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BELEZA NATURAL MALTRATADA


Diário de Natal - 11 de janeiro de 2012

Turistas, comerciantes e freqüentadores de Ponta Negra reclamam da falta de estrutura da praia

Sérgio Henrique Santos

Janeiro combina com praia e, se você está de férias, leia o jornal rapidinho ou coloque na bolsa junto com o protetor solar, e corra para garantir um lugar ao sol, aproveitando as belezas do litoral potiguar. Um dos destinos mais procurados na orla urbana de Natal é a praia de Ponta Negra, na Zona Sul. Nos últimos anos, contudo, Ponta Negra tem ganhado o noticiário por causa do abandono da infraestrutura necessária para garantir o conforto dos frequentadores da praia. Não estamos falando do sol e do mar, mas da sempre bem-vinda sombra e água fresca para dar aquela relaxada. Os turistas e banhistas que se esbaldam na praia mais famosa da capital do Rio Grande do Norte dividem espaço com o desconforto. Andam num calçadão esburacado, não têm à disposição banheiros químicos na orla e são comuns os esgotos correndo na areia, ali mesmo onde as crianças brincam. Para evitar vírgulas em excesso, fiquemos nesses exemplos.

José Antônio "Dedé" trabalha na orla. Suabarraca fica no cruzamento das avenidas Erivan França e Roberto Freire, onde o fluxo de pessoas e carros é intenso durante todo o dia e à noite. Os turistas reclamam de uma vala pluvial que escorre, além de água da chuva, esgotos oriundos de ligações clandestinas. "A gente vê que é suja. A areia está preta, olha só. Gente, que feio!", exclamou a terapeuta Ângela Sanches, turista brasiliense frequentadora do local. "Perco clientes diariamente por causa dessa galeria. Tem um depósito de lixo por trás da minha barraca e às vezes eles demoram três dias para recolher. Os garis fazem o trabalho deles, coletando diariamente o lixo da praia. Falta passar a coleta", afirma Dedé, que investiu recentemente R$ 4 mil na compra de dez guardassóis para seus clientes. Nesse trecho, uma placa do Projeto Água Azul indica a praia 'própria' para o banho. Uma contradição.

Comerciantes, ambulantes, turistas e banhistas reclamam da falta de estrutura em vários trechos da orla e na areia da praia, do início do calçadão até o Morro do Careca, ao longo de 2,5 quilômetros. "Ontem tive que sair daqui onde eu estou pra ir urinar na beira do morro, dentro do mato", disse Antônio Oliveira, ambulante que aluga pranchas a 500 metros do monumento natural. A presença de um coletor de lixo que exala mau-cheiro prejudica também o fluxo de clientes na churrascaria O Boiadeiro, uma das mais tradicionais da orla de Ponta Negra. "Os clientes reclamam do fedor. Vez ou outra também estoura essa caixa de esgoto da Caern e fica um cheiro forte de urina. Com a demora para consertar, acaba apodrecendo", diz Júlio César Leite de Andrade, administrador do estabelecimento.

Fabiana de Souza, turista de São Paulo que visita Natal com frequência, diz que gosta de Ponta Negra, apesar dos problemas. "Vejo descaso na prestação dos serviços, pra servir comida. Demora mais de uma hora para servirem seu prato, você acaba desistindo. Eu mesma desisti", opinou. Sobre a praia ela opinou: "Uma praia linda dessa merece ser bem tratada". No trecho do calçadão por trás de ondeela estava, mais descaso. "À noite é escuro, não há iluminação, e as rampas de acesso foram destruídas pelo mar. Falta manutenção", reclamou um banhista.

Noutro trecho da orla, a vendedora de óculos Irene Medeiros parou para contabilizar os lucros do dia, mas também fez sua cota de reclamações. "O calçadão está precisando de reforma. Andando aqui você sente o mal-cheiro das lixeiras. Eles demoram a coletar. Não há um banheiro público sequer. Segurança, talvez você encontre um ou outro policial, mas fica a desejar. Não sei se à noite tem assalto porque só trabalho até às 5 horas da tarde, mas a reclamação das pessoas é geral. Falta tudo", resume. Eliel Araújo Martins, garçom, fala que muitas vezes são os próprios frequentadores que não colaboram. "É uma praia boa para tomar banho, mas todo mundo joga lixo onde quer. Piora porque a coleta é feita uma vez por semana", contou.

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