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Em outubro de 2011 a Vila de Ponta Negra pedia atenção. E agora? Mudou alguma coisa?

Diário de Natal - 23 de outubro de 2011 


Moradores enfrentam problemas que vão desde o saneamento básico até assistência médica

Mesmo tendo como vizinho o cartão postal mais famoso da capital, a Vila de Ponta Negra tem despertado pouca atenção. Pelo menos do setor público. Esta é a sensação que se tem ao conversar com os moradores da Vila, extremo Sul da capital. A comunidade é beneficiada com a bela vista do Morro do Careca, mas carece de infraestrutura básica e de alguns serviços essenciais para qualquer população.


Apesar de desfrutar da bela paisagem, comunidade sofre com os problemas urbanos provocados pelo crescimento desordenado Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press
A lista de problemas inclui buracos nas ruas, saneamento básico insuficiente, violência e insegurança, turismo sexual e prostituição, ausência de mais áreas públicas de lazer, lixo acumulado, degradação ambiental, consumo e tráfico de drogas e crescimento urbano desordenado. "Aqui é bom de se viver, o problema é que essas coisas ruins permanecem ao longo do tempo, sem ninguém resolver", afirmou a moradora Cibele Aguiar. A lista de problemas contrasta com os depoimentos de uma população que, apesar de buscar a vivência em comunidade, clama por atenção das autoridades.A comunidade que hoje sofre com os problemas urbanos surgiu de uma bucólica e tradicional vila de pescadores. Estima-se que, até o século passado, a Vila de Ponta Negra era habitada por indivíduos ligados à atividade pesqueira. Havia, entretanto, roçados para ajudar na economia doméstica, além do trabalho de renda de almofadas feito por mulheres. "Era o tempo de uma pobreza muito grande", conta Maria de Lourdes de Lima, 77 anos, uma das rendeiras de bilro mais antigas da Vila. "Meu pai vivia de fabricar carvão, da pesca e do roçado que tinha. Quando era época de muitos peixes, dava pra ter um almoço mais folgado", relata ela, que era filha adotiva.

Após a 2ª Guerra Mundial, com a influência norte-americana de banhos de mar, foram iniciadas construções de casas de veraneio. Contudo, uma das primeiras referências históricas a Ponta Negra é a descrição do período da ocupação holandesa, em 1633, na Cartografia do Rio Grande do Norte. Registros de 1877 dão conta de uma casa de oração na povoação de Ponta Negra e de uma escola pública para o sexo masculino. Quando menina, Maria de Lourdes conta que costumava "espiar" rendeiras mais velhas trabalhando. Ela começou a render aos 7 anos, por iniciativa da mãe. "Ela não sabia render, mas viu que eu tinha vontade de aprender", conta.

Após aprender a arte dos bilros, a mulher se tornou uma das mais experientes rendeiras da Vila, dedicada ao trabalho como meio de vida. "Tive 12 filhos e criei dez porque dois morreram. Sustentei todos eles fazendo minhas rendas. Faço camisetas, porta papéis, decoração de mesas, blasers, vestidos e saias", enumera. Cada peça custa em média R$ 65, os vestidos são mais caros. "Mas os negócios estão fracos, meu filho. Às vezes a gente passa semanas sem vender", lamenta ela, que agora se dedica a ensinar dez rendeiras num curso de artesanato.

1 comentários:

Joao Carrasco disse...

senhores políticos que vergonha..... uma praia linda uma natureza exuberante sem qualquer participação de humanos. Quando há necessidade da intervenção do poder publico vergonhoso. Que DEUS possa iluminar o próximo mandatário para realizar somente sua parte o resto deixe por conta do senhor!!!! joão carrasco - sao paulo.

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