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Falta paciência para trânsito tão lento

Valdir Julião - Repórter
Tribuna do Norte - 31 de março de 2011

Enquanto continuam em andamento ou não começam obras consideradas importantes para a melhoria do trânsito em Natal, vão se avolumando os congestionamentos nos principais corredores de entrada e saída da cidade, como as avenidas Salgado Filho/Hermes da Fonseca e Prudente de Morais. Os motoristas sofrem com o lento tráfego de veículos nas principais vias da cidade durante os chamados horários de pico, a partir das 7 horas, quando seguem para o trabalho, e na inversão a partir das 17 horas, quando voltam pra casa.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) tem amostragens de fluxo de veículos em dois trechos da rodovia federal BR 101 – Sul. Os dados foram coletados entre 7h e 9h, e de 17h30 às 19h30, considerados intervalos de pico e em trechos conhecidamente complicados para os motoristas e agentes de fiscalização da PRF.

O inspetor Roberto Cabral, informa que embora a velocidade máxima permitida seja de 80 quilômetros por hora na rodovia federal, a velocidade média dos veículos nesses horários não ultrapassa 60 km/hora.

Segundo a PRF, no km-103 da BR-101 Sul, próximo do acesso ao aeroporto, trafegam uma média de 3.500 veículos/hora. Já no km-96, nas imediações do Carrefour, o fluxo de veículos aumenta para aproximadamente sete mil veículos por horas.

Para o inspetor Roberto Cabral, “o grande vilão dessa história é o crescimento da frota de veículos”, não obstante considerar que “a falta de um transporte coletivo de qualidade” contribui para que as pessoas prefiram tirar seus carros das garagens para chegar mais cedo ao trabalho, deixar filhos nas escolas ou ir às compras no comércio no centro da cidade. “As pessoas preferem o transporte individual, em função da má qualidade do transporte coletivo, ai temos esse trânsito caótico”, disse Cabral.

O inspetor opina que a implantação do VLT (veículo leve sobre trilhos) podia ser uma solução para desafogar o trânsito da capital, principalmente se atender toda Região Metropolitana de Natal (RMN), que abrange dez municípios.

Segundo Cabral, outras soluções para minorar os engarrafamentos advém da área de engenharia de trânsito, porém obras importantes continuam emperradas, como as das marginais da BR-101 entre Natal e Parnamirim, ou mesmo a construção de um viaduto e um túnel à altura do conjunto Cidade Satélite, onde existe um semáforo para regular o fluxo de veículos que entram ou saem da avenida Maria Lacerda Montenegro, em Nova Parnamirim, “que é uma outra cidade”.

Sem essas soluções apontadas, Cabral diz que existem algumas alternativas para os motoristas, que podem usar outras vias de acesso ao centro e a outras áreas da cidade. Quem vem pela BR-101, explica, pode pegar a antiga estrada de Cajupiranga (RN-066) para sair na avenida Ayrton Senna, que é via de acesso para a Zona Sul de Natal.

Quem se encontra na Zona Sul pode desviar pelo anel do campus universitário, a partir da Cidade Jardim. Já os motoristas que vêm das regiões dos Seridó ou Oeste, por exemplo, podem seguir pela BR-226, a antiga estrada de Macaíba, para chegarem às Zonas Leste, Oeste e ao centro da cidade com mais facilidade do que seguir pela avenida Salgado Filho/Hermes da Fonseca.“Esse trecho da BR-226 não tem sinais de trânsito e nem cruzamento nenhum, embora seja uma pista simples, o motorista chega mais rápido a Natal”, informou Cabral.

Horário de picos

Av. Hermes da Fonseca, sentido centro
6 horas 1.277
7 horas 2.272
8 horas 2.104
9 horas 1.493
11 horas 1.719
12 horas 1.798
13 horas 2.074
14 horas 2.071
15 horas 1.692
16 horas 1.775
17 horas 1.863
18 horas 1.879
19 horas 1.277

Av. Prudente de Morais, sentido Petrópólis
6 horas 822
7 horas 1.812
8 horas 1.735
9 horas 1.439
10 horas 1.208
11 horas 1.229
12 horas 1.406
13 horas 1.432
14 horas 1.605
15 horas 1.332
16 horas 1.256
17 horas 1.284
18 horas 1.267
19 horas 832

Av. Prudente de Morais, sentido Lagoa Nova/Candelária

6 horas 571
7 horas 1.515
8 horas 1.464
9 horas 1.220
10 horas 1.610
11 horas 1.747
12 horas 1.668
13 horas 1.609
14 horas 1.610
15 horas 1.539
16 horas 1.490
17 horas 1.964
18 horas 1.857
19 horas 1.267

Obras do PAC da Mobilidade devem sair do papel em 2011

O secretário municipal adjunto de Mobilidade Urbana, Haroldo Maia, diz que as vias públicas “não são o problema” do trânsito, mas sim “a demanda muito grande em determinados corredores de tráfego da cidade”. Haroldo Maia também credita o surgimento de congestionamentos de trânsito ao aumento da frota de veículos - “a uma média de dois mil carros por mês” -, aliado ao fato de que o centro e outros bairros da cidade “são pólos geradores de trânsito devido ao comércio e à prestação de serviços”.

Segundo ele, a coisa ainda poderia ser mais grave, se não estivesse havendo a descentralização das áreas comerciais em Natal. Só para ter uma ideia do volume de veículos que trafega pelas avenidas Prudente de Morais e Salgado Filho/Hermes da Fonseca, número variável conforme o dia e horários, Haroldo Maia informou que de zero hora às 24 horas de terça-feira, dia 29, passaram 27.096 veículos pela avenida Hermes da Fonseca, no sentido centro. O dado foi coletado, segundo ele, pela lombada eletrônica instalada em frente ao 16º Regimento de Infantaria (RI). O maior número de veículos – 2.272 -, foi registrado às 7 horas da manhã, quando as pessoas estão se deslocando para o trabalho.

Maia diz que a solução para isso, vez que o número de carros trafegando dentro da cidade aumenta a cada dia “e o espaço físico continua o mesmo”, é se investir em transporte de massa e na engenharia das vias. Algumas intervenções já estão planejadas em parceria com o Ministério das Cidades, dentro do PAC da Mobilidade Urbana, que prioriza obras para melhorar o transporte coletivo.

Em relação a engenharia de trânsito ele cita as obras que estão inclusas no PAC da Copa de 2014, que vão melhorar o tráfego em vias como da avenida Prudente de Morais, nas confluências de vias públicas como a Capital Mor Gouveia, Raimundo Chaves, Romualdo Galvão e Salgado Filho, por exemplo.

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