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CASO VIA COSTEIRA, opinião de Yuno Silva (editor SOS PN) sobre a questão

* esta nota pública não representa o pensamento (plural) que existe dentro do Movimento SOS Ponta Negra

Em alguns trechos, há espaço para avançar no Parque das Dunas
para urbanização de pontos de ônibus e construção de calçadas.
olá cidadãos e cidadãs, caros e caras, natalenses ou não, turistas e amantes desse cidade chamada Natal,

Diante da polêmica sobre a ocupação da Via Costeira por empresários da rede hoteleira, e como o SOS Ponta Negra vem sendo inquirido para tomar uma posição, publico breves ponderações PESSOAIS para alimentar o debate de forma ponderada e na busca pelo equilíbrio. Então, respondendo única e exclusivamente por mim (Yuno Silva, coordenador do Movimento SOS Ponta Negra e editor do www.sospontanegra.org) escrevo o seguinte:

"Da mesma forma que FUI a favor da duplicação da Via Costeira avançar em alguns pontos para dentro do Parque das Dunas, pois em certos trechos há espaço para entrar de 5 a 30 metros no parque (e em outros pontos, inclusive, recuar), por uma série de motivos como alargamento das calçadas, urbanização dos pontos de ônibus, baia para ônibus parar sem atrapalhar o trânsito, ciclovia (com mais espaço a faixa para bicicletas poderia ser refeita do lado da praia mesmo).

Claro que DEFENDO o respeito à regras rígidas, estudos completos de impacto ambiental e garantia da manutenção da preservação do Parque das Dunas, enfim, coisas que poderiam ter evitado o frankestein que fizeram na reforma da avenida.
Segundo o novo Plano Diretor de Natal, aprovado em 2007, novas construções devem seguir altura do meio fio da Via Costeira para garantir o direito à paisagem 
Portanto, diante desse contexto, SOU a favor do uso responsável da Via Costeira pelo setor hoteleiro. Desde que sigam, no mínimo, seis pontos fundamentais:
  • 1. que comece a construir imediatamente caso contrário o proprietário terá que devolver a área cedida há décadas e não cede para mais ninguém!! Com isso evita-se a contínua especulação imobiliária que se estende por muito, muito tempo: se não tem recursos, devolve!;


  • Os hotéis devem ser obrigados à urbanizar os dois lados para
    permitir acesso à praia, com direito a mirantes e estacionamento
    2. que toda nova construção faça os devidos e necessários estudos de impacto ambiental com profissionais credenciados, habilitados, competentes e isentos ( inclusive fiscalizado por comissão mista formada por UFRN, Idema, Semurb, Ibama e ambientalistas);

  • 3. que seja respeitado o plano diretor de 2007, que permite novas construções até o nível do meio fio;

  • 4. que não se aceita/autorizada a famigerada outorga onerosa (taxa que se paga para construir além do permitido) às novas construções. Assim evita-se ainda mais absurdos ao longo da Via Costeira;

  • 5. que seja dada compensação social real, efetiva e concomitante à construção de um novo empreendimento, como urbanizar acessos públicos à praia (com estacionamento e mirante) dos dois lados dos novos empreendimentos - se for o caso, para garantir espaço entre os lotes, diminuir a área destinada aos novos hotéis. O que não pode acontecer é formar um paredão de isolamento!;
  • 6. que os novos empreendimentos, qualquer que seja, se responsabilizem pelo esgoto gerado, mantendo em funcionamento estações elevatórias privadas (com fiscalização permanente dos órgãos competentes). Já está mais que comprovado que a Caern não tem capacidade para evitar o mau cheiro que domina a atmosfera em muitos trechos da Via Costeira. 
O que não dá para aceitar é o argumento chulo de que "a Via Costeira já está degradada mesmo". Isso é querer justificar erros com outro erro - isso se chama BURRICE!!

É só questão de tempo para a duplicação da Via Costeira
ser refeita
Com regras claras de aplicação prática, competência, compromisso, segurança ambiental, participação social e diálogo podemos evitar mais lenga-lenga e discursos radicais (dos dois lados). Defendemos conduzir esses procedimentos AGORA  e da MELHOR FORMA POSSÍVEL (ou seja, os dois lados precisam ceder), do que ficarmos esperando o tempo passar para depois sermos pegos de surpresa por decisões descontroladas e remendos.

É fato que os construtores (sem generalizações, mas sendo realista diante da situação vista em Natal) vão continuar tentando ocupar indiscriminadamente os espaços livres que ainda restam. Ou seja, que tal sermos protagonistas JÁ desse tal DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL? O momento é de encontrar soluções equilibradas."

Yuno Silva
Coordenador do Movimento SOS Ponta Negra e editor do www.sospontanegra.org

2 comentários:

Anônimo disse...

Yuno, antes dos finalmentes parabenizo-lhe pela qualidade da sua militância ecológica e pela riqueza dos seus comentários.
Em Natal vivemos situações surreais. Não houve a tão cantada e decantada duplicação da via costeira. Houve a divisão.
Tínhamos uma via costeira com ciclovia (mal cuidada como tudo que há sob a responsabilidade do poder público, mas, enfim...), um canteiro central e acostamentos de ambos os lados.
Com a divisão foram suprimidos os acostamentos tornando o tráfego muito mais perigoso, evaporados os canteiros centrais e excluída a ciclovia. Isso em uma cidade tida e havida como moradia de alta população de obesos e sedentários.
Passear no calçadão de Ponta Negra é uma experiência inesquecível. Inesquecíveis são os odores de esgoto emanados dos bueiros ao longo do trajeto e a linda vista de línguas negras e malcheirosas que adentram o mar outora límpido da mais bela praia urbana do país.
Os renitentes cidadãos que tentam correr no calçadão da via costeira são bafejados pelo sopro do esgoto nas calçadas dos hotéis chiques, e têm seus tênis sujos pela água fétida que sai pelas tempas dos bueiros.
Quem anda de bicicleta sobre aquela calçada de lajotas sujeita-se a tanta trepidação que chega à praia de Areia Preta com os braços em frangalhos.
Desculpe Yuno, mas, querer que nossos gestores públicos definam regras de aplicação prática, tenham competência e compromisso com a rés pública, atentem para a segurança ambiental e socializem o debate seria muita ingenuidade.
Nossa câmara municipal tem 2/3 dos seus vereadores sob investigação por recebimento de propinas, coincidentemente paga por construtores imobiliários.
Penso que não se deve permitir a construção de mais nenhum hotel na via costeira e demolir imediatamente aquele monstrengo inacabado que tanto enfeia a paisagem.
Antonio Sousa, morador de Ponta Negra.

Yuno Silva disse...

oi Antônio Sousa,

democracia é isso mesmo: diversidade de opiniões. Mas estou cansado do lenga-lenga, por isso listei seis condições básicas para apoiar a ocupação - considero como são pré-requisitos obrigatórios. Com isso evitamos radicalismos dos dois lados, e continuamos andando para frente.

Sei bem da falta de competência técnica dos gestores públicos e suas respectivas equipes, por isso defendo a formação de uma comissão múltipla para tratar o assunto com responsabilidade e o cuidado necessário.

abraços,

Yuno Silva

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