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.: Com falta de investimento estrangeiro, imobiliárias fecham em Ponta Negra [jan/09]

TRIBUNA DO NORTE - 29/jan/2009
Foto: Júnior Santos

PREJUÍZOS - Waldemir diz que desaceleração causou fechamento de imobiliárias


Com a fuga dos investimentos estrangeiros no Rio Grande do Norte, após o início da crise econômica mundial, o cenário do mercado de imóveis no bairro de Ponta Negra começa a mudar. Um dos locais preferidos para a instalação de escritórios de empresas do setor, a Avenida Erivan França hoje é exemplo de como as imobiliárias - que tinham como foco os investidores internacionais – sofrem com a recessão em outros países.

O presidente do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis (Creci RN), Waldemir Bezerra, explica que não há números que demonstrem a dimensão dos baques que as imobiliárias estão sentindo. Porém, ele confirma que as empresas estão realmente baixando suas portas, saindo do mercado ou procurando outros pontos de comercialização.

“Uma vez que a crise tirou os investidores internacionais do estado, os escritórios perderam seus clientes. Os negócios em Ponta Negra diminuíram sensivelmente e, no ano passado, as imobiliárias com foco no mercado internacional amargaram um prejuízo muito grande”, declara.

A falta de dados sobre a quantidade de empresas fechadas nos últimos meses se deve ao fato de que muitas delas encerram suas atividades mas não dão baixa na documentação junto ao Creci. Bezerra acredita que somente em abril o órgão poderá estimar um número já que, até março, está sendo cobrada a anuidade do conselho. “Geralmente, descobrimos que as empresas realmente fecharam quando elas não pagam ou a correspondência para pagamento retorna”, explica.

Waldemir Bezerra avalia o cenário com preocupação já que o Rio Grande do Norte, em especial Natal, tem se tornado cada vez mais um destino de segunda residência. “Há quem faça uma leitura que este mercado vai voltar a crescer na Europa ainda este ano. Isso é muito importante para nós já que sabemos que a queda dos investimentos ocorreu porque outros países entraram em recessão e os estrangeiros ficaram mais cautelosos”.

Mudança

O empresário Fred Salsa era um dos sócios da imobiliária Euro que ficava localizada na orla da praia mais famosa de Natal. Porém, depois de aproximadamente cinco anos na área a sociedade terminou e ele, atualmente, se prepara para abrir um novo escritório em Petrópolis.

A imobiliária Imocapital, como será chamado o novo empreendimento de Salsa, foge do foco de Ponta Negra, mercado que já está fraco segundo o empresário. “O movimento estrangeiro caiu bastante nos últimos anos. Continuo com clientes naquela região, mas preferi abrir o escritório em Petrópolis”.

Segundo Fred Salsa, cerca de 60% das vendas realizadas pela Euro eram fruto de investimentos de estrangeiros. O público era variado incluindo espanhóis, noruegueses, italianos e portugueses. A imobiliária foi uma das primeiras a abrir na Erivan França e, de acordo com Fred, após o seu fechamento muitos negócios do mesmo segmento também começaram a deixar a região.

>>> Comentário pertinente: A atual situação [crítica] do mercado imobiliário e os [contínuos] baixos índices no fluxo turístico, refletem a estratégia depreciativa adotada pela especulação imobiliária e a maneira equivocada como foi direcionado o turismo na capital potiguar. A relação é de exploradores e explorados, em vez de parceiros! Formou-se uma bolha ilusória e frágil de prosperidade, comprovando a necessidade de um crescimento urbano responsável e antenado com as características culturais e históricas da cidade.

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