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.: Praias não têm estrutura para turistas [nov/08]

TRIBUNA DO NORTE - 02/nov/2008
Foto: Júnior Santos

TURISMO - Natal ainda deixa a desejar em alguns aspectos da infra-estrutura

Praias belíssimas, dunas, ruas e monumentos históricos, igrejas seculares, hotéis, parques, reservas naturais. Natal é um mosaico de atrações de encher os olhos de qualquer turista, mas, apesar de todos esses atrativos e dos investimentos feitos pela Prefeitura, a Cidade do Sol, um dos destinos mais procurados do Nordeste, ainda deixa a desejar em alguns aspectos da infra-estrutura.

Uma das principais reclamações dos turistas, comerciantes e dos próprios potiguares é a falta de banheiros públicos ao longo da orla marítima de Natal, que reúne as praias de Ponta Negra, Areia Preta, dos Artistas, do Meio, do Forte e a Redinha. E em nenhuma delas existe banheiro público. “Nós barraqueiros já estamos prontos para receber os turistas, já a infra-estrutura da praia não está nada boa. Não tem banheiro, chuveiro com água doce, segurança”, reclama o barraqueiro Severino Ferreira, que há oito anos trabalha em Ponta Negra.

Pois é, a mais concorrida, badalada e principal point da noite da cidade tem vários problemas que estão afugentando os turistas. “Os turistas não vem mais para a praia. Eles se hospedam nos hotéis aqui de Ponta Negra, mas vão para outras praias porque aqui falta banheiro, quem precisa fazer xixi tem que pedir nos restaurantes e bares. Sem contar nos preços das comidas, tudo muito caro. Um pratinho de camarão por R$40,00”, fala a barraqueira Maria do Céu Nascimento.

Ela trabalha há 30 anos em Ponta Negra e ao longo desse tempo conseguiu comprar uma casa e sustentar os quatro filhos com o dinheiro que ganhava na barraca. “Se fosse para começar tudo novamente, não conseguiria ganhar metade do que ganho hoje. E a tendência é baixar ainda mais. Não tivemos temporada de julho por causa da chuva, vamos ver se agora em janeiro melhora”, disse Maria do Céu.

A incerteza de Maria do Céu tem fundamento. Na última terça-feira, por volta das 10h da manhã, a praia de Ponta Negra estava bastante vazia, poucas pessoas aproveitavam o sol escaldante e o mar azul da praia. Uma cena atípica, mesmo se tratando de um dia da semana. “Cinco anos atrás, aqui era lotado de gente todo dia, não tinha isso de terça, quarta e fim de semana. Hoje mudou tudo”, reclama Céu.

Encantados com as belezas da cidade, a maioria dos turistas não vê problemas, nem aqueles que estão, literalmente, no meio do caminho. Como por exemplo, o adolescente que dormia tranqüilamente debaixo da sombra de um dos coqueiros do calçadão cheio de buracos. “Estou deslumbrada com a praia e com a cidade. A praia é limpa, o atendimento é bom. Vim a Natal há 15 anos, muita coisa mudou e no meu ponto de vista para melhor”, disse a turista de São Paulo, Anastácia Millona.

Já a sobrinha dela, que mora em Natal, vê a situação de uma maneira um pouco diferente. “Seria importante que fossem dadas mais opções de lazer, como uma ciclovia, um espaço para andar de patins, como existe lá em Fortaleza, onde também moro. Outra coisa são vagas para estacionamento. Você só consegue estacionar aqui próximo se vier bem cedinho, se não o carro fica muito longe”, disse Juciane Rodrigues.

A falta de segurança é outro problema da praia. Com a retirada das câmeras de segurança, instaladas nos postes da avenida Erivan França, os turistas e, principalmente, os barraqueiros e ambulantes estavam mais seguros. “Os meninos de rua estão com tudo. Roubam a torto e a direito. A coisa piorou depois que tiraram as câmeras. Os policiais passam por aqui, mas nada pode fazer porque eles são menores de idade”, disse o garçom Rivaldo Cardoso, mais conhecido como Maguila.

Turistas e comerciantes citam deficiências da orla

A orla marítima central de Natal reúne quatro praias: Areia Preta, Praia dos Artistas, do Meio e do Forte, que podem ser apreciadas do alto da Ladeira do Sol. Apesar de ser muito bonita, não tem sido uma das melhores. Há anos, o calçadão da orla central precisa de reforma, mas só agora é que as obras estão sendo feitas.

As quatro praias mais parecem uma só, se não fossem as placas com informação de cada uma delas. Mas é só observar com mais atenção que as diferenças são notadas. A praia de Areia Preta, por exemplo, é mais freqüentada por surfistas. Segundo eles, as ondas do local são ótimas para a prática do esporte.

As praias dos Artistas e do Meio são mais freqüentadas por turistas e moradores da cidade. Nesse trecho, é possível observar a movimentação comercial. Quiosques, lojas, hotéis, pousadas e um Centro de Artesanato, que depois de muita reivindicação, da população e dos trabalhadores do local, está sendo reformado. “No geral, a infra-estrutura da cidade está legal, os pontos turísticos bem sinalizados, as praias limpas. Para mim o principal problema é a ocupação desordenada da areia da praia. Os banhistas têm que disputar lugar com os barraqueiros”, reclama o bugreiro Sulivan Linhares.

Também é nesse trecho onde está sendo realizado o serviço de recuperação do calçadão, que foi derrubado pela força das águas do mar. Entre os principais problemas relatados estão: falta de segurança, de banheiros públicos. “Para ter turista é preciso ter segurança e, infelizmente aqui nós não temos. Eu mesma já vi vários assaltos nos cinco anos que trabalho aqui. A estrutura dos quiosques também deixam a desejar. É muito comum faltar água”, diz a barraqueira Silvana de Andrade.

Para o turista de São Paulo Gilberto Ferreira, as praias estão carentes de bons comércios. “A beleza das praias é inqüestionável, mas acredito que um incremento no comércio, incluindo os quiosques, daria uma melhorada no movimento”, disse o turista.

Outro problema observado pela reportagem da TRIBUNA DO NORTE foi a falta de salva-vidas na orla marítima da cidade. Durante os três dias que a equipe da TN circulou pelas praias, não viu nenhum salva-vidas. “Tem bombeiro sim, mas a gente nunca vê, reclama Silvana.

Na praia do Forte, onde está localizada a Fortaleza dos Reis Magos, principal monumento histórico cultural da cidade, aliás, se não fosse o Forte, talvez não tivessem turistas no local isso porque um trecho que vai da Praia do Meio a do Forte é bastante esquisito. Fora o Forte, a praia não oferece nenhum atrativo, nem as barraquinhas para acomodar os banhistas.

A Fortaleza dos Reis Magos está em boas condições, na medida do possível, são respeitadas as normas de acessibilidade, tendo em vista que a construção é um patrimônio histórico e não podem ser feitas muitas intervenções na sua estrutura. “Aqui não falta nada, tem de tudo. Medicamento, banheiros, inclusive para deficientes, artesanatos”, explica o administrador do Forte, Pedro Abech.

“ O Forte é muito lindo, os guias são bem legais, sabem de tudo da história do Estado. A única reclamação que tenho a fazer é sobre a falta de banheiros públicos nas praias. Estou aqui há dez dias e em nenhuma das praias que fui, tinha banheiro. É preciso entrar no restaurante, consumir alguma coisa para poder usar o banheiro”, disse a turista de Brasília Fábia Lourenço.

Redinha está suja e insegura

A Redinha completa o circuito das praias de Natal. Com sua paisagem típica, formada por pescadores, banhistas e um lindo mar azul colorindo o cenário, que infelizmente é manchado por alguns problemas de infra-estrutura. Como falta de limpeza, de segurança e iluminação.

“A praia é linda, uma das mais bonitas da cidade, mas infelizmente, a falta de infra-estrutura tem prejudicado um pouco, principalmente nós comerciantes. Eu mesmo estou pensando em ir para Cotovelo porque o movimento está fraquíssimo”, reclama Carlos Chagas, que além de comerciante é morador da Redinha.

Uma das principais reclamações dele é com relação a um trapiche, que era utilizado como ponto de apoio para os barcos durante um passeio pelo mar, mas com a construção da Ponte Forte-Redinha, o serviço foi desativado, mas a estrutura ainda continua no local.

“Semana passada um menino se feriu nesses restos de pau, pegou 18 pontos no braço. Ele não foi o primeiro e nem será o último, caso não retirem essas estruturas. E não é por falta de reclamação nossa, porque já perdemos as contas de quantas vezes reclamamos”, conta Chagas.

É na Redinha Velha que se pode encontrar o tradicional Mercado, que mesmo passando por uma reforma continua recebendo aqueles que querem degustar uma irresistível ginga com tapioca. Mas para continuar mantendo viva essa tradição, dona Ivanise Januário, uma das mais antigas do Mercado, tem que ter muita força de vontade.

“Os bugreiros não querem trazer os turistas para cá. Eles preferem levar para Jacumã, Pitangui porque dizem que é mais organizado. Além do mais tem o problema da segurança, que é precária aqui. De vez em quando é que aparecem uns perdidos por aqui”, lamenta Ivanise, que há 30 anos tem um boxe no Mercado da Redinha.

Basta dar uma volta pela praia para confirmar o que diz dona Ivanísia. A maioria das pessoas que estava na praia na última sexta-feira, era de Natal. “As condições da Redinha já foram piores. Não posso negar que houve uma melhora, mas ainda precisa fazer muito. Principalmente com relação à organização dos barraqueiros. A gente quase não tem lugar para ficar”, diz a secretária Fabiana Silva.

Para a dona-de-casa Mariana Córdula com relação à segurança, quase não se vê policiais na praia. “Geralmente eles aparecem mais no domingo quando o movimento é maior, mesmo assim dentro de uma viatura. Eles deveriam andar a pé, por entre os banhistas”, conta a dona-de-casa.

Desde julho deste ano o mercado está passando por uma reforma, a previsão era que as obras fossem concluídas em dois meses, mas um problema na relocação dos comerciantes atrasou o cronograma. Há quatro anos a orla da Redinha, o que já melhorou a infra-estrutura do local. “Tenho fé que quando essa reforma do mercado terminar tudo vai ficar melhor”, diz Ivanise Januário.

Secretário fala sobre projetos para Natal

“Temos feito um bom trabalho. Algumas coisas ainda faltam ser feitas, mas a Secretaria Municipal de Comércio e Turismo tem trabalhado ao máximo para oferecer uma cidade cada vez mais bonita para o turista que nos visita. Principalmente agora, com essa alta do dólar, os destinos brasileiros, e Natal é um deles, estarão entre os mais procurados”, diz o titular da pasta, o secretário Fernando Bezerril.

Ainda segundo o secretário, haverá um aumento de 18% no número de turistas estrangeiros que virão a Natal na alta temporada, que já está chegando. “Nosso papel é arrumar a casa para fazer a festa. Cobrar limpeza, segurança, entre outras ações. E dentro do possível, da nossa pouca verba, de R$ 1,5 milhão, temos criados projetos bastante interessantes”, disse Fernando Bezerril.

Entre esses projetos estão a criação do Corredor Cultural de Natal, que tem o objetivo de viabilizar a revitalização da área histórica de Natal, bem como estimular outros pontos turísticos que não as praias. “O Corredor Cultural vai desde o Convênio de Santo Antônio, na Cidade Alta e a Praça Augusto Severo na Ribeira. Passando pela Rua Chile, Antiga Faculdade de Direito, entre outros pontos históricos da nossa cidade. São três horas de caminhada. Estamos finalizando o roteiro e logo estaremos com mais essa opção”, explica o secretário.

Um outro projeto foi a criação da Associação Norte-rio-grandense das Empresas de Mergulho Autônomo e Turismo Náutico do RN (AMANAÁUTICA). “A idéia é instalar na Pedra do Rosário um píer para embarque de turistas, para passeios pelo rio Potengi e pesca esportiva”, fala o secretário.

Questionado sobre a ausência de banheiros na orla de Natal, o secretário afirmou que esse não é um problema exclusivo de Natal, mas que já tem projetos para reverter esse quadro. Já com relação à manutenção dos calçadões da orla marítima de Natal, a Secretaria de Serviços Urbanos está trabalhando em três trechos para recuperar o que foi destruído pela ação do mar em Ponta Negra, Praia do Meio e dos Artistas.

De acordo com o secretário, até meados de dezembro a obra deve estar concluída. O orçamento é de R$575 mil, recursos oriundos do município.

>>> Comentário pertinente: A situação continua a mesma! O tempo passa e voa e nada muda na Terra do Sol. Até quando iremos ficar a mercê da boa vontade política? Se o TURISMO é NOSSA maior fonte de renda, o que falta para valorizá-lo??

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