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Tribuna do Norte - 24/02/08 :: ANALISTAS OPINAM SOBRE COMPRADORES DE NOVOS EMPREENDIMENTOS NO RN

Repórter: Valdir Julião
Foto: Ana Silva

RESORTS - Garcia diz que o conceito de casa de veraneio começou a se globalizar em todos os países


Com a previsão de se construir dez grandes empreendimentos na área de turismo e lazer, a costa litorânea ao sul e norte de Natal caminha para se transformar, nos 10 ou 15 próximos anos, num mercado de segunda residência para europeus e, inclusive brasileiros de todo o país. “É a nossa famosa casa de veraneio”, diz Renato Garcia, que é consultor em negócio e investimentos no Rio Grande do Norte desde 1996.

O presidente do Conselho de Corretores de Imóveis do RN (Creci), Waldemir Bezerra de Figueiredo, é daqueles que acredita serem esses investimentos “meramente internacionais”, mas ainda acredita que brasileiros do centro-sul do país, onde não existem praias, “também devem comprar casas e apartamentos” nesses mega empreendimentos.

>>> Pergunto: se há todo esse mercado; esse boom especulativo que atraem clientes cheios de Euros; novos investimentos aportando com o interesse crescente de investidores estrangeiros pelo RN... por quê toda essa pressa? Construtores, o valor do imóvel é diretamente proporcional à preservação da qualidade de vida, das belezas naturais e da diversidade cultural. Está na hora de ser dado o devido valor aos fatores que agregam valor aos empreendimentos e ao potencial turístico.

Bezerra, ainda não dá para se ter idéia sobre o perfil de compradores, porque os empreendimentos estão na fase de licenciamento pelos órgãos ambientais e também não têm o registro de incorporação. “Acho que vai ter tudo para o que é bolso”, diz ele, embora ache que o principal foco dos negócios seja o mercado europeu - “não tenho a menor dúvida”.

Renato Garcia diz que a clientela dos empreendimentos não deve ser, necessariamente, estrangeira. Tanto é, que acredita ser acessível os preços a serem praticados, como no caso do Grand Natal Golf, a ser construído em áreas das praias de Jacumã e Pitangi, nos municípios de Ceará Mirim e Extremoz, onde o metro quadrado vai esta na faixa de faixa de 1.400 euros ou cerca de R$ 3,6 mil.

Segundo Garcia, um empreendimento que foi lançado recentemente por trás do Extra, na avenida Engenheiro Roberto Freire, o preço do metro quadrado é de R$ 3 mil o metro quadrado, só que lá no caso do Grand Natal Golf “tem o campo de golfe, que é um grande jardim, que não vai pagar quem mora no condomínio, porque só quem paga é quem vai usar, mas se tem uma vista maravilhosa, se tem uma praia, um condomínio fechado com sua própria segurança e com todos os serviços de resort”.

Então, avalia Garcia, não são preços proibitivos, porque é um negócio híbrido, “em que a pessoa pode morar, não é só para turistas e nem focado só num tipo de cliente”.

Na opinião dele, quando os acessos finais da ponte Forte-Redinha estiverem prontos, como é o caso da rua Moema Tinoco que vai ser um acesso direto à BR-101, esse empreendimento especificamente será uma primeira residência, pois Pitangui e Jacumã ficarão numa mesma distância do Forte dos Reis Magos como em relação à Ponta Negra fica.

Garcia disse que no caso do Grand Natal Golf terá apartamentos de 50 metros quadrados que podem sair por R$ 170 mil e até apartamento ou casa de R$ 500 mil: A classe media pode ter acesso, pode ser financiado, Isso vai acontecer nos outros empreendimentos”.

Ele diz, por exemplo, que a classe média tem hoje sua casa de veraneio nas praias, onde a insegurança está cada vez maior, “e só vai no fim de ano porque vai todo mundo, se junta com dois ou três vizinhos e contrata um segurança”.

Para Garcia, inicialmente pode até ser que o percentual de clientela norte-rio-grandense e brasileira chegue a 5% a 10%, “até porque as pessoas ainda não estão acostumadas” com esse tipo de empreendimento, mas gradativamente pode chegar mesmo a um terço de clientes brasileiros.

O presidente do Sindicado das Empresas Imobiliárias (Secovi-RN), Renato Gomes Netto, diz, por enquanto, fica difícil avaliar quanto de investimentos constam os empreendimentos, porque “os números são guardados a sete chaves pelos próprios investidores”.

Depois, ele explica que “fica um pouco complicado” fazer esse tipo de avaliação, em porque se conhece os projetos apenas no plano macro, “e não foram esmiuçados os detalhes, os projetos estão em fase de licenciamento”.

Mas, pelo que se tem noticia, ele diz que os grupos, inclusive estrangeiros, que estão investindo aqui são fortes em termos de capital e de imagem, porque na hora em que se vê os jogadores de futebol KaKa, Beckham e Ronaldinho, colocando a sua imagem ao lado desses empreendimentos, “seus assessores não deixariam ter nomes deles colocados em emp5esas que não têm credibilidade”.
Mercado para segunda residência se fortalece
Segundo o administrador , Renato Garcia do escritório RGarcia Consultoria & Investimentos, em primeiro lugar, “é importante saber o que é turismo de segunda residência. O mercado de segunda residência começou a se fortalecer, mundialmente, há aproximadamente 40 anos, principalmente no sul da Espanha.

“Naquele momento, a gente pode dizer que o conceito casa de veraneio começou a se globalizar, principalmente os europeus do norte da Europa e os árabes mais afortunados, começaram a procurar na costa espanhola o lugar mais quente e agradável para ter a sua casa de verão, porque obviamente o norte da Europa praticamente não tem verão”, explicou Garcia.

Renato Garcia explicou ainda que isso foi se fortalecendo e nos últimos 20 anos e tomou um impulso no sul da Espanha - “como eu disse antes” - e também em Algarves, Portugal. Depois, segundo ele, começou a ir alguma coisa para países do Caribe e para a costa do leste europeu e ainda na Flórida, Estados Unidos e na Croácia, à beira do mar Adriático e na costa da Turquia, na parte do mar Mediterrâneo e ainda nos últimos dez anos no norte da África, no Marrocos.

Esse mercado de segunda residência, segundo Garcia, vendia até 2005 cerca de 255 mil casas de veraneio por ano para estrangeiros, mas a partir de 2001 a coisa começou a mudar por conta do terrorismo, a insegurança em alguns mercados da Ásia, o aumento dos furacões no Caribe, em virtude das mudanças climáticas, que tornou ainda o seguro de uma casa muito alto.

“Juntando a isso as mudanças econômicas no Brasil, com a estabilidade monetária, queda da inflação, criou-se o ambiente para que começassem a olhar para o Nordeste do Brasil”, avaliou Garcia.

Além disso, segundo ele, os preços na Espanha, na Itália e Portugal subiram muito: “Enquanto o preço do metro quadrado aqui, em Ponta Negra, se paga de R$ 1 mil a R$ 1.500 euros ou R$ 2,5 mil a R$ 4 mil dependendo da localização, que para o nosso padrão é muito caro, na costa da Espanha, um apartamento na segunda ou terceira linha do mar se paga no mínimo de três a quatro mil euros, mas se for na beira de um campo de golfe ou uma casa boa vai pagar seis mil euros pelo metro quadrado”.

Garcia disse que diante dessas condições, o Nordeste também começou a se destacar como um mercado de segunda residência e, principalmente, o Rio Grande do Norte, por ter em Natal “uma capital extremamente simpática, bem planejada, limpa e que as pessoas são muitas hospitaleiras”.

Mesmo em nível de região Nordeste, Garcia entende que os natalenses são mais hospitaleiros “do que os nossos conterrâneos nordestinos, e até mesmo em nível de segurança, o problema da insegurança é muito menos do que acontece em Recife (PE) e Fortaleza (CE)”.

Na opinião de Garcia, o combate ao turismo sexual, que tinha em Natal um embrião, surtiu efeito e por pode atrair mais negócios. “Soma-se a isso o Estado num crescimento econômico muito bom, o aeroporto novo com perspectiva de sair e a construção da nove ponte com a integração do litoral norte, criou o ambiente adequado para que todos esses empreendimentos comecem a ser desenvolvidos”.

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