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Diálogos Criativos: início da nova temporada nesta quarta, 29

Recomeçam os Diálogos Criativos
Matéria publicada na edição de sábado, 18 de setembro, do jornal Tribuna do Norte
Antonino Condorelli
Diálogo vem de dia, através de, e logos, palavra. O que atravessa a palavra ligando-a a outras, a superação do discurso por si mesmo e para si mesmo, do mono-logos que massageia maliciosamente o ego. É o fio que perpassa palavras e sentidos, tecendo-os juntos numa tapeçaria multicolorida. É o pincel que mistura as cores numa tela, hibridando-as para originar matizes, tons, claro-escuros...

A existência não é regida por princípios unívocos, homogêneos, coerentes e previsíveis. No real lógicas opostas não se excluem, mas convivem e se complementam. A realidade não é lógica, mas dialógica, como diz o filósofo Edgar Morin. A matéria, a vida, o ser humano e suas sociedades e culturas não são entidades estanques, unidimensionais, fechadas e sólidas: somos o que somos pela nossa relação com tudo o mais ou, como diz o poeta e mestre zen Thich Nhât Hanh, intersomos com tudo o que existe. Dialogar é assumir nossa condição intrinsecamente mestiça e a inevitável incompletude de nossa (e de toda) forma de ver e estar no mundo. Diálogo é abertura à vida, é um ato inevitavelmente criativo. Sem essa abertura não há diálogo, apenas justaposição de monólogos.

É no diálogo e pelo diálogo ? com os outros humanos, com a natureza não-humana, com outras formas de conhecer e interagir com a realidade ? que fomos nos fazendo ao longo de nossa caminhada na Terra. Na Grécia e na Índia antigas, foi na prática da arte da dialética e nos encontros entre buscadores da verdade que se moldaram conceitos, visões de mundo e paradigmas de inteligibilidade do real que influenciariam o pensamento e as ações humanas por séculos. Foi no diálogo com os outros saberes que a ciência definiu seus domínios, métodos e caracteres distintivos. É só pelo diálogo, que pressupõe a consciência de que todos temos algo a ensinar e a aprender, que ? como mostrou ao longo de toda a sua vida Paulo Freire ? é possível educar e educar-se.

A medida que as trocas entre as pessoas, os povos, as culturas, as maneiras de construir conhecimento sobre o mundo se intensificam, porém, cada vez mais os saberes se fragmentam e isolam, cada vez mais as mentes se fecham em visões, atitudes, identidades rígidas e estanques, levantam barreiras intransponíveis promovendo integralismos na ciência, na política, na economia, na saúde, na religião... Uma fragmentação, um enrijecimento de visões de mundo que geram cada vez mais violência, ódios, ressentimentos, rancores, desconfianças, destruição da nossa casa comum que é o planeta que partilhamos... Dialogar, hoje, não é só mais possível do que nunca: é também mais urgente e necessário. É mais do que nunca indispensável promover o diálogo entre as pessoas, as culturas, as ideias, as experiências, as práticas, o diálogo entre as ciências humanas e as ciências da vida, da terra e as ditas ?exatas? (pois, como dizia Ilya Prigogine, todas as ciências são humanas!), o diálogo entre a ciência e outras formas de conhecer, narrar e interagir com o mundo como a arte e os saberes da tradição, o diálogo entre as religiões.

É a partir desta consciência que nasceu o projeto cultural Diálogos Criativos, que cumpre um ano em outubro e se consolidou como um democrático, instigante e provocativo espaço de discussão pública, aberta e criativa sobre temáticas de interesse geral em Natal.

Projeto se consolida como espaço democrático

Os encontros do projeto têm representado momentos ímpares de diálogo sobre e entre filosofia, literatura, artes plásticas e visuais, ciências humanas e naturais, ecologia, educação, saúde, comunicação, atualidade, espiritualidade e muitas outras temáticas, miscigenando olhares e linguagens para além de toda e qualquer fronteira entre áreas do conhecimento, entre ciência e filosofia, lógica e mito, prosa e poesia, pensamento e vida. Todos os encontros têm entrada franca, estão abertos a todos e contam com a participação de facilitadores convidados que introduzem a temática do dia de maneira criativa, utilizando diferentes linguagens.

A partir do final de setembro, os Diálogos Criativos estrearão uma nova temporada com encontros quinzenais sobre diversos assuntos no auditório da Livraria Siciliano, um ciclo temático sobre cinema e literatura de viagem no mesmo auditório e a iniciativa Diálogos Criativos na UniverCidade que levará instigantes discussões a instituições de ensino superior potiguares, começando este semestre na Universidade Potiguar (UnP) e o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Universidade Federal.

Os Diálogos Criativos são apoiados pela Tribuna do Norte, a Livraria Siciliano, o guia cultural Solto na Cidade, a TV Universitária, a Universitária FM e o Café Genot e contam com um amplo leque de parceiros entre organizações-não-governamentais, grupos de pesquisa, instituições de ensino superior e centros culturais.

Em um mundo cada vez mais dominado pela intolerância, a incompreensão, as discriminações de toda natureza, a aniquilação de formas de viver e de conhecer o mundo diferentes das técnico-científicas, a depredação e devastação do nosso ambiente uma iniciativa como os Diálogos Criativos representa uma semente ? minúscula, mas nem por isso menos imprescindível ? que quem sabe possa contribuir a fazer brotar novas formas de ser e de viver.

Para conhecer a programação dos Diálogos Criativos, visite o blog http://dialogoscriativosnatal.blogspot.com ou escrevam para dialogos_criativos@dhnet. org.br.

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