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Prostituição e tráfico de drogas continuam "liberados" na noite de Ponta Negra

Ricardo Araújo - Repórter
Tribuna do Norte 16/março/2011

Mulheres e adolescentes exibindo corpos como mercadorias. Acesso à cocaína, ao crack e a outras drogas mais fácil do que se imagina. Ausência das polícias e dos órgãos de combate à exploração sexual. Três dias após a veiculação de uma reportagem no Fantástico, da rede Globo, em cadeia nacional sobre a prostituição e tráfico de drogas em Natal, nada mudou.

A equipe de reportagem da TRIBUNA DO NORTE visitou, na noite/madrugada destas terça e quarta-feira (15 e 16), o complexo de bares na Rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, conhecida como Rua do Salsa, em Ponta Negra.

Alheias à presença de uma equipe de reportagem, as garotas de programa se oferecem aos turistas às vistas de quem está ao redor. Estes, por sua vez, para aumentar o prazer do sexo, compram drogas e oxigenam o tráfico na região.

Constatou-se que, em conversas informais com frequentadores dos bares, que a partir de R$ 100 é possível "sair" com uma das  meninas ou mulheres. Sim, há jovens a partir de 17 anos que frequentam o local em busca de  clientes que pagam por sexo. Inclusive algumas funcionárias dos bares também fazem programa, ao final da jornada de trabalho formal. "Sim, elas também fazem. Podem até dizer que não, mas com uma nota de R$ 100 na mão...", relata Patrícia (nome fictício), uma das garotas de programa que circula entre os bares. 

Além das mulheres, inúmeros travestis frequentam o estabelecimento. Nas três horas em que a equipe de reportagem esteve no complexo de bares, 12 circulavam visualizando a movimentação no local. A maioria se posiciona nos locais próximos aos estacionamentos. Muitos dos clientes preferem abordá-los na saída da festa. Outros iam embora e ouvia-se comentários de que a noite estava fraca.

Tráfico

De acordo com informações de um espanhol que tem visto de turista no Brasil, a venda de drogas na região se inicia por volta das 0h30. Num português arranhado, ele disse: "Eu não tengo droga. Non gosto, non uso. Um amigo meu tem pó. Ele está vindo". Neste momento, mais uma viatura da PM passa na frente dos bares, mas não para. O comércio continua.

Na área externa, próximo ao estacionamento, com R$ 10 é possível adquirir uma pedra de crack. Um papelote de cocaína chega a custar R$ 50. Pelo transporte da drogas, os "aviões" cobram, em média, R$ 5.

O transporte das drogas nas ruas que cercam o complexo de bares é feito pelos "pastoradores" de veículos. Pela agilidade entre a negociação dos valores, quantidade a ser comprada, pagamento e recebimento da "encomenda", não se passam mais de cinco minutos. Além da venda, eles apontam aos interessados os melhores locais para fazer uso do entorpecente e ainda se oferecem para fumar ou cheirar junto. 

Durante a reportagem, a equipe da TRIBUNA DO NORTE comprou uma pedra de crack ao preço de R$ 10. Outros R$ 5 foram entregues ao "flanelinha-avião". Orientado pela assessoria jurídica, o jornal já providenciou a entrega da droga adquirida à Polícia Civil.

Prostituição

Quando a equipe de reportagem estava no local, uma das prostitutas se aproximou e ofereceu o "programa" por R$ 100. Revelado o objetivo da conversa, Patrícia (nome fictício) topou conversar com a equipe da TRIBUNA DO NORTE num espaço mais tranquilo. Para isso, recebeu R$ 30. A entrevista foi realizada dentro do veículo que conduzia a equipe.

Mais relaxada e ciente de que nada seria feito, Patrícia contou em detalhes quando decidiu fazer programa e como funciona o comércio de mulheres no local.

"Uma amiga minha trabalha aqui há um certo tempo e me convidou. Eu estava desempregada, separada e não sabia como ia alimentar meus filhos e pagar o aluguel", comentou Patrícia. Aos 27 anos, mãe de dois filhos (um de três e outro de oito anos), ela precisa fazer no mínimo seis programas mensais ao custo de R$ 150 cada, para pagar as despesas da família.

O valor cobrado por ela, que está há quatro meses na "praça", é abaixo da média das demais meninas, que chegam a cobrar até R$ 250 por duas horas. Segundo Patrícia, quando mais lábia e domínio de idiomas como o espanhol, italiano e inglês, melhor o pagamento. A língua menos falada dentro do complexo de bares é o português.

Bate-papo
Repórter – Como você se comunica com seus clientes estrangeiros?
Patrícia - Como eu não sei outra língua, coloco o preço do programa no celular e mostro pro cliente gringo.
Repórter – Eles pagam numa boa?
Patrícia – Sim. Os brasileiros é que pedem pra gente baixar o valor.
Repórter – Você prioriza que tipo de homem para fazer programa?
Patrícia – Todas que estão aqui querem homens de fora do país. Eles pagam bem e não abusam da gente. Tem uns que pagam e dormem e a gente vai embora.
Repórter – A polícia interfere nesse comércio de drogas e sexo?
Patrícia – Desde que estou aqui, nunca.

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