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Natal, capital do sedentarismo


NATAL, CIDADE SEDENTÁRIA

Públio José – jornalista

(publiojose@gmail.com)

 

                        O noticiário está dando conta que Natal é a cidade com o maior índice de sedentarismo do Brasil. Ou seja, entre todas as localidades brasileiras, Natal é aquela onde o povo menos se exercita. À primeira vista, essa constatação passa a idéia de que a urbe natalense é habitada por um bando de preguiçosos, de gente com uma prática equivocada de vida. Equivocada, sabe-se hoje, por ser o sedentarismo pai da obesidade e esta originária, entre outros fatores, de uma alimentação inadequada. Mas será que o natalense está acima da média, entre os demais brasileiros, no que se refere ao pouco cuidado com a saúde, a ponto de esta avaliação colocar Natal em posição tão desfavorável? Será ainda que o natalense – de forma voluntária, consciente – vem adotando um estilo de vida que o leva à obesidade e ao sedentarismo? Existirá, por acaso, um querer coletivo para os natalenses optarem pela condição de sedentários?

    

                        Claro que não se trata disso. A lógica indica que outras razões, outros motivos levam a população local a arcar com mais essa conta. Além de se deparar com ruas esburacadas, desleixos os mais visíveis e desencontros administrativos de danosas consequências, o natalense passa a ostentar uma marca que, entre outros aspectos, afeta sua qualidade de vida e influencia diretamente o seu estado de saúde. Para quem conhece Natal, para quem se ocupa em trafegar pelos seus bairros, pelas suas ruas e avenidas, esquadrinhando seus recantos mais remotos, a realidade se declara visível a olho nu: Natal é uma cidade sem praças. E as que existem estão degradadas, abandonadas pelo poder público e, por extensão, desprovidas de equipamentos coletivos voltados a atividades físicas, práticas indispensáveis ao bom viver atual e preocupação constante da agenda dos (bons) administradores públicos.


                        A conseqüência dessa realidade está inserida nas estatísticas. Sem ter lugares apropriados para se exercitar, para caminhar (tendo em vista a situação deplorável de praças, calçadas, ciclovias...); sem poder contar com ginásios aptos a oferecer as necessárias condições à prática de atividades voltadas ao benefício do corpo, o natalense se retrai, vendo-se sedentário e obrigado a ficar em casa durante suas horas de folga. Com certeza, se contabilizarmos o tempo que o natalense passa na frente da televisão ou caminhando a esmo pelos vários shoppings da cidade – por falta de espaços onde possa viver melhor suas horas de lazer – encontraremos mais outro motivo a justificar o titulo que a cidade acaba de ganhar de a mais sedentária do Brasil. Daí, em vista de tal quadro, não é necessário ser especialista em saúde pública para quantificar os malefícios trazidos ao natalense por essa danosa realidade.


                        Por outro lado, se olharmos as ações do poder público, direcionadas a essa questão, concluiremos que Natal ficará de posse do título de cidade mais sedentária do Brasil durante um bom tempo. E o pior é que isso não vem de hoje. Ao que tudo indica, está no DNA dos nossos gestores públicos a falta de visão voltada à construção e manutenção de praças, quadras multiuso, ciclovias, e demais equipamentos necessários à prática de atividades físicas. Tanto é que o natalense nem lembra mais, nem guarda na memória, o nome de algum mandatário que atentou para esse importante instrumento na vida das comunidades. Hoje, uma geração inteira em Natal está prejudicada. A questão que se coloca é se, inertes e omissos diante do problema, gestores – atuais e futuros – pretendem fazer nossos filhos, netos, bisnetos, tataranetos, também herdeiros dessa mesma realidade que a incúria nos reservou.

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