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Rio adota programa de combate ao Crack

Tribuna do Norte - 14 de Abril de 2012
Rio (AE) - A Prefeitura do Rio de Janeiro e o governo do Estado assinaram ontem o convênio de adesão ao programa 'Crack, é possível vencer', do governo federal. Com objetivo de ampliar atividades de prevenção, aumentar a oferta de tratamento aos usuários de drogas e enfrentar o tráfico e as organizações criminosas, o acordo prevê a destinação de R$ 240 milhões da União para investimentos em todo o Estado até 2014.

Para auxiliar no tratamento a usuários de crack, serão inaugurados seis novos Centros de Atenção Psicossocial e haverá ampliação da capacidade de atendimento das oito unidades já existentes. Também serão criados 27 novos Consultórios na Rua, modelo baseado na experiência iniciada em Salvador para atender à população em situação de risco: equipes formadas por profissionais de saúde prestarão atendimento aos dependentes químicos diretamente na rua, com o suporte de um ambulatório móvel.

O trabalho terá apoio de profissionais dos 14 Centros de Referência Especializados em Assistência Social (Creas) existentes na capital fluminense, além de outros três a serem inaugurados ainda neste ano. "Hoje o crack é uma epidemia no País, e não podemos esperar as pessoas baterem na porta das unidades de saúde e assistência social, mas sim fazer a busca ativa onde elas estão", disse o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

O acordo prevê ainda a instalação de 57 unidades de acolhimento adulto e 20 de acolhimento infanto-juvenil em todo o Estado, além da ampliação do número de leitos oferecidos para dependentes de crack, visando atender à polêmica medida de internação involuntária. "Precisamos tirar o debate ideológico dessa discussão, e eu defendo a internação compulsória dos menores e também dos adultos", reiterou o prefeito Eduardo Paes durante a solenidade. A opinião é compartilhada pelo Procurador Geral de Justiça do Ministério Público do Rio de Janeiro, Cláudio Soares Lopes. "O enfrentamento ao crack é uma questão de saúde pública, e criança viciada não pode estar na rua", afirmou Lopes.

Do total investido pelo governo federal, R$ 4,5 milhões serão ainda destinados à prefeitura para atuação exclusivamente nas comunidades de Bangu, Santo Amaro, Manguinhos e Jacarezinho - favela da zona norte considerada a versão carioca da cracolândia paulistana.

Serão direcionados R$ 15 milhões para capacitação de 35 mil pessoas em todo o Estado, incluindo líderes comunitários, conselheiros municipais e profissionais, para atuarem na área de prevenção, com ações em escolas e nos bairros. Com investimento de R$ 9 milhões, a repressão ao tráfico contará com cinco bases móveis, instalação de câmeras de videomonitoramento e intensificação das ações de inteligência da polícia. "Vamos combater o tráfico de drogas do modo como ele deve ser combatido, com rigor e ataque frontal às organizações criminosas", enfatizou o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo.

Anunciado pela presidenta Dilma Rousseff em dezembro do ano passado, o projeto destinará R$ 4 bilhões em recursos até 2014 para ações de combate ao crack em todo o País. Até o momento, somente os Estados do Rio de Janeiro, Pernambuco e Alagoas formalizaram a adesão.

Crack é uma questão de saúde pública || Só os governos ainda não perceberam!!


Tribuna do Norte - 29 de Janeiro de 2012
Os investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes, iniciaram nos anos 2000, e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicos. "O preconceito em relação ao tratamento", segundo Marcelo Ribeiro de Araújo, também contribui para a desarticulação, "porque ainda existem pessoas que acham que 'passar a borracha' nos usuários é a melhor solução" para acabar com as drogas.

emanuel amaralOs investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicosOs investimentos em políticas públicas de enfrentamento ao crack são recentes e esse é um dos motivos da desarticulação no tratamento dos dependentes químicos
Para ele, o desafio em relação ao tratamento dos usuários de crack é tratar o caso como um problema de saúde pública. Nesse sentido, avalia, os Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD) representam um avanço, "mas os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido". E dispara: "O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam com o Caps e outros não. Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil".

Em entrevista concedida à IHU On-Line por telefone, Araújo diz que o consumo do crack está associado a situações de violência e abuso. Nesse sentido, argumenta, "retirar os viciados da cracolândia não vai resolver" o problema da dependência. É preciso oferecer serviços para esses indivíduos, associados a outras medidas, como a de saneamento, por exemplo. Ao encarar a cracolândia como uma área de traficantes e apenas querer limpar o espaço, se corre o risco de piorar a situação daqueles que estão seriamente dependentes do crack".

Hoje as campanhas de combate as drogas focam muito no consumo de crack. Por quê? Essa é a droga mais utilizada e a que causa maior dependência?

Sim. O crack é uma droga que de fato desorganiza os usuários, porque eles ficam muito dependentes e desestruturados. Os usuários de crack também são os que mais buscam tratamento, ou são levados a buscar pela família ou por outras pessoas. O crack é uma droga que impacta, e é usada em grupos, em locais abandonados, e tudo isso atrai a atenção dos usuários.

Quais são os principais efeitos do crack sobre o psiquismo do sujeito?

O crack é a cocaína na sua apresentação para ser fumada. Então, nesse sentido, farmacologicamente, ele é a cocaína. A cocaína é um estimulante do sistema nervoso que, quando utilizada, provoca um quadro de euforia e de bem estar, que é o que as pessoas buscam inicialmente, juntamente com um quadro de aumento da alerta, inquietação, aceleração psicomotora, aumento dos batimentos cardíacos. Isso tudo acompanha a intoxicação por essa substância. A diferença entre ela e a cocaína cheirada é que a cocaína fumada (crack) atinge os pulmões, e uma grande quantidade de cocaína entra de uma vez só no corpo, atingindo rapidamente o cérebro. De cinco a oito segundos, a cocaína entra pelos pulmões, passa pelo coração e chega no cérebro. Então, o crack produz um efeito intenso e rápido, causando maior dependência.

Desde quando o Brasil investe em políticas públicas de enfrentamento ao crack e quais são as políticas existentes para tratar os dependentes?

As políticas públicas são muito recentes e realizadas pelo governo federal, governos estaduais e municipais, de uma maneira que poderia ser melhor integrada. Para você ter uma ideia, até 2003 não havia serviços para tratamentos específicos ambulatoriais para dependência química. Havia apenas seis serviços: três em São Paulo, um na Bahia, um no Rio e um em Porto Alegre. A partir dos anos 2000, ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, foi introduzida a primeira política de drogas, entretanto, as políticas públicas passaram a se estruturar em 2003 e, desde então, estão aumentando, a partir da criação dos Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD).

Como é realizado o tratamento de dependentes químicos no Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD)?

Quando um tratamento começa, avaliamos qual é a estrutura química, física e social do paciente. A partir daí, escolhemos as opções que melhor atenderão as necessidades dele. Esse é o conceito atual. Então, é feita uma avaliação das necessidades e a partir disso, tentamos começar o tratamento com uma proposta terapêutica, onde são considerados os ambientes que temos à disposição (podem ser os ambulatórios, podem ser as clínicas, as comunidades terapêuticas, os hospitais). É escolhido o melhor ambiente, pensado na equipe de profissionais disponível para ajudar esse paciente e nas estruturas de apoio sociais - se o dependente químico tem filhos, procuramos uma creche para a criança, por exemplo. Portanto, algumas decisões são clínicas e outras, sociais. Os profissionais que atuam com os dependentes são o que chamamos de gerentes de caso, porque ficam junto com o paciente, próximo do dia a dia dele, e além do tratamento psicológico, ajudam e monitoram outras questões da vida social.

E como acontece isso na prática? O Brasil está preparado para esse modelo de tratamento?

A partir dos anos 1980 e 1990, foram fechadas todas as clínicas de internação. Havia vários manicômios velhos, cheios de ratos, onde as pessoas ficavam completamente abandonadas. O problema é que após fecharmos os manicômios, não colocamos nenhum modelo de internação no lugar, e algumas pessoas precisam ser internadas. Algumas vezes, não sempre, é bom começar o tratamento por uma desintoxicação de um mês. Tem pessoas que ficam muito comprometidas socialmente porque desistem de uma internação em comunidade terapêutica.

Têm pacientes que se beneficiam do Caps, mas este é um tratamento que requer uma estrutura do dependente, pois ele precisa marcar a consulta, e ir às reconsultas. Esse é um tratamento para alguém que já está conseguindo se estruturar melhor. Atualmente, existem Caps nas capitais e nas cidades médias ou naquelas que possuem Universidades Federais, Estaduais. Ainda falta integrar melhor o Caps com o tratamento informal.

Como o senhor avalia o desempenho dos Centros de Atenção Psicossocial-Álcool e Drogas (Caps-AD)?

A adaptação, às vezes, fica prejudicada porque como poucas pessoas trabalham com o tema no Brasil e não há muitos locais para se capacitar. Os profissionais ainda não receberam toda a capacitação que poderiam ter recebido. O grande problema é que as pessoas colocam a responsabilidade toda no Caps, mas ele não consegue resolver o problema da dependência química. Alguns pacientes se beneficiam com o Caps e outros não. Têm pacientes que precisam, por exemplo, de uma moradia assistida, que é um intermediário, e isso ainda não existe no Brasil.

Antes dos anos 1990, não tinha política nenhuma, o que surgiu no governo Fernando Henrique Cardoso foi uma grande carta de intenções, que se preocupava mais com a repressão do que em estruturar uma rede de tratamento para os dependentes químicos. Mas esse era o momento histórico. Foi desenvolvido um trabalho de colocar no papel tudo o que entendíamos por dependência, doença, mas a política de enfrentamento para o crack veio aparecer agora. Depois que a Dilma assumiu, ela fez o plano de enfrentamento e as propostas são válidas. Ela está pensando em diversificar a rede, e capacitar os profissionais. A ideia que está no papel é boa.

Alguns especialistas alegam que a desarticulação entre as políticas de segurança, saúde e assistência social tem prejudicado o tratamento de dependentes em crack. O senhor concorda? Quais são as razões desta desarticulação entre as políticas públicas?

O motivo desta desarticulação é porque o país investe em política pública nessa área há pouquíssimo tempo. Então, as pessoas ainda estão "batendo a cabeça". A falta de articulação também esbarra no preconceito em relação ao tratamento, porque ainda existem pessoas que acham que "passar a borracha" nos usuários de droga é a melhor solução. Essa é uma mentalidade da cultura dos indivíduos. Está no imaginário das pessoas essa concepção de que o dependente químico é um drogado e que não há problema em tratá-lo com violência. As pessoas, às vezes, acabam agindo de uma maneira equivocada.

Quais os desafios de tratar a dependência química como um problema de saúde pública e não como uma questão de segurança?

 O grande desafio é possuirmos ambientes e capacitação, além de ter a oportunidade de influir nos momentos em que se definem as políticas públicas. É uma questão de encarar o crack como uma questão de saúde pública. Retirar os viciados da cracolândia não vai resolver o problema da dependência. É preciso oferecer serviços para esses indivíduos, associados a outras medidas, como a de saneamento, por exemplo. Ao encarar a cracolândia como uma área de traficantes e apenas querer limpar o espaço, se corre o risco de piorar a situação daqueles que estão seriamente dependentes do crack.

Considerando as pesquisas que o senhor realiza na universidade e o contato que tem com dependentes, diria que houve uma evolução no tratamento com dependentes químicos nos últimos anos?

Com certeza. Evoluímos bastante. Fiz um mapa sob como o crac foi evoluindo no Brasil nesses 23 anos e percebi que quando o tema entrou em pauta, nós, pesquisadores, se quer publicávamos sobre o tema - ficávamos fazendo revisão de artigos. Hoje, pelo contrário, temos muitos profissionais pesquisando sobre o assunto, vários serviços de assistência aos dependentes químicos. Nós avançamos muito em pesquisa e nos tratamentos, só que infelizmente ainda estamos no começo. Essa é a principal questão.

Como o uso de crack evoluiu nesses 23 anos? O perfil dos consumidores também mudou?

 O crack ainda continua sendo uma droga de pessoas de classe baixa e que têm baixa escolaridade. A classe média também consome, mas está longe de ser o grande consumidor. Os usuários são pobres, com histórico de violência e abuso. Nesse período, houve de fato uma disseminação do crack pelas grandes cidades: São Paulo, Porto Alegre, o restante do Sul, Belo Horizonte e depois a droga foi sendo espalhada para o Rio de Janeiro e Nordeste. O crack já se interiorizou. Hoje, 98% das cidades convivem com esse problema. Em municípios de 10 mil habitantes, até os bóias-frias fumam a droga.

RN não tem mapeamento do crack || Novidade seria se tivessem!!

Tribuna do Norte - 18 de Janeiro de 2012
Marco Carvalho Sara Vasconcelos - Repórteres

O Governo do Estado não possui um mapeamento do consumo de crack na capital do Rio Grande do Norte. Droga que vem se alastrando pelo país e causando efeitos devastadores na população que a consome, o crack não tem seus compradores identificados pelos bairros de Natal. Para a Secretaria Estadual da Segurança Pública (Sesed), o levantamento de tais informações não é o principal fator que influenciará no combate ao consumo do entorpecente. Segundo o secretário adjunto de segurança, Clidenor Cosme da Silva Júnior, não existe local em Natal que se configure como "cracolândia", espaços de consumo livre, a céu aberto, com grande número de usuários.

adriano abreuSem ação pública que combata o uso ou a venda, crack se espalha pelo RNSem ação pública que combata o uso ou a venda, crack se espalha pelo RN
A Sesed não reconhece o estudo conduzido pelo Instituto FioCruz e pela Secretaria Nacional Antidrogas, divulgado esta semana pelo jornal O Estado de São Paulo. De acordo com o levantamento, Natal possui três zonas com alta densidade de usuários da droga, localizadas nos bairros de Potengi, Quintas e Praia do Meio. De acordo com o estudo, a capital potiguar também apresenta concentração de usuários, mas em menor quantidade, nos bairros de Capim Macio e Ponta Negra. "Não sei qual foi a metodologia utilizada. Não sei se foi medido através das apreensões registradas. O local de consumo não representa o local da negociação da droga, do tráfico", declarou Silva Júnior. O mapeamento pesquisou 16 das 26 capitais do país, além do Distrito Federal. Além de Natal também foram analisadas a densidade de usuários de crack nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, João Pessoa, Porto Alegre, Florianópolis, Salvador, Distrito Federal, Cuiabá, Vitória, Rio Branco, Manaus, Boa Vista, Macapá, Belém, São Luís e Teresina. A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE procurou o Ministério da Justiça para ter acesso a detalhes do estudo. No entanto, a demanda realizada não foi atendida até o horário de fechamento desta edição.

Para o secretário adjunto de segurança, não há no Brasil formas de medir o consumo do crack. "Em alguns países existe uso de tecnologia que analisa a água e o esgoto para medir a incidência de drogas. Aqui em Natal, poderia medir por meio da quantidade de apreensões de drogas, entretanto, não há um zoneamento", informou.

Mesmo ficando distante da realidade de consumo de drogas a céu aberto vista em São Paulo, Natal registra as suas "cracolândias" em menores proporções. Em pelo menos um ponto apontado pelo Instituto FioCruz, a equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve presente e pôde constatar o comércio e o consumo do entorpecente a céu aberto. Flagrar atitudes como essa não é difícil até mesmo para quem passa pela primeira vez pelo local. Os traficantes e consumidores não fazem questão de se esconderem para usar o crack.

Na manhã de ontem, um grupo se reunia no bairro Dix-Sept Rosado, zona Oeste de Natal, para fazer uso da droga. Na rua Professor Josino Macedo, homens e mulheres, alguns jovens, compartilhavam cachimbos, isqueiros e pedras do crack. A fumaça branca era percebida, assim como o seu efeito. Uma jovem dançava ao som de uma música imaginária e discutia com o próprio reflexo no vidro de um carro estacionado. Não demorou muito para o "barato" passar e o grupo se reunir novamente para fumar outra pedra.

Plano Estadual de Combate à Droga não sai do papel

O Plano Estadual de Enfrentamento ao Crack e outras drogas nunca chegou a se materializar e ter efeitos práticos para a população potiguar. O Comitê Gestor, designado para ser responsável pela elaboração e implantação do plano, sequer chegou a se reunir para traçar as diretrizes do tema no Estado. Depois de mais de um ano de tal designação, foi anunciado que o planejamento estadual será deixado de lado com a implantação do Plano Nacional de Combate ao Crack.

As informações foram repassadas pelo presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes (Conen), Magnus Barreto. O presidente do Conen esclarece que o conselho não possui atribuição executiva, tendo a responsabilidade de deliberar políticas sobre o enfrentamento a drogas e intermediar contato com outras entidades não-governamentais.

Durante o mês de dezembro passado, o Governo Federal anunciou um conjunto de ações do governo federal para enfrentar o crack e as outras drogas. Com investimento de R$ 4 bilhões da União e articulação com estados, Distrito Federal e municípios, além da participação da sociedade civil, a iniciativa tem o objetivo de aumentar a oferta de tratamento de saúde e atenção aos usuários drogas, enfrentar o tráfico e as organizações criminosas e ampliar atividades de prevenção.

As ações estão estruturadas em três eixos: cuidado, autoridade e prevenção. Na área da saúde, o plano prevê a estruturação da rede de cuidados Conte Com a Gente, que auxiliará os dependentes químicos e seus familiares na superação do vício e na reinserção social. A rede é composta de equipamentos de saúde distintos, para atender os pacientes em situações diferentes. As ações policiais irão se concentrar em duas frentes: nas fronteiras e nas áreas de uso de drogas, nos centros consumidores.

Uma das novidades do plano é a criação de enfermarias especializadas nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS). Até 2014, o Ministério da Saúde repassará recursos para que estados e municípios criem 2.462 leitos, que serão usados para atendimentos e internações de curta duração durante crises de abstinência e em casos de intoxicações graves. Para estimular a criação destes espaços, o valor da diária de internação crescerá 250% - de R$ 57 para R$ 200. Ao todo, serão investidos R$ 670,6 milhões. As informações foram obtidas através da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas, Senad, do Ministério da Justiça.

Crack está em quase 90% das cidades

Levantamento realizado no ano passado pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) em 4430 das 5565 cidades brasileiras mostrou que o crack é consumido em 91% delas. No Rio Grande do Norte, dos 121 municípios pesquisados, foi constatado a incidência do crack em 108. A plataforma de informações lançada pela CNM traz a geografia do consumo de crack no Brasil.

A CNM montou mapas onde é possível observar o nível de uso da droga e defini-lo como alto, médio ou baixo. Cidades da Região Metropolitana, como São Gonçalo do Amarante, Ceará-Mirim e Macaíba, destacaram-se negativamente ao aparecer com elevado nível de consumo do entorpecente. Outros municípios do interior do Estado, como Parelhas, Caraúbas, São Tomé e Baía Formosa, também registraram o nível mais alto de incidência da droga.

O estudo também analisa as estrutura relativas ao atendimento e tratamento de pessoas dependentes químicas, como a presença de centros de atenção psicossocial (Caps). Serviços de assistência social, através dos centros de referências (CRAS e CREAS), também são contabilizados.

PARECE PIADA: Análise do Itep não consegue diferenciar Crack de Oxi

Oxi. Quem usa tem em média um ano de vida. A droga composta de querosene, cal virgem e pasta de cocaína vicia e mata em velocidade maior que o crack. Mas no Rio Grande do Norte, a exemplo outros estados, não há laboratórios equipados e com metodologia voltada à realização de “ensaios de pureza” capazes de identificar todos os componentes da droga. As análises se restringem à presença de cocaína na amostra.


Para saber se  o entorpecente está, de fato, nas bocas de fumo em Natal é necessária a realização dos ensaios de pureza, através do qual pode-se distinguir o crack do “oxi”. E, hoje, o Itep-RN só consegue confirmar se há ou não presença de cocaína no material apreendido. O que, segundo a Denarc, não é suficiente porque o próprio crack tem como base a cocaína.

A diferenciação, segundo as autoridades, tem sua importância muito mais do ponto de vista social e de saúde pública. Para as polícias é importante saber se há ou não outra droga em circulação e a partir daí mapear sua origem. Mas quem é flagrado traficando ou consumindo o produto sofre as mesmas sansões previstas no Código Penal Brasileiro, independente se é “oxi” ou “crack”.

O titular da Delegacia Especializada em Narcóticos (Denarc), Odilon Teodósio, afirma que não há evidências suficientes para distinguir se a droga apreendida nessa quinta-feira em poder de um traficante na comunidade Passo da Pátria seja o “oxidado”. “O aspecto não é suficiente. Somente um exame apurado pode dizer isso”. O relato do traficante, associado à constatação dos policiais militares, são na opinião do delegado aspectos merecedores de atenção.

“Mas somente testes apurados podem oferecer certeza. Aqui mesmo [na Denarc], apreendemos crack de vários tipos de coloração”, afirma Odilon. O bioquímico chefe do laboratório de análises e pesquisas forenses do Itep-RN, Fabrício Fernandes, explica que o Instituto está adquirindo equipamentos que serão suficientes à realização desses ensaios.

“Os esquipamentos estão inclusos em um investimento de R$ 5,2 milhões. Com esses equipamentos e a metodologia adequada será possível, quando necessário, distinguir a composição química. É a partir dessa composição que se pode, tecnicamente, dizer se a amostra é de “oxi”.

Bar de Ponta Negra será multado por expor crianças

Marco Carvalho - repórter
Foto: Emanoel Amaral
Tribuna do Norte - 15/março/2011

O bar e restaurante Extravasa, localizado no Centro Comercial Jardim em Ponta Negra, será autuado pelo 1ª Vara da Infância e Juventude por permitir que crianças se apresentem no estabelecimento. A cena foi flagrada pelo programa Fantástico da rede Globo de Televisão no domingo passado e mostrou ainda o ambiente cercado  de prostituição e tráfico de drogas. O valor da multa ainda não foi estabelecida e varia de 3 a 20 salários mínimos. Os responsáveis pelos menores serão procurados para que as responsabilidades sejam apuradas e aplicada as medidas cabíveis.

Em caso de reincidência, o estabelecimento pode ser interditado. A decisão foi informada à TRIBUNA DO NORTE pelo juiz José Dantas de Paiva, da 1º Vara da Infância e da Juventude da Comarca de Natal. Para ele, o fato de as crianças estarem somente dançando já se configura um crime. "O estatuto da criança prevê negligência dos pais nesse caso. E se for investigado a participação delas em programas sexuais, então, a gravidade é muito maior", disse o magistrado.

O responsável pelo bar deve ser procurado ainda hoje para assinar  um documento em que é notificado e penalizado pelo acontecimento. A reportagem esteve no local, rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, e foi informada que um homem identificado por Marco Gadelha seria o administrador. O seu celular esteve desligado durante boa parte do dia e nas duas oportunidades em que a reportagem esteve no bar, pela manhã e à tarde, funcionários disseram que o administrador não estava presente.

O juiz Dantas esclareceu que haverá oportunidade de defesa. "A decisão de multá-los está tomada, mas daremos direito à defesa. Apesar de as imagens comprovarem o que se passou por ali", declarou.

As meninas aparentando não ter mais que seis anos de idade dançavam fantasiadas em um palco em meio a outras mulheres durante a madrugada. A pena para a mãe ou pessoa responsável pelas crianças pode ser de processo por negligência a processo jurídico, que culminaria com a perda da guarda.

Combate à exploração: "É cada um por si e Deus por todos"

O juiz José Dantas de Paiva classifica assim o comabte à exploração sexual na cidade: "É cada um por si e Deus por todos". Segundo ele, isso se dá pela falta de integração  entre a polícia e o Poder Judiciário. "Falta articulação de ambos os lados, não há comunicação. Tem que existir um trabalho permanente".

Outro fator fundamental é a ausência de estrutura. À disposição do Poder Judiciário, existem apenas 30 agentes que trabalham somente nos fins de semana e de forma voluntária. "Falta estrutura para combater essas organizações criminosas. Não temos como colocar nas ruas voluntários para enfrentar bandidos", disse o juiz Dantas.

Do outro lado da inoperância do poder público está a falta de cooperação e senso de responsabilidade da população. O número de telefone 100 destinado a denúncias que envolvam exploração de crianças e adolescentes, especialmente no âmbito sexual, não recebeu chamados nos últimos três meses. "É fundamental compreendermos a  importância de uma denúncia em casos como esse. Não temos notícia alguma de que isso acontecia por lá", afirmou Dantas.

Segundo ele, já há projetos para se melhorar o serviço prestado. "Esperamos um concurso para contratação efetiva de agentes. Além disso, foi criada a 2ª Vara da Infância e da Juventude específica para casos de exploração", contou, esclarecendo que um contato com a Polícia Federal será estabelecido.

O juiz Dantas se disse chocado e declarou que apesar de a reportagem ter o seu lado negativo por expor a cidade, também tem seu lado positivo. "Isso nos chama atenção para reordenar o trabalho voltado à criança", encerrou.

Vizinhança comprova prostituição e drogas

A reportagem da TRIBUNA DO NORTE esteve no bar Extravasa e, na impossibilidade de conversar com o administrador, comprovou a realidade de prostituição e drogas com os vizinhos. A situação se tornou explícita quando criminosos ofereciam quantidades de cocaína nos arredores do bar e mulheres se vendiam por R$ 200 nos quiosques durante a matéria do Fantástico.

Um casal, que terá a identidade preservada, veio do sul do país para abrir um negócio próximo ao estabelecimento flagrado. Eles se surpreenderam com a falta de iniciativa das autoridades para tratarem o problema.

"Como um lugar como esse tem alvará para funcionar? Nos mudamos há um ano e não conhecíamos a região. Estamos arrependidos e vamos tentar vender o nosso comércio, isso se alguém tiver coragem para comprar", disse um homem expressando revolta.

O casal conta que já presenciou casos explícitos tanto de prostituição quanto de venda e utilização de drogas. "Existem até menores envolvidos e isso acontece ao ar livre. É um pecado Natal passar essa imagem para os outros estados", contou a mulher, enquanto ressaltava a hospitalidade do povo natalense.

Apesar da realidade de constantes crimes sendo praticados, a polícia aparenta ser ineficaz no combate. "A viatura passa aqui umas vinte vezes por noite. Mas apenas com a luz acesa, não prende ninguém e sequer desce do carro", disse um vizinho do bar.

"Não agem porque não querem agir. Porque está na cara que acontece esse tipo de coisa por aqui", protesta outra moradora contra a passividade das autoridades quanto ao problema.

Proprietário do bar foi preso em 2009

O espanhol Salvador Arostegui, apontado por funcionários do bar Extravasa como "dono de todo o quarteirão", foi preso durante a Operação Cristal da Polícia Federal em dezembro de 2009. Sob ele recaía a acusação de tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, que tinha como Natal a cidade escolhida para comprar imóveis e empresas. O estabelecimento que foi flagrado pelo Fantástico foi o principal alvo da PF durante a operação, amplamente divulgada à época. Informações do MPF dão conta que R$ 28,5 milhões foi a quantia utilizada pelo espanhol para adquirir propriedades na capital potiguar. Somente com o crime de sonegação fiscal, a Receita Federal estima que os acusados são responsáveis pelo desvio de algo em torno de R$ 30 milhões. Salvador permanece respondendo ao processo e está impedido de deixar a Espanha.

Repressão

Operação Corona – (Nov de 2005) A PF deflagou a operação visando prender pessoas envolvidas com prostituição e turismo sexual. Oito brasileiros e quatro italianos, entre eles os donos da "Ilha da Fantasia", foram detidos e condenados mais de um ano depois. Giuseppe Ammirabille e Salvatore Borrelli estão cumprindo quase 57 anos de prisão. A PF chegou a afirmar que eles eram "mafiosos" e classificou o regime em que os empresários mantinham pessoas como "escravidão moderna".  Giuseppe continua preso, junto ao Salvatore, no Penitenciária Estadual de Alcaçuz.

Vôo Charter

Entre os anos de 2005 e 2006, a fiscalização do turismo sexual foi intensificada pelo  MP, PF, PC e Secretaria de Turismo.  No aeroporto Augusto, um vôo fretado com 400 holandeses, todos do sexo masculino, que  viajavam com intenção de praticar turismo sexual retornou à Europa.

Moradores da Vila de Ponta Negra fazem protesto contra as drogas


Uma movimentação na Vila de Ponta Negra, zona Sul da capital, na tarde de ontem chamou a atenção para o grande consumo de drogas na região. Apesar de poucas pessoas aderirem ao movimento, a intenção foi tentar reprimir o consumo de crack na Vila por meio da conscientização. Deth Hak, embaixadora universal da paz e membro do movimento Filhos de Ponta explicou que toda ação é importante para coibir o tráfico de drogas, a prostituição e qualquer tipo de violência.

Além de Deth estiveram na movimentação outros membros de entidades: Patrícia Marinho, diretora do Departamento dos Direitos Humanos da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, Keila Moreira, presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e Graça Leal representante do Centro Cultural de Ponta Negra. Segundo as líderes do movimento, o medo de represália evitou que moradores participassem da manifestação. “A sociedade civil tem que se organizar. O crack é uma questão de saúde pública”.

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Combate ao crack ganha força com programação na Vila de Ponta Negra

Repórter: Marília Rocha
Foto: Fábio Bezerra


Através de caminhadas silenciosas e reuniões com os moradores, pais de crianças viciadas procuram ajuda das autoridades.

Graça Leal

A falta de políticas públicas e atenção nos serviços de saúde voltadas para o combate ao crack foi tema da entrevista do Jornal 96, da 96 FM na manhã desta terça-feira (25) com a coordenadora do Centro de Cultura e Conselho da Vila de Ponta Negra, Graça Leal. Ela conta que o problema das drogas vem piorando e influenciando jovens com menor idade cada dia mais.

“Estamos reunidos para combater o problema das drogas, juntamente com os SOS Ponta Negra, Filhos de Ponta Negra e associações de combate ao trafico na cidade. A realidade de hoje são centenas de crianças fora de creches, dezenas de jovens viciados em crack e quando não tem escolas, nem empregos, precisamos lutar por uma política de saúde publica. Hoje, uma minoria está lutando para impedir, mas mesmo assim não há um hospital público para tratar das crianças viciadas”, explica Graça.

Para ela, a discussão tem que ser maior, com ações concretas, fazendo um trabalho em parcerias com outros órgãos, com a Secretaria de Saúde e associações.

O combate ao trafico, segundo Graça Leal, já sofreu dificuldades em vários setores, inclusive pressões do trafico que domina o bairro, mas mesmo assim, a comunidade está tentando fazer um trabalho de prevenção, juntamente com a 15ª Delegacia e apoio do delegado.

Graça Leal lembrou que atualmente a internação de um paciente custa em média R$ 300, valor alto para a comunidade carente, que representa o maior numero de pessoas viciadas. “Estamos vivendo hoje - a nível nacional - com um sistema de saúde que não é feito para pobres. Hoje, as crianças com oito anos já estão viciadas e por isso temos que discutir essa questão”, afirma.

As reivindicações do centro de cultura são em torno da prevenção ao uso de drogas, incluindo educação de qualidade, direito de ter direito e projetos que incluem o Gabinete de Gestão Integrada e a Universidade Federal do Rio Grande do Norte. “Estamos lutando para que mais crianças sejam beneficiadas. Hoje trabalhamos com 4 escolas e 35 crianças que aprendem a arte dos pescadores, a cultura e o esporte, mas o número ainda é pequeno já que temos na Vila mais de mil crianças”, argumenta.

Durante a entrevista, a coordenadora do projeto alerta aos pais sobre o perigo das drogas. “As pessoas precisam ficar espertas. O crack é como um tsunami, quando chega devasta tudo e é igual para todos. Temos que discutir a questão da internação: o jovem não precisa pedir para ser internado, ele tem que ser internado e pronto porque cada dia é importante para salvar uma vida. Se você não olha no momento exato, não tem retorno”, afirma Graça Leal.

O projeto de combate ao consumo do crack irá ter uma programação cultura no mês de junho, com apresentação do coco de roda no dia 5 de junho e de Cristal e o mestre Pedrinho no dia 06 de junho. “Essa é uma forma de resgatar os nosso jovens”, diz.

A intenção da programação cultural e das caminhadas é que cada bairro se mobilize para que ocorra caminhadas em cada bairro da zona norte, leste, oeste, sul. “Que eles venham para ver a nossa programação e possam ter suas próprias caminhadas silenciosas. O crack é uma luta que podemos vencer”, acredita Graça.

Mortes em decorrência do crack mobilizam Vila de Ponta Negra

Nominuto.com - 24 de maio de 2010
Texto e fotos: Fábio Bezerra


Entidades e moradores promoveram caminhada para alertar a sociedade.

Foi realizada no final da tarde desta segunda-feira (24 de maio), na Vila de Ponta Negra, uma passeata em protesto contra o crescente número de mortes de adolescentes em decorrência do uso de drogas, em especial o de crack. Moradores e representantes de algumas entidades caminharam pelas ruas e becos do bairro, vestidos de preto e branco, segurando velas acesas.

“Caminhada Silenciosa da Paz” foi o tema da passeata que contou com a participação de representantes da Secretaria Municipal de Saúde, Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, Departamento dos Direitos Humanos, Centro de Cultura da Vila de Ponta Negra e Movimentos como S.O.S Ponta Negra e Filhos de Ponta Negra.

Segundo a embaixadora do Movimento Universal da Paz e coordenadora do Movimento Filhos de Ponta, Deth Haack, a caminhada foi para chamar a atenção da sociedade para os casos crescentes de violência em todos os lugares do Brasil.

“Pretendemos mostrar que essa problemática é por causa do crescimento da violência decorrente do uso de drogas. Toda semana vemos casos aqui no bairro e em todo o país de pessoas mortas, principalmente de adolescentes envolvidos com o crack.”

A embaixadora também chama a atenção para crianças e adolescentes envolvidas com prostituição. “Nossa luta não é só contra as drogas. É contra a violência doméstica e prostituição infantil. Temos vários casos dentro do nosso Movimento de meninas que vendiam seus corpos em troca de dinheiro.”

A caminhada começou por volta das 17h e contou com a tímida presença de alguns moradores do bairro, pois a maioria não comparece com medo de represálias.

Graça Leal

De acordo com a coordenadora de Cultura da Vila de Ponta Negra, Graça Leal, sempre que há uma caminhada ou qualquer movimento contra as drogas é difícil encorajar a população a participar. Graça diz ainda que o problema não está só nas drogas, mas também na falta de uma política pública que desenvolva atividades para os adolescentes.

“Toda caminhada é assim mesmo. Mas não vamos desistir. Precisamos mostrar pra sociedade que o problema não é só resolver o envolvimento de adolescentes com as drogas. É preciso resolver o problema da educação, é preciso investir em clínicas de reabilitação. Cadê as políticas de emprego para o adolescente? É preciso ocupar a mente dessas crianças para que eles não caiam nessa vida. Não podemos cruzar os braços, pois depois que o crack toma conta deles, é difícil o longo caminho pra tirá-los dessa vida, mas é perfeitamente possível. A sociedade civil precisa se organizar", declarou a coordenadora.

# Leia mais: Combate ao crack ganha força com programação na Vila de Ponta Negra


.: Crack :: No rastro da destruição

DIÁRIO DE NATAL - 30/nov/2009
Repórteres: Alana Rizzo, Edson Luiz e Samantha Sallum
Foto: Iano Andrade/CB/D.A Press

Dependência é tratada como questão de segurança nacional e Combate à disseminação é ponto primordial Dependência tem alimentado crimes e desafiado as autoridades

O Ministério da Justiça anunciou a criação de um grupo dentro do Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci) para enfrentar a disseminação do crack no país. Além disso, a Polícia Federal promete instalar postos especiais nos estados próximos a fronteiras. Os primeiros serão no Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul e Acre. "Vamos fazer um colóquio nacional, juntando a Senad (Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas), especialistas e universidades para debater a questão do crack", afirmou o ministro da Justiça em exercício, Luiz Paulo Barreto.

Segundo Barreto, em todas discussões realizadas pelo ministério no país, o grande problema apresentado por prefeitos e a comunidade é o crack. "Temos que ir pelo lado da prevenção, juntando as outras áreas, como saúde e educação. Essa droga é mais perigosa do que a cocaína, vicia mais rápido e está no dia a dia. É preciso ter a repressão. Por isso, vamos instalar postos na fronteira e tentar conter o avanço internodo crack e das quadrilhas", disse Barreto. A pedra da morte aumentou índices de criminalidade, pontos de prostituição e circulação de armas.

Especialistas apontam a droga como o maior desafio para a segurança pública.

Doença do mundo

Localizada no sertão do Ceará, a 380km de Fortaleza, Iguatu orgulha-se do selo que recebeu no ano passado do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) pelas melhorias na qualidade de vida de crianças e adolescentes. A placa "Município aprovado" na entrada da cidade dá boas vindas aos visitantes e esconde o lado obscuro da cidade de 98 mil habitantes.

Quem convive diariamente com o problema se assusta, como o delegado civil Agenor Freitas, que passou 11 anos longe do município, e há sete meses assumiu o cargo. "O avanço da droga é uma coisa sem precedentes", diz. "É um mercado lucrativo". No início do ano, a pedra pequena, segundo o delegado, custava R$ 3 e a grande, R$ 7. Hoje, a menor é R$ 5 e a maior, R$ 10. "O crack é a doença do mundo", sentencia. O problema se repete em outras cidades do interior cearense, como Crato, Juazeiro e Sobral.

Medidas adotadas também pelo delegado federal no Pará, Geraldo José de Araújo, que já prepara uma estrutura na Secretaria de Segurança Pública para o pior. "A incidência do crack ainda é pequena, mas a qualquer momento pode se agravar", afirma Araújo.

No Espírito Santo, o crack está sendo tratado como uma epidemia por ter se alastrado rapidamente nos últimos dois anos. "Como em todo o Brasil, a situação aqui está complicada", afirma o secretário de Segurança Pública do estado, Rodney Rocha Miranda. Delegado federal, Miranda foi um dos integrantes de uma força-tarefa que combateu o crime organizado no Espírito Santo, mas está encontrando dificuldades continuar a luta. "Estamos aumentando as apreensões, mas o consumo de crack aumentada cada vez mais", ressalta.

"Hoje, quando vou conversar com lideranças comunitárias, o crack está entre os assuntos pautados pelas associações", diz o secretário, confirmando o que ocorre em quase todo o país: a droga chegou aliada à violência. "Cerca de 70% dos casos de morte têm o crack como pano de fundo", observa Rodney.

No Mato Grosso, um dos estados identificados pela Polícia Federal como integrante da rota do tráfico de drogas, a pasta base da cocaína ainda é a droga de maior circulação. Mas no interior, em Vila Rica, o crack ganha espaço. Próximo ao Pará e a Tocantins, o município já registra grandes apreensões. "Estamos fazendo um trabalho de identificar só compradores e prisão dos traficantes", afirma o delegado, que cobra monitoramento mais intenso da PF nas fronteiras.

# Leia mais - A falta de uma política adequada para tratar das mazelas causadas pelo crack é uma constante que permeia os gabinetes do Congresso Nacional...

.: A locomotiva do crack

DIÁRIO DE NATAL - 30/nov/2009
Repórter: Edson Luiz


A droga se alastra pelo país pela facilidade com que pode ser preparada, vendida e consumida

O aumento da produção de coca na Bolívia, o preço baixo e a facilidade para preparar e comercializar transformaram o crack em uma das drogas mais populares no país e num dos mais sérios problemas de saúde pública.

O negócio com o crack passou a ser rentável com o volume de drogas que chega principalmente da Bolívia, onde os plantios cresceram 6% no último ano, chegando a 30,5 mil hectares, segundo o relatório deste ano da Organização das Nações Unidas (ONU). Do total, 19 mil hectares são para consumo tradicional da população, que usa a folha da coca inclusive na fabricação de refrigerantes e remédios. O restante, conforme autoridades policiais brasileiras, destina-se a plantações usadas para abastecer o narcotráfico.

Hoje, grande parte da cocaína que chega ao Brasil é em forma de pasta base, matéria prima para a fabricação do crack.

Por viciar mais rápido do que outras drogas e devido ao preço baixo, já existem quadrilhas especialistas em fabricação e distribuição da droga no Brasil. "Quem fuma crack tem uma pancada forte, mas que dilui muito rapidamente. Isso estimula a pessoa a fumar mais", afirma o perito Adriano Otávio Maldaner, chefe de Serviço de Perícia e Laboratório do Instituto Nacional de Criminalística da Polícia Federal.

Até agora, foram desbaratados três grupos: em Itabira (MG), no Recife (PE) - que recebia o produto de São Paulo - e em Pelotas (RS), que comercializava pelo menos 100kg da droga por mês. Somente nesses casos, calcula-se que pelo menos 5 milhões de pedra deixaram de circular pelo país. Porém, em todos os estados foi registrado aumento nas apreensões. Ou seja, a circulação do crack cresceu.

O crack se espalha pelo país pela facilidade de fabricação em laboratórios caseiros, todos rústicos - até simples baldes são usados para misturar a pasta base com permanganato de potássio e amoníaco. Depois, basta colocar no fogo para formar a pedra. "A fabricação ocorre em todos os lugares, até mesmo no quarto dos fundos de um apartamento", diz o coordenador-geral de Repressão a Entorpecentes da Polícia Federal, Luiz Cravo Dórea. Ironicamente, o aumento do crack também foi ocasionado por uma política adotada pelo Brasil em relação aos países vizinhos produtores de coca: a proibição de produtos químicos. Com isso, o refino da pasta é feito diretamente em território brasileiro.

Organograma do tráfico

A cadeia do narcotráfico tem pelo menos quatro etapas, que vão dos plantios até a distribuição pelas cidades. Todos seus integrantes têm funções específicas, variando apenas os nomes.

Primeira fase

Nos plantios trabalham pelo menos seis tipos de pessoas com funções diferentes.

São as seguintes:

Lavrador: encarregado pelo plantio, cultivo e colheita da folha de coca
Fiscal: É a pessoa encarregada pelo suporte ao lavrador
Peão: Responsável pelos serviços braçais na lavoura de coca
Aviador: Quem financia os insumos agrícolas
Varador: transporta as folhas
Vigia: Faz a segurança dos plantios

Segunda fase

Quando começa os trabalhos de refino da cocaína, muitas vezes ainda nos plantios.

Pisoteiro: É o encarregado pela fabricação da pasta base
Administrador: É o chefe do laboratório
Cargueiro: Pessoa encarregada pelo transporte da pasta base
Agenciador: Faz os contatos com os compradores
Guarda: Encarregado pela segurança
Tanqueiro: Quem fornece suporte financeiro ao laboratório

Terceira fase

É quando a pasta base de cocaína passa pelo seu processo de transformação, onde:

Fabricante: É praticamente o dono do laboratório
Administrador: Pessoa que gerencia os locais
Cozinheiro: Encarregado pelo rpocesso químico
Obreiro: É quem faz os trabalhos braçais
Maleiro: Quem embala a droga
Provedor: Encarregado pelo financiamento

Quarta fase

É quando a cocaína já está em fase de comercialização, seja em grandes ou pequenas quantidades.

O organograma

Negociante: Normalmente quem vende grandes volumes de pó
Coordenador: Administrador das vendas
Despachante: Quem confere a cocaína recebida
Contador: responsável pela contabilidade da quadrilha
Mula: Encarregado do transporte da droga
Capanga: responsável pela segurança
Cobrador: Quem recebe o dinheiro dos negócios
Médicos: Quem executa os inimigos
Mesclador: Que mistura outros produtos ao pó
Aviões: Quem transporta a droga

# Leia mais: Policiais federais avaliam que o comércio de cocaína é movimentado nas fronteiras do país por traficantes brasileiros foragidos da Bolívia...

.: Laboratório de crack em hotel de Ponta Negra

DIÁRIO DE NATAL - 27/nov/2009
Foto: PF-RN/Divulgação


Numa operação para prevenir oferta de drogas no Carnatal, PF deteve cinco pessos e apreendeu 6kg do entorpecente

Carga encontrada no quarto do grupo ia ser dividida em milhares de pedras de crack, segundo a polícia

Numa operação de fiscalização em hotéis da capital, a Polícia Federal conseguiu desmontar um mini-laboratório de crack em Ponta Negra, prendeu cinco pessoas e apreendeu 6,63 kg da droga, por volta das 18h da quarta-feira. Segundo o superintendente da PF/RN, o delegado Marcelo Mosele, a operação tinha por objetivo prevenir o comércio de entorpecentes para o Carnatal. Os acusados são dois irmãos amazonenses, sendo um auxiliar de topografia, 33 anos e um comerciante de 40 anos, um motorista paraense de 34 anos, além de dois maranhenses, um feirante e uma personal training, ambos de 24 anos.

Marcelo Mosele explica que agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), deram início nesta semana a um trabalho de fiscalização na rede hoteleira da capital para verificar a possibilidade de hóspedes que tivessem se preparando para vender drogas para as festividades que ocorrerão na cidade nos próximos dias. Em um dos hotéis visitados, em Ponta Negra, a polícia pediu informações sobre pessoas que tivessem chegado recentemente à cidade, buscando, assim, traçar o perfil de algum suspeito. No local, chamou a atenção, o fato de um casal maranhense ter alugado um apartamento que passou a ser utilizado também por outros três homens em sistema de rodízio, sendo que todos se apresentavam como turistas e um deles parecia ter sotaque estrangeiro.

Diante disso, os policiais federais resolveram monitorar o grupo. Durante a tarde da quarta, enquanto uma delas permanecia no quarto, as outras saíram e quando retornaram trouxeram na mala do carro alguns utensílios de cozinha, como um fogão de duas bocas e um forno elétrico.

Horas depois depois, um dos homens deixava novamente o apartamento e nesse instante foi abordado. Os policiais pediram que ele os levasse até o quarto e, então, flagraram o restante do grupo com uma espécie de "mini-laboratório" para a fabricação de crack montado em cima da cama. A droga já estava pronta e guardada em cinco depósitos plásticos.

Os acusados foram então presos e conduzidos para a sede da Polícia Federal, onde foram autuados em flagrante por tráfico de drogas. Eles permanecem custodiados, à disposição da Justiça. De acordo com a PF, alguns dos presos, no momento em que eram interrogados, alegaram inocência, enquanto outros preferiram manter-se calados. Dos cinco, pelo menos quatro possuem antecedentes criminais.

Milhares de pedras

Marcelo Mosele destaca a importância da prisão, pois "com esse laboratório, eles podiam ainda triplicar a quantidade da droga, então imagine quantas milhares de pedras poderiam ser obtidas daí". Somente em 2009, a Polícia Federal já prendeu em flagrante 51 pessoas acusadas de tráfico de drogas.