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Matéria DN 10/11 - Grande Pênis Branco

Em Ponta Negra, ato contra sexo turismo

Sérgio Vilar - Repórter
Foto: Carlos Santos

Grupos organizados SOS Ponta Negra e Pau e Lata saíram em passeata

O natalense e o turista que estiveram quarta à noite na chamada Rua do Salsa, em Ponta Negra, viram uma cena inusitada: na linha de frente de um protesto contra a exploração do turismo sexual e da especulação imobiliária em Ponta Negra, estava o ‘‘Grande Pênis Branco’’, uma escultura fálica de dois metros de altura. E atrás da escultura, um grupo de atores, músicos, poetas, produtores culturais e simpatizantes da causa. A idéia foi a de ‘‘chocar essa sociedade zumbi, que apenas aceita a situação sem se revoltar’’, disse Lucíola Feijó, coordenadora do Grupo Grupo, movimento formado em Fortaleza e que originou a idéia replicada em Natal.

O protesto teve início por volta das 23h, quando a ONG Pau e Lata - movimento de proposta artístico-pedagógico - juntou-se a representantes do movimento SOS Ponta Negra, em frente a boite Amiça, na Avenida Eng. Roberto Freire, e seguiram em cortejo para a Rua do Salsa. Os cerca de 50 manifestantes distribuíram panfletos entre a população presente na rua e realizaram intervenções artísticas, com simulações lúdicas-teatrais relacionadas à prostituição. Previamente foram pregados cartazes nos postes da Rua do Salsa. O conteúdo provocativo e irônico mostrava dizeres como ‘‘Área de Turismo Sexual’’, ou desenhos de nádegas em cima de outro com garfos e facas.

Onde ainda há residência na área com predominância de bares, restaurante e pousadas, moradores aplaudiram o cortejo da calçada. ‘‘Precisamos acabar com isso. Queremos Ponta Negra de volta’’, gritou um morador. O ambulante Marcos Dutra, há dois anos no bairro, afirmou serem ‘‘suspeitas’’ as cenas de prostituição que vê diariamente. Aparentemente irritado com o protesto, que deixou o trânsito lento no local, o taxista Edemosaíldo Costa disse que ‘‘todo protesto é válido. Agora, se eu tivesse com cliente no carro teria perdido’’.

A opinião do italiano Cristian (não quis dizer o sobrenome e disse estar desempregado), 31, é de que o protesto é ‘‘uma palhaçada’’. Até acompanhou por um momento o cortejo, com ironias claras ao movimento. Primeiro o estrangeiro disse não ter visto prostitutas naquela área. Depois, disse que ‘‘o problema não é o estrangeiro em Ponta Negra, mas a falta de política pública para tirar as garotas da prostituição’’. E embora confirme a ilegalidade da prostituição na Itália, Cristian disse que ‘‘existe em diversas cidades italianas e não há problema nenhum. Agora, se for infantil, aí sim’’.

Dono de bar na Rua do Salsa, o jornalista Max Fonseca disse que é frequente a presença de garotas em busca de um namorado europeu. ‘‘Muitas vezes nem são prostitutas, mas meninas da periferia que desejam uma vida melhor’’. Max Fonseca disse ainda que o índice de prostituição infantil naquela área ‘‘é zero’’. Quanto à questão da especulação imobiliária, o jornalista se mostrou radical: ‘‘Seremos uma riviera francesa se mantivermos nossa paisagem. É burrice construir espigões. Isso vai baixar os preços. Essa onda de protestos aqui tem surtido efeito. Conheço investimentos que estagnaram depois dessas manifestações’’.

A professora de antropologia Lisabete Coradini - que filmava o protesto para um vídeo-documentário que integrará um projeto de pesquisa - alertou para a comparação de fotos que tirou há três anos e que mostram uma paisagem ‘‘bem diferente, com mais árvores e terrenos baldios’’. A opinião é compartilhada pelo artista plástico e poeta de glosas, trovas e sonetos, Pedro Grilo: ‘‘Sou solidário ao bem-comum, recharçando a especulação imobiliária, insensível e ambiciosa. Me vingo em minhas telas, onde Ponta Negra só tem coqueiros. Antigamente Ponta Negra era uma paisagem bucólica’’.

2 comentários:

Cintia Gushiken disse...

Ótimo, vamos continuar com esses movimentos chamando a atenção do restante da população. Parabéns a todos pelo movimento. Cintia Gushiken email: cintiagushiken@yahoo.com.br

Anônimo disse...

Parabens pelo movimento.Cuidado a não despertar sentimentos raçistas.
Vamos prestar atenção aos problemas sociais da Vila.Meninos de 6 anos ate 10 anos fumando crack livremente na ladeira da Vila e comprando o mesmo na Floresta e Na Campina.Ninguem fala nada, ninguem acha ruim o grave.Policia e autoridades inesistentes ,crianças deixadas ao proprio destino.Isso e' um problema basico para resolver,o qual e' diretamente envolvido com o problema da prostitução.Uma sociedade que deixa criança na rua,pode esperar algumas coisas de bom no futuro?

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