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Em outubro de 2011 moradores de Ponta Negra pediam silêncio. E agora? Semurb foi fiscalizar isolamento acústico? Aconteceu alguma coisa de lá pra cá?

Tribuna do Norte - 08 de Outubro de 2011
Valdir Julião - Repórter

A despeito de já existir uma sentença judicial condenatória de primeira instância contra o município de Natal, no sentido de que a Secretária Municipal de  Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) proceda a fiscalização e combate à poluição sonora no chamado Alto de Ponta Negra, 46 moradores da rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, conhecida como "rua do Salsa" apresentaram um abaixo-assinado na Promotoria de Defesa do Patrimônio Público pedindo providências contra o  que consideram "falta de respeito e de fiscalização à "Lei do Silêncio" no local".

Rodrigo SenaNa rua Manoel Augusto Bezerra - conhecida como rua do Salsa - moradores colocam imóveis à vendaNa rua Manoel Augusto Bezerra - conhecida como rua do Salsa - moradores colocam imóveis à venda
Até mesmo empresários como o dono do Albergue Lua, Renato de Lucca, reclama do que qualifica "de boates a céu aberto", as quais são responsáveis pelos sons estridentes a partir das 23 horas e até o amanhecer na "rua do Salsa".

De Lucca afirmou que está há 16 anos na área e passou a perder clientes por causa da poluição, "porque os hóspedes amanhecem o dia sem conseguir dormir". O empresário também falou que fiscais da Semurb até já estiveram no local, "mas chegaram as 19 horas", horário em que ainda não começaram os shows das casas noturnas das redondezas, porque na rua Aristides Porpino Filho, paralela à "rua do Salsa" também funcionam outras boates, a ponto de alguns proprietários de imóveis já terem colocados placas de venda.

A dona de casa Silvana Marques Jorge disse que em virtude do som nas alturas dos bares, restaurantes e casas de shows, a filha mais velha "não tinha como estudar para a faculdade" e foi morar na casa da sogra "antes de casar".

Silvana Marques explica que só ainda não vendeu a sua residência, porque o imóvel está passando por inventário. Ela disse que também "alugava suíte "para moças" em sua casa e deixou de ter clientes em  virtude da poluição sonora.

Outra moradora da rua Manoel Augusto Bezerra de Araújo, Adelaide Ferreira ainda afirmou que a movimentação noturna naquela área de Ponta Negra é um chamativo à prostituição, tráfico de drogas e à marginalidade em geral. Ela disse que nunca houve ameaça de violência, mas informou que apesar de sua casa "ter muro alto e cerca elétrica e um cão de guarda", ladrões pulam "e levam tudo o que vê pela frente".

Dona Silvana Marques declarou que dois ladrões chegaram a entrar na sua casa, quando estava com uma filha, mas por sorte, o genro que é policial também se encontrava no momento da invasão e prendeu os bandidos.

Tráfico de drogas também é comum na área
O delegado da 15ª DP em Ponta Negra, Luís Lucena, disse ontem que a Polícia nunca deixou de fazer o seu trabalho de combater o tráfico e à prostituição no  bairro ou na chamada "rua do Salsa". Ele informou que na noite de quinta-feira, 6, "foi presa a principal traficante da área": Cristiane da Silva, 27 anos, conhecida como "Lidô" ou "Gorda", que reside no distrito de Pium, em Parnamirim, e de lá saia para vender drogas no Alto de Ponta Negra.

Além da traficante, foi preso o taxista Antonio Silva Pereira, que foi enquadrado no artigo 33 por tráfico de drogas. Ele disse à Polícia que atendeu apenas o chamado de uma cliente, mas os agentes de Polícia Civil descobriram que ele já fazia "corrida" há algum tempo para a traficante, que teria escondido sete papelote de cocaína no ânus, quando os dois foram abordados pela Polícia.

O delegado Lucena disse que há um mês foi preso outro  grande traficante do Alto de Ponta Negra, Sérgio Lopes da Silva, e outro conhecido por "Jaburu" também foi preso.

Problema do barulho já está na Justiça
Em sentença datada de 29 de outubro de 2010, o juiz Ibanez Monteiro da Silva condenou o município, "na obrigação de fazer", a coibir a poluição sonora no Alto de Ponta Negra, a fim de evitar que os estabelecimentos comerciais produzissem ruídos acima dos níveis legalmente permitidos: 50 decibéis em horário noturno e 55 decibéis no período diurno.

No entanto, a promotora de Defesa do Meio Ambiente, Rossana Sudário, informou que o município não vem cumprindo com a decisão judicial, apesar de a Semurb tê-la informado que as providências estão sendo tomadas.

Ela disse que aquela rua "é realmente um inferno", mas hoje  a ação civil pública que começou a tramitar em 28 de fevereiro de 2008 na 2ª Vara da Fazenda Pública, hoje se encontra em grau de recurso para que seja executada a sentença contra o município. A TRIBUNA DO NORTE tentou falar, à tarde toda, com gestores da Semurb, mas ninguém atendia o telefone.

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