira do Inferno.

Semsur: Construção de um Centro de Velório e revitalização de praças. 

Semopi: Foram solicitados reparos na vias, com prioridade ao acesso da vila para Rota do Sol e buscar um entendimento com Caern, que é responsável por vários buracos. 

Semob: Foram solicitadas mudanças em rotas, ampliação dos horários de ônibus e tirar o ponto final da Vila de Ponta Negra. 

Semtas: Criação de um CRAS em Ponta Negra.

Depoimento de professora durante Audiência Pública na AL-RN resume o quadro da Educação no Brasil


ASSISTA COM ATENÇÃO:

Professora Amanda Gurgel silencia deputados durante Audiência Pública na Assembleia Legislativa do RN

Depoimento resume o quadro da Educação no Brasil.
(10/05/2011)

Semana de Enfrentamento ao Abuso e a Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes

17/05/2011
Apitaço Contra a Violência.
Onde: no Bairro de Felipe Camarão com todas as Instituições envolvidas, às 9h;

18/05/2011
ll Seminário da Rede Municipal de Enfrentamento ao Abuso e a Exploração Sexual Contra Crianças e Adolescentes: O Papel do Poder Público e da Sociedade.
Onde: No Centro Municipal de Referência em Educação Aluízio Alves – Cemure, das 8h30min às 16h30min;

19/05/2011
Passeata na Vila de Ponta Negra com apresentações de Grupos Culturais e Poetas, com Ato Ecumênico ao final, realizada pelo Círculo Universal dos Embaixadores da Paz, Centro Cultural da Vila, Conselho Comunitário, Sociedade dos Poetas Vivos e Afins e Poetas Del Mundo.
Onde: Na Vila de Ponta Negra às15h 30min.

26/05/2011
Audiência Pública da Frente Parlamentar Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente.
Onde: na Câmara Municipal do Natal às 9h.

Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas





Título:  
O Plano de Desenvolvimento da Educação: razões, princípios e programas
Autor:  
Ministério da Educação   Listar as obras deste autor
Categoria:  
Educação
Idioma:  
Português
Instituição:/Parceiro  
[me] Ministério da Educação
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As Vozes de uma Vila em projeção nacional

Os 300 anos de cores e sons da Vila de Ponta Negra poderão ser ouvidos em radiodocumentário. O projeto Vozes da Vila está em fase de edição e montagem. Ainda em outubro será enviado à Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub) para distribuição nacional entre rádios associadas. Em Natal poderá ser escutado nas rádios Universitária e Senado. 

O projeto foi aprovado no edital Prêmio Roquette-Pinto, da Arpub - com patrocínio da Petrobras e do Ministério da Cultura, que selecionou 40 projetos de todo o Brasil, destes, apenas 13 são radiodocumentários. E o único projeto potiguar aprovado foi o radiodocumentário Vozes da Vila, roteirizado por Yuno Silva e Ana Ferreira e dirigido e produzido por Joanisa Prates.

Serão seis horas de programa, divididos em 12 episódios de 30 minutos cada. Funcionará como uma espécie de registro sonoro e histórico de tudo o que a Vila de Ponta Negra tem para contar: as rendeiras de bilro, a luta pela terra, a invasão militar, os grupos de cultura popular, movimentos sociais, turismo, educação, sabores da vila, surf e pescadores, religião, festejos, lendas e histórias de Lobisomem.

Comunidade escolar faz ato público


Publicação: 16 de Setembro de 2010 às 00:00
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A despeito da Secretaria Estadual de Educação e Cultura (SECD) ter apresentado um laudo informando a necessidade de execução de obras de reforma da caixa d'água e do isolamento da área num raio de 11 metros, e  em cima do qual baseou pedido para levantar a interdição  da Escola Estadual José Fernandes Machado, o Corpo de Bombeiros manteve a medida tomada na penúltima semana de agosto, quando houve a suspensão das aulas para 1.200 alunos daquele estabelecimento de ensino.

O subcomandante do  Serviço Técnico de Engenharia da corporação, major Jerbes Lucena, informa que o documento apresentado pela SECD "não diz que a caixa d'água vai cair", mas explicou que em decorrência do laudo não ter passado pelo Conselho Regional de Agronomia, Engenharia e Arquitetura (Crea-RN), ele não tem efeito legal. "É preciso o registro no Crea para o laudo ter validade".

Ponta Negra e o seu "mar de problemas"

Repórter: Zenaide Castro
Foto: Elpídio Júnior

População e entidades que lutam pelo combate às drogas, ao turismo sexual e à violência na praia e na vila aguardam ações que melhorem a situação em Ponta Negra.

O principal cartão-postal da cidade, a praia de Ponta Negra, enfrenta um somatório de problemas ocasionados pela falta de ações e medidas voltadas à segurança, saúde pública, cidadania e, principalmente, a uma educação adequada. O lugar, que há alguns anos era parada obrigatória para quem visitava a cidade, e frequentado – dia e noite - pelos natalenses, hoje se vê em um "mar de problemas".

Na opinião do membro da ONG SOS Ponta Negra e coordenador do movimento Filhos de Ponta, Yuno Silva, a solução para todos – ou grande parte desses problemas – está na educação. "Hoje, a principal questão tanto na praia como na Vila de Ponta Negra é a falta de qualificação e de oportunidades para as pessoas, que não dispõem de educação e trabalho. Consequentemente, voltam-se para a prostituição, principalmente para o turismo sexual, a violência e o tráfico de drogas", explicou Yuno.

"A falta de segurança é apenas a ponta do iceberg", afirma, lembrando que o SOS Ponta Negra elaborou, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e com o Gabinete de Gestão Integrada da Secretaria Estadual de Defesa Social e Segurança Pública o projeto "Território de Paz". O projeto está sendo analisado pelo órgão e prevê várias ações voltadas ao restabelecimento da tranquilidade na Vila de Ponta Negra e na praia, que tem sido manchete no noticiário policial.

No mês de março deste ano, as entidades de defesa de Ponta Negra organizaram um movimento de combate às drogas, onde cobraram ações concretas, desenvolvidas em parceria com outros órgãos. "Até porque o problema das drogas é muito mais uma questão de saúde pública, não apenas de segurança", emendou Yuno. O vício e a ligação com o tráfico estão começando casa vez mais cedo.

Buracos no calçadão e praia imprópria para banho

Basta descer a ladeira de acesso à praia para presenciar outros problemas que afetam o local: os comerciantes e praticantes de corrida e caminhada reclamam do descaso com o calçadão. Em alguns pontos ele está com buracos. Os quiosques estão danificados e pouco iluminados. O patrulhamento é precário e vez por outra a praia está imprópria para banho por causa da poluição.

No debate entre os candidatos ao Governo do Estado - Rosalba Ciarlini (DEM), Iberê Ferreira (PSB) e Carlos Eduardo Alves (PDT) -, ocorrido no dia 1º de setembro e que teve como principal tema o turismo, os três demonstraram preocupação com a situação de Ponta Negra e prometeram adotar medidas que garantam mais segurança no local. A medida que prevaleceu foi a instalação de monitoramento eletrônico em todo o calçadão da orla. O jeito é aguardar que um dia Ponta Negra volte a ter o seu brilho - tanto durante o dia como à noite.

CMEIs param por atraso nos salários

Foto: Aldair Dantas

CMEI Wilma Dutra, no bairro de Mirassol, não teve aulas por falta de merendeiras para fazer o lanche

Alguns dos 57 Centros Municipais de Educação Infantil de Natal (CMEIs) estão paralisando suas atividades por falta de pagamento dos salários dos funcionários terceirizados. As 75 crianças que estudam no CMEI Wilma Dutra, em Mirassol, não tiveram aula ontem, por falta de merendeiras para fazer o lanche das crianças.

Os funcionários alegam que os os salários estão atrasados há quatro dias. Alguns funcionários não comparecem às unidades porque não receberam nem mesmo o vale transporte para se deslocar ao centro. No CMEI Haydee Monteiro de Melo, localizado em Ponta Negra, as atividades vão ser paralisadas, hoje, informou a direção da unidade à reportagem da TRIBUNA DO NORTE. O motivo também seria a falta de pagamento dos salários e o atraso no fornecimento de vale-transporte.

A demora para pagamento atinge os funcionários de apoio como porteiros, vigias, merendeiras, assistentes de secretaria, como também o atraso no fornecimento do vale-transporte dos professores, vinculados à Secretaria Municipal de Educação.

No CMEI Wilma Dutra, o único funcionário que estava trabalhando ontem, era o vigia Lenildo Monteiro da Silva, que está com o pagamento do salário atrasado, mas recebeu o vale-transporte no dia primeiro de agosto. "Não sei o porquê de ter recebido meu vale-transporte, pois todos os meus colegas não receberam ainda, mas estou vindo trabalhar para guardar os objetos do prédio e atender às ligações".

No momento em que a reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no local, a mãe de um aluno telefonou perguntando se haveria aula no dia seguinte, mas o vigia solicitou que ela ligasse pela manhã para confirmar se haveria ou não.

Esta unidade atende 75 crianças de 2 a 5 anos de idade, na qual trabalham, três funcionários da limpeza, quatro vigias, duas merendeiras e nove professoras.

No CMEI Haydee Monteiro de Melo, cerca de cem alunos também vão ficar sem atividades, a partir de hoje, no bairro Ponta Negra, zona Sul da capital. A direção do centro confirma que há alguns dias servidores e terceirizados mantinham as atividades, com recursos próprios, arcando sozinhos com as despesas de deslocamento. Neste Centro, os educadores e prestadores de serviços estão sem receber os vales-transportes. No caso dos funcionários das empresas prestadoras de serviços, a direção também confirmou o atraso no pagamento do salário. Sem alternativa, a administração da unidade resolveu suspender as aulas e comunicou aos pais dos alunos, além de enviar ofício à Secretaria de Educação, com as devidas justificativas da paralisação.

A assessoria de comunicação da Prefeitura do Natal informou que não há atraso no pagamento dos salários, pois os contratos desses funcionários estabelecem pagamento até o dia 10 de cada mês. A assessoria informou que o pagamento será efetuado hoje, 10. Sobre o vale-transporte, a assessoria informou que a situação será regularizada esta semana, o processo de pagamento se encontra na secretaria de Administração e tem previsão de ser concluído até a próxima sexta-feira.