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Costeira: Via do turismo, de belezas e de problemas

Sara Vasconcelos - repórter


Endereço de uma das paisagens mais bonitas da cidade, a avenida Dinarte Mariz, mais conhecida como a Via Costeira, abriga também construções irregulares que empobrecem a vista e denunciam o descaso do poder público com a manutenção do corredor. Encravadas em meio à poeira e à brisa do mar, obras embargadas, canteiros, “latadas”, ruínas e casas abandonadas se espalham ao longo dos cerca de oito quilômetros de uma das vias mais importantes para o turismo potiguar, onde está hospedado boa parte da rede hoteleira da capital. 

rodrigo senaPrincipal corredor turístico e centro hoteleiro de Natal, a Via Costeira abriga barracos, cercas caídas, restos de construção e vários outros exemplos que mostram o tamanho do descaso do poder público com a conservação e a preservação paisagística da áreaPrincipal corredor turístico e centro hoteleiro de Natal, a Via Costeira abriga barracos, cercas caídas, restos de construção e vários outros exemplos que mostram o tamanho do descaso do poder público com a conservação e a preservação paisagística da área
A reportagem da TRIBUNA DO NORTE percorreu na tarde de ontem toda extensão da via e verificou verdadeiros “tapumes” à contemplação do panorama do Morro do Careca à Praia de Areia Preta, além de situações vivenciadas por motoristas e pedestres que transitam diariamente pelo local.

Afora o que resta das edificações, soma-se alguns problemas que permanecem ou foram herdados das obras de  duplicação da via, inaugurada há menos de um ano e que consumiu  R$ 17 milhões, em recursos dos governos estadual e federal. Restos de concreto, postes arreados nos canteiros, entulhos e manilhas despontam ao longo do percurso. A cerca de proteção que impede o acesso à área de preservação ambiental das Dunas está em vários trechos encoberta pela vegetação, com falhas ou totalmente rompida.

Quem trabalha nos hotéis da região, ressalta o presidente do Sindicato dos trabalhadores do comércio hoteleiro e similares (Sindhoteleiros) Sandoval Lopes convive diariamente situações de insegurança acentuadas por dois problemas a má iluminação e a falta de abrigos de ônibus. 

O  projeto que destinou cerca de R$ 6 milhões para implantação de iluminação no canteiro central e a retirada da rede lateral – na marginal do Parque das Dunas, que passaria a ser subterrânea, também contribui para deixar a paisagem visualmente poluída.

Os pontos de ônibus à margem do Parque das Dunas estão tomados ainda pelo matagal. “A sinalização é falha, não há muitas faixas de pedestres e nem acostamento do outro lado. Os carros aqui passam voando. É um risco diário”, disse o garçom Benjamim Faria.

A falta de manutenção é evidenciada por buracos e pisos soltos em diversos pontos do calçadão, que custou aos cofres públicos R$ 3 milhões. Longos trechos estão tomados por areia e vegetação. 

O fluxo de veículos por sua vez teve uma melhoria considerável,  observa o taxista Luiz Carlos Matias, no sentido de desafogar o trânsito de quem vai de Ponta Negra ao Centro da cidade. “Ainda se ver acidentes e batidas, mas por alta velocidade e imprudência, do que por problemas na pista”, disse.

A reportagem da TN não conseguiu contato com o diretor geral do Departamento de Estradas e Rodagens do Estado, Demétrio Torres, que segundo informações da assessoria de imprensa do estado participava de uma audiência pública.

As ruínas de um casarão e torre na ponta da praia Miami e de uma guarita, hoje habitadas por sem-tetos, no entorno do Restaurante Tábua de Carne, são uma mostra do descaso.

O improviso também colabora para prejudicar a vista do mar. Uma “latada” (cobertura metálica) faz às vezes de garagem para as viaturas do Posto da Polícia Rodoviária Estadual.

Outro espaço parcialmente abandonada é a base do Corpo de Bombeiros. Usada de forma pontual, é considerado também um tapume à paisagem.

Seja pela violência no trânsito ou por resíduos da obra,  postes caídos são vistos no canteiro central e em outros pontos da via.

O mais comum são os usuários de ônibus ficarem expostos ao sol e à chuva. Até hoje, somente placas de sinalização foram implantadas nas paradas (sem abrigos), onde o mato crescido e o lixo deixado por estabelecimentos próximos dividem o espaço dos pedestres.

Um dos poucos abrigos de ônibus situados na Via Costeira está deteriorado. Pedras e tijolos improvisam o assento, enquanto ações do DER e prefeitura não recuperam o equipamento.

Um bueiro aberto na pista entre o Hotel Vila do Mar e a estrutura do Hotel da BRA força desvios perigosos entre os veículos.

Ao longo dos oito quilômetros da via, no véu das Dunas, a posteação permanece como um varal de fios de alta tensão, apesar do projeto de duplicação prever uma rede subterrânea, que nunca saiu do papel.

 Além de tirar a visibilidade, o canteiro de obras do Hotel da BRA é outro adereço dispensável à paisagem local. A cobertura deteriorada ameaça ceder completamente, pondo em  risco quem caminha pelo calçadão.

10  Enquanto o processo tramita na Justiça, o gigantesco elefante de concreto do hotel da BRA, embargada há cerca de cinco anos, se consagra como um dos piores “cartões postais” da Via Costeira.

11  Basta avançar 100 metros para se deparar com torres de madeira com a identificação da G5 e uma barraca de madeira, que serviu de alojamento para operários, também abandonado ao longo da via.

12 O telhado coberto por pedras e toras de madeira de uma antiga guarita, a cerca de um quilômetro do Hotel Serhs (sentido Zona Sul-Centro) destoa da beleza do Morro do Careca. O espaço virou  moradia para indigentes. Ao lado, manilhas usadas em obra de esgoto descansam ao relento à espera de providências.

13  Restos de arame farpado, hastes de concreto, lixo e um vão sem serventia compõe o cenário de abandono, logo após a grade de proteção do Hotel Serhs.

14  A força dos ventos empurra a areia que toma toda a faixa vermelha do calçadão, num trecho de cerca de 200 metros, após o Hotel Ocean Palace. Não há qualquer estrutura de contenção no local.

15 A primeira construção abandonada que atrapalha a visibilidade do mar é vista entre os hotéis Ocean Palace e Serhs. 

16 Pedras soltas e entulhos, a 20 metros do Ocean Palace, compromete  a caminhada de turistas e frequentadores do calçadão.

17 A areia da encosta cedeu e tomou o início do passeio público e da pista de rolagem, acerca de 300 metros da entrada do Centro de Convenções. A areia oferece risco ao tráfego no local.

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