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Matéria TN 25/3 :: “A Semsur precisava de idéias”

“A Semsur precisava de idéias”

Foto: Marcelo Barroso


RANIERE BARBOSA - "A minha escola é a iniciativa privada. Eu aprendi a administrar e construir"

Iluminação pública, cemitérios, feiras, mercados, ambulantes. A lista de abrangência da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos é extensa. O próprio titular da pasta, Raniere Barbosa, assume que é uma “segunda prefeitura”. O que começa a chamar atenção, além da múltipla abrangência da Pasta, é também a atuação da Secretaria que ganha mais visibilidade no novo comando.

Raniere Barbosa assumiu há 70 dias e já estampa a contabilidade da padronização da feira do Alecrim, mudança nos canteiros das principais avenidas de Natal e o desenvolvimento do projeto praça ecológica. Mas se o trabalho está sendo feito com o mesmo orçamento, então por que não funcionava com a gestão da secretária Marilene Dantas? “É o comprometimento e visão de mercado. As ações que estamos fazendo são muito simples”, comenta.

Para o secretário da Semsur, projetos não faltam. Ele garante que irá padronizar os cemitérios, os mercados públicos, cigarreiras e ainda os ambulantes do bairro do Alecrim. O natalense ganhará no início do próximo mês o SAC (Serviço de Atendimento ao Cidadão), onde serão recebidas todas as reclamações da população referente à Secretaria.

No falar e no agir, Raniere Barbosa dá mostra de uma candidatura a vereador. Mas, ele garante que não se encanta com o Legislativo. E com o Executivo? “Não posso omitir. Mas meu líder maior é o prefeito Carlos Eduardo. Sigo as orientações dele”, completa.

Sobre o trabalho na Semsur, os projetos e as pretensões políticas Raniere Barbosa concedeu a seguinte entrevista para a TRIBUNA DO NORTE.

A cidade está sendo enfeitada, ou que denominação você daria ao que está sendo feito nas principais avenidas?

Enfeite não, diria embelezamento. Na verdade, quando as pessoas falam revolução, diria evolução. Primeiro você precisa perceber as ações que estamos fazendo na área estética da cidade. Se antes as pessoas diziam que era a governadora que tinha criado os canteiros da cidade, hoje digo que nós estamos ampliando. Estamos fazendo de uma forma diferenciada e está ficando muito mais belo.

Em dois aspectos eu afirmo isso: estamos trabalhando a praça ecológica, estamos potencializando tudo que o horto municipal tem, a sua finalidade. A mão de obra é toda municipal, é nossa, o botânico é nosso, as arquitetas são nossas. E o outro fato é agregar a isso a iluminação. Garanto que Natal, em dezembro, será a cidade mais iluminada desse país. Digo que teremos os canteiros mais bonitos do país.

Você parece estar fazendo um trabalho mais arrojado com o mesmo orçamento que era administrado pela sua antecessora. Isso quer dizer que a verba estava sendo mal empregada?

Diria que o problema é de gestão. A minha escola é a iniciativa privada. Eu aprendi a administrar e construir; todas as ações que faço são socializando in loco com todos os atores envolvidos, seja nas feiras, nas praças, iluminação. Sempre discuto com os agentes que estão interagindo com isso. O que fizemos com as feiras? Completei agora 70 dias que estou à frente dessa Secretaria. Nesse período, eu fui logo de imediato, a pedido do prefeito Carlos Eduardo, na feira do Alecrim.

A primeira coisa foi fazer um diagnóstico e isso só se faz indo à feira do Alecrim. Discuti in loco com os agentes envolvidos, donos de banca, moradores, consumidores. Eles disseram quais as intervenções que deveríamos fazer. Trouxemos todos os agentes para dentro da Secretaria. Isso foi algo imediato. Uma semana depois (dessa conversa) a feira já tinha banheiro químico, era uma reivindicação deles.

Não havia limpeza, não havia higienização. Era algo desastroso, caótico. Discutimos com a comunidade, percebi que o lixo era muito grande e ele ia se acumulando e só ao término da feira a Urbana chegava para recolher o lixo. E por que não ter pessoas limpando periodicamente durante toda a feira? Providenciamos as lixeiras, colocamos a equipe, que já tínhamos, criamos uma logística. Temos lixeira fixa e coletores móveis para a coleta periódica.

Retiramos em média 430 a 440 sacos de lixo de 300 litros. Os garis estão dentro da feira. Depois fizemos a cobertura da feira, que tem 500 metros. Essa cobertura já tinha, era usada só uma vez por semana e ficava em um depósito guardado. Isso tudo dentro de um processo coletivo.

Esse modelo relatado por você será adotado em todas as feiras? Isso quer dizer que os problemas das feiras em Natal estão com os dias contados?

Não poderia dizer isso porque são 22 feiras, envolvendo uma média de 19 mil feirantes. A operação de montar e desmontar uma feira leva um dia para montar e um dia para desmontar só aí eu perderia duas feiras. Priorizei as maiores: Carrasco, se você for lá hoje já estamos no processo de urbanização, Feira do Alecrim, Feira das Rocas e Cidade da Esperança e vou estender agora a Santa Catarina.

Fui a Brasília agora e apresentei o projeto de urbanização das feiras e revitalização dos mercados, incluindo o componente importante que é a agricultura familiar. Vamos tirar os produtos do campo direto para o consumidor. O Ministério do Desenvolvimento Agrário mandou imediatamente uma equipe para Natal e aprovou o nosso projeto. Eles (a equipe do Ministério) ficaram encantados com esse projeto, Natal será uma cidade pioneira no Brasil e serão disponibilizados recursos. Aí eu poderei urbanizar todas as feiras de Natal.

Conseguir recursos federais para esse segmento de mercado público e feiras não é tão fácil. Qual foi sua argumentação?

Esse projeto é de revitalização dos mercados públicos e urbanização das feiras. Vamos fazer uma padronização, com estrutura de higienização, sinalização. Eu pedi R$ 13 milhões 350 mil. Acredito que conseguirei aí uns R$ 4 milhões do Governo Federal. Será um grande avanço; vou estender a todos os mercados. Vamos inserir esse programa que é a agricultura familiar nos mercados de Natal. Visitei Curitiba, Goiânia. Lá tem mercados permanentes, extremamente organizados e que potencializam a economia informal.

Melhorando a estrutura dos mercados, você diria que está democratizando os mercados para levar mais pessoas a freqüentarem o espaço?

Os feirantes do Alecrim me disseram que estão faturando o triplo do que faturavam há três meses. Muitas e muitas pessoas que não eram usuárias da feira passaram a ser. Elas (as pessoas) foram lá porque vêem que a feira tem segurança, está lá a guarda municipal.

A fórmula que você está usando parece ser muito simples e prática. O que faltava então? Os feirantes e a população estavam pagando um preço alto por uma gestão falha?

É o que falo do comprometimento e sensibilidade, visão de mercado. Essas ações são muito simples. Hoje, saindo de feira, estamos criando praças ecológicas. Se você sair agora e for visitar Coronel Paixão em Potilândia, se você visitar a Praça do Corpo de Bombeiros, se for à Praça Sérgio Dieb, à Praça da Jangada e à Praça do Relógio. Levamos três dias para fazer esse projeto em cada praça. A mão de obra é nossa, não contrato construtora, não faço licitação.

Faltava trabalho então?

Acho que idéias.

Você está fazendo um trabalho nas praças, nas ruas. Mas a população nem sempre respeita essas ações. Você não teme pelas pichações, depredações, roubos?

Não tanto porque a forma como eu trabalho vou à comunidade, convoco, discuto com ela, apresento a proposta. A comunidade participa e interage. Lá em Potilândia você passa e vê que eles estão cuidando, estão zelando por um patrimônio que é da comunidade. Estive reunido com a Cidade da Esperança e a mão de obra será toda deles, junto com o Conselho Comunitário. Lá iremos começar o trabalho segunda-feira.

O trabalho na Prudente de Morais gerou várias críticas, como a possibilidade de o Carnatal acabar com o trabalho que vem sendo feito ou mesmo a população, já que é na principal avenida da nossa cidade.

Aí tem três aspectos. O primeiro deles é que começaram a questionar que era um paisagismo descartável. O Carnatal para ele ser realizado precisa de autorização da Prefeitura. Aquela área será toda isolada. O próprio Carnatal já tem a responsabilidade de isolar o Quarto Centenário que é muito bonito e, inclusive, está sendo todo iluminado. E vamos isolar todos os canteiros. Já comuniquei à Destaque. Se eles não isolarem não vamos permitir a liberação do Carnatal. O espaço é do povo. Eles usarão o empreendimento deles (o evento) na rua e não nos canteiros.

Todo canteiro será isolado e eles (os empresários) assinarão um termo de ajuste conosco. Qualquer dano, mesmo com o canteiro isolado, eles irão reparar e estou convidando o Ministério Público a fazer parte do ajuste de conduta. Estou muito tranqüilo quanto a isso.

Você falou na questão do espaço público. Quem invade muito o espaço público são as cigarreiras. Como a SEMSUR vai coibir essa prática?

São dois aspectos. Já existe hoje um termo de ajuste de conduta com o Ministério Público onde não é permitido nenhum alvará para a inclusão de cigarreira em Natal. Outro fato que estou observando é criar a estrutura, já desenvolvida, um projeto padrão de padronização das cigarreiras. Estamos chamando todos eles e pedindo para eles começarem a substituir muitas carcaças horríveis que tem aí. Estou mandando fiscalizar também para saber quem está vendendo bebida alcoólica.

É lei que as bancas deveriam ser de revista e se transformaram em bar. Essas que se transformaram em bar nós vamos tirar do mercado. Ou volta para a área que o alvará permite ou fecha. O fato que vejo muito preocupante é a questão dos ambulantes. Eles são muito empreendedores, sabem atender, sabem vender e sabem comprar. Eles estão na economia informal e é essa economia informal que aquece a economia formal. Eu me reuni com os empresários do Alecrim. Me reuni com os ambulantes, com o sindicato deles. Estamos construindo uma visão para tentar melhorar.

Toda modificação gera algo que muitos podem estranhar, mas estou certo que vamos avançar.
Não posso tirar a renda de uma pessoa dessa. A melhor saída seria verticalizar onde hoje é o camelódromo (no Alecrim) e incluir todos os ambulantes de Natal. Mas eu não tenho recursos para fazer um projeto como esse. Seria o ideal fazer no coração do Alecrim um mega shopping popular. Mas não tenho recursos e nem tempo hábil para fazer uma obra dessa.

Estamos tentando construir a solução. Hoje está caótico porque não tem acessibilidade, higienização. Cada quiosque daquele tem dois ou três metros. Nosso primeiro trabalho é fazer o cadastro, que começamos semana passada. O cadastro nos dará um diagnóstico. Estamos reduzindo cada banca para um metro por oitenta. Independente do tamanho que ela tem hoje, ela será reduzida para esse tamanho. Tudo padronizado. Com esse tamanho eu vou colocar bancos para acessibilidade

Mas e o camelódromo?

O camelódromo já está com um projeto orçado de R$ 404 mil para o do Alecrim e R$ 252 mil para o da Cidade. Estou só esperando o prefeito liberar os recursos para que nós possamos fazer. Ficará belíssimo.

Feirante, camelódromo, cigarreira, iluminação, cemitério. É muita atribuição para uma mesma secretaria?

Não deixa de ser, como alguns dizem, uma outra prefeitura. Falando em cemitério digo que já estamos com o projeto pronto do Alecrim. Há um projeto de padronização para todos os cemitérios terem a mesma calçada, a mesma fachada, acessibilidade. Vamos começar pelo Alecrim. Em alguns cemitérios que têm espaços físicos vamos construir centros de velórios.

Você disse que é uma outra prefeitura. É muita atribuição? Você está arrependido de ter trocado a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Comunitário pela Semsur?

É da minha natureza, eu me encantei pelo desafio. Quando eu fui para a SMDC também foi um desafio. Peguei uma secretaria que já tinha ao longo de anos e estava limitada. Dei uma inovada, criei o Expresso da Cultura, que agora estou levando às feiras. Não é questão de otimizar, é questão de canalizar e fazer com que as coisas aconteçam de forma simples e fácil.

E a questão da iluminação? O que não faltam são reclamações da população sobre a iluminação.

Dia 2 de abril vou inaugurar, onde era a vice-prefeitura, a Central de Operações de Iluminação Pública e o Serviço de Atendimento ao Cidadão. É um call center em uma parte do prédio para todos os serviços da Semsur. Estamos levando o Procon Municipal para lá. Estamos colocando uma central de operação onde todos os postes são monitorados pelo computador. É um serviço de excelência.

Você disse que está administrando uma prefeitura, encanta o cargo de vereador? Você estaria ensaiando para disputar uma vaga no Legislativo de Natal?

Não sou candidato. Sou empreendedor, é da minha natureza.

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