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Encontro entre Conselho Comunitário e comando do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno

Muito proveitoso o encontro de ontem (quinta, 17) entre representantes do Conselho Comunitário de Ponta Negra e o núcleo de comando do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno. Afinal somos vizinhos e precisamos agir em conjunto. A parceria está apenas começando a ser desenhada, mas promete surtir efeitos positivos na comunidade em curto prazo.

Ambos tem pressa para resolver questões comuns como invasões, lixo e esgoto irregulares, acesso de pescadores, espaço público para desenvolvimento de atividades comunitárias... há uma relação histórica entre a Vila de Ponta Negra e a Barreira do Inferno e chegou a hora de trabalharmos em conjunto em busca de soluções. Teremos novidades em breve.

Agradecemos ao comando da CLBI pelo convite para a reunião.

Yuno Silva
1º Secretário do Conselho

.: Muro (da discórdia) divide militares e moradores de Cotovelo

TRIBUNA DO NORTE - 11/dez/2009
Foto: Alex Régis


“Vinte anos depois da queda do muro de Berlim, Cotovelo não merecia ganhar um ‘presente’ desses.” A afirmação do psicólogo Francisco Francinildo da Silva, que há duas décadas vive na praia, localizada no município de Parnamirim, se refere a um muro de 3,2 metros de altura, que há quatro meses tomou toda a visão do mar que se tinha da varanda de sua residência. A edificação foi erguida pelo Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI), entre a Rota do Sul e a beira-mar, totalizando 2.050 metros.

Perícia técnica feita por um especialista da UFRN comprova que o muro provoca danos ambientaisA estrutura vem prejudicando o visual da praia e também teria trazido prejuízos à vegetação local, já que parte da mata foi derrubada para dar lugar a uma estrada de piçarro que margeia o muro; e também à fauna, pois impede o deslocamento de diversos animais que costumavam “transitar” entre a Barreira do Inferno e a área urbana vizinha, como tatus, lagartos e até mesmo raposas. “E sem contar que tirou toda a ventilação de casas como a minha, já que bloqueou a passagem do ar”, reclama Francisco Francinildo.

As críticas da comunidade local chegaram ao conhecimento do Ministério Público e a promotora de Justiça de Parnamirim, Luciana Maciel Cavalcanti, instaurou um inquérito no mês de setembro e convocou uma audiência pública para o próximo dia 15, na Procuradoria Geral de Justiça, em Candelária. O MP também já solicitou análises técnicas, que foram realizadas por especialistas do quadro da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

A equipe esteve no local em novembro e pelo menos um dos participantes, o ecólogo Luiz Antônio Cestaro, do Departamento de Geografia, considerou equivocada a decisão da Barreira do Inferno de erguer o muro. “É verdade que se trata de uma instituição que precisa ter cuidado com a segurança, mas não pode esquecer que está localizada praticamente dentro de uma zona urbana e precisa haver um tratamento especial em relação aos cidadãos que moram em sua volta”, defende.

Em seu entender, o muro agride o patrimônio visual da praia, prejudicando a visão de moradores, cujas casas estão na área há muito tempo. Para o ecólogo, a infraestrutura construída é, de fato, “agressiva” e pode resultar em mais prejuízos ao meio ambiente local, por se tratar de uma barreira intransponível para as águas, ou os animais. Os habitantes de Cotovelo, inclusive, já observam os primeiros supostos efeitos negativos.

De acordo com quem mora nas proximidades, a erosão observada na estrada de piçarro recém-construída surgiu depois da obra. Já são visíveis os pontos onde a água tem aberto voçorocas, aos pés do muro. “Esperamos que tudo seja divulgado já na audiência do dia 15”, torce o psicólogo.

Parte do muro desabou em setembro

Os blocos de concreto que formam o muro já foram ao chão em um trecho de cerca de 20 metros, ao lado de casas da praia de Cotovelo. Por sorte, o desabamento ocorreu para o lado de dentro da Barreira do Inferno. O fato ocorrido ainda no mês de setembro, em meio às fortes chuvas, aumentou o temor dos moradores em relação à própria segurança dos habitantes e empregados das residências vizinhas. Além de seus 3,2 metros de altura, a estrutura conta com uma cerca em seu topo, formada por material cortante, que amplia o medo das pessoas e o próprio visual “pesado” do muro.

De acordo com moradores, a estrutura é frágil porque não haveria sido erguida com o devido alicerce e sua base tem sido desgastada, em vários pontos, devido à erosão das chuvas na estrada carroçável aberta ao lado. O perigo é grande, uma vez que a “muralha” passa a poucos centímetros de algumas residências e, pelo seu tamanho, supera em altura os próprios telhados das casas.

Para o psicólogo Francinildo da Silva, esse temor é só um dos reflexos de um processo que já se iniciou de maneira errada. “Há 15 anos, quando a Barreira quis construir um muro, conversou antes com a comunidade e chegamos a um acordo. Os moradores não ficaram privados da vista e até mesmo as casas serviam de proteção, mas agora fizeram tudo sem ouvir ninguém”, lamenta, lembrando que até mesmo para montar um jardim aos pés do muro, dentro de seu terreno, o psicólogo enfrentou resistência da CLBI.

O ecólogo Luiz Cestaro concorda que uma discussão prévia com a comunidade seria fundamental. Se o problema era segurança, ele entende que poderia ser erguida uma cerca com pouco espaço entre os arames, evitando a invasão do terreno da Barreira do Inferno e permitindo, inclusive, identificar onde estaria ocorrendo qualquer ato de vandalismo, embora os habitantes afirmem que “nunca houve problema de invasão do terreno da Aeronáutica”.

Parecer confirma danos

A promotora de Justiça de Parnamirim, Luciana Maciel Cavalcanti, já conta com os resultados da perícia técnica realizada pelos especialistas da UFRN, a respeito do muro erguido nos limites da Barreira do Inferno. “A perícia é conclusiva de que há danos ambientais. Agora, aguardo os laudos do Idema e do Ibama para saber se a área é mesmo de dunas e especificar esses danos”, enfatizou a representante do Ministério Público.

Ela espera contar com esses documentos o mais breve possível, uma vez que o pedido encaminhado ao Idema já foi reiterado diversas vezes. Além disso, na audiência pública da próxima terça-feira, dia 15, a expectativa da promotora é não só especificar as características da área e detalhar os possíveis danos, mas também apontar possíveis formas de compensação, pela a agressão cometida à natureza. “Os órgãos ambientais precisam se pronunciar”, cobrou Luciana Cavalcanti.

Comando justifica

O Comando da Aeronáutica informa que a construção de um muro em torno do terreno do Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) cumpre todos os requisitos exigidos pela Lei. A Resolução Conama nº 369, de 28 de março de 2006, no inciso II do terceiro parágrafo de seu quarto artigo, isenta de prévia autorização ambiental as atividades das Forças Armadas, com vistas no cumprimento de sua missão constitucional, realizadas em área militar.

A área do CLBI já está demarcada desde os anos 60 com o intuito de resguardar seu patrimônio e garantir o cumprimento de sua missão institucional de preparar, lançar e rastrear engenhos aeroespaciais. O muro também é instrumento para assegurar a preservação do patrimônio ambiental resguardado nessa área militar.

O CLBI possui ainda laudos especializados que comprovam o acerto dos procedimentos de construção e a qualidade do material empregado, bem como detém o registro documental e fotográfico de todas as etapas da obra.

.: Caern apresenta emissário submarino a hoteleiros

DIÁRIO DE NATAL - 24/nov/2009
Repórter: Gabriela Freire
Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press


Representantes dos hotéis receberam informações sobre método de envio dos esgotos tratados para o oceano

A Companhia de Águas e Esgotos do RN (Caern) vai lançar um calendário com oficinas e palestras para explicar o Emissário Submarino da Barreira do Inferno, que vai atender quatro bairros da zona Sul de Natal e também Nova Parnamirim, além das praias e comunidades de Cotovelo, Pium e Pirangi do Norte, para os diversos públicos: pescadores, banhistas, surfistas, ambientalistas e empresários. O primeiro passo foi dado na tarde de ontem, quando representantes da indústria hoteleira se reuniram para ouvir as explicações da companhia. "Nossa meta é esclarecer o público para que toda a sociedade civil organizada tenha noção do que é o emissário. Vejo muita discussão sem embasamento técnico", afirmou o diretor-presidente da Caern, Walter Gasi.

O gerente de projetos da Caern, Josildo Lourenço, afirmou que o emissário é uma solução de tratamento "altamente difundida no mundo". Ele explica que essa é solução mais viável entre 12 estudadas. "A alternativa do emissário conta com a possibilidade da reversabilidade, ou seja, o efluente que seria despejado no mar, pode ser reutilizado de outra forma", disse.

Segundo Josildo Lourenço todas as variáveis estão sendo consideradas para a instalação do emissário. "Dados como o movimento das marés e força do vento, por exemplo, foram estudadas. Ainda precisamos de outros estudos mas nossa intenção é fazer 'um retrato' de onde os efluentes serão despejados e monitorar para identificar qualquer alteração", afirmou.

Preocupação

Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis (ABIH-RN), Enrico Fermi, essa iniciativa da Caern é bem vinda. "Existe uma preocupação natural e precisamos ter certeza que essa solução é a melhor para todos. Queremos o melhor para Natal", disse. O presidente do Sindicato dos Hotéis, Restaurante, Bares e Similares (SHRBS-RN), Paulo Galindo afirmou que a população precisa desse tipo de informação. "É uma oportunidade para que todos conheçam os detalhes técnicos do projeto que até então não tinha conhecimento. É bom saber que eles se preocupam com a tecnologia e com a qualidade do proJeto", disse.

De acordo com Walter Gasi o projeto dói emissário submarino está orçado em R$ 81 milhões e precisa de, pelo menos, 24 meses para conclusão, sem contar o processo licitatório que pode durar mais de quatro meses.

Dados

- O Emissário Submarino da Barreira do Inferno terá 6.244 metros de extensão, dos quais 2.732 metros serão instalados para dentro do mar - a contar da faixa de mar que toca a areia.

- Os efluentes despejados terão tratamento secundário. Serão removidas carga orgânica e de coliformes até o padrão aceitável.

.: Associação não quer ‘emissário’

TRIBUNA DO NORTE - 15/nov/2009
Foto: Júnior Santos

Um abraço simbólico no mar. Essa foi a forma que a Associação dos Moradores, Empresários e Amigos de Ponta Negra (AME-Ponta Negra) encontrou para protestar contra o emissário submarino que a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte pretende implantar na praia mais famosa de Natal.

Surfistas e frequentadores da praia se reúnem para um abraço simbólico no marNa manhã de ontem, surfistas, empresários e frequentadores da praia se reuniram para mostrar a insatisfação com o projeto da Caern. “Esse tipo de obra é arcaica. Hoje em dia ninguém mais utiliza emissários. O correto seria a reutilização dessa água em uma série de setores como indústria e jardinagem, por exemplo”, disse o presidente da AME-Ponta Negra, Eduardo Bangoli.

Ainda segundo Eduardo, a Caern poderia construir um aqueduto, que seria uma espécie de submarino ao contrário. Ele explicou ainda, que o tipo de tratamento sugerido pela Caern não será suficiente para tirar todas as impurezas.

“Os dados apresentados pela Caern não são confiáveis. O emissário é totalmente inseguro porque o tratamento secundário não retira todas as impurezas, ou seja, vão jogar água suja no mar e acabar poluindo ainda mais o oceano”, justificou Bangnoli.

O bugueiro Atamir Trajano também é contra o emissário. “Nós temos exemplos concretos de que esse emissário não é viável. Boa parte das praias urbanas de Fortaleza e Maceió está imprópria para banho em virtude dos dejetos lançados pelos emissários. Não queremos que Natal fique assim”, disse o bugueiro.

Para o presidente da AME, o emissário submarino é o tiro de misericórdia que falta para acabar com o turismo em Natal.

Para finalizar a movimento, a Associação colocou uma faixa de 30 metros em cima do Morro do Careca, com a frese: ‘QUE EMISSÁRIO É ESSE?’. As crianças e os adolescentes do projeto Pau e Lata, da Vila de Ponta Negra também fizeram uma apresentação no local.

Emissário

Para a Caern, a melhor opção para resolver o problema de saneamento em Ponta Negra é o emissário submarino longo, de 2.732 metros, sendo 2.600 de emissário submarino e 132 metros de rede difusora. O tratamento denominado do tipo secundário terá lagoas de polimento e filtros para retenção de algas.

Somente após o tratamento, o esgoto será lançado no emissário que terá dois trechos distintos. A parte terrestre com 3.500 metros, será construída dentro da área da Barreira do Inferno e toda ela será enterrada. A parte marítima terá 2.732 metros a partir da zona da praia.

A promessa da Caern é de implantar o emissário depois de discutir todo o processo com a população e o Ministério Público. Para isso o projeto estará disponível no Idema e na própria Caern. A primeira audiência pública foi marcada para o dia 28 de dezembro (segunda-feira).

>>> Comentário pertinente: Antes Antes da Audiência marcada pela Caern, teremos no próximo dia 19/nov, às 9h30, na Assembléia Legislativa, uma Audiência Pública sobre o caso do Emissário Submarino. Participem!

Diário de Natal - 09/03/08 :: JOGAR ESGOTO DA ZONA SUL E PARNAMIRIM NA BARREIRA DO INFERNO É BEM MAIS BARATO QUE FAZER TRATAMENTO

Esgotos da Zona Sul vão para o mar da Barreira do Inferno

Repórter: Renato Lisboa

A Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) confirma a possibilidade de construir um emissário submarino como uma das alternativas para dar vazão ao esgoto da Zona Sul de Natal.

Em fase de licitação do projeto de execução, a idéia será submetida à análise dos órgãos de proteção ambiental e debatida com a sociedade. Sem os estudos de impacto ambiental, Ministério Público e órgãos reguladores ainda não têm uma posição sobre o assunto.

Uma audiência pública está marcada para o dia 12 de março, às 9h, na sede da Promotoria do Meio-Ambiente.

[Foto: www.clbi.cta.br || clique na imagem para ampliar] O emissário inicia em uma estação de pré-captação de esgotos próximo à Rota do Sol, onde funcionam hoje três lagoas de captação. O ponto de saída dos efluentes está a uma distância de três quilômetros do Morro de Careca. Seguindo pela Rota do Sol, o duto desvia para a esquerda na rótula que dá acesso à Cidade Verde e segue margeando a cerca que delimita a Barreira do Inferno.

O canal tem uma extensão de quatro quilômetros em sua parte terrestre e, a partir da Barreira do Inferno, segue mais seis quilômetros em sua parte marítima. De acordo com o diretor técnico da Caern, Clóvis Veloso Freire, a vazão será de 1.400 litros por segundo.

‘‘O emissário submarino é uma das alternativas propostas pelo Plano Diretor de Esgotamento Sanitário de Natal, aprovado (o plano) pelo Conselho Municipal de Saneamento Básico (Comsab)’’, afirma Veloso. O aparato deverá captar os dejetos de parte da Zona Sul de Natal, além de toda Parnamirim, Pirangi e Jiqui.

O diretor técnico da Caern diz que foi feito um estudo sugerido pelo Comsab de três alternativas para o tratamento e destino final dos efluentes da região citada. A proposta do emissário é uma. Outra é o tratamento de efluentes e lançamento no rio Jundiaí. E a terceira é a infiltração do material emitido nas dunas de Alagamar (Ponta Negra).

[Foto aérea da Barreira do Inferno || clique na imagem para ampliar] ‘‘Os estudos preliminares (através da análise da Caern) apontam o emissário submarino como a solução mais viável tecnicamente. Em paralelo, a Caern desenvolveu o estudo de impacto ambiental (EIA) que também será submetido à análise de todos os órgãos de proteção do meio ambiente’’, relata Clóvis Veloso.

Questionado porque já foi publicado (em 21 de fevereiro) um edital de licitação para a contratação do projeto básico da obra, Veloso responde que foi por causa dos prazos impostos pela legislação em ano eleitoral. ‘‘A licitação pode ser cancelada ou não, dependendo das discussões que teremos sobre a melhor alternativa a ser utilizada’’, assegura Veloso.

‘‘O assunto será amplamente discutido pelas entidades e a população para encontrar a solução de menor impacto para Natal. Afinal, também somos usuários da água e queremos o melhor para os nossos filhos e netos’’, diz, em tom defensivo.

[HORIZONTE: Em Cotovelo, de dentro d'água, falésias da Barreira do Inferno || clique na imagem para ampliar]

Alternativas

Sobre as outras duas alternativas para o esgotamento sanitário da Zona Sul, Clóvis Veloso diz que ‘‘em princípio’’ parecem menos ‘‘ezequíveis’’ porque os estudos apontam como menos recomendadas. ‘‘O tratamento seria bem mais trabalhoso e o serviço custa muito caro’’, fala sobre a alternativa de lançamento no rio Jundi

Sobre a infiltração nas dunas do Alagamar, ele argumenta que, além do tratamento dos efluentes exigir uma complexidade de operação muito maior, as dunas não teriam a capacidade de absorver os efluentes.

# Saiba mais sobre o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno


>>> Comentário pertinente: Claro que queremos progresso e desenvolvimento para NOSSA cidade e NOSSO bairro. Porém, antes, precisamos [NÓS, COMUNIDADE] de responsabilidade, respeito e bom senso por parte dos gestores públicos e empresários [sobretudo dos setores imobiliário e turismo]. Há de se cogitar, com URGÊNCIA, parceria público-privada para viabilizar o melhor pra todos: o tratamento caro e perfeitamente eXeqüível*.

Vamos pensar no futuro e aprender com os erros de outras cidades que são lindas mas cheias de problemas urbanos e sociais. Realmente a verdade é inconveniente**!! Não importa o preço da obra, o importante é garantir NOSSA qualidade de vida hoje e amanhã.

* aplicável; que se pode fazer
** Uma verdade inconveniente, de Al Gore - documentário