Reação nacional ao El Mundo que rotulou Natal
A reportagem ‘Soy menor, el condón te saldrá caro’, publicada no aos 17 de setembro no jornal espanhol El Mundo, sobre a questão da prostituição em Natal, mais especificamante em Ponta Negra, repercutiu pelo país e vem gerando indignação em natalenses que vivem fora da capital potiguar.
Um grupo de jornalistas e profissionais potiguares que reside em São Paulo, auto-intitulado ‘PPPP’ (Poder para o povo potiguar) se manisfestou, através de artigo enviado à redação do periódico espanhol, contra a reportagem que, entre outras difamações, chamou Natal de ‘europrostíbulo’.
O artigo, de autoria do jornalista Alan Severiano, reconhece como ‘‘realmente grave o problema da prostituição de crianças e adolescentes em cidades do litoral brasileiro’’ e que essa prática se tornou frequente nos últimos cinco anos após a forte presença de estrangeiros nessas cidades. Severiano trata como ‘‘constragedora’’ a situação que se encontra Natal, mas mesmo assim se indignou com a reportagem que, mesmo fazendo um alerta à população acerca do problema, ‘‘revela um olhar egoísta, divulga informações incorretas e consolida preconceitos contra o Brasil’’.
‘‘Quando li a reportagem, minha primeira reação foi de indignação. Não por ter falado da prostituição infantil, mas sim pelo preconceito com que trata a cidade e também com o Brasil e brasileiros’’, conta. O jornalista, que vive há nove anos em São Paulo, enviou o artigo por e-mail à diretoria de redação e outros três setores do jornal no último sábado e, até o início da noite de ontem, não havia recebido resposta.
Severiano lembra que da última vez que esteve em Natal, no final do ano passado, ficou chocado com as imagens que viu em Ponta Negra. ‘‘Foi uma sensação de frustração e pena’’, disse.
A jornalista Rosilene Pereira é mais uma integrante do grupo que já passa dos 15 conterrâneos, que se encontram periodicamente, a fim de matar as saudades da terrinha. Ela falou que ao ler a reportagem ficou muito triste e por isso resolveu mobilizar esforços entre seus amigos para que cada um agisse à sua maneira. ‘‘Uma ação como essa é necessária, acho que os natalenses já estão apáticos com a situação. E não pode ser assim’’.
Para Severiano, o problema está no excesso de hospitalidade dos moradores. ‘‘O povo precisa se manifestar dizendo que não quer mais sexo-turismo na cidade. Não dá para deixar como está’’, disse.
Pereira disse que o atual presidente da SPTuris (secretaria de turismo da cidade de São Paulo) e ex-presidente da Embratur, Caio Luiz de Carvalho, que esteve presente no processo de revitalização de Ponta Negra, declarou à ela que faltou mentalidade na administração local para levar o projeto de revitalização à frente, na grandiosidade que se havia pensado.

Executivo vê exagero do El Mundo
O diretor executivo do Pólo Turístico da Via Costeira, Murilo Felinto, acha que houve exagero na reportagem do jornal espanhol El Mundo, que taxou Natal como a ‘‘Meca brasileira do turismo sexual europeu’’. Segundo Felinto, o jornal transformou uma experiência ruim de alguns turistas que foram extorquidos por prostitutas brasileiras como uma prática usual na cidade, o que não é verdadeiro.
Segundo o executivo, o poder público já está preparando uma providência em relação ao fato, através da Prefeitura de Natal, e a recepção de uma reação do poder público num jornal europeu tem peso político mais forte do que uma iniciativa das empresas privadas da área turística.
O diretor do Pólo da Via Costeira acredita que a repercussão da matéria será ruim para o turismo potiguar, mas não ‘‘é o fim do mundo’’, porque já existe uma consciência geral de que aqui o turismo sexual está sendo combatido.
O modelo de combate local, inclusive, está sendo copiado por outros estados, com campanhas que englobam não só as ações de força policial, mas também a cooperação com outros setores de atuação pública, como as entidades de ação social, fiscalização tributária e Corpo de Bombeiros.
Murilo ressaltou que as autoridades natalenses estão engajadas numa campanha permanente de combate ao turismo sexual e essas iniciativas têm surtido efeito junto às entidades turísticas internacionais. No mês de abril ele estava na Europa quando foi deflagrada a operação de esforço concentrado em Ponta Negra que realizou uma mega operação de combate ao turismo sexual.
A polícia prendeu turistas sem documentos, apreendeu menores que estavam sozinhas circulando na praia, brasileiros com armas e drogas foram detidos e bares sem licenciamento ou em descumprimento com as normas de segurança foram fechados.
Essa operação policial acabou sendo bem recebida pelos europeus, que perceberam a iniciativa natalense em debelar a proliferação do turismo sexual. ‘‘Aquelas operações repercutiram muito bem na Europa. Eu estava lá e ouvi isso’’.

Jornal espanhol classifica Natal como a capital do "europrostíbulo"
A explosão do sexo turismo em Natal, com a praia de Ponta Negra como principal palco do problema, foi destaque negativo na edição do último domingo do jornal espanhol El Mundo, editado na capital Madri e um dos principais da Espanha.
A repercussão negativa em terras espanholas foi comunicada ao secretário estadual de Turismo, Renato Garcia, através de Miguel Cantalapiedra del Castillo, diretor Comercial da Club Vacaciones, empresa que vende o destino Natal na Espanha.
Club Vacaciones ficou preocupado com a repercussão negativa do artigo de autoria do jornalista espanhol Héctor Marin, que na página 7 da edição dominical do El Mundo narra a farta oferta sexual em Natal, as extorsões que turistas espanhóis passam na mão de supostas menores e até mesmo donos de motéis envolvidos no esquema.
Conta também que são mais de 21 mil turistas espanhóis desembarcando em Natal, boa parte deles à procura “de sexo barato, fácil e exótico". Não imaginam que podem ter uma surpresa. E não vão se atrever a denunciar. Afinal, quem vai admitir "transei com uma menina de 15 anos e me dei mal''.
Sob a manchete "Sou menor, o preservativo vai sair caro'', e com o sub título "O golpe da camisinha'', o jornalista destaca que "Natal, uma cidade europrostíbulo do Brasil, se transformou numa armadilha para turistas confiantes e ávidos por sexo. E muitos espanhóis caem na golpe: menores que se passam por maiores e depois ameaçam denunciar os clientes à polícia. A prova: o preservativo usado na relação, que se transforma em moeda de extorsão''.
A matéria é ilustrada pelo folder da campanha publicitária lançada este ano, onde os turistas são advertidos sobre as penalidades para quem pratica o sexo turismo envolvendo menores.
