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MP quer conclusão de drenagem de Capim Macio/Ponta Negra - E AGORA PREFEITURA? AGILIZE!

Tribuna do Norte - 03 de Março de 2012


Com 70% das obras do sistema de drenagem de Capim Macio realizadas,  o Ministério Público do Rio Grande do Norte e a Procuradoria Geral da República estão pedindo, judicialmente, o bloqueio de R$ 7,25 milhões da conta única do município   para garantir a conclusão das obras, cuja última medição ocorreu em junho de 2011 por parte da Caixa Econômica Federal (CEF), instituição financeira responsável por sua fiscalização e repasse dos recursos para a sua execução. A 45ª promotora  de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Gilka da Mata e o procurador da República, Fábio Nesi Venzon assinam a ação civil pública que tramita na 1ª Vara Federal do Rio Grande do Norte desde novembro 2008, quando se pediu o embargo do projeto enquanto  não se achasse uma solução para o desvio das águas pluviais para a comunidade de Lagoinha, situada numa Zona de Proteção Ambiental (ZPA-5).
Júnior SantosObra tem 70 por cento já concluída e restante depende de demandas encaminhadas ao MunicípioObra tem 70 por cento já concluída e restante depende de demandas encaminhadas ao Município

Durante as negociações com o município, chegou-se a um acordo para que as águas de chuva, acumuladas em cinco lagoas artificiais construídas em Ponta Negra e Capim Macio, desaguassem para Lagoinha, enquanto não se construísse um extravasor (mini emissário) de águas pluviais para o Oceano Atlântico, além de que a Prefeitura de Natal se comprometeria a executar um Programa de Recuperação da Área Degradada (PRAD) daquela parte da ZPA-5.

Além do mais, em virtude da suspensão do contrato das obras realizadas pela construtora Queiroz Galvão, pelo menos dez ruas de Capim Macio estão sofrendo com a paralisação das obras de drenagem, como reconhece o militar aposentado Aparecido Camazano Alamino, residente na rua Américo Soares Wanderley: "Não dá para entender, se  aqui é pago o IPTU mais caro de Natal".

Aparecido diz que paga quase R$ 2 mil de IPTU, mas lamenta que algumas ruas do bairro ainda estejam relegadas a segundo plano: "Quando cheguei aqui, há nove anos, ainda era barro e de vez em quando passavam uma máquina, hoje não passam nada". 

Em decisão judicial datada de 31 de dezembro de 2010, mas só lavrada em 28 de setembro de 2011, o juiz da 1ª Vara Federal  determinou que o município comprovasse se estava executando os 30% restantes do sistema de drenagem de Capim Macio.

Segundo os autos, a resposta da Prefeitura era de que a execução das obras não foi realizada devido à suspensão do contrato com a Queiroz Galvão. A promotora Gilka da Mata diz que existe a preocupação do MP porque a cada atraso da obra, ela fica mais cara - "a praxe é o reajuste de 40% a cada ano". Além disso, a população termina sendo a mais prejudicada e ainda corre o risco do município perder os recursos disponíveis na Caixa.

Gilka da Mata ainda chama a atenção para o fato de que, em 2011, embora o município tivesse uma dotação orçamentária de R$ 841,38 milhões para investir em infraestrutura, apenas R$ 15,72 milhões foram utilizados, ou seja, somente 2,0% dos recursos disponíveis para aquela rubrica.

Segundo ela, o bloqueio de R$ 7,25 milhões refere-se a recursos próprios dos municípios.

Paralisação da obra prejudica população e aumenta valores

As obras de drenagem de Capim Macio não enfrentam só a sua paralisação. O MP denuncia que o município sequer requereu ao Idema o pedido de licença para instalação do mini emissário que levará o excedente de águas pluviais acumuladas em cinco lagoas de captação para Ponta Negra.

Em 3 de agosto de 2011, o município informou ao MP que  não tinha requerido a licença de instalação, porque ainda não tinha elaborado o projeto executivo da obra, que demoraria 60 dias para ser feito. Na ocasião, também solicitava a prorrogação do prazo determinado judicialmente para 90 dias. "O prazo, então, findou no mês de novembro sem que o município tenha requerido ao Idema o pedido de licença de instalação para a obra do extravasor", apontou os autos.

Segundo o MP, a construção do extravasor é necessária para se tirar Lagoinha da condição "provisória" da captação de águas pluviais de Capim Macio, pois aquela área da ZPA-5 "é muito importante para a recarga do aquífero" de Natal.

Segundo consta nos autos, a Semopi informou, ainda, que o município ficou impedido de receber repasses federais entre outubro de 2010 e dezembro de 2011, "porque estava com pendências de pagamento junto à Receita Federal e não tinha a certidão negativa correspondente para auferir recursos federais".

A Semopi informava que o município dispõe da certidão negativa, documento que permite a retomada do desembolso de recursos da União para obras financiadas pelo FGTS, caso da drenagem de Capim Macio.

A Semopi apontou que em relação à contrapartida da obra, já se pagou em torno de R$ 6,89 milhões, mas em virtude dos reajustes, ainda restam R$ 525 milhões de contrapartida e R$ R$ 6,39  de reajustamento.

Afora isso, a Semopi ficou de remeter ao MP até 23 de fevereiro, segundo os autos,  o valor estimado para conclusão de obras como a estação elevatória,  e de outros serviços de drenagem. Mas até o dia seguinte, nada tinha chegado à Promotoria de Defesa do Meio Ambiente. Segundo a CEF, para o município receber cerca de R$ 10 milhões do financiamento, precisa dar uma contrapartida de aproximadamente R$ 4 milhões.

>>> comentário pertinente: a incompetência da gestão municipal é completa e a situação é pior do que imaginamos! Os podres estão aparecendo e vão continuar fedendo - e olha que são do Partido Verde hein!! Lamentável a situação. 

AUDIÊNCIA ELIMINAÇÃO DO EMISSÁRIO SUBMARINO

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Gilka <mata@digi.com.br>
Data: 9 de novembro de 2010 10:40
Assunto: [SOS Natal] AUDIÊNCIA ELIMINAÇÃO DO EMISSÁRIO
Para: sosnatal@yahoogrupos.com.br



AUDIÊNCIA PARA ELIMINAR O EMISSÁRIO SUBMARINO DE PONTA NEGRA

No dia 11/11/2010,  o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL e o MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL realizarão uma audiência às 9horas, na sede da  Procuradoria Geral de Justiça – Rua Promotor Manoel Alves Pessoa Neto, 97, Candelária (próximo da Jaguarari e do condomínio de casa Green Village) -   com o objetivo de avaliar a proposta alternativa da CAERN de eliminar a possibilidade de utilização do EMISSÁRIO SUBMARINO como destino final dos esgotos coletados nos Bairros de Ponta Negra, Capim Macio e adjacências. A proposta alternativa contempla a instalação de uma nova Estação de Tratamento de Esgotos - ETE em nível terciário no Bairro de Gurarapes, que tratará também os esgotos dos Bairros de Neópolis, Candelária, Lagoa Nova, Cidade da Esperança, região de San Vale, Pitimbu, Planalto, Bom Pastor, Felipe Camarão, Guarapes, Nova Parnamirim, Emaus, Parque Industrial de Parnamirim e terá como destino final o estuário do Rio Potengi.

A Promotora Gilka da Mata e o Procurador Fábio Venzon receberam a idéia de forma muito otimista porque a  CAERN informou que os custos de um emissário submarino com todas as garantias exigidas nos estudos ambientais é muito alto e o Ministério Público não concorda com  instalação de um emissário submarino sem as garantias ambientais necessárias à balneabilidade das praias.

A audiência é muito importante porque se as instituições presentes concordarem com a proposta, o Presidente da CAERN levará a alteração para o Ministério das Cidades em Brasília. 

O Ministério Público permitirá a presença de todos os interessados na matéria.

LUTO: Eduardo Bagnoli (1955-2010)

A Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança vem por meio desta nota comunicar e lamentar o falecimento ontem de nosso colega Eduardo Bagnoli, fotógrafo e proprietário do Manary Praia Hotel, nosso associado do Rio Grande do Norte.






































Nossos pêsames à sua família de sangue e também à família da casa-colega.


Saiba mais sobre Eduardo Bagnoli [página pessoal] | Eduardo Bagnoli no SOS Ponta Negra

Às custas da natureza - parte 4/4

Por Moriti Neto

>>> Continuação:

Impactos da ausência

Expansão urbana incompatível com infraestrutura sanitária, escassez de oferta de serviços públicos eficientes, degradação dos recursos naturais e concessões pouco criteriosas fornecidas pelo Poder Executivo, colocaram o Ministério Público como ator chave do processo de revisão do Plano Diretor de Natal. Uma ação foi acatada pela Justiça para impedir regras que ensejariam um super adensamento do solo sem infraestrutura. A medida também contemplou pedidos de proteção da paisagem e da ventilação da cidade, com a proibição de construções verticalizadas na área de contorno da “Unidade de Conservação Parque Estadual Dunas do Natal Jornalista Luiz Maria Alves”, considerado o segundo maior parque urbano no Brasil. “Os maiores desafios dos gestores englobam o respeito às normas de ordenamento urbano, o investimento em estudos ou diagnósticos ambientais e em saneamento básico”, ressalta Gilka da Mata.

Para o arquiteto Francisco Iglesias, as autoridades do Executivo pecam por falta de planejamento e conhecimento “Não há planejamento por parte de quem concede as licenças. Não são estudados o volume de consumo de água, a capacidade de abastecimento, a questão dos resíduos sólidos, tudo relacionado ao aumento da população. Natal é a única prefeitura de capital, no Brasil, administrada pelo Partido Verde (PV). Só que os verdes, em alguns casos, estão mais para marrons, pois corroboram a destruição ambiental. Sobre o governo estadual, eles não sabem nada. Tem projeto de construtora espanhola para 230 mil pessoas no litoral norte sem estudo apropriado. Imagine o impacto disso. Os governantes consideram a questão ambiental restritiva, só levam em conta o custo de uma política ambiental séria e não os benefícios futuros”, analisa

Na questão ambiental, a ausência das autoridades é notada na preparação das políticas públicas. O Brasil carece de legislação própria para projetos de saneamento. O professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) Cícero Onofre defende a criação de um sistema público de esgoto sanitário. “Um sistema público de esgoto sanitário significa qualidade de vida. Não podemos continuar infiltrando esgoto no solo, como no caso de Natal, e beber a água na ponta”, observa. Sobre a construção indiscriminada dos empreendimentos imobiliários, ele avalia: “Precisamos de sistemas mais amplos de pesquisa, mais até do que os estudos de impacto. Necessitamos de avaliações estratégicas no caso de pressão populacional e imobiliária. Isso, se desejarmos evitar crimes maiores dos que já aconteceram e acontecem”.

Às custas da natureza - parte 3/4

Por Moriti Neto

>>> Continuação:

Saneamento básico, uma questão à parte

As construções que proliferam no Rio Grande do Norte trazem outro sério dilema. O saneamento básico é questão que aflige ambientalistas e pesquisadores. Para resolver a contaminação do lençol freático por nitrato, um sistema de coleta de esgoto com estações de tratamento precisaria de grandes espaços e alto investimento. E necessitaria, ainda, de mão-de-obra especializada em escala considerável.

Com a urgência sanitária e a falta de um destino útil para o esgoto tratado, como a reutilização da água para fins industriais e irrigação, optou-se pela construção de um emissário submarino, em Natal. O sistema resolveria o problema da falta de saneamento para cerca de 40% da cidade, mas sua implantação ainda esbarra na falta de estudos de impacto ambiental, pois não foi considerada a atividade pesqueira em Ponta Negra. Pouco se conhece sobre a fauna marinha da área, as amostras de dados são insuficientes para fazer uma modelagem computadorizada sobre a dinâmica costeira – medindo ventos e correntes marinhas –, fatores fundamentais para assegurar o funcionamento. “A pressa para resolver o problema é justamente para permitir um maior adensamento e a verticalização na zona sul da cidade, onde ficam Ponta Negra e outros bairros nobres. Afinal, querem resolver o problema da falta de saneamento ou intensificar a especulação imobiliária?”, indaga o arquiteto potiguar Francisco Iglesias.

Após quatro anos de debates, foi constatada a necessidade de um tratamento prévio antes que o esgoto chegue ao mar. Inicialmente, o emissário submarino teria apenas um tratamento primário, mas a movimentação dos ambientalistas garantiu ao projeto o tratamento secundário, em março de 2010, quando o Ministério Público apresentou laudo realizado por técnicos da Universidade de São Paulo (USP). “A intenção da empresa concessionária do serviço de esgotamento sanitário em Natal, teve início em março de 2008. Mas a proposta inicial de implantar um emissário foi fundada em um estudo de impacto ambiental muito superficial e incompleto. Os estudos oceanográficos foram considerados insuficientes e não havia a contemplação de um dos estudos mais importantes no que diz respeito a emissários, que é o de modelagem computacional, que tem a função de realizar simulações para avaliar as condições de balneabilidade da praia, se a praia ficará própria ou imprópria para o banho”, enfatiza a promotora do meio ambiente de Natal, Gilka da Mata.

Dessa maneira, foram recomendados estudos de alternativas de destino final dos esgotos coletados, tendo em vista que o emissário constava praticamente como única opção. No último dia 19 de março, em audiência pública, a comissão da USP apresentou uma parcial das conclusões que revelaram a necessidade de estudos complementares. Em decorrência das contribuições e das informações fornecidas, o Ministério Público adicionou questões complementares aos peritos, que estão elaborando parecer final. “Ao encaminhar os quesitos finais, o Ministério Público (estadual e federal) pediu aos peritos que respondessem questões relativas à necessidade de instalação de um emissário, já que Natal é um município costeiro cuja principal fonte de renda vem do turismo, calcado na balneabilidade e beleza de praias e do mar, e que a qualidade da água, segundo campanhas de balneabilidade, é própria para banho. Também questionou se em cidades costeiras de países desenvolvidos, cuja economia é fundada também no turismo de balneários, o reuso não seria uma tendência em detrimento de emissários submarinos”, esclarece a promotora.

Às custas da natureza - parte 1/4

Por Moriti Neto

Segunda menor capital do Brasil, atrás apenas de Vitória (ES) e entre as maiores densidades demográficas do país, a cidade de Natal (RN) enfrenta desafios como a própria fragilidade ambiental e urbanística – ocupação do solo, transporte público, saneamento básico – que vem desde o massacre dos índios potiguaras pelos portugueses, passando pela invasão estadunidense durante a Segunda Guerra Mundial.

A cidade foi construída sobre dunas e se abastece com água dos lençóis freáticos. O sistema de saneamento básico é fundamentado na utilização de fossas que contaminam com nitrato as reservas de água potável. Dona de uma beleza natural ímpar, a cidade sofre, também, com o desordenamento da construção civil e veículos envelhecidos circulando em sua área. No processo de urbanização, o povo natalense foi envolvido pelo deslumbramento econômico conquistado à custa das belezas naturais. A migração de pessoas de outros estados brasileiros e países estrangeiros, visando à exploração, transformou Natal numa babel com conflitos de identidade. Apenas recentemente, com a finalidade de equilibrar progresso e qualidade de vida, surgiram movimentos organizados e a mentalidade local começou a mudar.

Em agosto de 2006, com o objetivo de chamar atenção da população para o caso dos "espigões de Ponta Negra" (como ficaram conhecidos os prédios que seriam construídos ao lado do Morro do Careca, monumento natural de Natal), surge o SOS Ponta Negra, que logo amplia seu raio de atuação e abraça outras questões, como Plano Diretor, saneamento básico, trânsito e os segmentos social, cultural e comunitário.

O jornalista Yuno Silva, paulistano de nascença, mas morando em Natal há 28 anos, é um dos líderes do movimento. Em agosto de 2006, iniciou uma cruzada pela preservação do Morro do Careca e da praia de Ponta Negra – principal cartão postal natalense – quando viu anúncios de apartamentos ao lado do monumento natural. “Comecei a pesquisar. Primeiro, para saber se alguém fazia ideia do absurdo que a especulação imobiliária estava prestes a cometer com o aval da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente. Segundo, para verificar a legalidade das obras. E, por último, como poderia reverter a situação, apelando para o bom senso”, lembra.

Yuno passou 20 dias recolhendo informações e decidindo se estaria disposto a dar uma guinada na vida pessoal e carreira profissional. Ciente de que enfrentaria interesses políticos e econômicos, sabia que muitas portas iriam se fechar na sua área de atuação. “Mas, felizmente, muitas outras portas se abriram e mergulhei de cabeça na militância ambiental, comunitária e sociocultural voluntária”, conta.

Com a criação de um blog (sospontanegra.blogspot.com) para denunciar a situação, ele conseguiu que o assunto ganhasse dimensão. E, em menos de 20 dias, a prefeitura suspendeu as licenças de construção na área para realizar novos estudos de impacto ambiental. “Vale esclarecer que não sou contra a construção de empreendimentos imobiliários, mas, sim, a favor da paisagem, do crescimento equilibrado das cidades, do desenvolvimento responsável. Infelizmente, esse papo de sustentabilidade ainda é pouco praticado pelas pessoas”, explica Yuno.

O grande problema das construções em Natal, como em tantas partes do Nordeste, é a falta de pesquisas para erguê-las. Investidores estrangeiros chegam com euros e compram grandes faixas da região, degradam o meio ambiente, tendo a conivência de políticos e empresários locais.

Além disso, a cultura nativa é massacrada e não há oferta de qualificação profissional. A inclusão social e o desenvolvimento real do turismo, que são algumas das propagandas alardeadas pelos “investidores”, não acontecem. “Tais fatores só aumentam o abismo social que, historicamente, é acentuado. Consequentemente, a violência cresce. Precisamos de parceiros e não de patrões. Queremos respeito e benefícios duradouros”, reivindica o jornalista.

Charges Amâncio

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.:AMÂNCIO

LUCRO EM PONTA NEGRA - Amâncio
2009









EU NÃO MEREÇO TANTO - Amâncio
Copa do Mundo 2014 I
2009








NATAL DO FUTURO - Túlio Ratto
Espigões de Ponta Negra III
08 de novembro 2009

Charges Ivan Cabral

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.:IVAN CABRAL - www.ivancabral.blogspot.com

ATÉ LOGO - Ivan Cabral
Emissário Submarino IV
15 de novembro de 2009









VIGE - Ivan Cabral
Emissário Submarino III
14 de março de 2008









ECA - Ivan Cabral
Emissário Submarino II
12 de março de 2008









EMISSÁRIO - Ivan Cabral
Emissário Submarino I
12 de março 2008









PROPINA - Ivan Cabral
Operação Impacto I / Plano Diretor
29 de julho 2007









NESTA TERRA, EM SE PLANTANDO, TUDO DÁ - Ivan Cabral
Plano Diretor II
06 de julho 2007









PLANO DIRETOR - Ivan Cabral
Plano Diretor I
03 de julho 2007








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Contaminação do nitrato na água no RN continua em 20%

Nominuto.com - 22/mar/2010, por Marília Rocha

Segundo diretor-presidente da Caern, Walter Gasi, o problema só será resolvido após as obras do Jiquí.

A rede de águas no Rio Grande do Norte continua com a taxa de contaminação por nitrato avaliada em 20%, segundo informações do diretor-presidente da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern), Walter Gasi, em entrevista ao Jornal 96, da 96 FM na manhã desta segunda-feira (22).

“A presença de nitrato na rede de águas do Estado continua poluída em 20%. Este problema será resolvido com a obra do Jiquí, que irá misturar a água poluída com a pura, deixando assim o teor de nitrato abaixo dos 10 litros, resultando em apenas 8% de contaminação. O investimento na adutora do Jiquí vai ofertar mais de 900 mil litros de água por hora, despoluindo a água contaminada", afirma Walter Gasi.

No dia mundial da água, o diretor da Caern afirma que a população tem muito a refletir, pois futuramente o preço da água doce que estará valendo até mais do que a gasolina. “No Rio Grande do Norte estamos investindo cerca de R$ 916 milhões em obras de saneamento e distribuição de água, um valor importante para a saúde pública do Estado”, afirma. Segundo a Organização Mundial das Nações Unidas (ONU), para cada um dólar gasto, são economizados quatro a menos com a rede de saúde.

Walter Gasi comentou ainda que a falta de água nos bairros de Natal variam de acordo com a faixa, sendo zona alta e zona baixa. “Nas zonas mais altas, a água tem uma maior dificuldade, por causa da pressão, ocasionando falta de água em alguns bairros”, explica Walter.

Ele conta que os bairros mais problemáticos são os mais antigos, pela construção da tubulação de fibra e cimento. “Para melhorarmos a rede de abastecimento seriam necessários R$ 30 milhões para trocas dos canos feitos de fibra e cimento: é um programa caro, mas que será alto-sustentável a partir de janeiro”, afirma.

Durante a entrevista, Walter Gasi comentou ainda sobre a Estação de Tratamento do Baldo. “A obra representa benefícios para 250 mil habitantes em 21 bairros e vai despoluir o rio Potengi e melhorar o esgotamento sanitário de Natal”, justifica.

Os investimentos em pessoal também foram comentados. “A Caern está treinando seus técnicos durante cinco meses para lidar com a implementação das novas técnicas”, conclui.

Sobre a situação dos aqüíferos, o diretor-presidente da Caern afirma que o manancial do Rio Grande do Norte terá investimento de R$ 20 milhões, principalmente em San Vale.

Emissário

Na última sexta-feira (19), em audiência pública, a Caern discutiu juntamente com técnicos da USP a questão do emissário submarino, que tem investimentos de R$ 80 milhões. “Eles analisaram o projeto e disseram que a melhor solução era o emissário submarino. O problema é que o modelo tinha sido apresentado com dados insuficientes e usando como exemplo situações diferentes, mas vamos usar o projeto certo em Ponta Negra”, descreve.

Varela Santiago

A parceria entre a Caern e o Hospital Varela Santiago também foram comentadas. “Hoje, a Caern tem 580 mil usuários ativos. Se cada um contribuir com apenas R$ 1 real, teremos R$ 580 mil por mês. É uma campanha fundamental, com foco na contribuição social para o trabalho de apoio as crianças em tratamento”, comenta Walter Gasi.

Emissário submarino: Sinal verde para obras


O projeto do emissário submarino é indicado para sanear o bairro de Ponta Negra, mas precisa de estudos mais detalhados sobre o impacto ambiental na área, uma vez que o EIA/RIMA (estudo de impacto ambiental) atual possui lacunas não respondidas. Por outro lado, não há impedimentos técnicos para execução das obras suplementares, como a construção da rede de coleta e da estação de tratamento.

Esse foi o resultado apresentado ontem (19) pela equipe do Centro Tecnológico de Hidráulica da USP, que analisou o projeto do emissário a pedido do Ministério Público Estadual. Paulo Rosman, especialista responsável pelo projeto original solicitado pela Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) à equipe Cooptec (UFRJ), explicou por que o complemento de estudos não inviabiliza iniciar a obra.

“Seria jogar dinheiro fora postergar tudo para quando o novo estudo ficar pronto. Já há consenso técnico que o emissário é uma boa solução e de que o tratamento é importante”, disse ele. “As obras são muito complexas e demoradas. O tempo que demora para se partir para iniciar o processo é mais do que suficiente para que todos os estudos de detalhes sejam concluídos. Com isso, Natal ganha em tempo e qualidade”, acrescentou.

Rosman disse que somente na finalização da obra é que os dados extras serão necessários. Outra preocupação da Caern é que a demora desvaloriza e torna insuficiente o orçamento de R$ 81 milhões, disponibilizados desde 2006. A promotora do Meio Ambiente, Gilka da Mata, disse que o MP não se opõe ao consenso de iniciar os obras, mas que os estudos complementares são determinantes.

“Não se pode pensar a construção do emissário sem eles. Mas o sistema como um todo é composto de outros equipamentos, e não há dissonância de que eles possam ser construídos, para tratar dos esgotos em nível secundário”, opinou. Mesmo assim, Gilka lembra que para as obras suplementares receberem sinal verde, ainda será preciso que a Caern submeta seu projeto de execução ao Idema, órgão responsável pelas licenças ambientais.

Na apresentação da análise pelo técnico da USP, Clóvis Veloso, ele respondeu aos questionamentos que foram levantados pelo MP, como experiências do emissário em outras cidades do país e do mundo, impactos ambientais, nível de detalhamento do estudo EIA/RIMA (estudo de impacto ambiental), e outros.

Segundo o diretor - presidente da Caern, Walter Gazi, a empresa não quer embates, e a equipe técnica da empresa deverá se reunir juntamente com técnicos do Idema para discutir e dar um parecer sobre os resultados apresentados pela USP. “Ainda não conhecemos o conteúdo da análise, mas vamos discutir amplamente e tecnicamente a viabilidade do emissário, que é uma obra tão importante para a cidade do Natal”.

Segundo Gazi, a obra será responsável por 40% do saneamento de Natal - que hoje tem 32% de água tratada - e ainda parte de Nova Parnamirim. “Junto com a estação de tratamento Jundiaí, que vai responder por 22% do saneamento, teremos quase 100% da capital saneada”.

Para o diretor-técnico do Idema, Fábio Góis, a audiência pública foi uma “oportunidade de pedir esclarecimentos para subsidiar as análises do órgão estadual”.

USP diz que projeto de emissário submarino precisa ser revisado

Nominuto - 19/mar/2010, por Melina França

Mesmo assim, o professor Jayme Ortiz, autor do estudo, considera esta a melhor opção para tratamento de esgotos.

Melhor conhecimento de condições prévias de lançamento, caracterização qualitativa dos esgotos brutos e tratados, apresentação de novos cenários de modelagem. Estas são alguns dos pontos que, segundo o professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP), Jayme Ortiz, devem ser levados em consideração no projeto do Emissário Submarino de Ponta Negra.

O posicionamento foi colocado em audiência pública realizada na Procuradoria Geral de Justiça na manhã desta sexta-feira (19). A audiência foi proposta pela promotora de Defesa do Meio Ambiente Gilka da Mata. “Acho importante que a população tenha conhecimento do que está sendo feito na cidade e possa participar dessas decisões. Espero que, ao final, a determinação seja em prol de Natal”, comentou a promotora.

Apesar das revisões, a avaliação da USP aponta o emissário submarino como a melhor opção para o tratamento de esgotos de Natal. Segundo ele, o reuso, outra das possibilidades estudadas, seria impossível pelo grande volume de águas. “O que poderia acontecer seria a reserva de parte desta água para ser reutilizada”, afirmou o professor.

Ainda de acordo com ele, o emissário com tratamento terciário seria dispensável, uma vez que o secundário, se feito corretamente, poderia promover condições ideais à biota aquática e balneabilidade.

Jayme Ortiz levantou ainda dúvidas quanto ao comprimento dos tubos do emissário e afirmou que os dados da modelagem não são suficientes. Quanto a isso, seriam precisos estudos quanto à medição de séries temporais de ventos e correntes, sobretudo quanto às correntes perpendiculares à linha da costa, que poderiam apresentar risco.

De acordo com o professor da USP, o estudo climático também foi feito em tempo insuficiente. Para ele, a modelagem deve ser feita levando em consideração os aspectos climáticos de um ano inteiro, para medir as variações nas condições naturais.

“Os estudos devem prever situações dessa natureza, considerando fatores de segurança que minimizem falhas. Não é raro, contudo, ocorrerem problemas operacionais por falta de manutenção preventiva”, relata Jayme Ortiz.

Segundo ele, outro fator a ser considerado é a estratégia para resolver possíveis questões emergenciais, além de que o Governo viabilize manutenções periódicas na obra. Se tais medidas forem adotadas, os estudos da USP indicam o emissário submarino como a melhor solução para o esgotamento da cidade.

Emissário submarino: Caern admite que dados não foram suficientes

Nominuto.com - 19/mar/2010, por Melina França

De acordo com o especialista contratado pela empresa, Paulo Rosman, modelagem não considerou as particularidades de correntes marinhas e ventos.

“Realmente os dados coletados não foram suficientes”, foi o que declarou Paulo Rosman, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e engenheiro ambiental que avaliou a viabilidade do Emissário Submarino para a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern). Ele concordou com o parecer do professor da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Jayme Ortiz, de que estudos complementares eram necessários.

A declaração foi dada em audiência pública na Procuradoria Geral de Justiça, na manhã desta sexta-feira (19). A audiência acerca do emissário submarino foi proposta pela promotora de Defesa do Meio Ambiente Gilka da Mata.

“A própria empresa reconheceu que as informações não são suficientes para assegurar que o emissário é seguro. Estamos aqui no sentido de ajustar o projeto como deve e implanta-lo ou não, agindo da melhor forma para a cidade do Natal”, constatou a promotora.

De acordo com o engenheiro Paulo Rosman, um grande problema enfrentado na implantação de emissários submarinos são ainda as ligações clandestinas de esgoto, fossas e a macrodrenagem, que poderiam contaminar a água tratada a ser despejada no oceano.

“É preciso fazer o diagnóstico destes prejuízos cruzados, para que a biota nem a balneabilidade sejam afetadas com a implantação do emissário”, relata. Segundo ele, os estudos complementares não foram feitos apenas porque a Caern não os solicitou anteriormente.

Mesmo assim, o engenheiro afirma que o modelo é seguro. Apesar de terem utilizado um modelo genérico, que não avalia os dados específicos da região, ele assegura que as condições naturais foram “pioradas” para que não houvessem prejuízos.

“Utilizamos no modelo ventos persistentes de leste para oeste, o que não ocorre de fato. Estes ventos acontecem somente em períodos muito específicos e normalmente não acarretam prejuízos nesse sentido”, explica.

Sobre o processo de modelagem ter de demorar um ano inteiro, Rosman alega que, em uma cidade com o clima de Natal, o processo poderia ser feito na metade do tempo. “A espera de um ano seria para avaliar as condições naturais da região em cada estação climática. Como aqui temos apenas períodos mais secos e períodos de chuva, apenas as configurações destes dois períodos precisariam ser avaliadas”, relata.

O diretor-presidente da Caern, Walter Gasi, disse logo de antemão: “vamos realizar todos os estudos complementares que forem necessários”. Ele defende o emissário submarino como a melhor opção para o tratamento de esgotos da capital potiguar.

Caern participa de audiência com o Ministério Público sobre o Emissário Submarino


Os profissionais das empresas contratadas pela Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) para realização dos estudos do Emissário Submarino da Barreira do Inferno estarão nesta sexta-feira (19), às 9h, na Procuradoria Geral de Justiça. O maior especialista brasileiro no estudo de correntes marinhas, Paulo Rosman, que integra a equipe da Coopetec, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), estará presente dando explicações sobre o projeto do emissário.

Na oportunidade, o Ministério Público Estadual e Federal estarão realizando audiência pública para apresentar o resultado de estudo feito por professores da Universidade de São Paulo (USP) sobre o Emissário Submarino da Barreira do Inferno. A equipe da USP fará considerações técnicas a respeito dos estudos da empresas contratadas pela Caern.

Os técnicos contratados pela Companhia estarão presentes para prestar todos os esclarecimentos possíveis. De acordo com o diretor-técnico da Caern, Clóvis Veloso, desde o início das discussões sobre o Emissário, a Caern vem agindo com transparência. "Estaremos presentes com os responsáveis pelos estudos para apresentar todos os dados técnicos sobre o projeto", afirma Clóvis Veloso.

As empresas que foram contratadas pela Caern são a KL Engenharia, a Empresa Start, e a Coopetec da UFRJ. Paulo Rosman esteve em Natal em 14 de dezembro do ano passado, discutindo o assunto com a sociedade. De acordo com ele, o modelo de emissário proposto pela Caern, adotando tratamento secundário, é a escolha de prevenção máxima. Na opinião dele, o tratamento primário já seria suficiente para o lançamento dos esgotos no mar. Ele lembrou ainda que a possibilidade dos efluentes retornarem às praias é zero. Na consultoria prestada à Caern, ele levou em consideração o movimento das marés e as vazões pluviais. Além disso, como Natal é ensolarada, ganha em relação a outras cidades porque o sol é extremamente eficaz na purificação da água.

O emissário submarino da Barreira do Inferno terá 2.732 metros de extensão, 2.600 metros são de emissário e 132 de rede difusora, que funciona como esguichos (furos) para dispersão do efluente a uma distância de três metros entre uma saída e outra. Os estudos, baseados em diferentes estações do ano, com ventos soprando em direções desfavoráveis, todas as posições testadas apresentaram resultados positivos, sem causar ameaça de poluição às praias.

Os estudos do emissário estão com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) que marcará uma audiência pública para discutir mais uma vez com a sociedade as proposições apresentadas para o emissário. Depois de aprovados os estudos, a Caern terá um prazo de até 120 dias para realizar o projeto executivo, três meses para realizar licitação e dois anos para execução da obra que custará R$ 81,4 milhões.

.: Último tremor de terra ocorrido no RN foi maior que o divulgado

NOMINUTO.COM - 13/jan/2010
Repórter: Melina França


Abalo sísmico ocorrido no Rio Grande do Norte na última segunda-feira (11) teve magnitude de 4,2 pontos na escala Richter.

O tremor de terra no Rio Grande do Norte, ocorrido na ultima segunda-feira (11), teve magnitude maior que a prevista – 4,2 pontos na escala Richter, e não os 3,8 pontos divulgados no dia do abalo.

A escala foi anunciada na manhã desta quarta-feira (13) pelos professores do Laboratório de Sismologia da UFRN. De acordo com Aderson Farias, um dos pesquisadores, “a primeira medida foi preliminar, porque ainda não tínhamos feito um estudo mais aprofundado”.

Os professores se encontram a caminho de Curral Preto e Poço Branco, onde vão instalar dois sismógrafos. Até então, a área não tinha um monitoramento mais específico. A estação que dava assistência à região do Mato Grande, onde ocorreu o tremor, era a de Riachuelo.

O abalo sísmico teve como epicentro a comunidade de Jerusalém, situada entre os municípios de Poço Branco e Taipu. O foco do tremor foi na ordem de 10km de profundidade, uma vez que foi sentido em uma grande área. O tremor teve efeito ainda na Paraíba e em Pernambuco.

>>> Comentário pertinente: O que antes era motivo de chacota em reuniões, encontros e Audiências Públicas sobre o projeto de implantação do Emissário Submarino da Barreira do Inferno, agora virou fato: a Caern não considerou a possibilidade de terremotos no litoral e, por isso, não há plano de emergência para remediar qualquer problema/falha que possa ser apresentado no emissário. Ou seja, é impossível permitir a construção de um cano de esgoto no mar sem segurança.

Emissário vai começar a ser construído ainda neste semestre

Nominuto.com - 12/jan/10, por Marília Rocha

Diretor presidente da Caern, Walter Gasi, explicou como a obra vai beneficiar 425 mil pessoas com esgoto tratado.

A obra do emissário submarino, que vai dar destino final a 30% do esgoto tratado de Natal, deverá ser iniciada ainda neste primeiro semestre de 2010. O assunto foi tema da entrevista do Jornal 96, na 96 FM, na manhã desta terça-feira (12), com o diretor presidente da Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern), Walter Gasi. Ele contou sobre o andamento do projeto e como vai funcionar o processo de tratamento do esgoto.

“Vamos ter uma última audiência em fevereiro para discutir o inicio das obras. O processo licitatório irá durar 120 dias e, depois dessa data, começam as obras”, destaca Walter Gasi.

Os recursos para o emissário submarino já estão garantidos: são R$ 81,4 milhões do Governo Federal e contrapartida do Governo do Estado, financiado pela Caixa Econômica Federal. A previsão de conclusão da obra é até o final de 2013

A obra – que vai beneficiar 425 mil pessoas – está programada para atuar na redução de 99,9% dos coliformes fecais, sendo o único do Brasil com tratamento secundário. Nesse tipo de tratamento sanitário, as impurezas são eliminadas de maneira que o material ejetado no mar não se configura como poluente.

Durante a entrevista Walter Gasi contou que a Caern já fez 4 audiências públicas, inclusive como o especialista Paulo Rosman, para tirar as dúvidas da população. “O maior especialista brasileiro no tratamento de esgotos esteve em Natal para explicar como é feito o tratamento”, destaca.

O projeto do emissário consiste em três fases e tem como modelo os projetos de tratamento de Sidney e de Barcelona. Em Natal, os dejetos serão ejetados na altura da base aérea, saindo da Barreira do Inferno em direção ao sul do litoral.

Sobre as obras da Caern no interior do Rio Grande do Norte, Walter lembrou. “Temos muitas obras na agulha como a ETE do Baldo que vai beneficiar 21 bairros, a adutora do Jiqui e o sistema de ampliação de água de Mossoró”, listou.

Atualmente, o tratamento de esgoto em Natal é de 61%, com perspectiva de crescimento para 2012, chegando a 71% nas regiões da capital.

A adutora de Mossoró também foi destaque na entrevista, defendida pelo diretor da Caern. “A adutora é fundamental para Mossoró porque vai tratar 70% da água subterrânea e 30% que vem da adutora Jeronimo Rosado”, afirma Walter Gasi.

Ele explica que o as reservas de Mossoró estavam entupidas com calcário na tubulação e o manancial estava se esvaindo. “Essa tubulação usada pela Caern irá substituir 220 quilômetros e ampliar 320 quilômetros de rede de água em Mossoró, algo que, em termos de saúde pública, é essencial”, descreve.

.: Emissário submarino: quem fez, está desafazendo

ABELHINHA.COM | ELIANA LIMA - 21/dez/2009

A discussão em torno do Emissário Submarino não pode esmorecer, mas sim abrasar, para que detalhes sejam explicados e garantias sacramentadas.

O jornalista Petit das Virgens vem aprofundando conhecimentos em torno do assunto, e faz um alerta que o Rio Grande do Norte deve ficar atento, sobre os danos que um emissário de eca pode causar a varios setores e que pode ser num futuro muito mais dispendioso para desfazer:

“A Florida vai gastar mais de três bilhões de dólares (cerca de 5 bilhões e 400 milhões de reais) para desfazer lá, o que a Caern está querendo fazer aqui no Rio Grande do Norte. Os cientistas, o governo e o senado da Florida chegaram a conclusão que os seis emissários submarinos que despejam água de esgoto tratada no oceano poluíram seriamente a fauna e a flora marinhas provocando sérios danos a saúde da população e à principal atividade econômica do Estado: o turismo.

O primeiro emissário já foi fechado na praia de Delray no último dia 31 de março. Suas águas serão agora reaproveitadas na agricultura e em outras atividades industriais. A lei HR 7139/1302 aprovada em abril do ano passado, por unanimidade das duas casas legislativas da Florida, proíbe a partir de agora a construção de novos emissários submarinos e vai desativar todos os outros, obrigando a construção de estações de tratamento que possam fazer o reuso das águas.

Foi uma luta de mais de dez anos do povo da Florida que pedia a desativação dos emissários mas o departamento de águas e esgotos – a Caern de lá – afirmava categoricamente que os emissários não causavam mal nenhum. No entanto, o cientista Peter Barile denunciou que eles escondiam a verdade da população para não ter que construir um novo sistema de reuso das aguas, muito mais caro.

A nova lei conseguiu estancar a debandada de turistas e de grandes empresários do turismo, mas os danos ambientais e à saúde ainda levarão tempo para se recuperar. Se as autoridades do Rio Grande do Norte insistirem na construção de emissários, vão atingir o coração de sua principal atividade econômica: o turismo. Aliás o RN já está combalido nos rins da falta de segurança, no pulmão da saúde, no cérebro da educação e pelo câncer da corrupção, mal este, que assola todo país. E não será por falta de aviso”.

.: Para especialista emissário é a opção mais segura | Como diria o Jack Palance: "acredite, se quiser!"

TRIBUNA DO NORTE - 15/dez/2009
Foto: Elisa Elsie


A polêmica sobre a construção do emissário submarino em Ponta Negra - que vai tratar os esgotos coletados na zona Sul de Natal e Nova Parnamirim – parece estar longe de acabar. Enquanto especialistas confirmam que o emissário é a opção mais segura para resolver o problema do esgotamento, os ambientalistas defendem um maior esclarecimento sobre o funcionamento do projeto.

Paulo Rosman, do Rio de Janeiro, explica que os resíduos que serão jogados no mar são nutrientes“O emissário submarino é seguro sim. Fizemos um estudo com a melhor tecnologia, consideramos o direcionamento dos ventos, a movimentação da maré e várias forças da natureza e chegamos à conclusão de que não há riscos de haver contaminação do mar”, afirmou um dos maiores especialistas em Emissário Submarino, que integra o Programa de Engenharia Oceânica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo Rosman.

Segundo o especialista, os resíduos que serão jogados no mar são nutrientes, tanto que podem provocar o aumento no número de peixes nos arredores do emissários e não a morte deles, como defendem aqueles que são contrários ao emissário.

Ainda de acordo com Rosman, o esgoto tratado será lançado a uma distância dez vezes maior do que a área de balneabilidade, que fica a 300 metros da praia. “Além disso, o tipo de tratamento proposto, o secundário, reduz em mais de 90% o índice de coliformes fecais da água. O emissário, que está sendo feito no RJ, vai lançar um volume dez vezes maior de dejetos que o de Natal e terá o mesmo tratamento”, disse o especialista. Mas para alguns, essas explicações sobre a segurança do emissário são poucas para se chegar a uma decisão. “Pelo que está sendo apresentado, ainda não está suficiente claro que o emissário é a melhor solução. É preciso um estudo mais aprofundado do movimento das correntes marítimas. Além disso, só foi apresentado o resultado final do emissário, mas não foi mostrado como vai ser feito durante o processo”, disse o coordenador do SOS Ponta Negra, Yuno Silva.

O jornalista foi um dos poucos ativistas ambientais presentes na palestra do professor Paulo Rosman, que veio a Natal a convite da Caern para esclarecer as dúvidas dos diversos segmentos da sociedade. Entidades como a Associação dos Moradores, Empresários e Amigos de Ponta Negra (AME-Ponta Negra), Agência Reguladora de Serviços de Saneamento Básico do Município do Natal e MP não compareceram ao evento. Essa foi a quinta apresentação que a Companhia fez sobre o projeto do emissário. A última e decisiva que aprovará ou não a construção do emissário submarino, será entre os meses de janeiro e fevereiro do próximo ano.

Projeto do Emissário Submarino

Apontado como o mais viável, o projeto do Emissário Submarino prevê o lançamento dos esgotos coletados e tratados da zona sul de Natal e Nova Parnamirim a uma distância de 2.732 metros.

Os técnicos asseguram que esta distância será suficiente para impedir que os efluentes, mesmo tratados, retornem às praias. Atualmente, o projeto do emissário em Natal é o único do país com tratamento secundário, isto é, com remoção de 99,9 por cento dos coliformes fecais, utilizando ainda lagoas de polimento e filtros para retenção de algas. Os emissários construídos em diversos Estados do país possuem apenas tratamento primário para retenção de sólidos em grades.

Caso os estudos apresentados sejam aprovados pelo Idema, a Caern terá 120 dias para realizar o projeto executivo, três meses para realizar a licitação e dois anos para execução da obra. Até que seja concluída, a empresa continua implantando redes de coleta de esgotos mas sem condições de ligar por falta de tratamento e destino final dos dejetos da Zona Sul de Natal.

.: Encontro na Fiern: Caern faz nova defesa do Emissário Submarino e tenta explicar a dispersão da PLUMA

A implantação do Emissário Submarino da Barreira do Inferno, que pretende despejar no mar esgotos parcialmente tratados coletados na zona Sul de Natal, nos bairros de Nova Parnamirim e San Vale e algumas praias do litoral Sul, vem gerando polêmicas entre a população de Natal.

Solução considerada ultrapassada em países desenvolvidos, haja vista que muitos emissários ao redor do mundo apresentaram problemas ambientais ao longo dos anos e estão sendo substituídos por projetos que reutilizam a água, o projeto coloca em risco a balneabilidade das praias urbanas da capital potiguar.

O encontro, realizado na manhã desta segunda-feira (14/nov) no auditório da Fiern, foi promovido pela Caern e teve como palestrante o professor Dr. Paulo Rosman, que explicou para uma pequena platéia como - possivelmente - se dará a dispersão da pluma do efluente, ou seja, "como o caldo de coliformes" poderá se comportar após ser lançado no mar.

Mesmo com argumentos calcados em cálculos e simulações computadorizadas (suscetíveis a falhas caso os dados iniciais coletados estejam incompletos ou incorretos), as dúvidas persistem e explicações convincentes ainda não foram apresentadas de forma contextualizada - onde todos os detalhes da dinâmica costeira e características ambientais precisam e devem ser considerados antes de definições.

ANTES DO EMISSÁRIO PRECISAMOS DE:

1. Estudos completos de impacto ambiental, que considerem, inclusive, a experiência de pescadores da comunidade da Vila de Ponta Negra;

2. Maior transparência pública no processo, para ampliar o debate com a sociedade (Audiências Públicas agendadas com antecedência e grande divulgação na mídia);

3. Tratamento adequado do esgoto antes de ser lançado no mar;

4. Plano de gestão e monitoramento de todo o sistema que envolve o projeto do Emissário Submarino da Barreira do Inferno;

5. Apresentação de Projeto Executivo que defina quais as etapas e como deverá ser a execução do projeto;

6. Definir onde e como deverá ser aplicada a 'verba economizada', no intuito de garantir a real ampliação da rede de saneamento básico de Natal;

7. Planos de segurança, no caso de algum acidente ambiental;

8. Projeto de reversibilidade do sistema, que propicie a reutilização da água tratada para fins industriais e agrícolas;

9. Que, ao invés de contornar a Vila de Ponta Negra e rasgar a Área de Proteção Ambiental do Morro do Careca, o projeto do emissário submarino considere a opção de seguir paralelo à Rota do Sol, entre pelo portão principal da base Barreira do Inferno e desemboque na praia da Aeronáutica.

AUSÊNCIAS

Durante o encontro, foi questionada a ausência de entidades ambientais, representantes do ministério público, entre outras partes interessadas no assunto que acompanham o desenrolar dos fatos e vêm questionando a viabilidade do emissário, mas esqueceram de citar que o convite oficial foi encaminhado por e-mail no fim da manhã do dia 11/nov (sexta-feira) sem tempo hábil suficiente para uma articulação eficaz, uma vez que sabemos da dificuldade de mobilização social e a falta de interesse da população em participar de debates do gênero. Também não podemos esquecer que o mês de dezembro é período de festas e marca o início do clima de férias.

Diante disto, a intenção da Caern em desqualificar o movimento ambiental natalense, que não é contra o emissário e sim a favor de um projeto estruturado e seguro, esbarra na própria configuração e articulação do encontro.

Por fim, ficou definida que a próxima Audiência Pública não mais acontecerá no próximo dia 28 de dezembro - como chegou a ser cogitada pela Caern e Idema, num caso de clara falta de sintonia social observada a partir da data originalmente proposta. Prudentemente, a próxima reunião deverá acontecer em janeiro ou fevereiro - e que a data, o local e a hora sejam amplamente divulgadas nos meios de comunicação de grande circulação.

IMAGENS
A imagem acima foi extraída de pesquisas sobre Dinâmica Costeira no Litoral Potiguar, realizada pelo especialista Fernando Fortes, onde podemos perceber movimentos peculiares das correntes marinhas. Confira, nas duas imagens abaixo, o movimento das correntes marinhas em Ponta Negra:

A dispersão da pluma do efluente, nome que o esgoto recebe quando entra em contato com o mar, precisa ser redimensionada com base em estudos específicos sobre a dinâmica costeira observada em Natal - o litoral do RN, por estar em local estratégico onde 'o vento faz a curva', é caracterizado pela chamada "costa crenulada" (formações peculiares de baías e enseadas onde o comportamento marinho forma vórtices/espirais que podem trazer a pluma para perto do continente, fato que afeta diretamente a balneabilidade das praias).

Na imagem acima, temos o trajeto (em vermelho) previsto para o emissário submarino: a partir da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Rota do Sol, a tubulação contorna a Vila de Ponta Negra, corta o Morro do Careca e desemboca na praia de Alagamar (única praia selvagem do RN e grande reduto de pescadores).

Nesta última imagem, criada a partir das informações repassadas pelo professor Dr. Paulo Rosman durante o encontro promovido pela Caern, temos uma escala maior do litoral urbano de Natal com toda a simulação de funcionamento do emissário submarino: a partir da ETE, o esgoto segue com tratamento secundário até o emissário, que despejará cerca de 700 litros por segundo no mar a uma distância de 2,6 mil metros. A marca marrom representa a pluma, que se estenderá até a praia da Redinha.

Interessante é atentarmos para o seguinte detalhe: durante o dia a diluição do efluente é eficaz devido a incidência dos raios solares, já durante a noite... melhor começarmos a orar/rezar/meditar todas as noites para não corrermos risco de acordarmos com as praias contaminadas.

.: Ponta Negra: Vai dar praia ou esgoto?

NOVO JORNAL - 19/nov/2009
Repórter: Fábio Farias

Fotos: Humberto Sales e Magnus Nascimento


Ligações clandestinas tornaram rotineira a interdição da praia para banhos

Projeto de emissário submarino ameaça qualidade da água e opõe especialistas

Praia de Ponta Negra, 16h. Um casal de turistas caminha ao lado de uma rede de esgoto clandestina estourada. Água suja na rua e mau cheiro no ambiente. Próximo dali, o aviso em vermelho do Idema indica, em três línguas diferentes: área imprópria para o banho. É a segunda vez, em menos de uma semana, que o esgoto estoura na área. Há uma semana em Natal, o turista paulista Amauri Leal reclama: “É muito ruim chegar na cidade e ver que a praia está poluída por conta de esgoto”. Cristiane Weber, gerente de um hotel, diz que, “na última quinta-feira, nem os carros conseguiam passar para chegar aqui no hotel. Temos prejuízo com isso”.

A poluição em Ponta Negra acontece por conta do esgotamento clandestino que, hora ou outra, estoura e vai parar no mar. Agora, o Governo do Estado e a Prefeitura de Natal planejam construir dois emissários submarinos (um para lançar esgoto na praia e outro para a drenagem das áreas pluviais de Capim Macio) que podem comprometer o nosso principal cartão postal. Os projetos serão debatidos em audiência pública marcada para 9h30 de hoje na Assembléia Legislativa.

Desde o início das obras de saneamento básico na Zona Sul de Natal, de Capim Macio até a Cidade Satélite, a questão de onde jogar o esgoto da área fi cou em aberto. A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) propôs como solução a construção de um emissário submarino para lançar os efluentes ao mar. O emissário receberia o esgoto de toda a área da Zona Sul – que tem cerca de 280 mil moradores – na região da Barreira do Inferno. Esses detritos iriam para uma Estação de Tratamento Preliminar, para a retirada de dejetos sólidos, e depois passariam por dois tratamentos complementares para combater os coliformes fecais e as demais bactérias. Depois, a água tratada seria lançada a 2.732 metros da costa, na praia por trás do Morro do Careca.

Área de segurança

Segundo o diretor de projetos da Caern, Josildo Lourenço (foto), o tratamento seria capaz de reduzir em 93% a carga orgânica da água e em 99,2% os coliformes fecais produzidos. “Um esgoto comum tem uma média de 10 milhões de coliformes fecais por 100 mililitros de água. Esse percentual se reduziria para algo em torno de 70 a 80 mil bactérias para essa mesma quantidade. Além disso, esse material será lançado a 2.732 metros da costa, sem risco para a população e o meio ambiente”. Ele acrescenta que os estudos ambientais e técnicos comprovam que o mar tem capacidade de depuração dessas bactérias e que elas não retornariam para a área de banho, de até 300 metros da linha da costa. Ou seja, não haveria contaminação na praia.

Josildo afirma que o tratamento terciário – reivindicado pelos ambientalistas – seria desnecessário e tornaria o projeto mais caro. Ele destaca que a obra tem uma “área de segurança” extra de 700 metros. “Todo projeto de engenharia trabalha com uma margem de segurança. Os nossos estudos indicaram que, a dois mil metros da costa, já não apresentava riscos. Aumentamos a distância em 700 metros para termos uma segurança a mais”, disse.

Ambientalista quer reutilizar água

Os ambientalistas alegam que o emissário pode tornar a praia imprópria para banho, aumentando os problemas já provocados pelo esgoto clandestino. Yuno Silva, do SOS Ponta Negra, destaca que o projeto tem três problemas: “Faltou transparência da Caern, não houve um estudo profundo de impacto ambiental e falta o tratamento adequado dos detritos”. Segundo ele, a Caern modificou o projeto após as últimas audiências. “O primeiro emissário que nos apresentaram tinha um tratamento primário, em seguida eles falaram que iam fazer o tratamento terciário e iam lançar os detritos a 5 km da praia, e agora mudaram tudo”, disse.

Ele afirma ainda que uma característica do nosso litoral não foi considerada. Segundo Yuno, o litoral potiguar é crenulado e as correntes marítimas fazem um movimento de leque que pode trazer para a costa os coliformes fecais. “Não há a certeza de que esses detritos não venham contaminar a praia”, diz. Para ele, a melhor solução seria o tratamento terciário da água, que a deixaria quase potável e pronta para reutilização, “seja em irrigação, seja no ambiente industrial.”

Empresário teme prejuízo

Eduardo Bagnolli, empresário e presidente da Associação de Moradores, Empresários e Amigos de Ponta Negra (AME-Ponta Negra), afirma que o emissário pode afetar drasticamente o turismo:“No Guarujá, no litoral paulista, houve um emissário que um dos canos rompeu coisa que prejudica até hoje o turismo na área. Se eles têm 81 milhões para gastar numa obra, porque não usam o dinheiro todo para fazer bem feito?”

Eduardo é a favor da reutilização da água, após o tratamento. Segundo ele, o argumento (falta de demanda) que a Caern usa para não reaproveitar, é falho. “Com o tratamento terciário, teríamos uma água industrial que poderia ser usada de forma mais barata para a irrigação”, conta. Ele afi rma ainda que essa água poderia atrair mais empreendimentos, além de baratear o custo do metro cúbico para o empresário: “Existe um projeto de construção de um campo de golfe no litoral sul. Essa água tratada do esgoto poderia ser usada ali.”

Ministério Público exige novos estudos

A promotora do meio ambiente do Ministério Público Estadual, Gilka da Mata, afirma que, desde apresentação do primeiro projeto, em março de 2008, os estudos ambientais contratados pela Caern eram insatisfatórios e incompletos. O MPE chegou a pedir estudos complementares no projeto. “Não havia sequer uma análise computacional da pluma de contaminantes, considerada
elementar para implantar qualquer tipo de emissário”, disse Gilka.

Em outubro deste ano, o órgão apresentou estudos complementares, mas, segundo ela, ainda incompletos: “Há dúvidas se os dados que alimentaram o modelo computacional que realiza a projeção da pluma de contaminantes no mar foram suficientes para garantir a segurança no tocante à qualidade da água da praia”.

Para esclarecer as dúvidas e firmar posição sobre o projeto, o Ministério Público enviou os estudos da Caern para análise por uma equipe de técnicos especialistas.

COMO É HOJE

Segundo dados da Caern, apenas 33% da área de Natal são saneados e 17% dos esgotos passam pelas Estações de Tratamento (ETE). Os detritos na área da Zona Sul de Natal, tantos os tratados quanto os não tratados, são infi ltrados em uma região fluvial na rota do sol. O esgotamento da região central da cidade tem como destino fi nal o Rio Potengi, à altura do viaduto do Baldo.

O PROJETO

O Emissário Submarino está orçado em 46 milhões de reais. A Caern contratou estudos de vários órgãos, entre eles a Coordenação de Projetos, Pesquisas e Estudos Tecnológicos da UFRJ, para analisar a infl uência dos dejetos na área de banho. Todos os estudos, segundo a Caern, indicaram esse modelo de emissário. O Governo Estadual disponibilizou 81 milhões para estudos e para obras. O custo de um tratamento terciário da água a ser lançada ao mar seria de 31 milhões, o que aumentaria o custo total da obra para 77 milhões de reais. “Todos os nossos estudos deixaram claro que um tratamento terciário dessa água seria um gasto de dinheiro desnecessário”, disse Josildo Lourenço, da Caern.

Emissário de drenagem também está na lista de ameaças às praias

Pouco discutido pela sociedade, o projeto de outro emissário submarino, pela Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi), prevê o lançamento ao mar das águas drenadas de Capim Macio. O emissário é parte fundamental do projeto de drenagem do bairro e também enfrenta resistência de ambientalistas, que temem as ligações clandestinas de esgotos e a contaminação das praias da Via Costeira e Ponta Negra. Segundo o secretário Demétrio Torres, “esse pequeno emissário vai pegar as águas das lagoas de captação e jogá-las ao mar, à altura do hotel Ocean Palace”, disse. O projeto chegou a ser embargado e está sendo submetido a uma perícia, “para saber se ele poderá ser usado”.

O emissário de drenagem custará em torno de R$ 5 milhões. As águas pluviais seriam jogadas a 300 metros da costa, sem nenhum tipo de tratamento, porque, segundo o secretário, não possuem o mesmo grau de poluição do que a água de esgoto.

.: Caern apresenta emissário submarino a hoteleiros

DIÁRIO DE NATAL - 24/nov/2009
Repórter: Gabriela Freire
Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press


Representantes dos hotéis receberam informações sobre método de envio dos esgotos tratados para o oceano

A Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) vai lançar um calendário com oficinas e palestras para explicar o Emissário Submarino da Barreira do Inferno, que vai atender quatro bairros da zona Sul de Natal e também Nova Parnamirim, além das praias e comunidades de Cotovelo, Pium e Pirangi do Norte, para os diversos públicos: pescadores, banhistas, surfistas, ambientalistas e empresários. O primeiro passo foi dado na tarde de ontem, quando representantes da indústria hoteleira se reuniram para ouvir as explicações da companhia. "Nossa meta é esclarecer o público para que toda a sociedade civil organizada tenha noção do que é o emissário. Vejo muita discussão sem embasamento técnico", afirmou o diretor-presidente da Caern, Walter Gasi.

O gerente de projetos da Caern, Josildo Lourenço, afirmou que o emissário é uma solução de tratamento "altamente difundida no mundo". Ele explica que essa é solução mais viável entre 12 estudadas. "A alternativa do emissário conta com a possibilidade da reversabilidade, ou seja, o efluente que seria despejado no mar, pode ser reutilizado de outra forma", disse.

Segundo Josildo Lourenço todas as variáveis estão sendo consideradas para a instalação do emissário. "Dados como o movimento das marés e força do vento, por exemplo, foram estudadas. Ainda precisamos de outros estudos mas nossa intenção é fazer 'um retrato' de onde os efluentes serão despejados e monitorar para identificar qualquer alteração", afirmou.

Preocupação

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RN), Enrico Fermi, essa iniciativa da Caern é bem vinda. "Existe uma preocupação natural e precisamos ter certeza que essa solução é a melhor para todos. Queremos o melhor para Natal", disse. O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurante, Bares e Similares (SHRBS-RN), Paulo Galindo afirmou que a população precisa desse tipo de informação. "É uma oportunidade para que todos conheçam os detalhes técnicos do projeto que até então não tinha conhecimento. É bom saber que eles se preocupam com a tecnologia e com a qualidade do proJeto", disse.

De acordo com Walter Gasi o projeto dói emissário submarino está orçado em R$ 81 milhões e precisa de, pelo menos, 24 meses para conclusão, sem contar o processo licitatório que pode durar mais de quatro meses.

Dados

- O Emissário Submarino da Barreira do Inferno terá 6.244 metros de extensão, dos quais 2.732 metros serão instalados para dentro do mar - a contar da faixa de mar que toca a areia.

- Os efluentes despejados terão tratamento secundário. Serão removidas carga orgânica e de coliformes até o padrão aceitável.