TCU diz: Arena das Dunas pode virar 'elefante branco' || Nada quem um show gospel não resolva [ironia]

Tribuna do Norte - 28 de Fevereiro de 2012


Relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre as obras para a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, reitera que algumas sedes, inclusive o Arena das Dunas, em Natal, os estádios de futebol em construção "correm o risco de se tornarem "elefantes brancos".
Aldair DantasSegundo relatório do Tribunal de Contas, projeto natalense caminha lento e atingiu 11% das obrasSegundo relatório do Tribunal de Contas, projeto natalense caminha lento e atingiu 11% das obras

O relatório do TCU elaborado em janeiro, mas só divulgado na sexta-feira, dia 24, diz também que o estágio de execução das obras, no mês passado, chegou a apenas 11%, cinco meses depois de iniciadas as obras do Arena das Dunas.

Segundo o relatório do  TCU, além de Natal, três cidades-sedes - Manaus, Cuiabá e Brasília - têm risco de a "rentabilidade gerada" pelos estádios "não cobrir os custos de manutenção".

Além disso, o relatório aponta que "não foram identificadas ações no sentido de mitigar o risco de alguns estádios se tornarem elefantes brancos".

O estádio Arena das Dunas vai ter capacidade para 45 mil lugares sentados e está sendo construído numa área de 122  mil metros quadrados, onde existiam o estádio Machadão e o ginásio de esportes Machadinho, em Lagoa Nova. O investimento previsto, segundo posição de dezembro de 2011, era de R$ 396,57 milhões.

No entanto, em 3 de março do ano passado, quando da abertura da proposta vencedora por parte da construtura OAS, o valor do financiamento já era de R$ 417 milhões, recursos oriundos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Desenvolvimento Social (BNDES).

TCU

Mas o relatório diz que em janeiro a 9ª Secretaria de Controle Externo (Secex) do TCU não havia iniciado, até então, a fiscalização das obras do Arena das Dunas.

A TRIBUNA DO NORTE tentou ouvir o secretário especial da Copa, engenheiro Demétrio Paulo Torres, sobre o andamento das obras do Arena das Dunas, mas a entrevista prevista para o fim da tarde não ocorreu, porque o secretário adiou-a para atender chamado de uma reunião na área de planejamento do governo.

Outra questão levantada pelo relatório do TCU foi a do risco de descredenciamentos, porque o agente financiador - BNDES - "não dispunha de pessoal qualificado para análise técnica de engenharia de projetos", o que podia ensejar o risco de aprovação da operação de crédito em documentos "que não representam de fato o Projeto Executivo da obra".

Porém, o relatório do TCU ressalta que o descredenciamento é atribuição da FIFA "e que as adaptações necessárias aos estádios são definidas entre aquela entidade e a cidade-sede".

Com relação ao  Ministério Público Federal (MPF), o relatório relata que houve solicitação de uma análise técnica do edital de parceria público-privada e do projeto básico do Arena das Dunas, "a fim de verificar eventual irregularidade, notadamente no que tange a sobrepreço".

A situação é de que, segundo o relatório, a Secretaria de Fiscalização de Desestatização do TCU identificou "indícios de irregularidades relativos à contratação da PPP".

O TCU informa, no relatório, que não analisou as viabilidades técnica, econômica, financeira e ambiental (EVTE) dos projetos de construção, operação e manutenção das arenas construídas na modalidade de PPP no Ceará, Pernambuco e Rio Grande do Norte.

Aeroporto do RN também será o último a ficar pronto

Natal também será a última cidade-sede a concluir o aeroporto que receberá os turistas durante a Copa de 2014, segundo relatório divulgado pelo Tribunal de Contas da União (TCU). De acordo com o relatório, o terminal de passageiros, o sistema viário de acesso e as obras complementares do aeroporto de São Gonçalo do Amarante - considerado informalmente o aeroporto da Copa - ficarão prontos até abril de 2014. As obras nos outros terminais, porém, serão concluídas até dezembro de 2013, cinco meses antes. A Infraero começou a pavimentar as pistas há mais de dez anos. Só em 2011, as obras foram aceleradas com o leilão do aeroporto, o primeiro no Brasil a ser incluído no plano de desestatização dos aeroportos.

O consórcio Inframérica, que conquistou o direito de construir e administrar os terminais, espera concluí-los três meses antes do Mundial, tempo considerado suficiente para transferir voos do aeroporto Augusto Severo para o de São Gonçalo. O Tribunal também divulgou a valor a ser investido na primeira fase da obra: R$ 582,4 milhões, o quinto maior entre os 12 terminais. O valor aplicado, entretanto, será maior. Só o consórcio pretende investir R$ 650 milhões, dos quais 80% podem ser financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).

Em audiência pública realizada no dia 09 de fevereiro, em São Gonçalo do Amarante, o superintendente do Consórcio Inframérica, Ibernon Gomes, afirmou a construção dos terminais de cargas e passageiros do novo aeroporto começaria no início de março. A largada das obras, segundo ele, dependeria apenas da aprovação do financiamento junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES). Até o leilão do aeroporto de São Gonçalo do Amarante, o Augusto Severo, em Parnamirim, era apontado como a porta de entrada durante a Copa de 2014. O aeroporto já está sendo ampliado para atender a demanda durante o Mundial. A reforma, conduzida pela empreiteira Cima Engenharia, deve ser concluída em maio, segundo a Infraero. A empreiteira, que tentou rescindir o contrato, não confirma o prazo.

Além da construção e reforma dos aeroportos, o TCU tem acompanhado as obras dos terminais marítimos. O Tribunal chegou a apontar várias falhas no edital de licitação do Terminal Marítimo de Passageiros de Natal,  reduzir o custo final da obra e até determinar a suspensão da licitação. O processo, entretanto, já foi retomado. A expectativa é que o terminal fique pronto em maio de 2013, antes dos outros seis terminais previstos. 

Governo do RN assina aditivo para projeto de reestruturação da Av. Eng. Roberto Freire | E por onde vão desviar o trânsito? Será que já pensaram nisso?

Tribuna do Norte - 16 de Maio de 2012 às 00:00


Roberto Lucena - Repórter

Representantes do Governo do Estado assinam hoje, no Ministério dos Esportes, em Brasília, um documento que deve assegurar os recursos para a construção da obra de reestruturação da avenida Engenheiro Roberto Freire. A documentação faz parte da nova Matriz de Responsabilidades da Copa do Mundo de 2014 e era um pleito solicitado pelo Governo do Estado desde setembro de 2011. Com a assinatura, o Estado pode receber aditivos para os projetos executivos de obras públicas.
Rodrigo SenaNovo projeto da avenida Roberto Freire necessita de estudo e relatório de impacto ambientalNovo projeto da avenida Roberto Freire necessita de estudo e relatório de impacto ambiental

A titular da secretaria de Estado da Infraestrutura (SIN), Kátia Pinto, e o titular do secretaria Extraordinário Assuntos Relativos à Copa do Mundo 2014, Demétrio Torres, estarão na solenidade em Brasília. O documento também deverá ser assinado pelo Ministro Aldo Rebelo e, posteriormente, pela governadora Rosalba Ciarlini. "Com esse documento, ficaremos, enfim, habilitados para contratar empréstimo que garantirá os recursos necessários para as obras de reestruturação da Roberto Freire bem como a obra de acesso ao aeroporto de São Gonçalo do Amarante", explicou Kátia Pinto.

A nova Engenheiro Roberto Freire será uma via expressa de 4 km, com doze pistas - o dobro das existentes no traçado atual. A obra vai custar R$ 220 milhões. Esse valor, definido no Projeto Executivo, é quase quatro vezes maior que o previsto no projeto básico (R$ 57 milhões). As novas pistas serão construídas em túneis. Com a construção dos túneis, a secretária acredita que não haverá desapropriação de nenhum comércio.

Para tocar o projeto da reestruturação da Roberto Freire, a SIN teve que se adequar a algumas exigências do Ministério das Cidades. Foram incluídos ciclovias e o corredor exclusivo para ônibus. O que acabou aumentando o número de pistas - antes estava previsto 10 faixas - e, por consequência, o aumento do custo. O calçadão e o canteiro central serão mantidos. Kátia informou que alguns documentos já foram entregues à Caixa Econômica Federal. "A assinatura da documentação amanhã [hoje] não é um reinício. Já adiantamos algumas etapas", pontuou.

No entanto, de acordo com o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema), nenhuma solicitação de licenciamento ambiental, por exemplo, foi solicitada. Outros entraves podem atrasar o início das obras. De acordo com Márcio Luiz Diógenes, promotor da 12ª Promotoria de Justiça e membro do Grupo Especial de Acompanhamento das Obras e Atividades da Copa 2014, a SIN se comprometeu em elaborar um Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e um Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) para esclarecer se as intervenções vão afetar o Parque das Dunas. "Isso deve ser feito para termos informações  concretas sobre os impactos ambientais", disse.