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Juíza Tatiana Socoloski é a relatora do processo da Operação Impacto no Tribunal de Justiça

Tribuna do Norte - 6 de julho de 2012 às 12:30


Após a alegação de suspeição dos desembargadores Maria Zeneide Bezerra e Assis Brasil (juiz convocado), a magistrada Tatiana Socoloski (juíza convocada) é a relatora da Apelação Criminal do processo da Operação Impacto.

A relatora proferiu despacho determinando a intimação pessoal de Ricardo Cabral de Abreu, para tomar ciência do inteiro teor da sentença condenatória de primeiro grau. Os advogados constituídos pelos réus Tirso Renato Dantas, Geraldo Ramos dos Santos Neto e Klaus Charlie Nogueira Serafim de Melo também devem ser intimados para que informem, no prazo de 5 dias, o paradeiro de seus clientes, sob pena dos mesmos serem considerados foragidos. Eles não foram localizados nos endereços anteriormente informados e nem intimados pessoalmente para tomar ciência da sentença.

Geraldo Ramos dos Santos Neto e Francisco de Assis Jorge Sousa também deverão ser intimados para responderem o recurso interposto pelo Ministério Público, no prazo comum de 8 dias.

No caso dos réus Adenúbio Melo, Edson Siqueira, Salatiel Maciel, Emilson Medeiros, Ricardo Abreu, Antônio Carlos, Dickson Nasser, Hermes Soares, Geraldo Ramos, Francisco de Assis Sousa, Júlio Protásio e Klaus Charlie estes serão intimados para se manifestarem, no prazo comum de 8 dias, sobre o recurso por eles interposto. Adão Eridan, Aluísio Machado, Francisco Sales de Aquino e Tirso Renato já se pronunciaram.

Após o cumprimento dos prazos, a magistrada determinou a remessa dos autos ao Ministério Público para manifestação, no prazo também de 8 dias.

A relatora desautorizou a Secretaria a dar vista dos autos fora da Secretaria Judiciária uma vez que o prazo para apresentação de razões e contrarrazões é comum para as partes, conforme disposto no art. 600, §3º, do Código de Processo Penal, não podendo serem os autos retirados da Secretaria Judiciária.

Moradores pedem novamente embargo de espigão em Ponta Negra


Documento foi enviado para a Procuradoria Geral do Município. O prédio está sendo instalado numa Zona de Proteção Ambiental.

A Associação dos Moradores dos Parques Residenciais de Ponta Negra e Alagamar (Ampa) mandou um ofício a Procuradoria Geral do Município (PGM) para que este embargue novamente a obra do edifício Villa Del Sol.

A construtora responsável pelo prédio, Natal Real Estate, teve o direito de retornar a obra, graças ao veredito proferido pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, no dia 17 de abril, conforme foi publicado pelo Portal Nominuto.com no dia 03 de junho.

O edifício é conhecido como um dos "espigões de Ponta Negra". Eles estão sendo instalados na Zona de Proteção Ambiental 6 (ZPA 6), que incluí o Morro do Careca, um dos cartões postais da cidade.

Dentro do ofício, a Ampa afirma que "a participação popular e o controle social das políticas públicas são a contrapartida fundamental da sociedade na tarefa maior de construção de uma democracia plena".

Na nova decisão judicial, o Desembargador João Batista Rebouças, relator do processo, disse que o primeiro julgamento não enxergou razões aceitáveis para a cassação da licença ambiental. Para Rebouças, o terreno, onde se encontra o empreendimento, está fora da área de proteção citada.

O prédio teve sua licença ambienta cassada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), através do julgamento da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal.

Foram, ao todo, cinco espigões que foram embargados em Natal, no final da década de 2000. Além do Villa Del Sol, existe o Costa Brasilis (também conhecido como Flat da Vila), Philipe Vannier, Solaris de Ponta Negra e Monte Sinai.

[Atentos para o prazo do recurso na Justiça] Obra de espigão embargado será retomada em Ponta Negra ||| Na luta em defesa do principal cartão postal do RN


Natal Real Estate era a construtora responsável pelo edifício Villa Del Sol, que ficava próximo ao Morro do Careca.

A empresa Natal Real Estate ganhou, em segunda instância, o direito de voltar a construir o edifício Villa Del Sol, conhecido como um dos "espigões de Ponta Negra". Eles eram prédios que estavam sendo feitos dentro de uma Zona de Proteção Ambiental (ZPA) que inclui o Morro do Careca, cartão postal da cidade.

Veredito foi proferido pela 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, no dia 17 de abril. O edifício Villa Del Sol foi o primeiro dos cinco "espigões" a obter esse direito. Uma comissão decidiu qual seria o resultado do julgamento.

De acordo com a nova decisão judicial do Desembargador João Batista Rebouças, relator do processo, o primeiro julgamento não enxergou razões aceitáveis para a cassação da licença ambiental. Para Rebouças, o terreno, onde se encontra o empreendimento, está fora da área de proteção citada.

"Somado ao caráter vinculado que detém os atos administrativos sob a forma de licença e, consequentemente, a impossibilidade de sua cassação, após iniciada a obra", disse o desembargador, na última decisão do tribunal.

Dentro do documento da decisão sobre o espigão, o desembargador Aderson Silvino, participante da comissão desse julgamento, disse que embora o prédio tenha uma altura acima do permitido, existem outros edifícios que estão sendo construídos do mesmo modo e nenhuma providência é tomada.

O processo ainda não foi encerrado. Portanto, o julgamento não é definitivo e a Prefeitura poderá recorrer esse caso.

A maior preocupação dos ambientalistas é que a construção desses prédios, próximos ao Morro do Careca, prejudique a visualização da paisagem, visto que o Farol de Mãe Luiza, também ponto turístico da cidade, teve a sua paisagem prejudicada devido à criação de prédios luxuosos em Areia Preta.

Reprodução/MPRN/USP/SOS Ponta Negra
Ambientalistas temem que construções prejudiquem a visualização da paisagem.

De acordo com o site da Natal Real Estate, o prédio Villa Del Sol teria quatro tipos de apartamentos para oferecer. Além disso, mostra que somente 40% de sua estrutura já foi feita e 5% da parte de alvenaria também.

Não se sabe se a Natal Real Estate vai voltar a fazer a obra. De acordo com vizinhos do prédio, os funcionários somente vão ao terreno para realizar uma limpeza.

A Presidente da Associação dos Moradores dos Parques Residenciais de Ponta Negra e Alagamar (Ampa), Fátima Leão, disse que fará um ofício que será entregue a Prefeitura para que o Executivo recorra dessa decisão através do Supremo Tribunal de Justiça (STJ). "Não creio que eles (construtora) vão continuar realizando essa obra", disse.

A equipe do portal Nominuto.com tentou falar com o advogado da construtora Natal Real Estate, João Victor Hollanda, mas não obtivemos êxito.

O que são ZPA?São lugares que possuem atributos que visa à qualidade de vida e o bem-estar das populações humanas, e tem como objetivos básicos proteger a diversidade biológica, disciplinar o processo de ocupação e assegurar a sustentabilidade do uso dos recursos naturais.

Em Natal, existe 10 Zonas de Proteção Ambiental, que são: ZPA 1 do Sun Valle (possui o único reduto de água limpa de Natal), ZPA 2 do Parque das Dunas, ZPA 3 do Rio Pitimbu (protege o rio que fica no bairro de mesmo nome), ZPA 4 do Guarapes, ZPA 6 do Morro do Careca, ZPA 7 do Fortaleza dos Reis Magos (ressalva o manguezal próximo a Fortaleza), ZPA 8 do estuário do Rio Potengi (protege o manguezal que fica às margens do rio), ZPA 9 do Rio Doce (assegura o rio que fica na Zona Norte) e ZPA 10 de Mãe Luíza (ajuda a manter o farol que fica no bairro).

Do ZPA 1 ao 5 são áreas já reguladas, ou seja, com definição geográfica e regras de uso estabelecidas. Da ZPA 6 ao 10,são áreas não regulamentadas, ou seja, o Plano Diretor dá a localização geográfica, mas os critérios de utilização ainda não foram definidos.

Plano diretor está relacionado ao planejamento urbano da cidade, ele vai estabelecer estratégias de como será organizado as ruas, avenidas, os bairros, etc. O plano diretor de Brasília é em forma de avião.

Os espigões de Ponta Negra

Foram, ao todo, cinco espigões que foram embargados em Natal, no final da década de 2000. Além do Villa Del Sol, existe o Costa Brasilis (também conhecido como Flat da Vila), Philipe Vannier, Solaris de Ponta Negra e Monte Sinai, o mais próximo do Morro do Careca. Todos os processos dessas obras ainda estão abertos.

As edificações também tiveram suas licenças ambientais cassadas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), através do julgamento da 1ª Vara da Fazenda Pública da Comarca de Natal.

Legislação não foi respeitada, diz Gilka da Mata sobre liberação de espigões | Matéria de 2010

Promotora do Meio Ambiente apresentou artigos da Constituição Federal, além de leis federais e municipais que inviabilizavam construções na ZPA6.

Fotos: Elpídio Júnior
Ao discorrer sobre a liberação da construção de empreendimentos imobiliários nas proximidades do Morro do Careca, em Ponta Negra, a promotora do Meio Ambiente, Gilka da Mata, foi clara: a legislação não foi respeitada pelo Conplan. Ela apresentou em assembleia pública na Câmara Municipal na manhã de hoje (24), artigos da Constituição Federal, além de leis federais e municipais que inviabilizariam construções na Zona de Proteção Ambiental (ZPA) 6.

Para a promotora, os conselheiros do Conplan priorizaram a questão urbanística em detrimento do meio ambiente. "Construções verticais ao lado de uma paisagem que, inclusive, foi tombada, é considerado poluição pela Constituição Federal", alega. Os representantes do Conplan afirmaram que este era um "fato novo" e que não tinham conhecimento sobre o tema. Para liberar o licenciamento, eles se basearam no Plano Diretor de Natal.



O que Gilka coloca, contudo, é que o Plano Diretor é uma legislação de caráter urbanístico. "As leis ambientais do município também deveriam ter sido consultadas", critica. Segundo ela, existe em Natal a lei que define como patrimônio histórico elementos paisagísticos de elevado valor. "Nesses locais, as construções devem se adequar às características naturais da área", completa.

No caso das proximidades do Morro do Careca e dunas associadas, as construções devem ser horizontais, respeitando o contorno das dunas e a distância estabelecida para a ZPA6. Assim, a promotora do Meio Ambiente define como irregulares as construções.



Ela critica ainda o fato de, em Natal, um mesmo órgão ser responsável tanto pelo licenciamento urbanístico quanto ambiental. Deste modo, a idoneidade das licenças ficaria comprometida. Gilka da Mata alega, inclusive, ter recebido do próprio Conplan um parecer técnico que julgava a construção da CTE Engenharia, empresa responsável pelo projeto, como "impactante e negativa". Ela não teria entendido, portanto, a razão da liberação da licença.

Com isso, o Ministério Público teria solicitado um outro estudo de impacto de professores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte. O laudo técnico foi apresentado à prefeita de Natal, Micarla de Sousa, ainda no início deste mês. Após a leitura do parecer, Micarla cancelou o licenciamento ambiental e revogou o decreto 8090/2006, que autorizava a revisão do projeto pela secretaria municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb).

Em audiência, Conplan apresenta estudo sobre espigões em Ponta Negra | Matéria de 2010

Membro do IAB alega que paisagem assume configuração dinâmica, sendo formada por objetos naturais e fabricados.

"A cada momento os atributos da paisagem assumem uma configuração dinâmica, mudando em função de processos naturais e sociais. Assim, a paisagem é formada tanto por objetos naturais quanto fabricados". Foi esta a ideia defendida pelo membro superior do Conselho Superior do IAB, Néio Archanjo, ao apresentar o estudo realizado pelo Conplan a respeito dos "espigões" de Ponta Negra, em audiência pública na Câmara Municipal na manhã desta quarta-feira (24).

A construção de empreendimentos na Zona de Proteção Ambiental (ZPA) 6 foi cancelada pela prefeita Micarla de Sousa no início deste mês. Apesar disso, a assembleia, de proposição do vereador Raniere Barbosa (PR), foi marcada para "esclarecer todos os dados sobre o tema à população" – nas palavras do titular da secretaria municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb), Kalazans Bezerra.

Para ilustrar a concepção de "paisagem" utilizada pelo Conplan, Néio Archanjo mostrou imagens de construções em locais que conservam suas características naturais. Foi o caso do Grand Canyon, parque nacional localizado no Arizona, Estados Unidos, onde foi construída uma estrutura para visitação.

O arquiteto urbanista falou ainda sobre o Plano Diretor de Natal, que foi aplicado ao processo. De acordo com ele, a mesma legislação teria viabilizado construções como empreendimentos imobiliários em Areia Preta, também em uma ZPA.

Archanjo trata ainda sobre a ponte Newton Navarro, que, em sua opinião, também causa impacto visual. "Esse projeto já chegou pronto, apenas para que concedessemos a licença sem uma análise maior".

Depois de avaliar um estudo de impacto da Universidade Feral do Rio Grande do Norte, a prefeita de Natal, Micarla de Sousa, revogou o decreto 8090/2006, que autorizava a avaliação dos projetos das construtoras. A decisão da administradora, contudo, não foi discutida com o Conplan.

Espigões de Ponta Negra: polêmica continua | Matéria de 2010


Em audiência realizada na tarde desta segunda-feira (22), o Ministério Público expôs preceitos constitucionais que condenam as construções.

Os debates em torno das construções verticalizadas próximas ao Morro do Careca, estão longe de ter um ponto final. Na tarde desta segunda-feira (22), a 45ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente realizou uma audiência pública na sede da Procuradoria Geral de Justiça.

Estiveram presentes, além do Ministério Público, representantes do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Conplam), da Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec), da sociedade civil organizada e público em geral.

Na reunião, a promotora Gilka da Mata expôs a posição do Ministério Público quanto às construções nos arredores do Morro do Careca e dunas associadas, baseada nos preceitos constitucionais que legalizam esse tipo de interferência paisagística.

Segundo ela, é preciso diferenciar licenciamento ambiental de licenciamento urbanístico. "O licenciamento urbanístico resulta no alvará de construção, no entanto, neste licenciamento, não se leva em consideração as condições estéticas e sanitárias do Meio Ambiente", explica.

Ainda de acordo com a promotora, o morro é protegido pela Constituição Federal, uma vez que está em zona litorânea e, assim, é considerado patrimônio nacional. "Trata-se de uma expressão significativa para o natalense. Uma paisagem, que apesar de ser subjetiva, já se tornou manifestação da identidade da cidade", ressaltou.

Já de acordo com o vereador Ranieri Barbosa, que já havia convocado uma audiência na Câmara dos Vereadores para o dia 24, e que emitiu opinião favorável à construção dos prédios, é preciso que se chegue a um consenso o mais rápido possível.

"É preciso deixar claro que a promotoria utilizou-se das opiniões de profissionais autônomos, e não representantes da UFRN. O Ministério Público tem suas convicções, mas precisamos que o processo tenha transparência, e que esses estudos sejam confrontados", argumentou.

Outra opinião favorável às construções vem do representante do Conselho Comunitário de Ponta Negra, Emanoel Damasceno Medeiros, presente na audiência desta segunda-feira (22). Na oportunidade, ele entregou à promotoria um ofício manifestando-se favorável à construção de prédios na Vila de Ponta Negra.




Segundo o ofício, os empreendimentos "podem proporcionar desenvolvimento sustentável" à região. Confira abaixo documento na íntegra.

Histórico

A polêmica à respeito dos chamados "espigões" não é de hoje. O Inquérito Civil data de 2006, e trata das pretensões de edifícios verticalizados na área do cordão dunar do Morro do Careca, que forma a Zona de Proteção Ambiental 6 (ZPA-6)

No entanto, as discussões ganharam força no dia 4 de fevereiro, quando a prefeita Micarla de Sousa acatou uma recomendação do Ministério Público, e suspendeu a licença de uma das construções.
Foto: Vlademir Alexandre


Ao todo, são quatro empreendimentos que brigam na Justiça pela licença ambiental: Ville Del Sol, Flat Service Philippe, Solares Participações e Ponta Negra Beach.

Na próxima quarta-feira (24), é a vez dos vereadores se manifestarem sobre o assunto. Uma audiência pública será realizada às 9h, na Câmara Municipal. A reunião foi proposta pelo vereador Ranieri Barbosa, integrante do Conplam, que inclusive votou a favor das construções.

Construtora ganha direito de construir em Ponta Negra | E lá vem eles de novo!

>>> Ministério Público do RN está atento quanto aos prazos para entrar com recursos.

Neste momento o que temos a fazer é nos mantermos atentos, unidos e mobilizados para garantir a manutenção do embargo das construções. Espalhem a notícia, mostrem indignação quanto à situação. Comprovem que não há estrutura urbana para acolher tal empreendimento; ressaltem que a paisagem será ferida caso a obra prossiga; acreditem e sintam a necessidade de que seja preservada a identidade cultural que o Morro do Careca e Ponta Negra representa; acreditem que a Justiça pode reparar o erro cometido. Só não podemos esmorecer neste momento, pois a luta é permanente!!

# Detalhe importante: o então presidente da  2ª Câmara do Tribunal de Justiça do RN era o desembargador Osvaldo Cruz, supostamente envolvido no caso dos Precatórios - ou seja, não dá para descartar a possibilidade de suspeitar da sentença favorável em relação à destruição do principal cartão postal da cidade, quiçá do Estado. Esperamos mais sensibilidade, responsabilidade e cuidado com o bem público e com a dignidade do potiguar do próximo magistrado que apreciará o processo.

Estamos confiantes nas pessoas de bem que atuam nos Tribunais de Justiça deste lindo lugar chamado Rio Grande do Norte.

SOS Ponta Negra

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Tribuna do Norte - 24 de Maio de 2012

A Natal Real State é o primeiro empreendimento imobiliário a obter decisão favorável, na segunda instância, contra atos administrativos da Prefeitura de Natal, que suspenderam as obras de quatro "espigões" em Ponta Negra desde meados da década passada.
Júnior SantosA construtora afirma que ainda não decidiu se vai ou não continuar com as obras. Mas o terreno vem sendo limpo por máquinas e população diz que trabalhadores afirmaram que obras serão retomadasA construtora afirma que ainda não decidiu se vai ou não continuar com as obras. Mas o terreno vem sendo limpo por máquinas e população diz que trabalhadores afirmaram que obras serão retomadas

A sentença não é definitiva, porque está sendo objeto de recurso por parte do município, que interpôs embargo de declaração à decisão do desembargador João Batista Rebouças, proferida em 17 de abril deste ano. Rebouças foi o relator dos autos na 2ª Câmara do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte, na qual atuava como presidente o desembargador Osvaldo Cruz.

"O embargo de declaração é um recurso cabível, quando há no acórdão obscuridade ou contradição", explicou a promotora de Defesa de Meio Ambiente, Gilka da Mata, que atuou no processo em primeira instância.

Mas, ela informou que a Procuradoria Geral da Justiça (PGJ), depois de tomar ciência e for intimada, é quem deve recorrer do acórdão de segunda instância, "seguindo a linha já delineada pelo Ministério Público através da 45ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente.

O empreendimento da Natal Real State estava construindo o Edifício Home Serve Villa del Sol, localizado na rua Luiz Rufino, 110, em Ponta Negra, cuja autorização para as obras foi anulada pela prefeitura de Natal.

A suspensão da obra se deu pelo fato do empreendimento estar localizado na Zona de Proteção Ambiental (ZPA-6), que inclui um dos mais importantes cartões postais e turísticos da cidade, o Morro do Careca, em Ponta Negra.

Na decisão, a 2ª Câmara do TJ decidiu, por unanimidade, que "não enxergou razões aceitáveis para a cassação da licença ambiental", anteriormente concedida pelo município, porque foi demonstrado, ao longo do processo, "que o terreno onde se encontra o empreendimento está fora da área de proteção ambiental".

Além do mais, o entendimento da 2ª Câmara foi de que, embora as edificações existentes nas proximidades do Morro do Careca sejam, em sua maioria, de baixo gabarito, "em tais locais não deixa de haver prédios de altura elevada e, apesar disso, continuam erguidos". Em suma, os desembargadores concluíram, segundo os autos, "que houve patente violação ao princípio da isonomia".

O advogado da empresa Natal Real State, João Victor de Holanda Diógenes informou que, "em virtude dos prejuízos que vem sofrendo há cinco anos", a empresa ainda não decidiu quando e nem como vai retomar as obras do Ville do Sol, mesmo porque os autos ainda não têm um julgamento definitivo do mérito. Os advogados do empreendimento apresentaram contrarrazões no TJ sobre o embargo de declaração interposto pela Procuradoria Geral do Município.

Com relação aos outros três empreendimentos imobiliários que estão com as obras suspensas, a TRIBUNA DO  NORTE levantou que o Costa Brasilis teve o processo extinto sem julgamento do mérito, mas os autos tramitam em grau de recurso no Tribunal de Justiça.

Já o empreendimento Phillipe Vannier aguarda o pronunciamento do juízo da 1ª Vara da Fazenda Pública, enquanto o empreendimento Solares Participações também está concluso para sentença na 5ª  Vara da Fazenda Pública, ambos na Comarca de Natal.

PLANO DIRETOR: Ambientalista e promotora criticam fórmula de discussão das ZPAs

>>> Querem meter a mão no que resta da cidade, e bem na nossa frente. Semurb não divulga como se deve a Audiência Pública, não amplia o debate, não convida as pessoas como deveria convidar... querem mesmo fazer tudo as pressas e armar um teatro para justificar a revisão. Onde vamos parar? Se vierem com espigões de novo para cima do Morro do Careca teremos que sair de novo às ruas! Em vez de planejar, de avançar, temos que ficar tomando conta pra não deixar as coisas erradas piorarem ainda mais. IMPRESSIONANTE! #


 Publicação: 01 de Junho de 2011 às 11:18

Júnior SantosAudiência pública de regulamentação e revisão de proteção ambientais e instrumentos de ordenamento urbano.Audiência pública de regulamentação e revisão de proteção ambientais e instrumentos de ordenamento urbano.

A Prefeitura de Natal, através da Semurb, realizou na manhã de hoje, no auditório do Sebrae, uma audiência pública a respeito da regulamentação de quatro zonas de preservação ambiental (ZPAs), referentes às áreas que envolvem o Morro do Careca, os mangues do rio Potengi, o rio Doce e a região no entorno do farol de Mãe Luiza. Também foi debatida a revisão das ZPAs dos Guarapes e do Pitimbu. A expectativa do secretário de Meio Ambiente e Urbanismo, Bosco Afonso, é que a audiência, que se completa na sexta-feira com a discussão de outros temas, seja o ponto inicial das discussões.

O ambientalista Francisco Iglesias, da Associção Potiguar Amigos da Natureza, demonstrou preocupação com a forma como os assuntos, de extrema importância para a cidade, serão discutidos. Ele defende a realização de um trabalho mais amplo de análise, semelhante ao de uma conferência, e lamentou a pouca divulgação das audiências desta semana. "Tinha de haver mais debates e mais participação popular", resumiu.

A promotora Gilka da Mata afirmou que só recebeu o convite após interpelar a secretaria e quando já tinha tido conhecimento da solenidade, através da Internet. Ela disse que o Ministério Público vai acompanhar todo o processo de discussão das seis zonas e defendeu também o amplo debate. A perspectiva da Prefeitura é que seja aberto um prazo de 10 dias, a partir das audiências desta semana, para que a comunidade possa apresentar sugestões às propostas já concebidas pelo Município, através do site da Semurb.

Bosco Afonso acredita que os projetos possam ser encaminhados à Câmara Municipal no segundo semestre. "E a Câmara poderá ampliar ainda mais os debates", considera. Na sexta-feira, no auditório do Sebrae, às 8h, será a vez da discussão a respeito da Outorga Onerosa do Direito de Construir, da Transferência do Direito de Construir, das operações urbanas e dos planos setoriais.

De Manhas e Sofismas, por Marcondes Silva

Desde que a Senhora Prefeita de Natal tomou a decisão de vetar a construção de “espigões” nas proximidades do “Morro do Careca”, uma enxurrada de matérias sobre a questão foram veiculadas nos mass media do Estado. Opinantes de todos os naipes infestaram as páginas dos jornais e de outras mídias. De “filósofos” versando sobre a estética da “paisagem monótona” do Morro do Careca, aos áulicos e acólitos do cortejo empreendedor. São cortesãos e serviçais dedicados e empenhados em ver a cidade alçada aos píncaros do “progresso” e do “desenvolvimento” tão almejados. Aliás, a idéia da paisagem monótona aventada faz-me lembrar dos burros de ciganos.

Quem morou no interior, em décadas anteriores a de 70, deve recordar dos enfeites que adornavam os burros das caravanas de ciganos. Os arreios do animal eram cheios de espelhos, fitas multicoloridas e outros apetrechos. Eram tantos penduricalhos que os burros passavam despercebidos. Por isso, quando alguém ou alguma coisa se apresentava com muitos adornos, se dizia: “tá mais enfeitado do que burro de cigano”. Deseja-se, ardentemente, que a estética do “progresso”, com toda sorte de adereços, multicoloridos e multiformes, como em burros de cigano, adorne a recorrente e “monótona paisagem” que os feitores de paisagens não produziram.

Retomo o mote, pois a peleja não cessou com o ato do poder executivo. Foi dito que o Senhor Secretário, quanto a essa questão, estaria a produzir a regulamentação para esse pedaço de território. Ademais, no próximo ano será discutida a revisão do Plano Diretor. Portanto, esse foi mais um round do conflito estabelecido e perpetuado pelo setor imobiliário, relativo as formas de ocupação do espaço urbano, que teve seu auge em ocasião semelhante a que acontecerá no próximo ano, qual seja: a revisão do sobredito Plano Diretor que aconteceu em 2007. Naquela ocasião teve de tudo. Só para refrescar a memória, lembremo-nos da denúncia de assédio aos vereadores, os quais teriam sido compensados monetariamente para atenderem os interesses nebulosos de imobiliárias, que desencadeou a denominada Operação Impacto, cujo resultado foi a instauração de processos criminais para apurar tais atos de corrupção, teve até ameaças e intimidações a um participante das discussões aqui em Ponta Negra.

Se tal fato já não fosse suficientemente denunciador dos métodos pouco ortodoxos utilizados, para não dizer espúrios, consta da literatura policial-jornalí stica, a partir daquele período, o desbaratamento de máfias d’além mar, associadas a espertos nativos, que faziam lavagem de dinheiro “investindo” no setor imobiliário com generosas ofertas, inflando a especulação imobiliária e as expectativas de ganho fácil. Essas e outras são as peripécias empreendidas por bandos alcunhados pomposamente de investidores e empreendedores.

No presente momento, a estratégia é lamentar a “fuga dos investimentos”, pois não há “segurança jurídica” para os investimentos em empreendimentos imobiliários. Natal tem tudo para se desenvolver e tornar-se uma cidade “moderna”, porém a incerteza cria uma dificuldade para essa finalidade. Quem estaria disposto a investir num lugar assim. É essa a conclusão a que chega o engenheiro Rogério Torres, responsável pela construtora CTE Engenharia e pelo empreendimento Costa Brasilis, em matéria publicada na Tribuna do Norte, dia 09 deste mês, intitulada: “Investidor pensa em desistir de Natal”. Naquela ocasião, o sobredito responsável pela construção do “espigão” declarou que “a insegurança jurídica está inviabilizando Natal”(sic).

Será? Inviabilizada pra quem? Só pra não esquecer o registro, insegurança jurídica é jargão jurídico que está na moda. É como a banha do peixe-boi, serve pra tudo. Basta uma breve pesquisa na internet, bendita internet, para se ver o leque dos discursos sobre insegurança jurídica. Por exemplo, o discurso que provoca insegurança jurídica o fato de juízes decidirem pela revisão de contratos bancários.

Mas o que é um morro para frear o desenvolvimento? Para que resistir ao avanço inelutável do “desenvolvimento”? O engenheiro garante que em nada seu “belo” flat interferirá na paisagem. Mirou-se o morro de vários lugares e aparentemente nada se viu que pudesse impedir sua visão. O problema é que a dita paisagem é constituída pelo célebre Morro do Careca, uma imensa duna fixa que margeia toda a Vila estendendo-se ao mar. A paisagem é o Morro do Careca e não a “careca” do morro.

Uma torre, duas torres, depois outra, muitas outras. Torres de concreto. Em seguida, se produzirão, invariavelmente, placas, letreiros, toda sorte de brilho e luzes. Muitas luzes. Assim, com essas imagens, pode ser visto e proclamado o progresso atingido. Como burros de cigano, a paisagem adornada por tantos adereços concorrentes, se tornará, ela mesma, um adereço na paisagem produzida por construtores de cenários.

Voltando à matéria mencionada, o nosso benfeitor lamenta ainda a sorte dos adquirentes de apartamentos do malogrado empreendimento, que “com sacrifício, vende alguma coisa, um carro, pra poder dar a entrada”. Lamúrias à parte, verifiquemos os fatos. Para um bom observador da cena, alguns detalhes saltam aos olhos. Nos dia 05 de janeiro duas matérias (Novo Jornal, p.10 e Jornal de Hoje, p.5) nos dão esses detalhes. Na primeira, o sobredito investidor informa “que 55 das 60 unidades do prédio de 19 andares haviam sido comercializadas”. Detalhe: 70% dessas unidades haviam sido adquiridas por estrangeiros. O detalhe da segunda é, sobretudo, imagético: a foto do local do empreendimento. O que se vê é o início de uma construção, início do soerguimento de pilares, tisnados pela ação do tempo, com restos de tábuas amontoadas. Apurando o olhar sobre a fotografia, descortina-se a bela e privilegiada vista do Morro do Careca.

A partir desses detalhes e declarações desse homem de negócios, tentemos compreender o imbróglio, começando pela fotografia divulgada. Verifica-se que há muito o local encontra-se abandonado. Quem sabe desde 2006 quando a obra foi vetada. Pois bem, naquele ano, 2006, pediram uma indenização de R$ 4,5 milhões. Ocorre, não se sabe porque cargas d’água, o dito empreendedor afirma que precisa multiplicar esse montante por quatro. Fico pensando: 90% das unidades construídas foram vendidas antes ou depois de cassada a liberação em 2006?

Se foi antes, e naquela ocasião calculava a indenização em 4,5 milhões de reais, qual o critério para a sobrevalorização? Espero que tenha sido antes. Mas se foi depois do empreendimento estar impedido, por decisão da administração municipal, penso que haja implicações legais, pois vender algo mesmo sabendo que não podia cumprir com o contrato é um embuste. Ou será que tinha tanta certeza que tal veto seria derrubado? Por que estaria tão certo? Quem o faria?

Depois, fico pensando quem são esses “pobres” estrangeiros pauperizados, pois somam 70% do total dos compradores, atravessando penosamente o Atlântico, após terem economizado, vendido seus carros e outros bens para adquirir apartamentos no flat que o engenheiro pretendia construir. Para se desfazerem assim dos seus bens, para poder pagar a “entrada”, sonhavam, sem sombras de dúvidas, em “morar” no Brasil. Não em qualquer lugar, mas em Natal, mais precisamente desfrutando a paisagem de Ponta Negra, de um lugar privilegiado, do alto de seus apartamentos. Talvez tenham arranjado um bom emprego por aqui, coisa que os jovens da Vila sonham, lutam e não conseguem, nem com a construção desses empreendimentos.

Será por acaso um novo processo de invasão colonial, para “modernizar” e tirar do “atraso” os nativos da província potiguar? Ou seria somente para passarem férias? Quem sabe seja alguém querendo desfrutar suas economias em lugar um caliente, como alguns que costumeiramente por aqui aportam. Seja como for, o tal do Flat da Vila, tem epíteto apropriado para quem o habitaria: Costa Brasilis. Como diriam os matutos lá do interior de onde vim, eu mesmo matuto igual a eles, sobre os bons propósitos do nosso benfazejo investidor, algo, assim, parecido com a seguinte frase: esse “povo” é desses que suga até dá no osso”.

O problema não se esgota na questão paisagística. Há outras questões implicadas. Como as referentes aos impactos ambientais e sociais; sobre a ocupação do espaço urbano e acerca de modelos de desenvolvimento; do deslocamento de populações pobres das áreas assediadas pela especulação para as áreas periféricas e da privatização do espaço público. Uma coisa é certa: a de nenhuma importância, para essas pessoas, dos moradores da Vila, dos moradores da cidade. Pouco ou nada vale o bem-estar dos cidadãos.

Marcondes Silva
Morador de Ponta Negra
[Fevereiro de 2010]

Charges Edmar Viana

>>> clique nas imagens para ampliar
.:EDMAR VIANA [1955-2008]

PROTESTO - Edmar Viana
Espigões de Ponta Negra II
03 de dezembro 2006









XÔ ESPIGÃO - Edmar Viana
Espigões de Ponta Negra I
30 de novembro 2006

Charge Túlio Ratto

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.:TÚLIO RATTO - www.twitter.com/tulioratto

NATAL DO FUTURO - Túlio Ratto
Espigões de Ponta Negra III
30 de janeiro 2010


Carta aos Moradores de Ponta Negra, por Rodolfo Alves

Como pode um Conselho Comunitário de um homem só, administrado com o aval de 402 votos, querer representar um bairro com mais de 35 mil habitantes, sem nunca realizar um fórum ou assembléia sequer?

Os movimentos populares criados por moradores do bairro de Ponta Negra como: S.O.S Ponta Negra, Filhos de Ponta, Responsabilidade Ativa, entre outros, tem reconhecida e espontânea representatividade na Comunidade de Ponta Negra.

É um grande equivoco afirmar que a Comunidade Ponta Negra é FAVORÁVEL a construção de prédios no Morro do Careca, equívoco pior é acreditar que um conselho de gaveta represente a opinião e a vontade do Bairro em que vivemos. É acreditar que os espigões irão proporcionar desenvolvimento sem causar nenhum prejuízo ambiental, num atestado de despreparo que denota a falta de conhecimento e nula capacidade de representar o bairro.

“Entendemos que as construções não causam qualquer impacto na paisagem do Morro do Careca e dunas associadas” Emanoel de Medeiros Presidente do Conselho Comunitário de Ponta Negra

É bom que seja de conhecimento de todos que existem pessoas que pensam e agem assim. É bom que todos saibam, que também as autoridades saibam e haja comoção. Precisamos nos resguardar uma vez que, como sabemos, as leis não são suficientes para combater toda essa corrupção cidadã. Entidades “legalizadas” agem como supressoras da lei e, para estas, a lei não se aplica.

Esse ato é também um combate a corrupção, vamos denunciar, vamos brigar pelos nossos direitos, vamos dizer NÃO A CORRUPÇÃO.

E Xô Espigão!!!

Rodolfo Alves
Diretor do www.responsabilidadeativa.org

* Carta publicada dia 24 de fevereiro na seção Colunas da Diginet

.: Ministério Público apresenta situação jurídica de espigões de Ponta Negra

TRIBUNA DO NORTE - 23/fev/2010
Foto: Marcelo Barroso

O Ministério Público Estadual (MPE) revelou ontem à tarde, em audiência pública com representantes de órgãos ambientalistas, públicos e privados, e de moradores de Ponta Negra, a situação jurídica relacionada à construção de cinco espigões no entorno do Morro do Careca e dunas associadas à Zona de Proteção Ambiental (ZPA-6), dos quais quatro estão sub júdice.

A promotora de Defesa do Meio Ambiente, Gilka da Mata, disse que o MPE só não tem informações ainda sobre o empreendimento denominado “Ponta Negra Beach”, primeiro porque “não tem ciência” de alguma ação judicial, como a dos outros empreendimentos, que tentam obter autorização judicial para construir os espigões.

Gilka da Mata expôs que dos quatro processos em tramitação judicial, apenas um foi extinto, relacionado ao empreendimento da CET Engenharia, que obteve administrativamente a liberação da licença ambiental. Depois, a licença foi anulada pela prefeitura no dia 04 de fevereiro, em decorrência de atendimento à recomendação do MPE.

Segundo a promotora, o laudo pericial obtido a partir de um convênio que a Central de Perícia do MPE tem com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), depois usado para barrar o Costa Brasilis, também vai ser anexado aos demais processos, independentemente dos outros lados que deverão ser acostados aos autos.

Ela disse que as legislações estaduais e ambientais, não devem extrapolar à lei maior, a Constituição Federal, a não ser que “seja para aumentar a proteção ambiental, nunca para diminuir”.

Outro esclarecimento dado pela promotora, é que no caso das construções de edifícios, por exemplo, as licenças ambientais e urbanísticas são duas coisas diferentes. Se no segundo caso, o empreendedor pode obter o alvará de construção da obra, no outro, a licença ambiental pode acabar não sendo deferida, se o empreendimento trouxer prejuízos ao meio ambiente.

O presidente da Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal, vereador Raniere Barbosa (PRB), disse que a exposição do MPE “foi coerente e convincente”, mas lembrou que o aval dado pelo Conselho Municipal de Meio Ambiente (Complan) para liberação das licenças, baseou-se no período que foi feito os pedidos pelos empreendimentos, quando não havia sido aprovado o novo Plano Diretor de Natal (2007).

Na audiência que a Câmara fará amanhã sobre a mesma questão, Barbosa disse que vai sugerir a inclusão do MPE como membro do Complan, mesmo que sem direito a voto, para servir como órgão consultor. A audiência começa às 9h30 no Plenário Vereador Érico Hackradt.

.: Carta do Conselho Comunitário de Ponta Negra: um equívoco atrás do outro!

O ofício transcrito abaixo foi distribuído pelo presidente do Conselho Comunitário de Ponta Negra, que "garante" estar representando a vontade dos moradores do bairro.

Cabe a cada um de nós refletir sobre se realmente esta direção quer o melhor para o bairro e para a cidade - eu tenho minhas dúvidas, ainda mais sabendo que em um bairro com mais de 35 mil habitantes o Conselho é administrado com o aval de 402 votos.

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À
PROMOTORIA DE JUSTIÇA DE DEFESA DO MEIO AMBIENTE
MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO RIO GRANDE DO NORTE

Ref.: oficio 310/2010

O Conselho Comunitário de Ponta Negra, entidade fundada em 1987, que representa legitimamente a Comunidade Ponta Negra, por meio de eleições direitas com voto espontâneo dos moradores do Bairro de Ponta Negra, Natal/RN, vem à presença de Vossa Excelência, FAZER UM APELO DE INTERESSE E JUSTIÇA SOCIAL, para que sejam prioritariamente considerados os interesse e opinião dos moradores da região no caso das construções na Vila de Ponta Negra, em especial da polêmica criada por movimentos que se intitulam ambientalista, mas que não possuem representatividade e nada conhecem da difícil realidade da Comunidade de Ponta Negra.

A Comunidade Ponta Negra é FAVORÁVEL (???!!) a construção de prédios na Vila de Ponta Negra, erroneamente chamados de espigões, que tiveram autorização legal para iniciar sua construção e que podem proporcionar desenvolvimento sustentável a nossa região, por meio de empregos, renda, infra-estrutura, segurança, valorização etc. A Vila de Ponta Negra atualmente sofre com a falta de apoio dos Poderes Públicos, que não se preocupam com as péssimas condições em que vive a comunidade. Entendemos que as construções não causam qualquer impacto na paisagem do Morro do Careca e dunas associadas (?????!!), mas valorizam a região, contribuindo para uma nova alvorada de oportunidades para os moradores do loca, que necessitam de promoção social, trabalho digno, e, principalmente, que sejam respeitados os seus interesses e expectativas de um futuro mais digno

Certos que esta instituição, como fiscal da lei e dos interesses sociais, atenderá a nosso apelo, nos colocamos a disposição para apresentar detalhadamente o nosso pensamento e nossa real representatividade.

Natal-RN, 22 de fevereiro de 2010.

EMANOEL DAMASCENO DE MEDEIROS
PRESIDENTE ELEITO DO CONSELHO COMUNITÁRIO DE PONTA NEGRA

.: Espigões: polêmica continua em Ponta Negra

NOMINUTO.COM - 22/fev/2010
Texto e fotos: Carla Cruz


Em audiência realizada na tarde desta segunda-feira (22), o Ministério Público expôs preceitos constitucionais que condenam as construções.

Os debates em torno das construções verticalizadas próximas ao Morro do Careca, estão longe de ter um ponto final. Na tarde desta segunda-feira (22), a 45ª Promotoria de Justiça de Defesa do Meio Ambiente realizou uma audiência pública na sede da Procuradoria Geral de Justiça.

Estiveram presentes, além do Ministério Público, representantes do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Conplam), da Fundação Norte-rio-grandense de Pesquisa e Cultura (Funpec), da sociedade civil organizada e público em geral.

Na reunião, a promotora Gilka da Mata (foto) expôs a posição do Ministério Público quanto às construções nos arredores do Morro do Careca e dunas associadas, baseada nos preceitos constitucionais que legalizam esse tipo de interferência paisagística.

Segundo ela, é preciso diferenciar licenciamento ambiental de licenciamento urbanístico. “O licenciamento urbanístico resulta no alvará de construção, no entanto, neste licenciamento, não se leva em consideração as condições estéticas e sanitárias do Meio Ambiente”, explica.

Ainda de acordo com a promotora, o morro é protegido pela Constituição Federal, uma vez que está em zona litorânea e, assim, é considerado patrimônio nacional. “Trata-se de uma expressão significativa para o natalense. Uma paisagem, que apesar de ser subjetiva, já se tornou manifestação da identidade da cidade”, ressaltou.

Já de acordo com o vereador Ranieri Barbosa (foto), que já havia convocado uma audiência na Câmara dos Vereadores para o dia 24, e que emitiu opinião favorável à construção dos prédios, é preciso que se chegue a um consenso o mais rápido possível.

“É preciso deixar claro que a promotoria utilizou-se das opiniões de profissionais autônomos, e não representantes da UFRN. O Ministério Público tem suas convicções, mas precisamos que o processo tenha transparência, e que esses estudos sejam confrontados”, argumentou.

Outra opinião favorável às construções vem do representante do Conselho Comunitário de Ponta Negra, Emanoel Damasceno Medeiros, presente na audiência desta segunda-feira (22). Na oportunidade, ele entregou à promotoria um ofício manifestando-se favorável à construção de prédios na Vila de Ponta Negra.

Segundo o ofício, os empreendimentos “podem proporcionar desenvolvimento sustentável” à região.

[Foto: Vlademir Alexandre]

Histórico


A polêmica à respeito dos chamados “espigões” não é de hoje. O Inquérito Civil data de 2006, e trata das pretensões de edifícios verticalizados na área do cordão dunar do Morro do Careca, que forma a Zona de Proteção Ambiental 6 (ZPA-6)

No entanto, as discussões ganharam força no dia 4 de fevereiro, quando a prefeita Micarla de Sousa acatou uma recomendação do Ministério Público, e suspendeu a licença de uma das construções.

Ao todo, são quatro empreendimentos que brigam na Justiça pela licença ambiental: Ville Del Sol, Flat Service Philippe, Solares Participações e Ponta Negra Beach.

Na próxima quarta-feira (24), é a vez dos vereadores se manifestarem sobre o assunto. Uma audiência pública será realizada às 9h, na Câmara Municipal. A reunião foi proposta pelo vereador Ranieri Barbosa, integrante do Conplam, que inclusive votou a favor das construções.

.: Audiências públicas vão discutir laudo que condenou espigões de Ponta Negra

NOMINUTO.COM - 17/fev/2010
Repórter: Melina França


Laudo técnico será discutido pelo Conplam, professores da UFRN e representantes do Ministério Público.

Mesmo após a prefeitura ter barrado a construção de espigões ao lado do Morro do Careca, em Ponta Negra, o debate em torno do assunto deve voltar a mobilizar a opinião pública natalense na próxima semana. É que representantes do Conplan estão questionando a validade do estudo da UFRN que embasou a decisão da prefeita Micarla de Sousa, anunciada no último dia 4.

O embate entre favoráveis e contrários à construção dos prédios deve se materializar através da realização de duas audiências públicas. Uma delas promovida pelo Ministério Público (MP), na próxima segunda-feira (22), às 15h, na sede da Procuradoria Geral de Justiça (Candelária). O encontro deve contar com a participação de representantes do Conselho Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente (Complan), professores da UFRN e do público em geral, além do próprio MP.

A outra audiência deve acontecer logo depois, na Câmara de Vereadores, às 9h da quarta-feira (24), tendo sido proposta pelo vereador Raniere Barbosa. Enquanto o MP tem se mostrado contrário aos espigões, Barbosa já emitiu opinião favorável à construção dos prédios, e inclusive votou a favor disso no encontro do Complan que emitiu parecer sobre o caso.

Laudo

O questionamento em torno do laudo da UFRN que condenou a construção dos espigões através do argumento de que esse estudo deveria ter levado em consideração apenas a construção de um prédio no local, o Costa Brazilis, que havia sido o objeto da discussão naquele momento, já que os outros projetos ainda estavam em fase de análise.

O estudo elaborado por professores da universidade fez uma projeção de como ficaria a vista do Morro do Careca e do seu entorno (que fazem parte da Zona de Proteção Ambiental 6) caso os empreendimentos fossem levados à frente. Eles constataram que haveria prejuízo ao chamado valor cênico paisagístico do local, considerado o principal cartão postal da cidade.

"A aprovação dos outros ainda estava em trânsito. Mas, ora, se liberaram um prédio, iam liberar todos. Nesse sentido, a projeção tinha de ser completa. Estão questionando o inquestionável", critica o jornalista e ambientalista Yuno Silva, um dos principais articuladores do movimento contra a construção dos espigões e fundador da ONG SOS Ponta Negra.

.: ESPIGÕES Ponta Negra: estão questionando o inquestionável!!!

[Clique na imagem para ampliar]

Laudo do Ministério Público / UFRN [download]

Olhe atentamente as imagens a seguir e tire suas conclusões. Elas são a projeção real do impacto que a paisagem de Ponta Negra poderá sofrer se as obras próximas ao Morro do Careca forem liberadas. Será que não percebem o mal que as construções irão causar ao Turismo e a própria auto-estima do potiguar? Quem questiona é cego, doido ou quer apenas lucrar fácil e rapidamente em cima da bela paisagem que está sob NOSSA responsabilidade?

ATENÇÃO - NOVO ROUND DO ESPIGÕES DE PONTA NEGRA

Dessa vez não adianta ficar na frente da telinha apoiando virtualmente a luta, temos que mostrar a cara in loco, comparecer, participar!!

ANOTE NA AGENDA E MULTIPLIQUE O CONVITE:

Segunda-feira (pós-Carnaval), dia 22 de fevereiro, às 15h, no auditório da Procuradoria Geral de Justiça RN
Endereço: Rua Promotor Manoel Alves Pessoa Neto , Nº 97 Candelária (próximo ao início da Jaguarari/condomínio Green Village)
Fone: (84) 3232-7130

[faça o download do laudo sobre o impacto na paisagem aqui]

[Clique nas imagens abaixo para ampliar]
O laudo de 46 páginas, elaborado por professores da UFRN a pedido do Ministério Público, faz a projeção da interferência real dos "espigões" na paisagem próxima ao Morro do Careca. Esse é o mesmo documento apresentado à prefeita Micarla de Sousa, que acertadamente revogou a licença que autorizava as construções após constatar a agressão urbana ao principal cartão postal da cidade.

Para consolidar essa decisão, precisamos comprovar aos tecnocratas desprovidos de bom senso que descondideram questões subjetivas como o direito à paisagem e que não enxergam o futuro da cidade como, inclusive, destino turístico, que a sociedade é contra esse absurdo.

Participe, compareça a reunião/encontro/audiência nesta segunda (22), às 15h, na sede da Procuradoria Geral de Justiça RN (próximo ao início da Jaguarari/em frente ao condomínio Green Village). A identidade cultural da cidade, a praia e o meio ambiente agradecem!

[Clique na imagem para ampliar]

.: O Conplan foi atropelado - por Diógenes Dantas

NOMINUTO.COM / Blog do Diógenes - 10/fev/2010

O Conplan - Conselho Municipal de Planejamento e Meio Ambiente de Natal - foi atropelado - eu diria até desmoralizado - pela prefeita da cidade Micarla de Sousa nesse episódio dos espigões de Ponta Negra.

Órgão consultivo da administração da capital, formado por representantes de quase 20 entidades da sociedade civil, além das Forças Armadas - Exército, Marinha e Aeronáutica -, o Conplan é responsável pelas análises de licenças para obras e projetos de todo o tipo na capital.

Respaldada por uma decisão unânime deste conselho, Micarla de Sousa liberou uma das quatro licenças para obras próximas ao Morro do Careca. E se preparava para capitanear a revisão do Plano Diretor da Cidade a partir deste ano.

Pressionada por instituições importantes como o Ministério Público, que apresentou um novo estudo para contestar o entendimento do Conplan, a prefeita recuou, voltou atrás, e, sem levar o assunto para o conselho, decidiu sozinha suspender a licença e revogar um decreto do antecessor Carlos Eduardo Alves que permitia as liberações dos documentos.

Para muita gente, inclusive os membros do Conplan, a prefeita Micarla de Sousa agiu de maneira débil, fraca, hesitante e medrosa, ao acatar, sem uma discussão mais aprofundada, os argumentos apresentados pelos promotores, por mais corretos que estejam, baseados no estudo de técnicos da UFRN.

Não vamos entrar no mérito de quem tem razão - o Conplan ou o Ministério Público. O que estou discutindo aqui é o procedimento da prefeita de Natal que, a meu ver, foi incorreto. Ela poderia ter esperado alguns dias para ouvir o Conplan, já que a decisão anterior foi unânime e foi acatada por ela própria, para, aí sim, decidir sobre a obra de Ponta Negra.

Está na cara que o Conplan foi atropelado num claro desrespeito aos técnicos e representantes de entidades importantes da nossa sociedade civil e forças militares.

O episódio protagonizado por Micarla de Sousa só aumentou o clima de insegurança jurídica em Natal surgido desde a administração de Carlos Eduardo que liberou licenças para construção de empreendimentos e depois suspendeu.

É preciso esclarecer o que pode e o que não pode fazer na nossa cidade. Nossas autoridades precisam promover um amplo debate e assumir uma postura mais condizente com o interesse público. Mas o que se vê é um grande jogo de cena para defender interesses privados.

Não é desrespeitando órgãos como o Conplan que a prefeita Micarla de Sousa vai colocar um ponto final na insegurança jurídica que reina no município de Natal. Agindo de maneira hesitante, Micarla só contribui para aumentar a confusão.

.: A Prefeita e o Careca - artigo de Carlos Eduardo Alves

www.carloseduardoalves.com.br - 05/fev/2010

A relação da prefeita Micarla de Sousa com o Morro do Careca não tem nada de preservacionismo. Na verdade, tem muito de oportunismo. Suas posições dançam ao sabor do marketing ou dos interesses de grupos do setor imobiliário que financiaram sua campanha. Isso fica muito claro se analisarmos seu comportamento no caso dos espigões. A Operação Impacto gravou uma ligação dela para o vereador Edivan Martins mandando a bancada mudar seu voto e ser favorável aos meus vetos ao Plano Diretor, se não sua candidatura seria prejudicada em 2008, simplesmente por orientação de Balila Santana, sua marqueteira. Em 2007, quando a defesa da paisagem de Ponta Negra ganhou a força de um movimento popular, ela foi uma das primeiras a se apresentar para o ato do abraço ao morro, como deputada estadual do Partido Verde.

Já prefeita, no dia 3 de março de 2009, declarou através da Secretaria Municipal de Comunicação ser contra os espigões, afirmando: “nós temos posição definida em relação aos projetos de Ponta Negra. Não pretendemos autorizar a retomada”. Agora, em janeiro deste ano, mudou completamente o tom do discurso. Alegando uma possível insegurança jurídica, disse ser a favor das construções de vez que o Complan deu parecer favorável. Aliás, o dirigente da Semurb, Kalazans Bezerra, já declarara anteriormente que os processos dos espigões estavam sendo reavaliados para liberação das licenças, seguindo orientação da prefeita, e afirmando que não havia nada irregular que atentasse contra a paisagem do nosso cartão postal.

Por que isso? Porque o decreto que assinei suspendendo as licenças e os alvarás dos espigões, por sinal única forma legal, dava às construtoras amplo direito de defesa, como é do princípio da lei. Só que esse direito apenas foi exercido depois que deixei o governo, porque as construtoras tinham certeza de obter o beneplácito da atual gestão. O que é fácil perceber pelas declarações da prefeita à Tribuna do Norte de 4 de fevereiro. Ela disse que a licença somente foi possível por conta do meu decreto e ainda acrescentou: “eu não tenho qualquer participação nessa questão”, posando de inocente e querendo desviar a culpa para mim, logo eu que me insurgi contra a construção dos espigões, por uma questão de bom senso, por respeito à nossa natureza. Quis me transformar no vilão da história, mas sua máscara caiu.

E caiu por pressão do Ministério Público Estadual, que apresentou laudo de uma arquiteta e parecer de quatro professores do Departamento de Urbanismo e Arquitetura da UFRN sobre o impacto ambiental das obras. Assim, finalmente a prefeita rendeu-se e na quinta-feira, 4, anunciou a manutenção da cassação das licenças. Natal venceu uma grande batalha, mas todo cuidado é muito pouco. Eles já falam em liberar as obras do hotel da Costeira que fere nossa legislação ambiental e também em revisar precocemente o Plano Diretor de Natal. Vamos ficar atentos, pois podem vir aí novas estrepulias da prefeita.

.: Queres conhecer o vilão... - por Franklin Jorge

NOVO JORNAL - 07/fev/2010

Durante anos ouvi o nome do engenheiro Kalazans Bezerra relacionado à defesa do meio ambiente. Kalazans sempre me pareceu um mero falastrão e, por isso, nunca fui com o seu ecologismo de plantão. Infelizmente não estava enganado. O cara é um arrivista que se deu bem sob as saias de Micarla, defendendo medidas que ferem princípios antes aguerridamente defendidos, ao tempo em que Kalazans Bezerra era – lembram-se? - coordenador do Movimento Pró-Pitimbu e merecia a atenção e a consideração dos natalenses.

Em verdade, estávamos completamente mal informados sobre a verdadeira natureza de seus interesses. Sua bandeira era apenas uma fachada que se apresenta, atualmente, aos olhos de todos, inteiramente puída e esmolambada. Não admira, pois, que o ex-prefeito Carlos Eduardo Alves o tenha chamado de “corretor”e não de ambientalista, como faria uma pessoa mais desinformada.

Secretário municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB), Kalazans defende agora o indefensável, contrariando princípios que em nossa inadvertencia acreditávamos nascidos de uma sincera dedicação à defesa de Natal. Agora, em vez de defender o meio ambiente, ele o agride de maneira descarada, referendando a construção de um espigão de 19 andares em Ponta Negra, o que tem contrariado os moradores do bairro e as pessoas de bom senso. É só o começo, podem crer, de uma devastação urbana sem precedentes na história da cidade.

É interessante notar que ele tomou essa decisão sem discuti-la com a sociedade e, para isso, escolheu o momento certo: quando a Câmara Municipal e o Ministério Público Estadual estavam em recesso. Ora, nada mais conveniente e, ao mesmo tempo, suspeitoso.

Além do mais, Kalazans se aproveitou de um erro de Carlos Eduardo para justificar a construção de espigões em Ponta Negra, quando, se estivesse bem intencionado, lutaria para corrigi-lo e fechar essa brecha deixada pelo ex-prefeito de Natal.

Diz um velho ditado quinhentista que, se queres conhecer o vilão, dê-lhe o poder na mão... E, aí, teremos – no caso em questão - um feroz corretor devorando impiedosamente o direito que todos temos à paisagem e ao verde.