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Avanço do mar provoca novos desabamentos em Ponta Negra

Diário de Natal - 8 de maio de 2012 

Erosão costeira ameaça praia mais conhecida do estado. MP e entidades fazem vistoria e estudam alternativas



Trechos do calçadão nas proximidades do Quiosque 12 cairam no fim de semana. Fotos: Carlos Santos/DN/D.A Press
O mar avançou de novo na Praia de Ponta Negra e provocou o desabamento de mais dois trechos do calçadão durante o final de semana, nas imediações do Quiosque 12. Um poste foi retirado porque corria o risco de cair. Já são pelo menos oito trechos da estrutura do calçadão comprometidos com a força das marés nos últimos quinze dias. Os pontos mais críticos ficam na região do calçadão que se aproxima da Via Costeira, tendo em vista que a força da água da praia se soma à maior velocidade das ondas e à intensidade dos ventos, menos fortes na região do Morro do Careca. Problemas como esses foram observados ontem durante vistoria do Ministério Público Estadual e de várias secretarias municipais, além de órgãos do Governo do Estado e de representantes dos comerciantes da praia. A vistoria foi coordenada pela promotora do meio ambiente Gilka da Mata.

Os trabalhadores de Ponta Negra se disseram preocupados principalmente com a força das marés. "Tem que ser feita alguma coisa enquanto é tempo. Se demorar mais vamos perder a nossa praia", alertou o comerciante Rosivaldo Carvalho, proprietário do Quiosque 1, o mais próximo ao Morro do Careca, cartão-postal da capital. "Antes a gente trabalhava a sete ou dez metros de distância do calçadão. Agora perdemos essa área de proteção. Aqui próximo ao calçadão havia uma areia fofinha, seca. Hoje sempre está molhada. E nós estamos trabalhando junto ao calçadão porque lá na frente não há mais espaço", acrescentou o presidente da Associação dos Locatários de Cadeiras de Praia, Gênesis Ferreira de Arruda.

A vistoria serviu para observar in loco os problemas da praia de Ponta Negra. "Há problemas como a falta de iluminação noturna no Morro do Careca, falta de banheiros para os frequentadores da praia, línguas negras correndo com esgoto para o mar e falta de estrutura no calçadão", elencou o presidente da Associação dos Trabalhadores de Ponta Negra (Atipon), Marcos Martins. "Viemos conferir os problemas e trouxemos as pessoas que estãoaptas a dar soluções. Isso aqui na verdade é o começo, o pontapé inicial. Agora vamos fazer reuniões técnicas para listar os problemas e dar soluções para todos eles", disse a promotora Gilka da Mata.


Semsur confirmou a possibilidade de fazer estudo minucioso sobre erosão costeira em Ponta Negra.
No caso da deterioração do calçadão, talvez o mais crítico dos problemas, já existem estudos no Departamento de Geologia da UFRN que alertam para os riscos da erosão costeira. Por sinal, o professor e estudioso Venerando Amaro acompanhou a comitiva e sugeriu a possibilidade de fazer a engorda da praia, ou seja, trazer de volta a areia que a água leva para regiões mais distantes da beira-mar através de dragas, ou mesmo a construção de um quebra-mar, que faria a contenção da areia que se arrasta na maré alta com barreiras de pedras. "A situação aqui é dramática, eu diria. A praia de Ponta Negra está desaparecendo", alertou ele.

Segundo o estudioso, há uma retirada muito grande de areia da orla e pouca chegada de material. "Sabemos que é uma questão sazonal, mas percebemos um déficit muito grande dos últimos anospara cá. Aquele material que chega não tem sido suficiente para fazer uma engorda natural, que seria o ganho de areia. A cada ano percebemos a diminuição do volume de areia na praia", constatou Venerando. Ele disse que os estudos que realiza na costa urbana de Natal foram divididos em vários trechos. O de Ponta Negra compreende a área que vai do Morro do Careca ao Ocean Palace, primeiro hotel da Via Costeira.

O secretário Luiz Antônio Lopes (Semsur) confirmou que o município já avalia a possibilidade de fazer um estudo minucioso sobre a erosão costeira em Ponta Negra. "O estudo vai encontrar o tipo de mecanismo que vai aumentar a faixa de areia da orla: se vai ser engorda ou mesmo um espigão. Também é preciso fazer um EIA/RIMA [Estudo de Impacto Ambiental/Relatório de Impacto Ambiental] para garantir que essas intervenções não vão causar prejuízos em outros trechos", disse.


Estudioso da UFRN diz que é necessário conhecer dinâmica costeira para avaliar soluções na área
A arquiteta e urbanista Rosa Pinheiro, que presta assistência ao Centro de Apoio Operacional da Promotoria do Meio Ambiente (Caop/MA), lembrou que o processo de erosão é contínuo. "Para se manter a estrutura urbana que já existe na região, é preciso alguma alternativa. Uma delas é a engorda da praia. Outra é o quebra-mar, como o que existe em Areia Preta. A engorda é feita porque a areia fica contida entre os espigões. Aqui nós ainda não sabemos qual a alternativa mais adequada". 

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