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280 metros de crateras em Ponta Negra

Diário de Natal - 6 de julho de 2012 


Três campos de futebol. Este é o resultado da última medição dos buracos existentes no calçadão da praia


Foto: Fotos: Carlos Santos/DN/D.A Press
O comerciante João Carlos de Oliveira, dono do Quiosque número seis da praia de Ponta Negra, pode ser a próxima vítima da maré cheia que atinge o calçadão a beira-mar, na zona Sul de Natal. Somente nesta semana, seis postes da rede elétrica caíram e pelo menos mais quatro ameaçam tombar, devido à fragilidade do calçadão. Dois quiosques foram removidos ou afastados ontem e pelo menos mais dois estão em estado de alerta. Segundo dados da Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur), as medições somadas até a última quarta-feira já mostram 280 metros lineares de crateras, equivalente a três campos de futebol. Ao todo, o calçadão contabilizava (sem o prejuízo dos buracos) uma extensão de 2.300 metros.

Morador da Vila de Ponta Negra, João Carlos trabalha na praia há 26 anos, antes mesmo da existência do calçadão. Como proprietário do Quiosque 6, acompanha todos os dias as rachaduras que vem arrastando seu pé de castanhola, ao lado do estabelecimento, e mais doiscoqueiros vizinhos. "Ninguém mais está sentando aqui em baixo para comer alguma coisa. Chegou aqui uma senhora de São Paulo e não conseguiu descer para a praia porque a escada cedeu", contou o comerciante, que tem chegado ao local às 4h da manhã para ver se está tudo bem. "Isso aqui é feito de fibra, se um poste desses cai pela noite, corre o risco de tudo pegar fogo".

Para facilitar o acesso dos banhistas à praia nas áreas mais altas da orla, alguns hotéis estão construindo escadas de madeira improvisadas, o que tem afastado os turistas. Valdir Pinheiro, de Sorocaba (SP), visita o local pela primeira vez e conta estar surpreso com a situação da cidade. "A gente vê um descaso enorme tanto nas avenidas, cheias de buracos, como aqui na praia. A minha cidade, com 700 mil habitantes, tem uma arrecadação bem menor e está em melhores condições que Natal", afirmou.

Cinthia Fernanda, presidente do conselho comunitário de Ponta Negra, disse que não houve uma explicação da intervenção feita na praia e critica a falta de diálogo da prefeitura com os moradores. "Na realidade esse projeto da orla deveria ter sido feito em torno de dois anos, mas houve pressa na entrega e falta de planejamento antes da execução. Nós não temos acesso ao projeto original, mas temos a consciência de que ele não foi executado com qualidade", explicou.

O titular da Semsur, Luiz Antônio, explica a ação da prefeitura, que aguarda a ajuda do Exército Brasileiro para a reparação da orla de Ponta Negra e da Praia do Forte, avaliada em R$ 700 mil. "Nós não podemos dar um apoio financeiro a essas pessoas porque essas obras são extremamente temporárias. Nós estamos avaliando a situação, junto com a Defesa Civil e o Ministério Público para que possamos removê-los ou realocá-los definitivamente. O que se está fazendo são obras emergenciais, a curto prazo, para dar garantia de sobrevivência a essas pessoas".

Sobre uma solução definitiva para o problema, o secretário afirma que falta um estudo aprofundado de impacto ambiental. "Alguém há 15 anos achou, possivelmente, que essa obra ia ficar para o resto da vida. Mas o mar veio e tirou toda a areia, fragilizando o solo. Há estudos de professores que avaliam que cerca de 20 mil caminhões de areia já foram levados pelo mar", explica Luiz Antônio. Desde fevereiro deste ano, cinco pontos foram destruídos na orla e R$ 476 mil foram gastos pela prefeitura com reparos.


Frequentadores e comerciantes contabilizam prejuízos e transtornos com trechos caídos de calçadão. Fotos: Carlos Santos/DN/D.A Press

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