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Matéria DN 22/3 :: Sociedade quer o Potengi vivo

Sociedade quer o Potengi vivo

Repórter: Viktor Vidal

O Rio Potengi está eternizado em músicas, cartões postais e na memória de cada admirador que já teve a oportunidade de contemplar a beleza terna do sol se escondendo por trás das margens no finalzinho de tarde. Mas também não é novidade a batalha travada pela natureza para manter vivo o maior estuário do estado diante de tantos maus tratos que acabam passando despercebidos nos mistérios que envolvem o ambiente submerso das águas.

Talvez por falta da chamada consciência ecológica - pensamento em alta apenas no século 21 - ou mesmo por achar que a sobrevivência do rio não tem nenhuma relação com as condições de vida humana, por muito tempo a sociedade não deu muita bola para a agonia do Potengi. Mas parece que agora tudo vai mudando. Atitudes governamentais e iniciativas isoladas da sociedade estão aos poucos devolvendo a vida ao gigante Potengi.

Pode até ser uma gota d’àgua no oceano. Mas só o fato de falar para um amigo que não jogue lixo no rio já é um importante passo. Esse é o pensamento idealizado pelo programa Potengi Vivo, que envolve ações práticas e educacionais para a preservação do rio. ‘‘Queremos que cada um venha a desenvolver o olha crítico sobre o rio’’ resume o biólogo Paulo Gerson Lima, coordenador do projeto Barco-escola, uma das vertentes do programa.

BARCO

Desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Econômico e Meio Ambiente (Idema), o Barco-escola promove passeios no estuário do Potengi, com aulas sobre a história, geografia e biologia do rio. Outra ação é a limpeza diária das águas e mangues que envolvem o rio. Para se ter uma idéia, por dia são recolhidos 500 quilos de lixo. Nos mutirões mensais, o trabalho chega a acumular nada menos que 5 toneladas de dejetos.

‘‘A situação era bem pior no final da década de 90’’, conta Paulo Gerson, informando que a partir da próxima semana o projeto começa a divulgar a balneabilidade da água verificada através de amostras coletadas durante o passeio. ‘‘O rio está ressuscitando, voltando a respirar. Mas não é de uma hora para outra que tudo vai estar resolvido’’, observa. Os passeios são oferecidos para estudantes e professores do ensino fundamental e médio.

Em cerca de uma hora e meia, a aula a bordo de um catamarã conta um pouco da história desenvolvida pelo homem ao redor do rio, revelando belezas desconhecidas para a maioria dos alunos, mas também mostra a triste realidade do bombardeio diário de impurezas jogadas no Potengi. É lamentável ver na comunidade do Paço da Pátria dois enormes canos despejando esgoto sanitário de diversos bairros nas águas do Potengi.

Mais triste ainda é observar moradores da comunidade, alheios ao problema, tranqüilos, pescando em pequenas embarcações. Ao mesmo tempo, o passeio revela um cenário de beleza sobre as águas. Frondosos barcos de passeio se preparam em frente ao Iate Clube para iniciar novas incursões. No cais do Porto de Natal, é empolgante observar a engrenagem da nossa economia em pleno vapor. ‘‘O olhar de cada um sobre o rio não é o mesmo de antes do passeio’’, garante Paulo Gerson.

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